Futuro do agronegócio

Por Rodrigo Capella

Meio Ambiente, agromulher, produtividade e tecnologia. Ao analisar estes elementos, conseguimos fazer previsões sobre como será o futuro do agronegócio no governo Bolsonaro.

O ecossistema está centrado em questões ambientais e em suas complexidades. Do campo ao garfo, do produtor rural ao consumidor final, é crescente a preocupação com a origem dos alimentos, com o manejo realizado e produtos utilizados para a devida pulverização.

O agromulher – discordo quando associam a uma “moda” ou tendência passageira – é um movimento que reflete a força feminina no campo.  Estudo disponibilizado recentemente pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) comprova este cenário: o número de mulheres que trabalham neste importante setor aumentou em 8,3%, entre 2004 e 2015.

A escolha de Tereza Cristina, uma conhecedora das variáveis rurais, para liderar o Ministério da Agricultura está em total sintonia com este momento do agronegócio e também com a natural característica de buscar a governabilidade, necessária ao futuro presidente.

Outro elemento, a produtividade, é um dos dilemas dos produtores rurais. Para alguns é prioritário o fator produzir mais na mesma área, para outros reverbera a questão da expansão do campo de forma equilibrada e consistente.

A tecnologia também é fundamental nesta análise. Com o interessante surgimento e, em poucos casos, de consolidação de agtechs e agritechs, empresas de tecnologia com foco em agronegócio, é inevitável que as ferramentas digitais não podem ser tratadas como a salvação do campo, mas como uma continuidade prática e motora deste sistema.

Mas, como será o agronegócio no futuro governo Bolsonaro? O plano de governo defende que o jovem precisa “deixar de ter uma visão passiva sobre seu futuro”. Ou seja, sair da faculdade já com objetivos focados em suas profissões.

Já a Nova Estrutura Federal Agropecuária, mencionada no plano, é representada por pontos como Política e Economia Agrícola, Meio Ambiente Rural, Defesa Agropecuária, Segurança Alimentar, Desenvolvimento Rural Sustentável e Inovação Tecnológica.

Estes tópicos e o incentivo aos jovens estão amplamente conectados com o meio ambiente, agromulher, produtividade e tecnologia. Acredito, então, que o próximo governo não hesitará em entrar no mato, enfrentar adversidades e valorizar ainda mais o agronegócio brasileiro.

(*) Com atuação no agronegócio desde 2004, Rodrigo Capella é jornalista, palestrante e diretor geral da Ação Estratégica – Comunicação e Marketing. É autor de livros e tem artigos publicados em diversos países sobre inovações, análises e tendências do agronegócio. E-mail: capella@acaoestrategica.com.br