Frutos ensacados são mostrados como técnica para livrar goiaba da mosca-da-fruta

Dourados (MS) – O verde das folhas das goiabeiras divide espaço com o branco do papel amanteigado dentro da unidade demonstrativa da Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural), na 3ª Tecnofam – Tecnologia e Conhecimentos para Agricultura Familiar, no município de Dourados.

O que a princípio pode parecer um estranho adorno, na verdade, trata-se de uma técnica adotada pela pesquisadora da Agraer, Cássia Regina Viera e o técnico agrícola Gilberto Macedo para evitar problemas de pragas como a mosca-da-fruta, por exemplo.

A simples técnica permite que o produtor rural cultive o fruto evitando as conhecidas larvas que ao ser detectada em uma fruta tira o apetite de qualquer consumidor. A ideia consiste em não permitir que o inseto, a fêmea da mosca-da-fruta, deposite seus ovos. Um inseto que, não satisfeito em se alimentar dos frutos ainda infecta o alimento com suas larvas e deixa passagem aberta para a instalação de fungos e bactérias.

A técnica ainda evita consideravelmente o uso de inseticidas. “Visivelmente o saquinho parece com o de pipoca, mas não é. Aqui é explicado que tem que ser um adequado como esse amanteigado que não interfere no desenvolvimento da goiaba”, alerta a pesquisadora Cássia Regina Vieira.

Da goiaba de mesa até a de uso industrial, os agricultores familiares têm a possibilidade de conhecer de perto oito variedades, inclusive, a de menor consumo, a de polpa branca. “Ela é muito saborosa, porém temos a dificuldade do consumidor escolher, pois ele quase sempre acaba dando a preferência para a mais vermelha. Acredito que pela coloração que chama mais atenção e também as diversas propagandas no mercado. Contudo, a polpa da branca chega a ser mais saborosa que a outra”, afirma o técnico da Agraer, Gilberto Macedo.

O público ainda pode tirar a prova da qualidade da fruta através de uma degustação. “São frutas que chamam a atenção pelo tamanho. A gente vê a diferença na fruta quando elas recebem os cuidados necessários de poda e, ainda, aprende como tudo é feito, tira as dúvidas. Gostei muito do trabalho”, disse a agricultora familiar Maria de Lourdes de Rezende.

Sobre a poda, Cássia Regina Vieira chama a atenção quanto às estações do ano. “Nesta época de frio não pode fazer uma poda drástica ou a geada vai queimar”, orienta.

A questão da rentabilidade também é outro ponto de escolha da atividade dentro da agricultura familiar. “Vejo na goiaba uma grande vantagem de rendimento e retorno financeiro desde que o produtor tome todas as medidas de cuidado”, observa a pesquisadora.

Uma análise técnica-financeira também foi apresentada. O tema foi abordado pelo técnico Gilberto Macedo com enfoque no custo de implantação, receita e lucro líquido a partir do terceiro ano de cultivo sendo a maior renda a partir do quarto ano. “Não adianta mostrar a produção sem falar de renda. O produtor precisa ganhar dinheiro, mas é preciso entender que há um custo na implantação com compra de mudas, insumos, etc. Mas, dependendo do tamanho do imóvel já no quarto ano de cultivo, é possível ter um lucro líquido anual de até R$ 52.178,00. Isso pensando em uma colheita anual de 28,5 toneladas no hectare”.

Desbaste de mudas, ensacamento de frutas, doenças (ferrugem da goiabeira – antracnose, seca bacteriana dos ramos, nematoide) e pragas (mosca de frutas e psilídeo, gorgulho e besouro amarelo) foram pontos abordados juntos aos agricultores familiares.

Evento – De caráter bienal, a Tecnofam é realizada de 17 a 19 de abril pela Embrapa, em parceria com o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, por meio da Agraer,  Semagro e Fundo para o Desenvolvimento das Culturas de Milho e Soja (Fundems). O evento ainda conta com outras instituições públicas e privadas ligadas ao setor produtivo.

Texto: Aline Lira/ Fotos: Néia Maceno – Assessoria de Comunicação da Agraer