Pesquisadores realizam um estudo sobre a Helicoperva armigera na fazenda São Mateus

Mato Grosso do Sul está passando por um surto da lagarta Helicoperva armigera, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.  Em estado de emergência fitossanitária, medidas emergenciais estão sendo feitas, uma vez que os campos de soja e de algodão são os mais prejudicados.

De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Helicoverpa armigera é muito agressiva e fica nas vagens e flores da soja e se multiplica muito rapidamente, o que ocasiona um surto.

Pesquisas estão sendo realizadas em Mato Grosso do Sul, na fazenda São Mateus – (Três Lagoas) / Selvíria e na fazenda de ensino,  pesquisa e extensão de Ilha Solteira (Selvíria – MS), onde técnicas e estratégias de Manejo Integrado de Pragas, desenvolvimento e seletividade de agroquímicos, agentes de controle de pragas (biológico, químico, comportamento e outros) e quantificação de danos de pragas em culturas (em especial “Helicoverpa armigera), servem de base para a produção de conteúdo científico e publicado em revistas renomadas.

Para o engenheiro agrônomo, mestre e doutor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Ilha Solteira – SP, cidade próxima de Três Lagoas – MS, Geraldo Papa, eliminar a lagarta é praticamente impossível, devido às características e hábitos. “A Helicoverpa armigera, possui a diapausa facultativa (capacidade de “hibernar” por longos períodos), polifagia (alimenta-se e reproduz nas principais culturas cultivadas em larga escala no estado como soja, algodão, milho, feijão, milheto, crotalária entre outras, além de várias plantas daninhas). Assim, torna-se fundamental “aprender” a conviver com a praga de forma que seus danos possam ser minimizados. A forma mais racional de controle é o Manejo Integrado de Pragas (MIP), que utiliza vários métodos de controle que iniciam já na escolha da cultivar (cultivares transgênicas por exemplo – Bt) e continuam até na entressafra com o vazio sanitário”.

Características

Pesquisas estão sendo realizadas e para o engenheiro agrônomo e mestrando em sistemas de produção, João Antonio Zanardi Júnior, “o ciclo completo da Helicoverpa armigera compreende em uma fase que o inseto é um ovo de onde eclode uma lagarta (fase que causa dano). Após a fase larval, o inseto se torna uma pupa e completa seu ciclo se tornando um adulto (mariposa). As mariposas fêmeas ovipositam preferencialmente no período da noite, colocando seus ovos separadamente, ou em pequenos agrupamentos na superfície inferior das folhas ou órgãos reprodutivos (flor ou vagem)”, reforça.

Controle químico

O professor diz ainda que a tomada de decisão de controle químico também precisa ser criteriosa nesse caso. “Temos que realizar o trabalho com base principalmente no nível de dano das culturas detectado pelas amostragens semanais e a preferência pelo uso de inseticidas seletivos e de baixo impacto ao ambiente, além da eficiência de controle. O controle químico é indispensável para o manejo da praga, principalmente quando a população das lagartas encontra-se em estágios larvais mais desenvolvidos e atingiu nível de dano econômico. Como alternativa biológica, hoje, há disponíveis comercialmente,  inseticidas biológicos a base de vírus e fungos entomopatogênico, que possuem excelente seletividade a inimigos naturais, bom perfil toxicológico e boa eficácia no controle da H. armigera. Entretanto, são mais eficazes quando a praga se encontra em suas primeiras fases do desenvolvimento larval e deve ser utilizados seguindo rigorosamente as condições propícias ao seu uso”, reforça.

Zanardi afirma que conforme as lagartas vão se desenvolvendo, podem adquirir colorações variando de amarelo-palha a verde. “Após o quarto ínstar, as lagartas apresentam tubérculos abdominais escuros bem visíveis na região dorsal do primeiro segmento abdominal. Quando ameaçadas, recurvam a parte anterior do se corpo “a cabeça”. A partir dessa fase a praga se torna mais tolerante a ação dos inseticidas”.

Agressividade

Questionados sobre a agressividade da lagarta nas plantações, João Antonio diz que “a Helicoverpa tem preferência em se alimentar das estruturas reprodutivas da planta, tais como botões florais, flores, vagens e frutos que influenciam mais diretamente da produtividade, diferente das pragas que alimentam-se apenas de folhas, onde o dano pode ser compensado pela planta. Em pesquisas realizadas pela equipe do professor Geraldo Papa da UNESP de Ilha Solteira, constatou-se na cultura da soja, que cinco lagartas por metro de linha de plantio danificam em média 23 vagens. Em algodão, uma lagarta por planta consumiu 9,7 estruturas reprodutivas”, finaliza.

 Fonte: Ar-Comunicação