“A vitória do governo é artificial e passageira”, garante o deputado Sergio Zveiter

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O Mariana Godoy Entrevista desta sexta-feira (14) foi ao Rio de Janeiro para conversar com o relator do primeiro parecer sobre a denúncia contra o presidente Michel Temer feita pela Procuradoria-Geral da República. O autor, o deputado Sergio Zveiter (PMDB-RJ), é advogado e pertence a uma família tradicional do Rio de Janeiro.

Zveiter admitiu que o pai, o advogado e ex-magistrado Waldemar Zveiter, foi uma das poucas pessoas a ter acesso ao relatório antes de sua divulgação: “Realmente o meu pai é uma pessoa que tem uma larga experiência e por ser um procedimento tão importante e de tanta responsabilidade, eu realmente levei para ele e expliquei do que se tratava. Levei a Constituição da República, o Regimento Interno da Câmara, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal que eu estava usando, do Superior Tribunal de Justiça, a doutrina sobre a matéria e pedi que ele lesse para mim, para dizer pelo menos na visão dele, se ele achava que eu estava no caminho certo.” O deputado confidenciou que teve um retorno positivo do pai, que teria dito: “Meu filho, é esse o caminho”.

O relator do primeiro parecer – que recomendou a admissibilidade das denúncias contra Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ) – admitiu, ainda, que ligou para um ‘grande advogado constitucionalista’, que teria pedido sigilo, e pediu uma opinião. Sergio Zveiter disse, também, que telefonou para um professor de direito penal e de processo penal e, finalmente, que ligou para um advogado criminalista de muita confiança dele. O deputado garantiu: “Os três, sem saber, me deram a mesma opinião, que era esse o princípio que eu tinha que seguir”.

Para falar sobre como se sentiu ao ter o parecer rejeitado, Zveiter citou sua participação em outra comissão da Câmara: “Ninguém gosta de participar de uma Comissão de Ética, que vai punir um parlamentar.” Ele se referia à experiência que teve na cassação do mandato do ex-deputado Natan Donadon (RO). Zveiter disse ter ficado contrariado quando, na primeira tentativa, o plenário da Câmara optou por não cassar os direitos de Donadon após votação secreta. O parlamentar admitiu que pensou em renunciar ao seu mandato. O deputado falou sobre algo que considerou uma vitória neste caso: ”Conseguimos aprovar o voto aberto na Câmara. “ Zveiter foi, então, relator pela segunda vez na CCJ e o mandato do ex-deputado de Rondônia foi cassado. Depois de expor essa situação, ele falou sobre a denúncia contra o presidente Michel Temer e garantiu: “Eu já sabia que o resultado ia ser desfavorável.” Zveiter explicou o motivo para ter essa crença e minimizou o fato: “Não foi surpresa”. Sobre os 12 deputados que foram tirados da CCJ, ele alertou: “Eles vão votar no Plenário, por isso até que ‘eles’ adiaram para agosto.” Sergio Zveiter chamou a vitória do governo de artificial e passageira e avisou: “Eles estão comemorando, mas agosto está aí”.

O deputado do PMDB do Rio de Janeiro deixou claro que o fim do voto secreto é um grande aliado para a população do Brasil: “A sociedade vai saber quem quer pegar fatos gravíssimos praticados, em tese, pelo presidente da República, no exercício do mandato, e vai botar embaixo do tapete e quem vai querer que seja esclarecido, como qualquer cidadão comum”. Ele ainda fez um comentário direto sobre o chefe do Executivo Federal: “O Michel Temer devia ser o primeiro a querer ver isso apurado, quem não deve não teme, então, dia dois de agosto está aí”.

Questionado sobre a reação popular à rejeição de seu parecer na CCJ, Zveiter disse não ter pesquisas sobre o assunto. O deputado, entretanto, citou as redes sociais como termômetro para medir a repercussão dos últimos fatos em Brasília. Ele garantiu que as manchetes jornalísticas não influenciam os votos dos parlamentares e disse acreditar que a maioria deles vota de acordo com a consciência. Zveiter fez questão de deixar claro que, tivesse apurado não haver indícios de crimes, teria recomendado a não admissibilidade da denúncia.

O deputado falou sobre a repercussão negativa de seu parecer dentro do PMDB e comentou as críticas pesadas que teria recebido no grupo de WhatsApp do partido: “Me chamaram de traidor, de vagabundo. Isso tudo eu relevei. Mas um deputado, o deputado Perondi [Darcísio Prendi – PMDB/RS], ao se referir ao meu voto, falou que eu estava fazendo apologia ao nazismo e ao fascismo e eu sou o único judeu hoje no exercício do mandato na Câmara, esse eu não pude deixar sem resposta.” Sergio Zveiter garantiu que tomará ‘medidas cabíveis’ contra o colega.

Indagado se faria campanha contra o parecer do deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), que recomendou a não admissibilidade da denúncia contra Temer, Zveiter foi direto: “Não preciso nem fazer campanha.” Ele prosseguiu: Eu vou estar lá, presente, para sustentar a tese do meu voto.” O peemedebista ainda fez um comentário preocupante para o governo. Segundo ele, informações veiculadas na imprensa dão conta de que novas denúncias contra o presidente estariam por vir: “Muita água ainda vai passar por baixo dessa ponte”.

O deputado criticou as dificuldades encontradas em seu atual partido: “Se eu soubesse que para ser membro do PMDB teria que votar de acordo com liberação de emenda, ou com liberação de cargo ou de acordo com uma executiva nacional que diga o que o deputado tem que fazer, inclusive ameaçando, eu não teria ingressado. Eu ingressei no PMDB inspirado nas lições de Ulysses Guimarães.” Questionado se espera alguma punição do partido pelo relatório apresentado à CCJ, Zveiter primeiro brincou: “Sanção [sic], para mim, só se for daqueles filmes épicos.” Depois, fez uma análise mais séria: “Hoje mesmo já me disseram que vão tomar um providência em relação a mim. Eles não podem tirar o meu mandato, eles não podem tirar o direito de eu votar no plenário, então estou muito tranquilo.” O político foi além: “Se tivesse que fazer, faria de novo”.

Ao ser perguntado se acha que Rodrigo Maia será presidente, Zveiter ponderou: “Ano que vem tem eleição para presidente da República. O Rodrigo Maia, como eu e qualquer cidadão que preenche os requisitos, pode concorrer a presidente e ele, se a população entender que deve ser presidente da República, é só concorrer, ser votado e a partir de 2018 é ele.” Com relação a um possível afastamento de Michel Temer, Zveiter preferiu não emitir opinião.

Questionado se gostaria de se candidatar à presidência da República, o parlamentar mostrou ter os pés no chão e observou: “Eu sei a diferença entre um protagonista eventual e um ator.” O peemedebista prosseguiu: “A exposição que eu tive foi temporária, passageira.” Para ratificar sua posição, ele garantiu: “Eu estou deputado federal, mas o amor da minha vida é a minha profissão.” Zveiter ainda disse que não é ele quem está traindo Michel Temer e garantiu: “É possível que na ‘hora H’ muitas pessoas do PMDB votem pela admissão”.

O deputado federal falou sobre as implicações que seu relatório poderia causar ao país, nos âmbitos econômico, político e social. “Tudo passou pela minha cabeça, mas eu tive tranquilidade, calma, bom senso.” Ele esclareceu: “Na minha visão li, reli, estudei, reestudei e existem, realmente, indícios fortíssimos que têm que ser esclarecidos”.

Após ser confrontado com suposto dinheiro ilegal recebido por Rodrigo Rocha Loures e Geddel Vieira Lima, Sergio Zveiter foi questionado se vê, no horizonte, alguma chance de se eliminar ou minimizar a corrupção no país e observou: “Eu tenho esperança no Parlamento brasileiro.” Ele prosseguiu: “Eu tenho esperança, sim, que a Câmara dos Deputados, o Parlamento brasileiro, vai dar uma resposta, e eu espero que seja rápida, no sentido de ajudar a combater os desvios que existem no país de uma forma geral. Ninguém é a favor da corrupção”.

Sergio Zveiter disse ter votado a favor da Reforma Trabalhista e falou, ainda, sobre as reformas Política e Previdenciária. Ele, no entanto, teria pedido ao presidente da Câmara, o deputado Rodrigo Maia, para ser o relator do ‘Pacto Federativo’, que define a distribuição dos tributos arrecadados pela União entre os estados e municípios brasileiros. O deputado justificou seu desejo: “Essa é a reforma que vai fazer com que os municípios e estados não fiquem mais de pires na mão junto ao Governo Federal, que eventualmente eu posso ser o relator”.

O deputado fez questão de reforçar sua opinião acerca das denúncias contra o presidente Michel Temer: “Eu odeio corrupção. É um mal muito grande que atinge a todos.” Ele opinou: “A minha missão, agora, é esse processo que está aí, porque essa vitória [do governo] que foi obtida ontem é uma vitória artificial”.

Questionado se concorda com a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo juiz Sérgio Moro, Zveiter foi direto: “Não conheço o processo, nunca estudei, nunca vi e então não posso me manifestar sobre ele”.

Zveiter citou sua paixão por dois esportes, o surfe e o jiu-jitsu, mas fez questão de ressaltar: “O que eu amo mesmo é meu país, a sua população, a minha família, os meus amigos, as pessoas que confiaram em mim, os meus eleitores e mesmo aqueles que não votaram em mim, eu amo o Brasil.” O político finalizou: “Para mim, o Brasil tem jeito e eu me sinto um privilegiado de poder usar o meu, não sei se é distintivo que se chama, de deputado federal. E nós vamos, porque a grande maioria dos membros do parlamento, os deputados e as deputadas, eu posso dizer porque estou lá há sete anos, são pessoas sérias, honestas, bem intencionadas e nós vamos mudar o Brasil sim”.

*Crédito/Fotos: Divulgação/RedeTV!
Programa na íntegra: http://www.redetv.uol.com.br/jornalismo/marianagodoyentrevista/videos/programas-na-integra/mariana-godoy-recebe-o-deputado-sergio-zveiter-integra