Como identificar a mentira

Como identificar a mentira

5 de abril de 2019 Off Por raysantos

PSICOLOGIA AO SEU ALCANCE

Flavio Melo Ribeiro (Foto: Arquivo Viver – Atividades em Psicologia)

Psicólogo Flávio Melo Ribeiro
CRP12/00449

flavioviver@gmail.com (*)

A mentira prejudica tanto a outra pessoa quanto a si próprio. Ela engana, difama e principalmente tira a confiança quando descoberta. O mentiroso também sofre ao ficar prisioneiro da própria inverdade. Se é tão prejudicial, o que faz as pessoas terem dificuldade de perceber a mentira? E o que é possível fazer para desmascarar o mentiroso?

O primeiro ponto a esclarecer é que só mente quem detém a verdade. É necessário conhecer todos os elementos para então, deliberadamente, alterar os fatos. Tanto que a pessoa que está equivocada e comenta tendo certeza que está correta não mente. Se equivoca. Ou alguém que passa uma informação da qual lhe mentiram, também não está mentindo. É uma vítima de uma inverdade que lhe foi passada propositalmente.

Para identificar a mentira é necessário separar o discurso da realidade como se apresenta. Fala a verdade aquele que expõem o discurso coincidente com a realidade, dessa forma, o inverso também é correto, quando se compara o discurso e ele não for compatível com o real, é uma mentira. Mas, então, porque as pessoas têm dificuldade de identificar rapidamente quando estão sendo enganadas? Porque um “bom” mentiroso apresenta em sua história pelo menos 50% de verdade, e assim o faz para que não entre em contradição quando questionado. Ao se manter na parte verdadeira da história e evitando ou omitindo a parte que quer esconder, se faz parecer ao outro como honesto.

Em outras situações é a própria pessoa que se deixa enganar, ou porque ama demais e não quer perder a pessoa com quem se relaciona, mesmo identificando que o outro está mentindo; ou porque tem muito a perder, e por medo “deixa passar”. Mas com o tempo as pessoas percebem que só se prejudicaram permitindo entrar no jogo do mentiroso, pois também foram construtoras de uma relação frágil, sem confiança e sem o sentimento de orgulho, tão importante para a pessoa sentir-se segura.

Porém, se o objetivo é identificar a verdade, descreva o cenário da história contada: O ambiente, os detalhes que o compõem, procure identificar possíveis contradições. Aquela frase que não encaixa. E se encontrá-la, não exponha a contradição, explore um pouco mais. Deixe o outro falar a respeito. Identifique o fluxo de tempo, veja se é compatível com as atividades feitas.

Saiba um pouco mais sobre as pessoas que fizeram parte da história e as localize no cenário que já montou. Perceba as ações realizadas e os motivos que a fez agir da forma como contou. É nesse contexto que se identifica as contradições entre o que foi contado e o que é real. Porém, tome cuidado, pois o mentiroso quando não consegue mais se manter na parte verdadeira da sua história e percebe que o outro está preste a descobrir a verdade, tende a encerrar o assunto, ou mudando o que estão conversando ou mesmo dizendo que não tem mais o que falar.

E caso continue se vendo confrontado com a realidade, tende a estourar e acusar a outra pessoa de embaralhar a história, no mesmo momento em que se apresenta como vítima, tentando incutir a culpa em quem busca a verdade.

E dessa forma tenta sair como inocente. Mas no fundo apenas está assentando mais um tijolo da prisão em que está construindo para residir.

Escolher se pautar pela verdade é trilhar um caminho ético.

Psicólogo Flávio Melo Ribeiro
CRP12/00449

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Psicólogo Flávio Melo Ribeiro
CRP12/00449

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