Núcleo de Estudos Afro-brasileiros completa 10 anos e elenca desafios

O Núcleo de Estudos Afro-brasileiros (Neab) realizou nesta quinta-feira (10) o Seminário NEAB 10 anos para comemorar o início de duas atividades, em agosto de 2007. O evento reuniu dezenas de pessoas em conferências realizadas nas Unidades 1 e 2 e na Faculdade de Direito e Relações Internacionais (FADIR) e contou com a performance “Navio Negreiro”, de Alguimar Amâncio da Silva, técnico-administrativo da UFMS.

A chefe do Núcleo, Eugênia Portela de Siqueira Marques, relatou os avanços ocorridos neste período e também elencou os principais desafios que ainda precisam ser enfrentados. No cenário nacional, ela questionou o corte de recursos nos programas que beneficiavam a população carente e que pela faixa de renda, direta ou indiretamente, atingiam a população negra. Também criticou as ideologias religiosas e políticas, a exemplo do Escola sem Partido, que ao questionar as ideologias raciais, de gênero, de identidade e etnicidade, estão “propondo retrocessos em todos os avanços conquistados” e trazendo “outras ideologias bem mais perversas”.

Na área da Educação, Eugênia disse que continua a ser ignorada a Lei 10.639, criada em 2003 para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira” e que muitos projetos nas escolas são sobre bullying e ainda negam ou omitem a discussão sobre racismo e desigualdade racial. Enquanto isso, os estudantes ainda são xingados, de macaco, bombril, pichê, fuligem, negra fedida ou negro fedido.

Para garantir a formação inicial dos vários profissionais que atuam nas escolas, a chefe do Neab defendeu a obrigatoriedade, nas universidades, das disciplinas que abordam as temáticas sobre história e cultura africanas e afro-brasileiras, com objetivo de atender as diretrizes de educação para as relações étnico-raciais.

Além disso, afirmou que apesar das políticas e tratativas em curso e do aumento da população negra na Educação Superior, a representatividade não chega a 10%, mesmo que mais que 50% dos brasileiros sejam pretos e pardos. Neste sentido, pediu aos diretores e coordenadores de curso e aos docentes presentes no evento que tenham um olhar diferenciado pra essa questão, para que olhem os ingressantes pelas cotas e vejam se o que é representado no resultado da seleção condiz com a realidade, especialmente nos cursos mais concorridos.

A partir daí, Eugênia cobrou da UFGD a discussão futura de racismo institucional, a criação de uma política afirmativa e da criação de uma banca de autoafirmação para atuar não somente onde a lei determina (concursos públicos), mas também nos vestibulares, para dessa forma agir preventivamente e evitar fraudes. “O Judiciário, até outra informação, tem respeitado a autonomia universitária. A banca não fere direitos, a banca garante direitos a quem tem direitos”, defendeu a chefe.

Outra crítica foi direcionada às informações. “Quando fizer 10 anos, a lei de cotas deverá ser analisada e nós ainda não temos uma base de dados consistente”, disse Eugênia.

Ao final, a professora chamou os colegas para trabalhar em conjunto. “Para que as temáticas das relações étnico-raciais não sejam exclusivamente responsabilidade do NEAB e que não apareçam apenas como puxadinho ou apêndice nos projetos pedagógicos dos cursos. É como o ditado africano, se quiseres ir rápido, vá sozinho, mas se quiseres chegar longe vá com alguém. Vamos juntos! Sou o que sou pelo que nós somos”, encerrou a chefe do Neab.

TODAS AS PESSOAS
Durante a solenidade de abertura, o reitor em exercício Marcio Eduardo de Barros, chamou a atenção do público para o “bom dia” que direcionou a “todas as pessoas” presentes, explicando que desta forma não estaria discriminando ninguém. Na sequência, ele parabenizou a condução que a professora Eugênia dá ao NEAB e também parabenizou os professores que a antecederam e construíram o Núcleo.

“Foram 10 anos de luta, mas eu acredito que teremos ainda alguns anos pesados de luta pela frente. No entanto, o meu desejo é que em alguns anos o Neab consiga mudar sua característica de luta pelo reconhecimento das pessoas, possa superar isso e depois contar como foi esse movimento de inclusão dentro da universidade”, disse Marcio Eduardo de Barros.

SOBRE O NEAB
Dentre suas finalidades, o Núcleo sensibiliza acerca das diretrizes e bases da educação nacional quanto à temática “História e Cultura Afro-brasileira”; Estimula e apoia projetos de pesquisa, ensino e extensão voltados para as temáticas ético-culturais, especialmente, em Mato Grosso do Sul; Incentiva a criação de programa institucional de formação continuada para acadêmicos, servidores e sociedade civil, em relação à temática afro-brasileira e ainda promove seminários e fóruns de discussão entre professores da Universidade, das demais instâncias de ensino e Instituições de Ensino Superior, em busca da formação de uma sociedade que reconheça e respeite a diversidade.

 

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