O Agronegócio e a Gastronomia Molecular

Por Rodrigo Capella* 

Confesso que a primeira vez que li sobre gastronomia molecular não me animei a provar os pratos. Sim, fui resistente. Mas, pouco a pouco, aprofundei a pesquisa, até entender claramente que a comida molecular é, na verdade, uma vertente da nossa culinária que tem como principal característica a alteração na forma e na textura dos alimentos. Ter encontrado essa definição me animou a ir a um restaurante para participar de uma degustação específica.

A experiência me surpreendeu, com pratos salgados e doces. Azeitona em pó, arroz em formato de casca de pão, ou sobremesas saindo fumaça (quando usado o nitrogênio líquido) foram alguns dos produtos que consumi.

Destaque também para o sorvete de limão, servido em formato de bola de cristal (para degustar foi necessário quebrar a bola com uma colher) e espaguete de rabanete (de sabor intenso e marcante). É como se a comida brincasse comigo, despertando, a todo momento, sensações, sabores e percepções. Tudo era diferente do que eu estava acostumado a provar, no meu dia a dia.

Durante a refeição, pensei em uma pergunta, com grande força: gastronomia molecular é agronegócio? Não demorei para responder: “Sim, claro que é”. Afinal, este tipo de culinária tem como base frutas, cereais, vegetais, entre outros, transformando-os em alimentos mais, digamos assim, exóticos.

Outro ponto importante: a comida molecular estimula diretamente o consumo e a descoberta de produtos, já que os apresenta de uma maneira diferente, fazendo com que o consumidor tenha curiosidade em provar.

Isso fortalece o nosso agronegócio. Assim como eu tive resistência em consumir pratos da culinária molecular, muitas pessoas têm rejeição a determinados produtos. Quando estes são modificados, em um passe de mágica, tornam-se mais atraentes. É o velho pensamento, mais atual do que nunca: primeiro comemos com os olhos. Que continue assim. O agronegócio agradece.  
(*) Rodrigo Capella é influenciador digital do agronegócio, palestrante, consultor e diretor geral da Ação Estratégica – Comunicação e Marketing. Capella atua no agronegócio desde 2004 e é autor de vários livros, entre eles “Como turbinar as vendas de uma empresa de agronegócio com ações de marketing e comunicação”. E-mail: capella@acaoestrategica.com.br

Coronavírus e ataques cibernéticos: não deixe seu computador ser infectado

Com anúncio de uma pandemia de COVID-19, o crescimento de casos da doença em todo o mundo e agora também no Brasil, vemos surgir com cada vez mais força uma grande ameaça digital. Com tantas pessoas em busca de informações sobre o coronavírus, hackers enviam mensagens com notícias falsas fingindo serem informações reais da OMS (Organização Mundial da Saúde), de universidades de renome e de outras organizações, espalhando assim uma série de vírus criados especialmente para roubar ou alterar dados  do seus dispositivos e ter acesso irrestrito a arquivos, sejam eles corporativos ou pessoais.

Estes golpes já estão tão frequentes que a CISA (Agência de Infraestrutura de Segurança dos Estados Unidos) emitiu um alerta pedindo atenção aos golpes virtuais relacionados à enfermidade. Segundo a agência, os criminosos enviam e-mails com links para sites fraudulentos e anexos maliciosos, induzindo as vítimas a revelar informações confidenciais ou fazer doações para instituições que não existem.

Nós separamos cinco dicas para ajudar você a não cair em nenhum destes golpes e manter seus dispositivos a salvo: 

  1.  Tenha cuidado com seus e-mails

Pode ser que já acontecido com algum conhecido, ou até mesmo foi você quem recebeu e-mails com logotipos parecidos ao da OMS ou de universidades famosas com um anexo para fazer o teste de coronavírus. Pois se você abriu o documento, más notícias. Quando é baixado, ele solicita a instalação de um programa que infecta seu computador com um malware conhecido como Koadic. Outro golpe que tem sido comum é o de um link para um vídeo que mostra a construção dos hospitais temporários na China durante o surto de COVID-19 no país. Isto só para citar dois exemplos de truques que os hackers estão usando para invadir computadores no mundo todo.

Estas práticas têm nome. Uma das mais corriqueiras é o phishing, aqueleem que usuário recebe um e-mail que parece vir de fontes confiáveis, mas na verdade são notícias falsas usadas para adulterar ou roubar informações pessoais.

Outra fraude comum é o envio mensagens disfarçadas de documentos importantes sobre o COVID-19 ou relacionadas ao seu trabalho. O e-mail geralmente pede aos usuários para que baixem e abram vários anexos do Office. Acontece que estes anexos instalam tipos de vírus perigosos para sua máquina, como Adwind, FormBook, TrickBot, entre outros. 

“A principal orientação nesses casos é: suspeite de todos os e-mails sobre o coronavírus. Evite clicar em links de e-mail suspeitos, fazer download de documentos desconhecidos e use apenas fontes confiáveis ​​para se informar sobre o COVID-19. Nunca revele informações pessoais ou financeiras por e-mail e sempre confirme a autenticidade de uma instituição antes de fazer doações “, orienta Dean Coclin, diretor sênior de desenvolvimento de negócios da DigiCert.

Lembre-se de deletar mensagens suspeitas de remetentes desconhecidos. E se tiver dúvidas sobre algum link que recebeu, abra uma nova página do navegador e inserir a o endereço do site para qual o link supostamente está enviando você, desta maneira dá para comparar o endereço do site falso com o verdadeiro na barra de navegação.

Outra coisa importante é se certificar de que seu e-mail pessoal e de trabalho estão em dispositivos diferentes, pois se um dos correios eletrônicos for atingido por um hacker, o outro estará protegido. É muito comum que um vírus do seu e-mail pessoal também infecte um e-mail comercial. 

A proteção de identidade é outra ótima ferramenta contra os crimes cibernéticos. O BIMI (Brand Indicators for Message Identification) fornece uma estrutura global segura em que as caixas de entrada expõem logotipos designados por remetente para mensagens autenticadas. Esse mecanismo ainda permite que os proprietários do domínio especifiquem um logotipo que aparecerá na caixa de entrada, junto com as mensagens de e-mail autenticadas enviadas de seus domínios.

2.                  Navegue com atenção

Enquanto circula por sites, mídias sociais e aplicativos, não abra e baixe arquivos de sites suspeitos, nem clique em qualquer link enviado em redes sociais. E mantenha todos os seus dispositivos com antivírus atualizado.

É importante observar se está navegando por sites com certificados confiáveis. A TLS (Transport Layer Security) / SSL (Secure Sockets Layer) é uma tecnologia padrão usada para manter uma conexão à internet com menos riscos e proteger todos os dados confidenciais enviados entre dois sistemas, impedindo assim que criminosos leiam e modifiquem qualquer informação, inclusive pessoais. Para saber se um site é seguro, clique no cadeado que aparece na barra de navegação e automaticamente aparecerá as informações de certificado que atestam se o site é confiável ou não. 

3.                  Proteja sua rede

Uma rede invadida pode significar acesso ao sistema por usuários não autorizados. Elimine essa chance controlando quem pode ter acesso a ela. Para isso use a Autenticação Multifator (MFA), ela garante que apenas usuários autorizados possam acessar sistemas controlados. Além disso crie uma senha forte para sua internet doméstica.

“Se você optar por usar seu dispositivo em uma cafeteria ou outro espaço público, tome cuidado com o Wi-Fi público e não confie em redes abertas. Sempre verifique se o dispositivo não está configurado para se conectar automaticamente a qualquer sinal Wi-Fi e, se estiver, desabilite esta função. Com estes cuidados, você já reduz bastante o risco de crimes cibernéticos “, explica Coclin.

Se necessário, use seu telefone como ponto de acesso e configure seu dispositivo para que ele fique no modo invisível ou oculto para os outros dispositivos conectados à mesma internet. 

4.                  Home Office seguro 

O risco de ataques cibernéticos é ainda maior agora no período de isolamento social ou quarenta, já que muitas pessoas estão trabalhando de casa. Nessa hora, adotar hábitos de segurança é mais importante do que nunca.

Além de seguir as dicas listadas acima, lembre-se de trabalhar em um ambiente seguro e de todas as noites guardar seus dispositivos em lugares fechados, como em armários ou gavetas. Nunca se afaste do seu computador com ele desbloqueado e não permita que outras pessoas da família usem seus dispositivos de trabalho. Tente sempre usar um computador apenas para o trabalho e outro pessoal, que pode ser compartilhado com a família. Além disso, siga as diretrizes da equipe de TI da empresa e relate a ela qualquer problema ou e-mail suspeito que você receba.

5.                  Use a tecnologia a seu favor

Os hackers estão aplicando golpes cada vez mais elaborados e sofisticados, prejudicando muitos usuários durante este período de pandemia da COVID-19. Para evitar ataques, sempre atualize o software e o navegador com suas versões mais recentes (Microsoft Edge e Mozilla Firefox). O mesmo vale para navegadores de outros fornecedores que vêm equipados com filtros anti-phishing.

Tecnologias como PKI (Infraestrutura de Chave Pública), que fornece garantia de criptografia e identidade criptográfica em cada fluxo de dados e verifica todos os usuários, têm um papel fundamental na proteção de redes residênciais e empresariais. Com os golpes por e-mail cada vez mais frequente é possível proteger usuários através dos certificados digitais, garantindo a identidade, autenticação e criptografia do cliente.

“Uma plataforma PKI forte pode ajudar a garantir a autenticidade dos e-mails dentro das empresas, evitando a ação de cibercriminosos. Como muitos dos golpes forjam identidades, a PKI vai garantir a criptografia e a identidade criptográfica, diminuindo os riscos de vírus”, conclui Dean Coclin.

Em tempos de COVID-19, não precisamos apenas mudar nossos hábitos sociais, mas também os digitais. As dicas listadas acima, já são um bom começo para se proteger contra os ataques e vazamento de dados, mantendo sua rede e seus dispositivos seguros.

Sobre a DigiCert, Inc.

DigiCert é a provedora mundial de escaláveis TLS/SSL, soluções PKI para identidade e encriptografia. As empresas mais inovadoras, incluindo 89% das organizações da Fortune 500 e 97 – de um total de 100 maiores bancos globais – escolheram a DigiCert por sua experiência em identidade e criptografia para servidores web e Internet das Coisas. DigiCert suporta TLS/SSL e outros certificados digitais e desenvolvimento para PKI em qualquer escala por meio da plataforma de gerenciamento de ciclo de vida, a CertCentral®. A organização é reconhecida pela sua plataforma de gerenciamento, rapidez e um suporte reconhecido ao usuário, além de líder de mercado em soluções de segurança. Para as últimas notícias e atualizações, visite digicert.com ou siga @digicert

Problemas psicológicos x COVID-19

Por Psicóloga Marina Franco

Com a chega do COVID-19 no Brasil, podemos notar que o comportamento das pessoas mudou. Surgiu não apenas a epidemia do vírus, mas também a do medo. Somos um povo muito caloroso e receptivo, gostamos de estar junto dos amigos, de participar de comemorações ou do famoso churrasco do fim de semana. No entanto, a doença forçou todo mundo a se isolar e sem poder mais mostrar nosso carinho nem estar presentes no dia a dia, como antes.

O isolamento pode ser, sim, um gatilho que propicia o surgimento de alguns problemas psicológicos. Para que sejam evitados esses quadros, devemos tentar minimamente manter a rotina. Devemos também tentar conversar e manter contato, mesmo que através das tecnologias, com amigos e conhecidos.

Não devemos deixar os idosos sozinhos, porque eles estão no grupo de risco e podem estar com um medo e ansiedade muito maior. Eles podem entender essa ausência de contato como uma espécie de abandono. Temos que estar a todo o momento explicando e informando a eles o porquê do nosso distanciamento, que nesse caso é para protegê-los. Tantos os mais jovens como os idosos devem buscar atividades que os mantenham ocupados e que lhes dão prazer. Procure hobbies, assista filmes, leia livros ou assista aulas na internet.

É muito importante que, nesse momento, as pessoas não entrem na epidemia do pânico para não começarem a sentir sintomas que são do COVID-19, como por exemplo, a falta de ar. Existe um pânico como um transtorno mental individual, que afeta o físico. Existe o medo constante da morte como ainda o “pânico cultural”, que é o medo de pensar no que vai ou pode acontecer no futuro.

A falta de ar do pânico surge quando existe o medo de morrer e não se tem controle da situação. Não tem uma causa específica e vem associado a outros sintomas como boca seca, taquicardia, sudorese entre outros. Já a falta de ar do COVID-19 é diferente, pois manifesta sintomas dessa condição junto aos da gripe, congestão nasal, tosse e febre.

Mas o que fazer para não entrar em pânico ou ter crises de ansiedade? Busque somente informações confiáveis sobre o coronavírus e delimite um tempo por dia para ver essas notícias. Caso perceba que está muitas horas em função das notícias, isso pode aumentar a ansiedade e fazer com que fique em estado de alerta, além de mal-estar mental e físico associados.

Precisamos estar atentos às informações corretas, à prevenção e a como podemos fazer para não sermos contaminados. O ideal é que busquemos dados que nos tranquilizem e não que nos deixem mais amedrontados. O importante nesse momento é pensar em tudo que a gente tem controle e no coletivo! O que não temos controle, devemos aceitar e continuar fazendo a nossa parte.

Uma alternativa é atendimento online com psicólogos. Caso você já se consulte com um profissional, pode manter aquele mesmo horário ou o profissional também pode atender pessoas que estejam sofrendo agora em virtudes dessas mudanças na rotina. Os atendimentos são feitos através de canais como Skype, ou até mesmo através de chamadas de vídeo no Whatsapp. Assim como você faz com amigos, você pode fazer uma consulta psicológica online no conforto de sua casa e recebendo um atendimento que, com certeza, vai te fazer muito bem.

(*) Marina Franco é psicóloga formada pela Universidade Federal de Sergipe; Especialista em Terapia Cognitivo Comportamental pelo CTC VEDA em São Paulo; Mestre em Psicologia Clínica pela PUC-SP; realiza atendimento presencial e online. Tem experiência no atendimento com adolescentes e adultos.

Advocacia 4.0

Por Fernando Magalhães*

Muito tem se falado em Advocacia 4.0, mas na realidade o que é? Todos escritórios devem seguir esta tendência? E os ganhos realmente são significativos? E quanto custa tudo isso?

Para começar vamos definir o que é Advocacia 4.0. Basicamente, é a nova maneira de um advogado, ou escritório de advocacia, atuar no mercado utilizando-se de todos os novos  recursos que foram introduzidos nos últimos 40 anos.

Nos últimos 40 anos? Sim, a internet não é tão jovem assim. Foi criada em 1969 nos Estados Unidos e chegou ao Brasil em 1988. Acredito que todos os escritórios atualmente pelo menos usam e-mail para se comunicar e, mais recentemente, WhatsApp.

Para por aí? Claro que não. Existem outras ferramentas que vieram com a internet que podem alavancar o resultado de qualquer escritório (importante estar sempre em conformidade com as políticas da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB). Site, blog, Facebook e Instagram são algumas destas ferramentas que, se bem usadas, podem mudar a história do escritório.

Outro ponto importante é a digitalização de documentos pesquisáveis: os programas de gerenciamento eletrônicos de documentos (GED) e a tão falada “nuvem”. Tudo pode ser armazenado de forma virtual, diminuindo o espaço físico necessário para arquivos. Pode-se pesquisar qualquer documento de qualquer lugar do mundo como se estivesse no seu próprio escritório.

Ainda na esteira tecnológica, a grande maioria dos tribunais já estão preparados para o peticionamento eletrônico e, em alguns casos, audiências feitas a distância.

E isso também é um ganho para o escritório. Será que é necessário ir até outra cidade para conversar com seu cliente sobre determinada ação? Sim, existe o telefone, mas colocar toda a diretoria numa sala, vendo cada participante e ainda podendo mostrar em sua apresentação, torna o trabalho muito mais ágil.

Na última década começaram a aparecer no mercado softwares específicos para o mercado jurídico de todos os tamanhos, funcionalidades e preços. Lógico, como em qualquer mercado tem sempre os bons e os ruins (e por que não falar os excelentes e os péssimos?). Resumidamente, estes programas estão divididos em duas partes: gerenciamento de processos e gestão financeira.

A função de um gerenciador de processos é ter todas as informações sobre os processos em um único lugar, receber as intimações diretamente na sua agenda virtual, designar quem deve fazer o que e em quanto tempo deve cumprir a tarefa, entre outras funcionalidades mais específicas. Quanto à gestão financeira, o gestor consegue ver o fluxo de caixa do escritório, fazer orçamentos, ver quem está devendo, quem são seus melhores clientes e até que equipe ou qual advogado é mais produtivo.

Mais recentemente começamos a ouvir falar em robôs, mas o que eles fazem? Você pode pesquisar como determinado juiz, ou ministro do Supremo Tribunal Federal, julga determinado assunto e a partir daí fazer sua tese. Outra funcionalidade é trazer informações específicas sobre determinado assunto para a elaboração de uma petição e, em alguns casos, montar a própria petição com as informações passadas para o robô (não vou discutir aqui a qualidade desta petição, não é o objetivo deste artigo).

Ainda temos uma nova corrente que usa todas as informações possíveis que não estão relacionados ao Direito, mas sim ao problema em questão e apresenta uma petição com links para artigos, vídeos e até opiniões de outros juristas.

Voltando ao início do artigo algumas respostas já foram dadas. Sim, todos os escritórios já estão em parte na Advocacia 4.0 (todos têm pelo menos e-mail e site) e os ganhos e custos? Os ganhos em tempo e assertividade nas pesquisas são enormes, sem falar na comodidade de ter todas as informações a qualquer momento literalmente na palma da sua mão. Custos? Sim, alguns destes produtos são caros. É necessária uma infraestrutura de Tecnologia da Informação muito boa e investir pesado em treinamento.

E os pequenos como ficam? Existem hoje vários programas e softwares para todos os bolsos, inclusive gratuitos, patrocinados pelas associações de advogados.

Além de tudo isso, e também muito importante, é a democratização da informação e do conhecimento.  Porém, é importante conhecer a matéria e ser muito criativo nas soluções apresentadas, afinal pode-se encontrar resposta para tudo na internet, mas nem sempre o que é bom para um é bom para o seu cliente e o robô ainda não tem a intuição e não pensa, ele apenas dá o caminho e você decide.

*Fernando Magalhães é fundador e CEO da OM Consultoria, empresa especializada em gerar soluções claras para resoluções de problemas e para o desenvolvimento dos escritórios de advocacia, tanto financeiramente quanto qualitativamente. É graduado pela Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA – USP), pós-graduado em Planejamento Estratégico para Escritórios de

Advocacia na GVLAW, da Fundação Getúlio Vargas, e em Gestão Jurídica Estratégica na FIA – Fundação Instituto de Administração. Tem curso sobre Melhores Práticas de Escritórios de Advocacia, ministrado na TOTVS.

Case Comunicação Integrada

Deus no combate ao coronavírus

Por Wilson Aquino*

O período da segunda guerra mundial é o que mais se assemelha com a pandemia do coronavírus que o Brasil e o mundo estão enfrentando. E pelo que tudo indica este é somente o começo de uma verdadeira guerra (mundial) que vem sendo travada contra esse inimigo comum e invisível a olho nu e que já fez milhares de vítimas fatais pelos países, além de abalar as economias, os governos e provocar euforia e medo nas pessoas.

Nenhum país sabe a dimensão das consequências que serão provocadas durante essa “guerra” e muito menos depois, quando ela for finalmente controlada. Até lá, todo cuidado é pouco para manter a ordem para que esse clima de insegurança e medo não transforme em desespero a ponto das pessoas se precipitarem em suas atitudes, causando novos problemas econômicos e sociais.

Diante de todo esse quadro; de todo esse caos; não há dúvida de que mais do que nunca as pessoas precisam se voltar à presença de Deus. Ele, e somente Ele, é capaz de conceder toda ajuda necessária  para que pessoas e famílias, que acreditam Nele, possam se sobressair e enfrentar a atual crise  com segurança e tranquilidade. Ele também pode controlar o mais rapidamente possível esse vírus maligno, se joelhos se dobrarem em oração. 

Que me perdoem os céticos e ateus, mas o fato, provado e comprovado milhares de milhares de vezes, por milhões e milhões de pessoas, de multidões e até nações inteiras, é que Deus existe e é inquestionável seu poder sobre absolutamente tudo que existe na Terra e nos céus. Logo, É nosso Pai e Criador. E estamos aqui com um propósito, o de enfrentarmos adversidades pessoais e coletivas para nosso próprio aperfeiçoamento e desenvolvimento espiritual principalmente. Isso tudo em comunhão com Ele. Sempre.

Infelizmente muitos de nós, em nossa incansável correria do dia a dia, acabamos nos afastando Dele, sem louvá-Lo e enaltece-Lo em agradecimento por cada amanhecer de nossas vidas.

E como é sábio o Senhor, pois vemos nas Escrituras Sagradas, preparadas há milhares de anos, também para a contemporaneidade dos tempos, nas quais Ele lamenta com profunda tristeza nosso afastamento Dele. Em Jeremias (8:18) Ele desabafa: “Não há refrigério para a minha tristeza; o meu coração desfalece em mim”.

Felizmente há sempre a esperança de revertermos os caminhos. Se observarmos as mudanças de hábitos e costumes das pessoas para se prevenirem contra o vírus, obrigando-as a se recolherem em família, em seus lares, muitos inclusive dispensados temporariamente de seus ambientes de trabalho, vemos aí uma providencial oportunidade ao homem de dobrar os seus joelhos orgulhosos e distantes, em oração a Deus, que se alegra quando nos arrependemos e procuramos nos reconciliar com Ele. Oportunidade então de pedirmos a Sua ajuda no combate ao vírus que nos cerca.

Por mais que os chamem de loucos e arrogantes, os presidentes do Brasil de dos Estados Unidos, diante da atual crise de saúde pública nessas nações, conclamaram o povo a orar a Deus por ajuda. Não tenha dúvida de que atitudes como essa, de reconhecimento de Seu poder e Glória, podem sim resultar em bênçãos que podem fazer toda a diferença nessa “guerra” contra o Covid-19 e qualquer outro obstáculo que surgir na vida de cada um ou da coletividade.

Infeliz aqueles que não acreditam no poder do Senhor e não se aproxima Dele. Pois estes não desfrutarão da paz, da serenidade e da segurança que Ele, e somente Ele, pode, de fato, proporcionar a todos que O buscam nos momentos de aflição.

As palavras Dele são como um bálsamo como escrito em Provérbios (27:11): “Sê sábio, filho meu, e alegra o meu coração, para eu tenha alguma coisa que responder àquele que me desprezar”. E o que dizer então sobre o que Ele afirma em Salmos (33:12): “Bem-aventurada é a nação cujo Deus é o Senhor, e o povo ao qual escolheu para sua herança”? Mais que nunca precisamos Dele, e de Seu filho, Jesus Cristo, agora, nesse momento de aflição.

*Jornalista e Professor

A Auditoria ‘Uber’

*Por Paulo Gomes

Imagine solicitar, em apenas alguns cliques de um aplicativo de celular, um pacote de avaliação de projetos, de gestão contábil e financeira e, ainda, uma análise sobre os níveis de governança corporativa de sua empresa – se estão de acordo com práticas transparentes, éticas e eficientes. Esse quadro, um tanto quanto surreal, de certa forma, já está prestes a pulsar em nossos telefones, em um mundo no qual as prestações de serviços sofrem constantes metamorfoses, por mais que pareça estranho, não será diferente com a auditoria interna.

Essa profissão, cada vez mais valorizada no mundo e extremamente demandada, já começa a surfar na onda dos contratos de trabalhos esporádicos, com dinâmica instantânea e ajustada a necessidades pontuais ou não tão complexas. Falamos aqui da contratação de um auditor interno por um período de alguns dias, ou, dependendo do caso, para uma tarde de avaliações.  

Já existem empresas no Brasil, de diversos portes, que oferecem o trabalho de auditoria por Jobs. O foco delas não são as grandes, que possuem regras rígidas de governança e que necessitam de um time de auditores preparados para atenderem às expectativas dos stakeholders e da alta administração. São empresas médias e menores, que não conseguem absorver o custo fixo de manter profissionais internamente e acabam contratando consultorias que realizam auditorias específicas. Esse cenário não é novo já está consolidado há anos.

Eu mesmo, em um passado distante, já precisei contar com um auditor especializado em biologia, perfil que não havia na minha equipe – quando atuava no setor elétrico. Ele ficou conosco alguns dias, fez as avaliações necessárias e nos entregou os relatórios esperados.

Mas até onde temos conhecimento, ainda não há aplicativos disponíveis para essa contratação, embora haja todas as ferramentas necessárias para que players finquem suas bandeiras nesse nicho corporativo. Mas afinal como funcionaria esse ‘Uber de Auditores’?

Imagine uma empresa de pequeno porte que necessite de um profissional capaz de avaliar as condições contábeis e de governança para que ela possa dar um passo importante, como uma aquisição ou um redirecionamento de seu escopo de atuação.

Lá estaria o aplicativo, com um portfólio burilado, capaz de adequar a expertise de seus auditores, com a real necessidade do requerente. Basta ele entrar nesse aplicativo, definir seu perfil de atuação e qual a área de especialização do auditor que deseja contratar. O aplicativo então enviaria o profissional adequado para realizar a avaliação solicitada. Se bem detalhado o pedido, já seria sugerido uma ideia de carga horária de custo para aquele projeto específico.

É provável que todos os auditores acabem atuando como profissionais liberais, mas seria razoável acreditar que todos tivessem experiências comprovadas de acordo com as categorias que poderiam ser divididas entre auditoria de TI, contábil, de processos, entre outras. Também haveria uma segmentação de setores, por exemplo: siderúrgico, financeiro, varejo, educação e até de novos nichos, prestes a ganharem força, como o esportivo.

Seria fundamental que, além da experiência profissional, esses auditores apresentassem comprovações de certificações, como as concedidas pelo The IIA – The Institute of Internal Auditors, o maior organismo da carreira no mundo, com mais de 200 mil auditores associados. É uma garantia para o contratante contar com auditores que atuem em linha com as melhores práticas globais de governança e ética corporativas.

Por outro lado, os auditores do aplicativo teriam a liberdade de aceitar ou não o job, de acordo com o projeto proposto. Há fatores como disponibilidade de viagens, complexidade dos desafios e, às vezes, até aspectos de segurança, de uma atuação em áreas consideradas de risco. Evidentemente, não é um ‘match’ tão simples como uma corrida de carro, mas se bem estruturado, tem tudo para ser mais um novo modelo de sucesso de contratação no mercado corporativo.

Com as empresas compreendendo cada vez mais a importância de ter seus processos de gestão em linha com as boas práticas de governança, essa ‘Uberização’ da auditoria só tende a crescer. Não é que ela tomará o lugar dos profissionais que atuam internamente em grandes corporações, a previsão é que ela venha a somar. É um pequeno exército de auditores atuando em empresas que precisam, mas que não têm condições de manter uma auditoria interna constante.

Evidente que, como em toda mudança, algumas marolas devem sacudir a carreira, mas a tendência é que esse movimento pelas contratações de auditores para projetos pontuais se integre paralelamente à atuação daqueles que atuam continuamente em organizações. É como se estivéssemos no prefácio de um novo modelo de auditoria que será acionado pela tecnologia e pragmatismo. Os algoritmos e o uso da inteligência artificial contribuirão para indicar o melhor profissional para determinado projeto, além de auxiliá-lo de forma rápida e eficaz na mineração de dados para que ele possa construir um diagnóstico que atenda a demanda contratada pela empresa.

Os auditores internos fixos, integrados e que possuem uma visão holística da empresa em que atuam, continuarão a existir, principalmente nas grandes organizações. O grau de complexidade delas exige um time alinhado, com profissionais qualificados, com certificações internacionais e que atuem em linha com as melhores práticas de gestão de riscos exigidas pelo setor. Já os auditores ‘Uber’ serão um reforço, uma nova legião de agentes da ética, que contribuirão – mesmo que por pouco tempo e de forma pontual – na disseminação de processos transparentes, lícitos e eficazes. Ganha quem os contratar e ganha a sociedade, que clama por um ambiente corporativo mais justo e verdadeiro. Que venham os apps!

* Paulo Gomes é diretor-geral do Instituto dos Auditores Internos do Brasil – IIA Brasil – paulo.gomes@iiabrasil.org.br

Sobre o IIA Brasil

O Instituto dos Auditores Internos do Brasil completou 59 anos de fundação sendo uma das cinco maiores entidades da carreira do planeta, entre os 190 países associados ao The Institute of Internal Auditors –The IIA, a mais importante associação do setor no mundo. Referência na América Latina, o IIA Brasil auxilia na formação de outros institutos como o IIA de Angola. No Brasil, a entidade coordena todo o processo de obtenção de certificações internacionais, como o CIA (Certified Internal Auditor), além de promover debates, cursos técnicos, seminários e o Conbrai – Congresso Brasileiro de Auditoria Interna.

Mais informações sobre o IIA Brasil –  Tel.: (11) 5523-1919 – iiabrasil.org.br

Amanajé Comunicação – Assessoria de Imprensa (11) 3136-0544 / 98160-7110 – amanaje.com.br / Carlos Marcondes marcondes@amanaje.com.br

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Estabilidade protege servidores contra perseguição ideológica de políticos

Autor: Antonio Tuccílio, presidente da Confederação Nacional dos Servidores Públicos (CNSP)

A gestão do presidente Jair Bolsonaro promete muitas reformas. A da Previdência Social já foi aprovada. A tributária, que há décadas é tida como necessária, deve entrar na pauta em breve. E, para completar o time das reformas, a administrativa vem ganhando forma. Alguns pontos já divulgados merecem atenção especial, pois podem prejudicar o serviço público no Brasil. Um exemplo é a possibilidade de acabar com a estabilidade para servidores.

Esse é, certamente, um dos pontos mais críticos da reforma administrativa. Segundo o governo, caso a reforma se torne realidade, poucas carreiras terão direito à estabilidade, como fiscais de renda e diplomatas. São as carreiras que supostamente – e na visão da equipe do ministro da economia, Paulo Guedes – sofrem mais pressão. Porém, na prática, todo servidor público tem chances de ser perseguido, desde o diplomata até quem trabalha nos municípios. Inclusive, acredito que quanto mais fora dos grandes centros maiores são as chances, pois nesses lugares ainda imperam coronéis da política.

Ao contrário do que muitos pensam, servidores públicos podem ser demitidos quando são ineficientes. Para isso, é necessária sentença condenatória transitada e julgada. Outra maneira é por meio de processo administrativo.

A estabilidade é importante para evitar que servidores públicos sejam prejudicados por questões ideológicas, principalmente quando há troca de gestão de vereadores, deputados, prefeitos e governadores. Sem a estabilidade, se tornaria muito comum  a demissão de servidores de gestões anteriores quando um novo grupo tomasse posse. Não seriam utilizados critérios de desempenho, apenas partidários.

O servidor não ocupa o cargo para atender aos caprichos de políticos e, por essa razão, não deve ser perseguido por eles. Seu objetivo é trabalhar pelo Estado, para o povo, não para partidos políticos. Até porque o Estado e a população permanecem, já os partidos vêm e vão.

Se o real interesse do governo é eliminar os trabalhadores que não entregam bons resultados não há razão para acabar com a estabilidade. Basta utilizar os mecanismos existentes e aperfeiçoá-los. E, se os governantes estão realmente interessados em economizar, sugiro que comecem por cortar seus altos salários e as regalias travestidas de auxílios, incluindo os cargos comissionados que mais servem como cabides de empregos para familiares e amigos.

Reformas são necessárias desde que não prejudiquem o serviço público e, consequentemente, a população que depende dele.

Por Jornalista Rodolfo Vieira

Como o setor de contratação está enfrentando o Coronavírus?

Antes de mais nada, vale ressaltar a atuação elogiável dos RH´s aqui no Brasil, no que tange ao gerenciamento dessa crise pandêmica. Em sua maioria, atuaram de forma rápida e eficiente, sugerindo home office aos colaboradores e divulgando informações de prevenção em todos os níveis hierárquicos dentro das cias. 

Por Marcelo Arone

Empresas que já tinham cultura de trabalho remoto, bem como processos bem definidos para que o dia a dia não fosse tão impactado, largaram na frente. Isso faz toda a diferença. E essa é a correlação que queremos fazer com o setor de novas contratações, em um cenário pós Coronavírus: o planejamento e a previsibilidade serão as duas palavras-chave. 

Assim como aconteceu com a MP 927, que já foi revogada, governo e empresários estão em busca de alinhamento e de soluções entre empresas e funcionários, para tentar mantendo ao máximo o equilíbrio e ajustar as expectativas de acordo com cada cenário. Acredito que teremos por aí um contorno diferente das relações de trabalho, a partir de uma nova perspectiva. A grande questão é que é preciso se reinventar para ser impactado de maneira menos brusca pela crise do Coronavirus.

Obviamente, neste mês e, possivelmente, no próximo, ao que tudo indica, salvo casos bem pontuais, alguma contratação irá ocorrer. Talvez um processo que esteja avançado, uma substituição já planejada ou uma oportunidade de trazer alguém que esteja disponível no mercado. Mas, antes de se ter certeza sobre como o vírus irá se comportar em solo brasileiro, durante nossa meia estação de outono (onde os picos de resfriados ocorrem), as contratações, em sua maioria, deverão provavelmente, assim como nós, ficar em quarentena (nesse caso – 40 dias mesmo e não 14).

A partir do momento em que a previsibilidade do cenário aumenta (e isso envolve, sim, saber tomar os riscos na medida certa), as empresas que rapidamente conseguirem repor os talentos nas áreas chave largarão na frente (lembram de quem já tinha o plano de fazer home office antes do COVID-19?). Teremos, talvez, pouco mais de um semestre para fazer o ano e ninguém corre atrás do prejuízo se estiver com algum “buraco” de talentos.

Em consultorias de recrutamento que possuem um modelo digital e tecnológico de seleção, o contato social é zero. Ou seja, não haverá risco algum de contágio. Você pode ter as pessoas certas, para o momento certo, antes do avião decolar novamente. Aos mais céticos que questionam não somente possíveis contratações, mas demissões, lanço uma reflexão: cuidado com o custo duplo de precisar demitir e, em pouco tempo, contratar novamente.

Temos alguns exemplos que, historicamente, nos trouxeram aprendizados, mas, para ficar somente com um caso recente, voltemos a 2009: após um contexto também globalizado de preocupação e pânico nas economias mundiais, muitos, na ânsia de reduzir custos, olhando somente para o curto prazo, fizeram demissões em massa, lembram?

Quando a famosa previsibilidade passou a ser favorável, correram para disputar os melhores profissionais novamente. Resultado: salários inflacionados, custo de adaptação para uma nova pessoa na equipe e alguns meses até que os novos profissionais se integrassem com a cultura do grupo. Isso quando seu concorrente não foi mais rápido que você e contratou seu ex-funcionário, já treinado, e levando para ele boa parte de sua expertise e conhecimento.      

Quem deixar para fazer isso somente após o cenário definido e não previsível, corre o risco de levar mais alguns meses até achar e integrar os talentos corretos pra empresa. Aí, estaremos provavelmente em 2021 e, literalmente, terá se perdido o timing adequado. 

Se temos, no curto prazo, previsibilidade quase nula do que irá ocorrer, no médio e no longo prazo sabemos que essa tormenta passará. Mitigar os impactos de tudo isso na vida dos colaboradores mostra se as empresas valorizam ou não o ser humano acima de tudo. E isso nos torna melhores como pessoas. Tenho certeza de que, se você leu até o final esse texto, como pessoa física ou pessoa jurídica, irá se transformar em alguém muito mais preparado e evoluído depois que esse momento se encerrar.

Quem é Marcelo Arone?

Fundador da OPTME, especializada em recrutamento e seleção para empresas 100% brasileiras e de médio porte, Marcelo Arone é formado em Comunicação e Marketing pela Faculdade Cásper Líbero, com especialização em Coach Profissional pelo Instituto Brasileiro de Coaching, com 18 anos de carreira em empresas nacionais e multinacionais. Já atuou na área de comunicação de empresas como Siemens e TIM, e no mercado financeiro, em empresas como UNIBANCO e AIG Seguros. Pelo Itau BBA, tornou-se responsável pela integração da área de Cash Management entre os dois bancos liderando força tarefa com mais de 2000 empresas e equipe de 50 pessoas. Desde então, se especializou em recrutamento para posições de liderança em serviços, além de setores como private equity, venture capital e empresas de Middle Market, familiares e brasileiras com potencial para investidores. Já entrevistou em torno de 8000 candidatos e atendeu mais de 100 empresas em setores distintos.

Mais informações:

OPTME Consultoria em RH | www.optme.com.br | contato@optme.com.br

As pernas do Covid-19 e as lições da Itália

Por Mario Girasole

O novo coronavírus não tem pernas; somos nós as pernas do vírus. A relação parece intuitiva, mas as consequências para evitar drasticamente o contágio das pessoas e tratar os doentes exigem aprendizado rápido, aplicação assertiva dessas lições e disciplina de todos em seguir as orientações das autoridades de Saúde.

Meu país, a Itália, está aprendendo a lidar com a doença, pagando ainda um preço altíssimo de centenas de mortes por dia e um sistema de saúde à beira do colapso. Cerca de 10% dos afetados são médicos e enfermeiros, um tributo enorme dessas categorias. O que de mais valioso podemos dividir com o mundo segue a comunidade científica: o máximo isolamento é o maior instrumento de combate ao vírus.

A pandemia expõe a fragilidade sanitária do mundo globalizado. Mas a doença, além de viajar no espaço, viaja também no tempo. Estarmos, no Brasil, a algumas semanas do que ocorre hoje na Itália. E isso é uma oportunidade de aprendizado para limitar o potencial impacto em milhões de vidas. Podemos mudar o futuro!

A comunicação pública não pode ultrapassar o equilíbrio entre informação, conscientização e pânico. Este mês, vazou um comunicado sobre o fechamento da Lombardia, a região na Itália Setentrional mais atingida, o que provocou corrida noturna aos trens para sair da área. Ou seja, um erro de comunicação gerou aglomeração e deslocamento em massa, efeito contrário ao desejado.

O combate à doença exige diálogo e coordenação entre ações do Governo e de poderes locais. A Itália não é um país federal e, mesmo assim, num primeiro momento, a desarticulação entre regiões e estado central criou desorientação da população. O Brasil tem que tomar ainda mais cuidado nesse sentido.

No Brasil, medidas importantes, como restrições a comércio, escolas, transportes e entretenimento, estão sendo definidas em um estágio muito anterior ao que aconteceu na Itália, o que é crucial para o controle futuro do contágio. Porém, as medidas serão eficazes somente com a disciplina da população em limitar movimentos e deslocamentos.

Nessa crise, as tecnologias e as telecomunicações são suporte fundamental para a manutenção das relações profissionais, de estudo e de trabalho. Na Itália e no Brasil, as operadoras se movimentaram para garantir a estabilidade da conectividade, a difusão eficaz das informações, a produtividade do trabalho remoto e a continuidade profícua dos estudos.

As redes de telecomunicações móveis permitem a análise dos fluxos agregados e anônimos de deslocamento de pessoas para o transporte público ou grandes eventos. Assim como ocorre na Itália, seria importante adaptar, no Brasil, essas ferramentas para estudar a resposta de taxa de movimentação do fluxo de pessoas às medidas restritivas adotadas pelos governos.

A certeza que temos é que essa crise passará e deixará legados importantes nas relações pessoais, de trabalho e de estudo. Além da vacina do Covid-19, teremos novos anticorpos de consciência coletiva do impacto das nossas ações individuais e para o uso racional de recursos escassos, a começar pelo do nosso tempo. Os meios digitais são os aliados fundamentais dessa evolução.

Mário Girasole *, italiano e brasileiro, é vice-presidente da TIM Brasil.

Pegando o ônibus errado

Por Juliana Garippe*

Certo dia, o cidadão embarca tranquilamente na sua costumeira condução e, quadras depois da partida, em direção ao destino, percebe que está dentro do ônibus errado. Tal situação teoricamente não parece grave, pois descer do tal ônibus que pegou por engano e aguardar pela linha correta na próxima parada seria avaliada como uma atitude muito simples, certo? Errado.

Estranhamente, nesse momento, o corpo é tomado por uma sensação de pânico, como se nunca mais fosse permitida uma parada, um retorno, um recomeço. A velocidade do ônibus, antes tão lenta e criticada, parece mais rápida que a velocidade da luz. A única certeza que se tem é que estando ali, sentindo-se completamente sozinho, apesar de a condução não dispor de um único lugar para se sentar, é de que se está prestes a não encontrar mais o caminho de volta pra casa.

O ponto final! A agonia acaba porque, em instantes, o caminho de volta vai ser refeito e a calma parece se restabelecer. Os pensamentos se ordenam, os caminhos ficam mais claros e aqueles “estranhos” de minutos atrás até parecem mais amigáveis. 

O que na realidade se pretende com essa narrativa de agonia é fazer um comparativo com as atitudes e com o tipo de relacionamento entre pais e adolescentes de hoje. É nesse período que os hormônios fazem uma reviravolta no corpo, enquanto a incerteza e o medo tomam conta dos mais diversos pensamentos. Sendo assim, acredita-se que alguém precisar “segurar as pontas” para que essas criaturas “não peguem o ônibus errado”, pelo menos até que passem por esse processo inevitável da sua vida. E esse alguém são os pais.

Não é bem isso que se tem observado. Como tudo, temos as exceções, mas a questão é que estamos falando de uma maioria desorientada, quando deveríamos comentar apenas de uma minoria que, por algum motivo ou outro, se perdeu no julgamento do que seria certo ou errado, próprio ou impróprio na educação de seus filhos.

Procura-se o psicólogo porque o problema é o filho, e apenas o filho. Ele é mal educado e desinteressado porque é adolescente. Não vai bem na escola porque não quer nada na vida. Ninguém dá jeito nesse menino porque é da tal “geração Y”, e por aí vai. É preciso começar a questionar, discutir e também colocar às claras o comportamento dos pais desses adolescentes “indomáveis”. Parece até que tanto problema, suicídio, depressão, droga e tudo mais que aparece por aí é tudo culpa dos hormônios. Para ilustrar rapidamente o que ocorre, estava eu em um aniversário e a mãe de dois adolescentes contava que iria passar 10 dias no litoral, longe principalmente dos filhos. Afinal, eles estavam com problemas em todas as áreas possíveis. Em casa, na escola e com os amigos. Então era melhor ficar longe, pois a situação estava insuportável.

Estamos na sociedade de pais perdidos que embarcaram seus filhos em ônibus errados. Esses jovens estão com muito medo, pois não sabem se conseguem saltar sozinhos dali. Querem saber quem são as pessoas que seguem viagem com eles, com quem podem contar para pedir uma informação. Pais de verdade não têm a prerrogativa de escolher em qual fase darão apoio aos filhos. Em todas elas, boas e ruins, estando cansados ou não, totalmente seguros ou com incertezas, é preciso estar lá. Ora, apoiando, ora desaprovando estejam lá! Para o que der e vier. Falem o que é certo e o que é errado. Vivam do exemplo, cobrem responsabilidade e deixem que saibam sobre sua importância. Assim, muito provavelmente, eles logo chegarão ao ponto final e encontrarão o caminho de volta para casa. 

Juliana Garippe * é gerente de Relacionamento do Sistema Positivo de Ensino.