Olhar vitrines ou participar?

Por Alice Schuch

Para nós, mulheres, olhar vitrines de certas lojas pode ser uma grande diversão, ver todas aquelas belas coisas traz um tremendo prazer, porém não nos basta nem mesmo quando as podemos adquirir.

Toda a semente contém a planta completa: ela é, se sabe e se realiza. Posta em terra adequada, alimenta-se e cresce sadia. Se necessário for é colocada provisoriamente uma estaca de sustento e espera-se que ela desabroche, retirando-a então.

Todo o filhote, inclusive aquele do humano, assim como toda a semente contém o projeto a ser desenvolvido, o qual ao ser realizado traz completude, orgulho, alegria, paz, felicidade. Também nós somos árvores frondosas, imensas, que, mantendo as raízes no húmus, bailam alegremente em direção ao céu.

Já aos dois anos demonstramos nossa especificidade. Surgem nossas folhinhas, tímidas, tenras, acontecem nossos primeiros movimentos, ainda inseguros, porém desejamos andar.

Retornando à nossa vitrine, respiro fundo diante daquela magnífica visão e sinto o desejo de jogar fora aquela estaca que me mantém segura, porém limitada.  Vem o desejo irrefreável de desabrochar, enquanto um flash me diz: também você é capaz de realizar!

A beleza daquela vitrine abre um discurso que me impulsiona na direção de um estilo de vida voltado a uma personalidade criativa, construtora, conexa a ideia de compromisso e de responsabilidade pelo meu próprio desenvolvimento moral e existencial.

Certamente, todo este processo implica uma forte carga de ansiedade, dúvidas, medos, porém, apesar de tudo, muitos dão impulso à evolução e isto é magnífico.

Não nos basta olhar, queremos participar. O belo é participar!

Eu, Alice Schuch, sou escritora, palestrante, doutora e pesquisadora do universo feminino.