Medo da Covid-19 reflete no tratamento contra o câncer

O médico oncologista Ramon Andrade de Mello ressalta que o atendimento desses pacientes é considerado urgência

O avanço da pandemia provocada pela Covid-19 tem refletido no atendimento aos pacientes para diagnóstico e tratamento contra o câncer. “Isso poderá criar uma demanda reprimida e o aumento de doenças metastáticas nos próximos meses. Esses casos são de urgência”, salienta Ramon Andrade de Mello, médico oncologista, professor da disciplina de oncologia clínica da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e da Escola de Medicina da Universidade do Algarve (Portugal).

Um exemplo do que vem ocorrendo foi indicado por um levantamento da Femama (Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama). O estudo aponta que 32,3% das pacientes com câncer de mama no Brasil tiveram consultas canceladas e para 22,6% as cirurgias foram adiadas. Para o professor da Unifesp, o paciente deve consultar o seu especialista: “O medo de contágio pelo novo coronavírus não pode impedir o adequado atendimento médico do paciente”.

O médico oncologista ressalta que o diagnóstico e tratamento de um tumor devem ser realizados na fase inicial da doença, aumentando as chances de alcance dos resultados positivos. “Adiar uma quimioterapia, por exemplo, amplia as possibilidades de progressão do câncer, diminuindo as chances de curabilidade”, explica o oncologista.

O professor da Unifesp lembra ainda que para consultas os pacientes já contam com a telemedicina, regulamentada recentemente pelo CFM – Conselho Federal de Medicina. “As ferramentas tecnológicas já permitem a realização de alguns procedimentos virtuais. Cabe ao especialista indicar a melhor conduta para cada paciente”, aponta Ramon Andrade de Mello.

Sobre Ramon Andrade de Mello

Oncologista clínico e professor adjunto de Cancerologia Clínica da Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Ramon Andrade de Mello tem pós-doutorado em Pesquisa Clínica no Câncer de Pulmão no Royal Marsden NHS Foundation Trust (Inglaterra) e doutorado (PhD) em Oncologia Molecular pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (Portugal).

O médico tem título de especialista em Oncologia Clínica, Ministério da Saúde de Portugal e Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO). Além disso, Ramon tem título de Fellow of the American College of Physician (EUA) e é membro do Comitê Educacional de Tumores Gastrointestinal (ESMO GI Faculty) da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (European Society for Medical Oncology – ESMO), Membro do Conselho Consultivo (Advisory Board Member) da Escola Europeia de Oncologia (European School of Oncology – ESO) e ex-membro do Comitê Educacional de Tumores do Gastrointestinal Alto (mandato 2016-2019) da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (American Society of Clinical Oncology – ASCO). 

O oncologista é do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein e Hospital 9 de Julho, em São Paulo, SP, e do Centro de Diagnóstico da Unimed (CDU), em Bauru (SP).

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