União de forças resulta em estratégia que cuida da saúde dos indígenas de MS no combate ao coronavírus

União de forças resulta em estratégia que cuida da saúde dos indígenas de MS no combate ao coronavírus

22 de maio de 2020 0 Por raysantos

Cuidado com a saúde e com o emocional dos indígenas compõe a estratégia de combate ao coronavírus nas aldeias de MS, envolvendo instituições públicas e privadas do Estado

A infectologista e integrante do COE/MS, Mariana Croda, fala da estratégia montada nas aldeias de Dourados

Campo Grande (MS) – O Estado do Mato Grosso do Sul possui a segunda maior população indígena do Brasil. A maior reserva está no município de Dourados, onde atualmente existem 30 casos confirmados de coronavírus. A preocupação para conter o avanço resultou em uma estratégia elaborada pelo Governo do Estado, por intermédio da Secretaria de Comércio Exterior, com a parceria e apoio de diversas empresas públicas e privadas, que correm contra o tempo.

O início do plano de ação em Dourados começou antes mesmo do primeiro caso confirmado da doença, quando a SES montou unidades sentinelas para coleta de amostras de swab em pacientes indígenas que apresentassem sintomas síndrome gripal, realizando exame RT-PCR de painel viral para onze vírus respiratórios.

A partir do primeiro caso constatado, que foi de uma funcionária de importante empresa frigorífica da região, começou a ampliação da testagem, na denominada segunda fase do plano de ação. A infectologista e integrante do Centro de Operações Emergenciais, Mariana Croda, explica a estratégia: “A partir disso iniciamos a ampliação da testagem na população indígena e na rede de contatos do caso confirmado, dentro e fora da aldeia, através de testes e isolamento domiciliar”.

Diante disso e como fruto de diversas articulações, etapas de trabalho, organização e força tarefa, a Secretaria de Saúde, juntamente com o Ministério Público Federal, com a Secretaria Municipal de Saúde, com a Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena), com a Diocese Católica, com a UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), com a própria JBS, entre outras instituições parceiras adotaram medidas para evitar a propagação do vírus.

O procurador do Ministério Público Federal, Marco Antonio Delfino, ressalta: A iniciativa é fundamental

No primeiro momento, a empresa frigorífica adotou todo protocolo sanitário e monitorou a rede de contatos com o caso confirmado, assim como a realização de testagem nas equipes. Em seguida, foi montada uma estrutura no Cursilho, pertencente a Diocese de Dourados, para receber casos positivos, porém, assintomáticos da doença. Até o momento, 21 pessoas estão instaladas no local.

Na avaliação do diácono Carlos Alberto Afonso, a medida é necessária, mas é importante também minimizar impactos emocionais. “Foi feita uma vistoria neste local escolhido e fizemos a arrecadação de cobertores, travesseiros e lençóis. Precisávamos de 30 unidades, mas a população douradense ajudou muito. “É o que poderá frear essa subida no número de casos dentro das aldeias. Montamos um aparato, um preparo emocional, para recebê-los. Afinal, ninguém gosta de sair de casa”.

Para o líder indígena e membro do Conselho local de Saúde Indígena, Fernando Souza, o diálogo aberto é importante e o retorno por parte deles tem sido de compreensão e de cuidado com o próximo. “A situação é preocupante e eu vejo ansiedade na comunidade. Tudo é novidade. Precisamos traduzir tudo o que está acontecendo no mundo num contexto próprio para a complexidade indígena. Mas o nosso povo entende que é para preservar os membros da sociedade. A retirada não é questionável por parte de nossas lideranças”.  A liderança afirma que estão sendo levantadas parcerias para que sejam elaboradas atividades educativas e de lazer para as pessoas que estão neste espaço.

Segundo o procurador do Ministério Público Federal, Marco Antonio Delfino, a iniciativa é fundamental e vem em momento oportuno. “A pandemia representa um claro desafio ao pleno atendimento do preceito constitucional que estabelece a saúde  como um direito de todos e um dever do Estado. Em um momento de claro agravamento do quadro de infectados em todo país, é fundamental que todas as instituições se irmanem em conjunto com a sociedade para que possamos, definitivamente, derrotar o vírus”.

População douradense tem contribuído com doações

O secretário de Estado de Saúde, Geraldo Resende, desde o início da propagação do vírus em Dourados tem alertado para a situação e elencado as medidas necessária. Resende ressalta: “É preciso um olhar especial para a comunidade indígena, não apenas de Dourados, mas também em todo o Estado, tanto que Amambai já trabalha no plano de ação elaborado”. De acordo com a Sesai, a equipe multidisciplinar da saúde indígena do polo de Caarapó está sendo treinada ainda essa semana para início das coletas com apoio do Estado.

Ana Brito – Subsecretaria de Comunicação 

Fotos: divulgação e Ascom/Defensoria Pública de MS