VOZ no mercado de trabalho: como ela pode ser trabalhada para os diferentes desafios da sua carreira

A voz é como uma impressão digital: única e individual. Não existe, no mundo, duas vozes iguais. Elas representam um individuo em ciclos pessoais e familiares, em todas as circunstâncias de relacionamento. Dito isso, podemos dizer que as profissões e algumas atividades no mercado de trabalho, a começar pela entrevista de emprego, passando pelas reuniões e apresentações em palestras e afins, devem imprimir um tipo/tom de voz que mais combina com a ocasião e sua finalidade.

Como explica a fonoaudióloga especialista em voz profissional e diretora da Linguagem Direta, Juliana Algodoal, “a voz pode transmitir autenticidade, força, inverdade, fraqueza, de acordo com sua emissão. Somado a isso, ainda existem os fatores gestuais, que podem intensificar as emissões da voz ou mesmo contradizê-las. Mas é possível aprender a coordenar estes fatores de expressão de voz e corpo com o treinamento adequado”.

Do ponto de vista da aptidão vocal e profissão, a fonoaudióloga exemplifica: “Frequentemente ouvirmos as pessoas comentarem sobre alguém ter voz de locutor, ou seja, uma voz característica para quem trabalha com locução, como rádio, por exemplo. Dizemos isso porque há um padrão de voz mais identificado para esta função. Desta maneira, se a pessoa quer usar a voz de forma profissional ela precisa conhecer não somente a sua voz, mas também a que melhor identifica o profissional da área em que se deseja atuar”, ressalta.

De uma forma geral, as relações profissionais requerem um cuidado extra no quesito voz comportamental, já que as pessoas que trabalham juntas não são amigas (embora no Brasil muitas acabem ficando amigas). São pessoas com culturas diferentes, famílias e formações que se fundem em um conjunto de características que são expressas pela comunicação. Uma pessoa pode falar com um vocabulário melhor, com mais cuidado, ou pode não querer/precisar cuidar do seu vocabulário, mas se ela fala alto, gritando e incomoda os outros no ambiente de trabalho, certamente haverá um impacto negativo para esse profissional. O mesmo acontece quando a pessoa usa a voz inadequadamente no trabalho.

 “Como uma roupa que escolhemos para se adequar ao ambiente em que iremos, por exemplo, como passeio, trabalho – podendo ser mais casual ou menos casual…, a voz também pode e deve ser adaptada ao ambiente de trabalho em que atuamos. Uma pessoa que trabalha em ambiente compartilhado, especialmente lideres que precisam dar feedbacks o tempo todo, precisam encontrar o tom adequado para não expandir para todos. Sob este aspecto, também é importante que um líder de equipe transmita segurança ao falar. Além disso, a postura também tem um papel importante nesse processo de treinamento vocal”.

A especialista também esclarece que em alguns casos, poderá ser trabalhada a modificação da voz para atingir um objetivo em específico, embora este trabalho seja bem mais raro e complexo. O que se modifica com mais facilidade é a velocidade de fala, a entonação, a intensidade (volume). Esses parâmetros já causam muita diferença na expressividade e são mais fácies de serem adaptados, com a ajuda de um especialista em fonoaudiologia.  Este profissional irá analisar e orientar sobre o fluxo respiratório, estrutura e gestos faciais, bem como postura que possam ser melhorados para o atingimento dos melhores resultados dentro dos objetivos de cada pessoa.

Para auxiliar o entendimento sobre a voz em algumas situações profissionais, a fonoaudióloga Juliana Algodoal separou algumas dicas:

Voz do líder: Importante dizer, antes de tudo, que o líder precisa ter, essencialmente, atitudes de líder. Embora a voz seja de extrema importância para emitir segurança, é o contexto em que ela é aplicada que faz toda a diferença. No mais, é importante que a voz do líder seja clara e objetiva. E mais importante, um líder não necessita gritar para demonstrar autoridade, ao contrário.

Entrevista de emprego: a voz e o conteúdo da fala do candidato ao emprego devem estar em sintonia e corresponder à veracidade dos fatos apresentados no currículo. Parece óbvio, mas a realidade mostra que nem todos são totalmente verdadeiros em seu resumo e na hora da entrevista isso tende a transparecer. Outro ponto a destacar é sobre a importância de o vocabulário corresponder à vaga, ao cargo, ao perfil da empresa. Empresas mais formais requerem vocabulários idem. Para todas as ocasiões, se atentar para não deixar a ansiedade se sobrepor à voz e interferir no desenvolvimento da fala e do discurso em si. Falar pausadamente e ficar atento à respiração (para não perder o fôlego) ajudam neste processo.

Apresentação em eventos e palestras: Quando estamos no palco ou na frente de uma plateia qualquer, precisamos “preencher o espaço”, o que significa que junto com a voz, o corpo tem papel muito importante. Esta exposição mais ampla costuma gerar mais ansiedade e segurança, especialmente nas primeiras experiências. Sob este aspecto, dominar o assunto da apresentação é muito importante. Controlar gestos e movimentos do corpo também soma para o melhor desempenho, onde o ideal é evitar posturas estáticas demais ou ficar se deslocando de um lado para o outro como se estivesse jogando tênis. Ainda sob o aspecto da ansiedade, ela costuma apressar o ritmo da fala, e ai entra novamente a importância da respiração para ajudar no fluxo da fala e, outro ponto básico, mas pouco falado, é saber dimensionar o tempo entre slides e discurso para evitar acelerações de ultima hora. Por último, mesmo com microfone, a impostação de voz faz a diferença no quesito de transmitir autoconfiança. Mas, atenção, impostar voz não é gritar.

Sobre Juliana Algodoal:

Doutora em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem na área de Análise do Discurso em Situação de Trabalho, mestra em Distúrbios da Comunicação e Fonoaudióloga pela PUC/SP. Sócia-diretora da Linguagem Direta e membro da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia.

Sobre a Linguagem Direta:

Há 28 anos no mercado, a Linguagem Direta tem sua origem na especialidade clínica fonoaudiológica e na profissionalização de profissionais de centrais de atendimento (call centers), tendo se desenvolvido ao longo dos anos para o aperfeiçoamento de apresentações profissionais de executivos de grandes empresas, qualificando-os para reuniões, palestras e outros desafios de comunicação comuns em suas atividades e necessidades das empresas em que atuam.

 Informações para a Imprensa:

Baruco Comunicação Estratégica

Fone: 11 3539-9901 – e-mail: imprensa@baruco.com.br

Bruna Carvalho – 11 98749-6742 | Ricardo Berlitz – 11 99645-2067