Estresse, ansiedade, depressão e a pandemia

Por Marina Franco *

Um estudo realizado pela Universidade do Estado do Rio (UERJ) mostrou que os casos de ansiedade e estresse mais do que dobraram e os de depressão tiveram um crescimento de 90% durante a pandemia. Com esses dados, vemos que os transtornos mentais estão aumentando e que, mesmo após a pandemia, os números devem continuar crescendo.

Na ansiedade causada por doença, o indivíduo está sempre preocupado de ter ou adquirir alguma doença. Alguns sintomas envolvem a “hiper vigilância”, podendo acompanhar falta de ar, palpitação, agitação entre outros. Na depressão, os sintomas são uma sensação de tristeza, autodesvalorização e sentimento de culpa. O estresse agudo ocorre juntamente com reações emocionais, fisiológicas e mudanças de pensamento, em razão da vivência de um trauma. Os sintomas são as lembranças angustiantes e recorrentes do trauma, sofrimento, evitação de qualquer situação que relembre o trauma, crenças negativas sobre si e sobre o mundo entre outros.

Para amenizar ambos transtornos, há algumas técnicas de redução de ansiedade que podem ajudar, como, por exemplo, a meditação, exercícios de respiração, exercícios físicos e o próprio contato social para expor os sentimentos e falar sobre isso. Em casos mais graves, são necessários o atendimento e o acompanhamento psicológico.

Com a pandemia, o isolamento social e o aumento das incertezas são alguns fatores que consideramos de ‘risco’ para o surgimento de alguns problemas mentais. As pessoas que já possuíam algum transtorno de ansiedade ou depressão estão mais vulneráveis em relação às pessoas que não tinham essas questões de ordem mental, anteriormente. Também são vulneráveis aqueles que já tinham baixa autoestima, crença de incapacidade e que não viam mais sentido na vida, e que ainda estão sozinhas durante esse período, sem poder ver os amigos. Essas pessoas ficam sem saber o que vai ou pode acontecer com elas.

De acordo com algumas pesquisas, as mulheres podem ser, sim, mais vulneráveis aos transtornos ligados ao estresse. Isso acontece até por conta da questão hormonal, que influencia no humor. Mas também não devemos esquecer que tem a questão da cobrança. Até hoje a sociedade cobra muito o ‘papel’ da mulher, a imagem dela. E com a pandemia, ela fica sobrecarregada com o acúmulo de papeis.

Anteriormente, a cobrança vinha da parte sexual. Hoje, ela é cobrada para ser a mãe perfeita, tem que dar conta do trabalho de maneira impecável e ser boa esposa. Quando ela não atinge as expectativas sobre alguns desses papeis, ela acaba se sentindo frustrada, ansiosa e culpada.

Quando vivenciamos uma situação, como a pandemia, em que a nossa possibilidade de controle é inexistente, e que tem a morte como possibilidade real, isso pode ser um evento traumático. Com isso, a quantidade de pessoas com doenças mentais pode aumentar.  Essa pandemia, repleta de incertezas, pode ser um desencadeador de outros transtornos mentais. Por isso, é preciso procurar ajuda o quanto antes, para que o impacto não seja tão comprometedor no futuro.

Marina Franco *é psicóloga formada pela Universidade Federal de Sergipe; Especialista em Terapia Cognitivo Comportamental pelo CTC VEDA em São Paulo; Mestre em Psicologia Clínica pela PUC-SP; realiza atendimento presencial e online. Tem experiência no atendimento com adolescentes e adultos.

Biológicos, manejo integrado e aumento de produtividade

Por Antônio Carlos Zem* com a colaboração de Tedson L. F. Azevedo**

Qual é o futuro da agricultura? Se olharmos para o passado, poderemos lembrar que o uso de defensivos agrícolas e fertilizantes minerais industrializados trouxeram um importante incremento na produtividade das culturas e, consequentemente, grande aumento na produção e oferta de alimentos em todo o mundo.

Com a evolução tecnológica e a busca por novas opções para o controle das pragas agrícolas, os produtos biológicos têm se apresentado como ferramenta econômica e tecnicamente viável ao produtor. Isso não quer dizer que se pensa em substituir completamente os defensivos agrícolas pelos biológicos, mas que eles atuem de forma sinérgica num plano integrado de manejo de pragas, doenças, nutrição e promoção de crescimento para as plantas.

O controle biológico e os defensivos agrícolas, assim como as outras ferramentas preconizadas pelo manejo integrado de pragas e doenças, devem compor o conjunto de medidas de ações de controle utilizadas pelo agricultor para que se consiga altos níveis de eficiência no manejo, reduzindo os danos e permitindo ao produtor o aumento do retorno financeiro de sua lavoura.

Antes, o mercado de soluções biológicas era visto como pequeno, de baixa eficácia e qualidade inconsistente. Agora, com o crescente interesse das multinacionais, novas empresas, tecnologias inovadoras de produção e conservação dos microrganismos e maior capital para investimentos utilizando os biológicos como estratégia de diferenciação, é natural esperar a introdução de uma nova gama de produtos no mercado. Inclusive, o foco estratégico da Biotrop em biológicos é oferecer soluções integradas que permitem melhorar a produtividade e lucratividade de maneira sustentável, tanto para o produtor como para toda a cadeia envolvida na produção e comercialização de alimentos.

O mercado mundial de biológicos tem crescido a um ritmo cinco vezes maior que o da indústria de agroquímicos. Entre 2011 e 2019, o mercado global desses produtos teve crescimento médio anual de 15,3%. Isso se deve, em primeiro lugar, a uma questão de investimento, uma vez que para desenvolver um novo defensivo o custo é extremamente alto: US$ 286 milhões, enquanto o biológico custa uma fração desse valor, além disso, existe uma demanda da sociedade e dos órgãos reguladores pela produção de alimentos sem resíduos. Nesse contexto, a utilização dos defensivos biológicos em alternância com os produtos químicos, permite que sejam realizadas aplicações de biológicos visando o controle de pragas e doenças no final do ciclo de cultivo, quando que nessa situação, a aplicação de defensivos químicos é limitada em função dos limites máximos de resíduo e intervalo de carência.

Outra vantagem da introdução de produtos biológicos no manejo é a extensão da vida útil dos ingredientes ativos dos defensivos químicos, ou seja, o tempo estimado para que o alvo apresente resistência ou o ingrediente ativo perca eficácia no controle. Biológicos representam novos, amplos e complexos mecanismos de ação, para os quais a evolução da resistência de pragas e doenças é menos problemática. Considerando que o lançamento de novas moléculas químicas tem ocorrido de forma cada vez mais lenta e mais custosa, a manutenção da alta eficácia das moléculas atuais é fator crítico para a sustentabilidade da agricultura e nesse sentido a integração com biológicos é fundamental para retardar a evolução da resistência e prolongar o ciclo de vida desses ativos.

Biológicos têm uma expectativa de crescimento robusto, fornecem alternativas eficazes e sustentáveis, são uma eficiente ferramenta para proteger os altos investimentos em sementes e a rentabilidade do agricultor. Os produtores estão adotando o manejo integrado de pragas (MIP), no qual os defensivos biológicos desempenham papel central. A tendência do mercado é que o uso de biológicos convivam em harmonia com os defensivos químicos.

A mudança no perfil dos produtos biológicos e o aumento exponencial de sua utilização, migrando de nichos para a consolidação no mercado, atingindo as principais culturas, depende da evolução das formulações e dos processos de produção. Para a consagração dos produtos biológicos, suas formulações devem depender cada vez menos de logística diferenciada para transporte, armazenamento e aplicação. Essa evolução só será possível com investimentos massivos em tecnologia.

Acreditamos firmemente que soluções biológicas serão crescentes no mercado de proteção de cultivos. Esse segmento está evoluindo e os principais fatores são a demanda por soluções integradas, o aumento da pressão regulatória e o amadurecimento das biotecnologias. Os biológicos permitem que os produtores mantenham não somente o ritmo de evolução dos negócios, como sua viabilidade econômico-financeira no longo prazo.

Reestruturação do solo

Os biológicos de origem fúngica ou bacteriana têm um papel transformador e crescente na regeneração dos nossos solos. Durante anos, as práticas agrícolas não contribuíram com a manutenção da quantidade e diversidade dos microrganismos do solo, chegando em muitos casos na diminuição desses: abertura de novas áreas de cultivo sobre a vegetação nativa, queimadas, manejos que contribuíram com a redução do teor de matéria orgânica do solo e o uso intensivo de fertilizantes químicos e herbicidas comandaram essas ações.

Temos agora a oportunidade única de trazer a abundante e diversificada vida de volta aos solos através dessa nova tecnologia de bioprodutos associados às boas práticas de produção, de manejo e conservação dos solos. Dessa maneira, estamos contribuindo para que princípios e condições básicas de relacionamento associativos e simbiônticos entre plantas e microrganismos se restabeleçam com mais intensidade, diversidade e durabilidade, proporcionando para elas um sistema radicular mais desenvolvido, volumoso e sadio – sendo assim capaz de explorar um volume maior de solo, consequentemente absorvendo mais água e nutrientes armazenados em zonas não antes acessíveis.

Solos ricos em enzimas solubilizadoras de nutrientes antes insolúveis, mais estruturados, mais resistentes a processos erosivos, com maior capacidade de infiltração de água e trocas gasosas são contribuições das atividades dos microrganismos do solo que vivem em torno da rizosfera. A fixação biológica de nitrogênio atmosférico só é possível graças a um grupo específicos de bactérias que possuem essa capacidade, assim como também a síntese de fitormônios que estimulam o crescimento de raízes e parte aérea das plantas.

Bactérias especializadas em solubilizar o fósforo indisponível e disponibilizá-lo às plantas já são possíveis de serem produzidas num processo industrial, com grande percentual de viabilidade e elevada eficácia. Fungos e bactérias que atacam os nematoides, que produzem enzimas inviabilizando a eclosão dos ovos (ovicidas), que sintetizam e excretam metabólitos (que agem sobre formas jovens e adultas) são, além de eficientes, uma realidade em milhares de hectares cultivados Brasil afora.

O benefício precisa ser mútuo, uma via de mão dupla. Os microrganismos protegem as plantas de patógenos e as plantas fornecem alimentos (aminoácidos, açúcares etc.) para os microrganismos, por meio de exsudados radiculares. Por isso é tão importante que a planta possua um sistema radicular vasto, robusto e sem impedimentos físicos, químicos e biológicos para o seu crescimento.

A ocupação dos sítios da planta (folhas e raízes) por microrganismos benéficos – proporcionando uma “barreira” de defesa contra os microrganismos patogênicos, insetos e nematoides – são valores atribuídos às relações harmônicas que sempre regeram a manifestação genética para o potencial produtivo das plantas cultivadas.  

Enfim, estamos no limiar de uma nova era para os biológicos onde a identificação, seleção, avaliação e produção de novos microrganismos deverá ganhar uma escala sem precedentes, resultando em formulações estáveis e de prolongada vida de prateleira, com impacto positivo e expressivo na percepção e adoção dessa ferramenta biotecnológica pelos empresários e produtores rurais. A BIOTROP está fazendo parte dessa biotransformação.

* CEO da BIOTROP/TOTAL BIO; MSc PhD.

** Supervisor de Desenvolvimento de Mercado; MSc PhD.

Semenzato, Luiza Trajano e João Appolinário apontam caminhos para retomada pós-Covid de pequenos e médios empresários

Mediada por Dony De Nuccio, live será apresentada na próxima quinta-feira, às 12h30

Na próxima quinta-feira (4), às 12h30, a SMZTO Holding de Franquias promove uma live com o tema “O pequeno e médio varejo e o franchising pós-Covid-19”. A ideia é apontar caminhos para que pequenos e médios empresários possam se preparar para a reabertura e a retomada da economia após o isolamento social causado pela pandemia.

Com as presenças confirmadas de José Carlos Semenzato (fundador da SMZTO), de Luiza Trajano (presidente do Conselho da Magazine Luiza e presidente do Grupo Mulheres do Brasil), de João Appolinário ( fundador e presidente da Polishop) e de Alberto Serrentino, fundador da Varese Retail, boutique de estratégia de varejo (consultor com mais de 30 anos de experiência em varejo e consumo e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo), a live terá como mediador o economista e jornalista  Dony De Nuccio.

O debate ainda trará ideias para os empresários aplicarem durante o período de distanciamento social, como a criação de novos serviços, a oferta de produtos por meio de delivery e drive thru e a possibilidade de vendas via e-commerce e WhatsApp. O objetivo é auxiliar os empreendedores no processo de evolução digital na retomada da economia, trazendo insights sobre as expectativas e os desejos dos consumidores neste novo cenário, com a integração dos negócios nas plataformas on e offline.


A live será transmitida no canal do YouTube da SMZTO (https://bityli.com/FdSe9) e, simultaneamente, no InvestNews, canal que já conta com mais de 100 mil seguidores na plataforma.

Sobre a SMZTO Holding de Franquias

A SMZTO nasceu com o propósito de investir em negócios de franquias com grande potencial de crescimento. A partir de uma análise bastante criteriosa, a holding seleciona empresas que tenham pelo menos 30 unidades e sejam lideradas por empreendedores apaixonados. Demonstrando sua capacidade de criação de valor, hoje em seu portfólio tem diversas marcas líderes em suas categorias, dentre elas: Oakberry, OdontoCompany, Oral Sin, Espaçolaser, Estúdioface, Instituto Gourmet, Instituto Embelleze, Gua.co, Joy Juice, L’Entrecôte de Paris, Casa X e Belle.Club. Fundada por José Carlos Semenzato, a SMZTO soma mais de 2 mil unidades e planeja faturar R$ 3,5 bilhões neste ano em suas redes de franquias.

Contato:

Ruhama Rocha

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Celular: + 55 (11) 9-4250-7123
Fixo: (55 11) 2579-5404

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gabriella.bueno@economidia.com.br
Celular: (55 11) 9 8983-5508
Fixo: (55 11) 2579-5404

Alberto Serrentino- Fundador da Varese Retail
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João Appolinário- Fundador e Presidente da Polishop
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Luiza Trajano- Presidente do Conselho da Magazine Luiza
Divulgaçãõ

José Carlos Semenzato é Presidente do Conselho da SMZTO
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Dony De Nuccio- Economista e Jornalista do Investnews
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Ruhama Rocha
Atendimento
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O cenário econômico empresarial na pandemia: De onde viemos e para onde vamos?

Por Alessandro Azzoni *

Primeiramente, precisamos dividir a análise sobre a situação econômica das empresas antes e depois do isolamento social. Para que fique mais claro, muitas empresas já vinham de um cenário de recuperação importante. Lembrando que em 2015 tivemos um decréscimo do Produto Interno Bruto (PIB) na ordem de -3%; em 2016 foi de -3,5%. Falamos de dois anos de decréscimo do PIB, um cenário negativo que contribuiu bastante para a queda do governo Dilma. Com este prognóstico obtivemos uma retração da demanda; período em que muitas empresas tiveram seu fluxo alterado com demissões e restruturação do quadro funcional e, muitas vezes, até a automação. O cenário reverteu a tendência com o governo Temer, que freou o decrescimento econômico e trouxe ao nosso PIB um ambiente mais positivo, onde obtivemos +1% em 2017 e +1,1% em 2018.

Este cenário trouxe a expectativa a todos os empresários brasileiros, pois com este crescimento do PIB, aumentou o grau de confiança dos consumidores, que ampliaram suas demandas para curto, médio e longo prazo. Veio o Governo Bolsonaro e essa expectativa aumentou ainda mais, considerando o avanço das reformas que estavam em andamento no Congresso Nacional. Porém, anteriormente ao panorama recente as empresas iniciavam sua retomada econômica, muitas com demandas reprimidas e ainda com um passivo de endividamento no mercado financeiro.

O avanço da Covid_19, em meados de março, impactou “em cheio” o mercado, ocasionando fortes quedas, o que já demonstrava que o cenário seria preocupante com a implantação do isolamento e o combate à crise pandêmica, potencializado pela falta de uma política sanitária única comandada pelo Governo Federal, fator fundamental para que o mercado internacional vislumbrasse no Brasil uma política de combate x econômica agregada, amparado pelo isolamento social, com prazo determinado, com políticas econômicas de assistência ao trabalhador e aos empresários. Era o que se esperava. 

Como não ocorreu uma coordenação nacional, com prefeitos e governadores tomando decisões descoordenadas, intensificou-se a situação crítica das empresas; principalmente micro e pequena empresas, alvos de do PRONAMPE – Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, que tem como objetivo principal a manutenção do emprego, uma vez que as empresas beneficiadas assumem o compromisso de preservar o número de funcionários, efetivado através da Lei nº 13.999/2020, que abriu crédito especial no valor de R$ 15,9 bilhões, e a esperança de garantir recursos para os pequenos negócios durante a pandemia Covid_19 no país. 

O programa estabeleceu limites para liberação dos créditos conforme receita bruta declarada no IR – Imposto de Renda 2019 com base 2018, o que acaba por gerar um limitador do credito, vez que o empresário não efetivou a receita bruta integral, omitindo valores, pois a liberação está atrelada a 30% da sua receita bruta e as empresas com menos de 1 ano terão o limite de empréstimo de até 50% do capital social ou até 30% da média do faturamento mensal, por isso a informação, necessariamente, tem que representar a realidade. Caso abra empresa com um pequeno valor de capital social e não registre todo o faturamento para evitar a tributação, isso afeta totalmente a liberação do crédito – outro entrave é exigência de comprovação dos empregados.

Os repassadores são os bancos públicos e privados, que acabam sendo rigorosos na aprovação do crédito, uma vez que parte da operação é garantida pelo governo. Esta análise de crédito fica dificultada por causa da perda de faturamento e a capacidade de resiliência das empresas durante e pós-crise, mas cabe lembrar que a situação anterior à crise com inadimplência junto as instituições financeiras dificulta a análise e, por sua vez, a aprovação. No todo, essas medidas governamentais representam R$ 55 bilhões e têm como foco minimizar os efeitos da pandemia nas pequenas empresas e preservar empregos.

O acesso, a análise e a liberação não correspondem, sobremaneira, à necessidade da empresa para sobreviver à crise, pois o acesso aos recursos se faz imediato e os prazos de análise dificultam sua aquisição, levando as empresas ao inadimplemento de suas obrigações. 

Fato é que a volta da atividade econômica poderá não representar o cenário otimista que as empresas esperam, pois o medo de contaminação é evidente, dificultando a confiança do consumidor de ir ao mercado, além da insegurança da manutenção do emprego dos trabalhadores, a incerteza da retomada real e do controle da pandemia trará uma retração muito maior do consumo, portanto, as empresas necessitaram buscar seu cliente onde ele está: em casa. 

Quem nunca se preocupou com a questão da fidelização dos clientes, mantendo, entre outras medidas, o cadastro atualizado, deverá sofrer mais na recuperação do seu mercado. Reinventar-se é a palavra do momento e mais que uma necessidade para este momento de crise e incerteza mundial.

Alessandro Luiz Oliveira Azzoni é advogado, mestre em Direito, economista e especialista em Direito Empresarial Ambiental. 

Os desafios do Enem 2020

Por Leonardo Chucrute *

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) que será realizado em 2020 terá as datas de aplicação adiadas devido à pandemia. As provas desse ano serão repletas de desafios tanto para o governo como para os estudantes.

O governo vai precisar saber administrar e manter a qualidade do exame, sobretudo, com a nova possibilidade de fazer o ENEM digital. Mas, para além disso, o governo precisa entender as dificuldades impostas por um cenário de pandemia mundial que, evidentemente, afetou os candidatos. É certo que estamos em um momento difícil e que todos serão afetados, dizer o contrário é ilusão, mas a saúde e integridade são as coisas mais importantes.

Apesar do adiamento, o governo teve a difícil decisão de escolher entre a cruz e o punhal, ou seja, prejudicar a todos, que seria o cancelamento do exame de 2020, o que não ocorreu, ou prejudicar alguns, o que pode acontecer com o adiamento devido às desigualdades sociais e de ensino no país. Difícil escolha, porém necessária.

Para os alunos, o desafio é manter a serenidade e a cabeça no lugar e entender que, apesar de não estarem tendo aulas presenciais, a preparação continua. Não é hora de largar tudo de mão. Para as instituições de ensino, é importante não desistir dos seus alunos e colaboradores! Deem todo o suporte para que a preparação continue!

É necessário que os alunos continuem focados, mantenham a preparação, fiquem com a mente blindada e permaneçam firmes em busca dos seus sonhos. Para aqueles que têm condição e o suporte de suas escolas e cursos esteja precário, talvez seja uma boa hora de procurar plataformas digitais. Para aqueles que não têm, usem e abusem do Youtube. Vivemos em uma era tecnológica e há uma democratização do ensino como nunca houve. Esforce-se. Dê o seu máximo com o que está ao seu alcance. Desistir não pode ser uma opção sua!

Os alunos precisam entender que todos estão na mesma situação. É claro que os estudantes de escolas públicas carecem, infelizmente, de um maior suporte do governo. Mas, repito: infelizmente, isso não é de hoje. É uma pauta que precisava ter tido mais atenção dos órgãos governamentais desde sempre. O que quero dizer? As dificuldades dos alunos de escolas públicas sempre existiram – e permanecem. É preciso, portanto, continuar se dedicando, dentro do possível e dentro da sua realidade, acreditando que você vai alcançar o seu sonho.

O que você deve fazer? Esforçar-se, ao máximo, para se preparar. Tenha, sobretudo neste momento, dedicação, determinação e disciplina. São os “3D´s” que carrego para tudo na vida. Caso não passe nesse ano, ano que vem tem outro Enem. Portanto, busque pelo seu sonho até alcançá-lo. Levante a cabeça e continue!

Acredite: tudo tem seu tempo. Se você não passar agora – mesmo tendo se esforçado – tenha certeza de que estará ainda mais forte na caminhada rumo à aprovação. E ela virá! O que eu desejo para você, futuro universitário, é que a sua saúde física e mental esteja em primeiro lugar, mas também que você conquiste a tão sonhada vaga o quanto antes!

Leonardo Chucrute *, diretor e professor de matemática do Colégio e Curso Progressão

Drummond Assessoria de Com,.

Usar a Covid-19 para suspender pagamento de precatórios é oportunismo de prefeitos e governadores

Por Julio Bonafonte *

Contagiados pelo “vírus do calote”, governadores e prefeitos tentam a suspensão do pagamento dos precatórios alimentares com a justificativa de que agora, considerando a pandemia da Covid-19, os recursos são necessários para a saúde.  

No final de abril, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) chegou a autorizar o estado e os municípios do Grande ABC a suspenderem o repasse financeiro mensal de precatórios por seis meses. Porém, em seguida, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) fez pedido de providências ao corregedor nacional de Justiça, ministro Humberto Martins (Conselho Nacional de Justiça), que veio a deferir pedido liminar para que TJ-SP adeque a decisão de suspensão temporária de pagamento de precatórios às normas da Resolução 303/2019 do CNJ.

A decisão do CNJ é um alívio. O estado até poderá manter a suspensão dos depósitos pelo período 180 dias, mas continuará obrigado a cumprir o cronograma definido para o ano de 2020. Portanto, apesar da suspensão permitida até setembro, os valores devem ser quitados até o fim do ano.

Nota-se que a Covid-19 é a desculpa perfeita para os caloteiros. Políticos oportunistas estão usando um problema humanitário como escudo para não cumprir suas obrigações. Estima-se que mais de 100 mil credores morreram sem receber esse legítimo direito em vida. Quantos mais morrerão nas mesmas condições?

São várias as moratórias impostas aos credores de precatórios ao longo dos últimos 40 anos. A primeira em 1988, quando o prazo foi estendido em oito anos. Depois nos anos 2000: o prazo foi alterado em mais 10 anos. Por fim, em 2009, que modificou para mais 15 anos, ou seja, o pagamento foi estabelecido até 2024. Atualmente, na média os credores esperam em torno de 17 anos para receber o que estados e municípios lhes devem e, portanto, é seu por direito.

Adiar e suspender o pagamento é desumano, ilegal e uma afronta à Justiça e ao Poder Judiciário. A sociedade brasileira não quer e não aceita mais políticos que juram cumprir a Lei, a Constituição e as decisões judiciais, mas quando eleitos não cumprem suas promessas e passam a tentar a adiar o inadiável, a penalizar os idosos que dependem e têm direito a receber os precatórios, que são recursos financeiros muito importantes para a compra de alimentos e remédios, o pagamento de planos de saúde e outras necessidades. Esses itens em momentos de crise como a que estamos vivendo são ainda mais importantes.

É preciso “desinfetar” a política não apenas da corrupção, mas do “vírus” da má gestão financeira dos recursos públicos. Para isso, o brasileiro tem de eleger políticos com caráter, probidade e espírito público, seriedade, cidadania e que respeitem o direito dos outros.

Julio Bonafonte *, diretor jurídico da Confederação Nacional dos Servidores Públicos (CNSP)

Por Ana Lívia Lopes

SUS deve ser robustecido para desafios pós-pandemia

Por Iran C.das Neves*

No artigo anterior, destacamos que, por sua robustez e capilaridade, o Sistema Único de Saúde (SUS) constitui decisivo e providencial anteparo no enfrentamento à pandemia de Covid-19.

Com orçamento tripartite (União, estados e municípios), o SUS é tido como o melhor e mais abrangente sistema de saúde pública do mundo, uma vez que, pela Constituição e pela Lei 8080/90, todos os 210 milhões de habitantes do país têm acesso a ele, inclusive a remédios gratuitos.

Presente em todos os 5.570 municípios, operando uma vasta rede de serviços distribuídos por Unidades de Pronto Atendimento (UPA), Unidades Básica de Saúde (UBS) e seu importantíssimo braço representado pelas Equipes de Saúde da Família, além de hospitais públicos e da rede privada conveniada, o SUS é patrimônio social e humano nacional, cujo inestimável valor, como dito anteriormente, se confirma pela sua importância estratégica no combate à epidemia do novo coronavírus.

Porém, a gravíssima crise sanitária provocada pela Covid-19 poderia ter encontrado um SUS ainda mais estruturado e vigoroso, não fossem as muitas distorções, que vão desde a perda continuada de receita orçamentária à corrupção.

Levantamento encaminhado pela Controladoria Geral da União (CGU) ao Tribunal de Contas da União (TCU), ainda em 2016, apontou que, entre 2002 e 2015, nada menos que R$ 4,5 bilhões que deveriam ser destinados ao SUS escorreram pelo ralo da corrupção. Infelizmente, e apesar do aprimoramento constante dos órgãos de controle externo, que pode ter reduzido a escalada dos desvios, nada indica que o perverso mal da corrupção tenha sido extirpado.

Por outro lado, o Conselho Nacional de Saúde (CNS), órgão vinculado ao Ministério da Saúde, aponta que, com a aprovação da Emenda Constitucional 95/2016, a chamada Emenda do Teto dos Gastos, em 2019 a Saúde perdeu R$ 20 bilhões com a desobrigação de aplicação mínima de 15% da receita corrente líquida da União no setor. Parte substancial desses recursos seria naturalmente destinada ao SUS.

Pelos cálculos do CNS, se em 2019 a União tivesse aplicado 15% de sua receita corrente líquida em saúde, o setor teria um orçamento de R$ 142,8 bilhões, e não de apenas R$ 122,6 bilhões, como ocorreu. Com o congelamento fixado em vinte anos pela EC 95/16, o chamado ‘desfinanciamento’ do SUS pode chegar a R$ 400 bilhões de reais no período.

Trata-se de uma previsão sombria, tanto mais quanto se sabe que a população brasileira está em trajetória de envelhecimento, o que resulta em crescente expansão da demanda pelo serviços do SUS.

Outro aspecto, ainda mais preocupante, porque de curto prazo, refere-se à profunda retração de receitas de União, estados e municípios, em decorrência da pandemia que paralisa substancial parte da economia por tempo ainda indefinido. Certamente os três entes federativos terão severamente minguados os recursos orçamentários para o financiamento tripartite do SUS nos próximos anos.

A alternativa seria a aprovação, pelo Congresso Nacional, de uma nova estrutura institucional para o financiamento da saúde pública, o que talvez se torne um imperativo diante da atual e dramática crise sanitária, e de suas graves repercussões, presumivelmente duradouras.

Não deixa de soar como amarga ironia que o SUS, cujo notável protagonismo no enfrentamento da Covid-19 o tem confirmado, crescentemente, como heroica linha de frente na defesa da vida de centenas de milhões de brasileiros, possa vir a ser, ele próprio, vítima de severas restrições orçamentárias impostas pela pandemia.

Evitar que isso ocorra exige, já agora, o empenho das autoridades dos Poderes Executivo e Legislativo nos três níveis de governo.

Iran Coelho das Neves * é Presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul.

“Nosso dinheiro está fugindo para Três Lagoas” afirma Guto Marão

Andradina

Com shopping, comércio e restaurantes fechados Andradina contabiliza grandes perdas para a vizinha cidade de Três Lagoas no Mato Grosso do Sul. Um decreto anunciado na última sexta-feira (22), pela prefeitura de lá o Shopping Três Lagoas está funcionando, com regras de funcionamento para prevenir a pandemia. A grande loja de departamento da Havan também funciona.

“Muitas pessoas da cidade aproveitam a oportunidade para se divertir e gastar o dinheiro que seria investido no comércio local na vizinha cidade enquanto por aqui, as restrições ainda são grandes”, afirma Guto.

A preocupação do vereador é que, mesmo com o isolamento inteligente anunciado pelo governador de São Paulo, João Dória, na Faixa Laranja de isolamento, Andradina ainda não será tão competitiva com a cidade vizinha, há apenas 42 km de distância.      

“Bares restaurante e academias na nossa região continuarão fechadas. É preciso nos empoderar para termos uma flexibilização maior, pois o comércio sofre tanto como as pessoas isoladas”, finalizou.

Legenda: Guto tem em mãos um abaixo assinado com um termo de compromisso de comerciantes para respeitar a pandemia.

Gustavo Marão

Luto e perdas na pandemia: o que estamos vivendo?

Por Elaine Ribeiro

Temos presenciado uma batalha dolorosa em todo o mundo com o novo coronavírus (COVID-19): milhares de pessoas internadas, muitas em UTIs e outras distantes de suas famílias, impedidas de visitar seus parentes. Equipes de saúde em intenso trabalho pela vida, dia e noite, incessantemente, também lidando com perdas. Um estado de medo, vigilância e receios frente ao que fazer.

Empregos sendo perdidos diariamente e muitas famílias em desespero diante da crise econômica. Vivemos um tempo de perdas: perdas de vidas, da liberdade, das condições que tínhamos, da saúde emocional. Os números crescem diariamente em todo o mundo, numa realidade em comum: o luto e o sofrimento emocional vivenciado por todas essas pessoas e que, infelizmente, se tornam cada vez mais próximos, na medida que conhecemos alguém que passou pela doença.

Cada vez mais é consenso entre os profissionais de saúde mental que o luto por aqueles que faleceram tem sido um processo ainda mais doloroso, pois, deixamos de passar por rituais como velórios e celebrações religiosas. As reuniões de despedida com familiares e amigos para os sepultamentos não são mais permitidas neste tempo. Muitos são privados desta despedida por também estarem em isolamento. Todas as perdas levarão a estados emocionais dos mais variados, num misto de tristeza, dor, culpa e até depressão.

A elaboração deste luto necessita ser expressada de alguma forma. É importante direcionar os afetos, falar desta perda, contar com a acolhida de outras pessoas, dar sentido não apenas à perda, mas valorizar a vida que aquela pessoa teve ao seu lado, ajudando a dar sentido a tudo.

Não existe uma fórmula única e exata para viver a perda de uma pessoa querida, mas é importante, sim, encontrar um espaço de escuta, sem julgamento, onde a fala sobre as dores da perda possa existir. Fale, escreva, e, assim que possível, recomenda-se que as pessoas enlutadas se reúnam para uma celebração de memória àquele que veio a falecer, que pode ou não ter um ritual de espiritualidade e fé, conforme cada família.

Superar a dor passa também por dar um sentido maior àquilo que a pessoa que se foi significou, tudo o que foi construído em vida, todos os bons momentos vividos, as experiências, os ensinamentos.

Se você está próximo a alguém, seja suporte. Mesmo que não possa estar presencialmente, mantenha-se em contato. Não queira ter uma boa frase para dizer. Neste tempo, não há muito que dizer. Por vezes, só ouvir, ou ser aquele que possa levar compras, por exemplo, ou ajudar com providências de ordem prática. Saber que existem pessoas ao nosso redor num momento de perda é muito confortante, mesmo que esta presença não esteja exatamente ao lado. 

É importante expressar a dor pela perda sem reservas, dar-se a permissão para isto é essencial, bem como lidar com um misto de sentimentos que vão da raiva à desesperança, do choro ao desespero, da falta de rumo à necessidade de reestruturar a vida a partir daquela perda.

Evite uma cobrança excessiva para que tudo volte ao normal rapidamente. Etapas são necessárias e, quanto maior o nosso vínculo, maior significado e intensidade os sentimentos terão em nossa vida. Aos poucos, os ressignificados serão estabelecidos e redescobertos no amor vivenciado por aquela pessoa querida.

*Elaine Ribeiro é psicóloga clínica e organizacional da Fundação João Paulo II / Canção Nova.

Instagram @elaineribeiro_psicologa Site: www.elaineribeiropsicologia.com.br  

Por Elaine Ribeiro

É permitido despejo durante a pandemia?

Por João Xavier*

É fato que todos nós estamos passando por um momento nunca visto na história recente de nossas vidas. Contudo, percebemos os desafios de manter nossos empregos, renda, do empresário manter seus clientes, dos clientes manterem pagamentos em dia e os compromissos já assumidos, entre tantas outras dificuldades. Em meio a tudo isso, surgem alguns pontos de grande relevância à serem analisados. Um deles é: Como mantenho meu aluguel em dia?

A sensação de ser despejado ou retirado do imóvel em uma fase tão complicada é uma preocupação a mais para o inquilino morador e para o inquilino que aluga imóveis comerciais. Imagine ser despejado do imóvel que você mora com sua família e ter que se deslocar a procura de outro imóvel em uma época de isolamento social. Ou o comerciante/empresário que já está estabelecido em um ponto comercial conhecido por seus clientes, sair a procura de outro imóvel e refazer este ponto. São tantas dúvidas e desafios que o senado votou favorável a proibição do despejo, enquanto durar a pandemia.

“Neste momento atual, de restrição de circulação de pessoas, devido a pandemia, fica muito difícil que uma pessoa seja desalojada e consiga um outro local para alugar ou comprar, ainda mais com os órgãos públicos trabalhando com sistema reduzido de dias e horários”.

Analisando todos os pontos mencionados, chegou-se à conclusão que seria ainda mais prejudicial à sociedade manter as regras tradicionais da lei do inquilinato, LEI 12.112/2009. O texto aprovado em sessão remota pelo senado, ainda depende da sanção do presidente da República, mas tudo indica que será sancionado. A proposta abrange que decisões liminares da Justiça, isto é, de caráter provisório, concedida entre 20 de março e 30 de outubro. Foi em 20 de março que o Brasil reconheceu estado de calamidade pública. Mas o inquilino precisa ficar atento, pois, em alguns casos, ainda é permitido a retomada do imóvel, como em situações explicitadas na lei, por exemplo, locação por temporada para prática de lazer, retomada do imóvel após fim do contrato para uso do proprietário, de seu companheiro ou dependente, e realização de obras aprovadas pelo poder público.

Para o proprietário do imóvel, também fica uma missão, de entender a real situação de seu inquilino, neste caso o histórico de “bom pagador” conta muito, pois também temos ouvido relato de proprietários que alguns inquilinos estão tentando se aproveitar da situação para deixar de pagar os aluguéis, reduzir ou até mesmo protelar para pagamento futuro. Vale a pena estudar caso a caso e um entender o lado do outro. É um momento de reflexão e ajuda mutua, só assim passaremos por tudo isso e sairemos pessoas melhores ao final deste processo.

Sobre João Xavier* Síndico profissional, especialista em gestão condominial, especialista em implantação de novos condomínios. Administrador de empresas, sócio diretor da ATMA Consultoria Imobiliária, possui larga experiência em sistemas condominiais, e tecnologia voltada para segurança de condomínios. Membro do Conselho de Administração do estado de São Paulo (CRA-6-001410), atuou como palestrante em várias administradoras de condomínios em São Paulo.