Rock in Rio: o efeito camaleão das redes e a experiência do público em megaeventos

Por Fernando Capella, presidente da Ciena no Brasil

Qualquer pessoa que tenha vivido antes dos anos 2000 vai lembrar que, naquela época, não tínhamos muitos shows internacionais por aqui. As performances eram de artistas brasileiros e a televisão não tinha a facilidade de transmitir estrangeiros frequentemente. É muito animador perceber que essa é uma realidade que vem mudando rapidamente. O Brasil está ganhando cada vez mais popularidade como palco de famosos eventos e festivais globais.


Somente neste ano, já recebemos o Lollapalooza e Game XP – isso só para mencionar dois grandes nomes. O Rock in Rio, nascido no Brasil, alçou fama para além das nossas fronteiras e ganhou sua cadeira cativa entre os festivais de música mais relevantes do mundo. Aqui no Brasil, a edição 2019 está batendo na porta com a projeção de ser a maior de todas já realizadas: 700 mil ingressos foram vendidos em apenas duas semanas.


Junto ao volume dos shows, a forma de viver esses festivais também acompanhou a mudança e sofreu grande impacto da famosa internet móvel. Grandes eventos não são mais apenas sobre viver o momento, mas também sobre como as pessoas podem se conectar e compartilhar suas experiências com amigos e famílias. E, para quem não consegue estar lá, dispositivos móveis também possibilitaram assistir aos artistas em tempo real pela televisão ou computador no sofá de casa, a partir do streaming.


É aí que entram as redes de telecomunicações: esses grandes eventos, como o Rock in Rio, são “ladrões” de tráfego de dados. Streaming e o grande volume de pessoas enviando mensagens ou postando vídeos e fotos nas redes sociais são responsáveis por uma incrível pressão na rede de telecomunicações. Com uma rede estática, essa avalanche de informações derrubaria a conexão e, nesse novo mundo hiperconectado, falhar não é uma opção: além de provocar uma chuva de reclamações, a falta da internet afetaria diretamente o sentimento do público em relação ao festival e sua organização, com potencial de esvaziamento de público nas edições seguintes.


Na última edição brasileira do Rock in Rio, em 2017, a operadora de rede responsável pelo tráfego de dados na Cidade do Rock declarou o recorde de 5.5 Terabytes de dados trafegados durante os dois finais de semana de evento, volume três vezes maior do que a edição anterior em 2015. Simultaneamente, a organização conectou cerca de 418 mil pessoal no espaço de Wi-Fi e disponibilizou links de 5Gbps na Cidade do Rock, incluindo small cells para conexão aberta e pública dentro e fora das arenas de shows. 


Além de lidar com o aumento de pressão durante todos os dias do evento, os operadores também devem dimensionar suas redes para atender aos picos específicos de transporte de dados. Não por coincidência, o maior pico de dados no Wi-Fi da Cidade do Rock em 2017 foi durante os shows dos headliners – The Who e Guns N’ Roses –, com 384GB consumidos.


Esse tipo de demanda requer uma longa preparação. Além da experiência de uma conexão de confiança dos participantes do festival, ainda é necessário manter o restante da cidade com sua conexão ininterrupta, especialmente os serviços essenciais como polícia, corpo de bombeiros e hospitais. Para vencer o desafio, existem três elementos fundamentais de infraestrutura que os operadores devem integrar às redes: escalabilidade, para que possa ter gerenciamento ágil; programabilidade, para lidar com os picos inesperados; e inteligência, permitindo que esse operador preveja e evite falhas de conexão. 


Provavelmente, muitas pessoas imaginam que é mais simples construir uma infraestrutura especial para esses eventos. Porém, do ponto de vista de negócios, construir uma infraestrutura enorme e permanente de rede para atender aos grandes eventos que só acontecem de tempos em tempos é caro demais. As redes atuais devem ser adaptáveis para lidar facilmente com os picos de tráfegos de dados vez ou outra, acabando com a necessidade de investimentos estratosféricos em infraestrutura para usos pontuais.


O futuro é adaptável e o novo perfil de tráfego já está desenhado. Uma infraestrutura programável, combinada com automação e análise de dados, são pilares chaves para a próxima geração de redes, prontas para atender a uma demanda em constante crescimento de uma sociedade sempre super conectada. O sucesso das redes, seja no Rock in Rio ou na implementação de novas tecnologias, está diretamente relacionado à combinação desses três elementos. Adaptar suas funcionalidades e os caminhos dos dados proativamente em tempo real para antecipar e endereçar potenciais falhas, ao mesmo tempo em que se tem o foco de fornecer a melhor experiência para o usuário final, são pontos fundamentais e que têm sido traduzidos cada vez mais em sucesso do negócio dos operadores de rede.

Sobre a Ciena

A Ciena (NYSE: CIEN) é uma empresa de tecnologia e estratégia de rede. Traduzimos tecnologia top de linha em valor agregado por meio de um modelo de negócios de alta qualidade e consultivo, com uma unidade implacável para criar experiências excepcionais medidas por resultados. Para atualizações sobre a Ciena, siga-nos no Twitter @Ciena, LinkedIn, blog Ciena Insights ou visite http://www.ciena.com.

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