Suicídio – o ato que fere e marca a família

Por Flávio Melo Ribeiro

No Brasil, mais de 11 mil pessoas tiram suas próprias vidas por ano, segundo pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde em 2017. Diversos são os motivos que levam alguém a cometer suicídio, desde solidão, doenças graves, decepções amorosas, perdas financeiras, bullying, entre tantos outros. Porém, tem um aspecto que é comum a esse ato: a marca e o sofrimento dos familiares que continuam convivendo com essa tragédia. Muitas vezes compreendida, mas não aceita. E o que fica é um vazio e a dúvida: poderíamos ter feito algo para evitar?

De modo geral o ato de tirar a própria vida tem como base psicológica a desesperança, uma crença que sua vida fracassou e não vai melhorar no futuro. Esse sentimento leva a pessoa para um processo de estagnação emocional, fazendo-a pensar em círculo, focando no problema e não na maneira de superá-lo. E, como emocionalmente sempre é possível ampliar o sofrimento, o resultado é o aumento dos pensamentos negativos, no qual servem de base para perpetuar a dor emocional até o ponto em que não viver passa a ser uma benção e uma possibilidade de resolver seus problemas.

É bastante comum, a pessoa que está cogitando suicídio, acreditar que tirar sua vida vai ser benéfico para si e para quem a rodeia. No entanto, do ponto de vista dos familiares, o suicídio acaba sendo um sofrimento passivo, já que se culpam por não terem identificado os sinais que o familiar apresentava. Essa culpa abre uma ferida que, na maioria das vezes, não fecha jamais. Passam cinco, dez, quinze anos e esse assunto não sai do seio familiar. Um ato que, por mais que se identifiquem os motivos, não é aceito e abala as relações dali para frente.

O melhor caminho para enfrentar o sofrimento é a compreensão do problema e a busca de soluções. Sempre que você não enxergar uma saída, procure ajuda, pois a solidão só aumentará a aflição. A visão e a experiência do outro podem ser a chave para a saída que almeja. Quanto a família que já convive com essa marca, é importante procurar ajuda para ressignificar o passado, não se culpar e buscar dar um novo significado para si. Que o sofrimento seja a base de uma construção melhor e não o aprisionamento na aflição. Se precisar de ajuda, ligue 188, o O CVV – Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, email e chat 24 horas todos os dias.

Psicólogo Flávio Melo Ribeiro
CRP12/00449

A Viver – Atividades em Psicologia desenvolveu programas psicoterapêuticos que possibilitam ser trabalhados em grupos e individual.
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