A Educação opera milagres

Por Wilson Galvão*

Quando você tiver a oportunidade de visitar a Coreia do Sul, talvez passe a concordar com essa afirmação. Na verdade, os próprios coreanos admitem o milagre que tirou seu país da ruína após as guerras ocorridas até meados do século passado, tornando-o esta nação rica e próspera da atualidade. A conquista é resultado do esforço e da paixão do povo pela Educação do país, que hoje figura entre as principais economias do mundo e entre os países com os melhores índices de educação no ranking do PISA (atualmente, a Coreia do Sul figura em segundo lugar na lista em que Brasil ocupa 39ª posição). 

Não é difícil entender esse resultado, mas também não é fácil conquistá-lo. Visitando as escolas, academias de pesquisa, institutos, órgãos governamentais, museus, etc., pude perceber que esse resultado exigiu esforço coordenado entre a sociedade e o Estado, com planejamento e investimentos, no decorrer das últimas décadas. Na escola pública de Ensino Médio que conheci, para além de uma infraestrutura impecável, com itens comuns às escolas particulares no Brasil, observei que também há uma sala de inclusão e psicóloga escolar.

E vai além disso. No plano pedagógico, a escola entrega à família do aluno um plano anual de estudos em conjunto com o calendário escolar, além dos documentos convencionais, como as normas da instituição. Isso é muito importante porque gera ainda mais engajamento da família com a educação dos filhos. Constatar in loco toda esta organização e ver, na prática, uma educação que é referência mundial em qualidade é inspirador para todo educador.

Há pouco mais de meio século, a Coreia era um país arrasado pelas guerras. Durante a ocupação japonesa, foram proibidos o idioma e a escrita coreana, destruídos patrimônios históricos e houve até o sequestro de mulheres jovens para serem damas de consolo de militares japoneses. A península coreana foi liberta somente após a derrota do Japão na segunda Guerra Mundial. No entanto, dividiu-se seu território a partir do paralelo 38: a parte Norte ficou com a União Soviética, comunista; o Sul, sob a tutela dos Estados Unidos, capitalista. No entanto, quando o Norte atacou o Sul com a intenção de anexá-lo ao seu território, além das milhares de mortes provocadas pelos combates, o país ficou arrasado. Do total de suas escolas, menos de 30% ficaram de pé. Nessa mesma proporção, perderam-se os livros, o parque gráfico e outras estruturas. Somente a partir de 1953, com o fim da guerra, o país iniciou sua jornada que iria conduzi-lo para os patamares em que se encontra atualmente. 

No museu de história moderna e contemporânea da Coreia do Sul, descobrimos que, mesmo antes do final da década de 1950, os coreanos já haviam matriculado mais de 95% das crianças na escola. Os professores lecionavam para centenas de crianças de uma só vez, às vezes embaixo de uma árvore ou em outros espaços improvisados. 

Daquele período até hoje, a Educação seguiu com planejamento, responsabilidade e com foco no futuro. Um projeto de país estruturado por um modelo de Educação em constante mudança. A mais recente é que até 2023 o governo coreano pretende atrair 200.000 estudantes estrangeiros para ocupar as vagas que estão ficando ociosas no Ensino Superior devido às mudanças demográficas pelas quais o país está passando. A Coreia do Sul nos ensina que esforço, conhecimento, planejamento e paixão operam o verdadeiro milagre da educação. 

*Wilson Galvão é coordenador da área de Geografia, Tempo Integral e Livros Escolares do Sistema Positivo de Ensino.

Transtorno de conduta infantil

Por Luciana Brites

O Transtorno de conduta (TC) não é uma simples desobediência. Bem mais séria do que um momento de pirraça ou birra, o TC é uma das alterações mentais, ou comportamentais, mais frequentes no final da infância ou no começo da adolescência.

A principal característica é o comportamento antissocial, além de insubordinação em qualquer ambiente e furto de objetos de valor. Quando iniciado precocemente, tem grandes chances de ser acompanhado do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

Outro detalhe é o fato do TDAH ser a comorbidade mais comum entre crianças com TC (43% dos casos). Além disso, os pacientes do sexo masculino correspondem por uma parcela maior das pessoas diagnosticadas com ambos os distúrbios. Vale ressaltar que o transtorno de conduta afeta meninos e meninas de maneira diferente.

O Transtorno de Conduta está ligado a fatores constitucionais e ambientais, como, por exemplo, receber cuidados materno e paterno inadequados; viver em um local com discórdias familiares; ser criado por pais agressivos e violentos; ser filho de mãe com problema mental; entre outros.


A psicoterapia familiar e individual é a principal intervenção realizada para família e para quem tem TC. O tratamento com medicamentos é indicado para quem tem TC associado a outras comorbidades como TDAH.

Sobre Luciana Brites

Uma das fundadoras do Instituto NeuroSaber (www.neurosaber.com.br), Luciana Brites é Pedagoga especializada em Educação Especial na área de Deficiência Mental e Psicopedagogia Clínica e Institucional pela Unifil Londrina. Também é especialista em Psicomotricidade pelo Instituto Superior de Educação Ispe – Gae São Paulo, além de coordenadora do Núcleo Abenepi em Londrina.

FnSocial | Joyce Nogueira

A pedra no sapato do Ensino Superior brasileiro

Por Paulo Arns da Cunha*

Quando se fala em aumento dos investimentos no Ensino Superior como solução para a educação brasileira, me lembro da história do senhor que tomava analgésico constantemente para amenizar uma intensa dor no pé. Ora, o total investido no Ensino Superior no Brasil é quase quatro vezes maior que o dedicado ao Ensino Fundamental. Em percentual do PIB, esse valor já é relativamente alto, sendo superior ao mínimo constitucional e comparável ao de países com elevado nível educacional. No entanto, permanece o desafio de melhoria da qualidade da educação e um índice baixíssimo de brasileiros com Ensino Superior.

Não estou dizendo que sou a favor de cortes de investimentos nas universidades. Estou apenas sugerindo que, se o senhor da dor no pé tirasse a pedra de dentro do seu sapato, talvez não precisasse mais tomar analgésicos… a questão é atacar o problema pela raiz, encontrar os gargalos da educação brasileira, como a evasão universitária.

Dados divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) no documento “Education at a Glance 2019” dão conta de que apenas 33% dos estudantes brasileiros que ingressam numa Instituição de Ensino Superior se formam dentro da duração esperada do curso. Mas o que acontece com quase 70% dos alunos que foram selecionados em concursos, muitas vezes disputadíssimos, ocuparam a cadeira de outro estudante e desistiram no meio do caminho?

Os números são alarmantes. Mais da metade dos que ingressam nas universidades trocam de turma, curso ou instituição, ou simplesmente abandonam os estudos. Essas atitudes dão luz à problemas como a demora na qualificação profissional da população em condições de trabalhar; o desperdício de grande massa de força de trabalho, que fica desempregada ou subempregada, quando podia estar ajudando a produzir; o aumento dos gastos do governo com programas sociais e ajuda financeira aos desempregados; o baixo crescimento do Produto Interno Bruto; e o atraso na redução da pobreza.

Para as Instituições de Ensino Superior (IES), as consequências dessa alta evasão são desastrosas, pois os custos, tanto públicos quanto privados, se tornam muito elevados. A alta evasão faz com que o custo por aluno efetivamente formado seja bem maior que o custo por aluno matriculado. Assim, nas universidades públicas o gasto público acaba sendo bem maior – e as instituições privadas são forçadas a cobrar mensalidades mais altas para pagar a ociosidade de vagas, ociosidade de investimentos, perda de capacidade lucrativa e necessidade de reorganizar suas estruturas e cursos a serem ofertados.

Uma série de fatores leva esses estudantes a desistirem no meio do caminho. Uma parcela significativa dos universitários apresenta dificuldades nas matérias que exigem um maior aprofundamento, raciocínio ágil, capacidade crítica ou interpretativa, muitas vezes por conta da falta de preparo no Ensino Básico. Além disso, para a maior parte da população jovem adulta, os estudos precisam ser conciliados com o trabalho. No entanto, os modelos tradicionais de ensino exigem uma grande dedicação em horas de estudo, o que faz com que muitos alunos desistam dos estudos. Para esse problema, o aumento da qualidade dos cursos em EAD pode trazer excelentes resultados.

A taxa de evasão mais elevada no setor privado aponta para os custos com mensalidade, especialmente em épocas de crise. Mas a alta desistência no ensino público, que é gratuito e com um processo de entrada altamente seletivo, se deve a outros fatores, entre eles a falta de conhecimento dos alunos a respeito dos cursos. Uma pesquisa realizada com mais de 10 mil estudantes do Ensino Médio em agosto de 2019 pela Universidade Positivo revelou que 33% deles ainda estavam indecisos quanto à escolha do curso superior.

Ou seja, para facilitar o acesso do brasileiro ao Ensino Superior, não basta aumentar ou manter os investimentos. É preciso pensar em maneiras de deixar o aluno escolher a profissão um pouco mais tarde; aprimorar o processo de seleção nas universidades, levando em conta também habilidades sócio-emocionais; expandir o crédito universitário; melhorar a qualidade dos cursos de Educação a Distância; e, por fim, mas não menos importante, melhorar a qualidade da Educação Básica.

Paulo Arns da Cunha* é presidente da Divisão de Ensino da Positivo Educacional.

Nova Lei de Franquia: o que mudou no Franchising?

Por Renato Tardioli*

A nova Lei de Franquia (Lei nº 13.996/2019) publicada em 27/12/2019 representa um grande avanço para o sistema de franchising brasileiro basicamente por três razões: a primeira delas é a possibilidade de encerrar discussões frequentes travadas entre franqueadoras e franqueados sobre alguns aspectos.  A segunda é o maior detalhamento das responsabilidades das partes envolvidas, uma vez que a nova lei está agora em linha com a posição dos tribunais acerca de matérias como validade da cláusula arbitral, inexistência de relação trabalhista e inaplicabilidade do código de defesa do consumidor. E a terceira delas é a atribuição de maior transparência ao setor, de modo que a Circular de Oferta de Franquia, obrigatoriamente, passa a conter diversas novas informações obrigatórias que respaldarão a tomada de decisão pelo interessado a integrar determinada rede de franquia.

Alguns pontos da nova Lei de Franquia merecem destaque:

1.        A inaplicabilidade do Código de Defesa do Consumidor nas relações de franquia foi expressamente reconhecida no texto da nova lei, em sintonia com o entendimento dos tribunais, por se tratar de contrato mercantil, celebrado entre empresários independentes e em igualdade de condições.

2.        A inexistência de vínculo empregatício da franqueadora com o franqueado ou seus funcionários, mesmo durante o período em que estes passam por treinamento, por se tratar de efetiva transferência de know-how e não relação de trabalho.

4.        Entidades sem fins lucrativos poderão atuar como franqueadoras.

5.        Suprime, acrescenta e altera algumas informações obrigatórias a serem inseridas na Circular de Oferta de Franquia: relação de todos os franqueados ativos e que se desligaram da rede no período anterior de 24 meses e não mais 12; inclusão de informações sobre a política de concorrência territorial, se houver, entre franqueador e franqueados; informações acerca da existência de incorporação de inovações tecnológicas às franquias pela franqueadora; indicação da existência ou não das regras de transferência e sucessão, especificando-as; informações claras quanto ao prazo contratual e regras para renovação, se houver; detalhamento das penalidades e respectivos casos de aplicação; exigência de política de compra mínima de produtos e insumos; apresentação de esclarecimentos quanto à existência de órgãos, como Associação de Franqueados, Conselhos, dentre outros, e suas respectivas regras de atuação e funcionamento, tudo com objetivo de prover maior massa crítica de informações para que o potencial franqueado seja assertivo na escolha da rede de franquias que ingressará.

6.        Permite que a franqueadora subloque o ponto comercial para o franqueado por valor superior ao pago para o proprietário do imóvel.

7.        A franqueadora, sublocadora, também tem legitimidade para propor ação renovatória.

8.        Possibilidade de eleição da arbitragem como foro legítimo para a solução de controvérsias decorrentes da relação de franquia.

É importante ressaltar que as franqueadoras têm até o dia 26/03/2020 para fazer as adequações necessárias em seus instrumentos jurídicos – Circular de Oferta de Franquias, Pré-Contrato e Contrato, entre outros. É hora de se concentrar nos ajustes para usufruir, plenamente, de um novo momento, marcado por mais segurança jurídica e transparência.

Renato Tardioli é advogado, sócio do escritório Tardioli Lima Advogados.

Dor de reviver e otimismo para vencer o câncer

Por Ellen Moraes Senra

Recentemente famosas como a apresentadora Ana Maria Braga e a jornalista Susana Naspolini comentaram que enfrentam novamente o câncer e que se submeterão ao tratamento. Apesar de ser um momento difícil, é extremamente importante, que elas e quem recebe esse diagnóstico a primeira vez ou em reincidência, que se mantenham positivos para que fique tudo bem e o tratamento funcione da melhor maneira possível.

Após o diagnóstico, o câncer traz uma pressão muito grande, tanto para o paciente quanto para a família, pois sabemos que o tratamento geralmente é muito agressivo e ataca o sistema imunológico, além de muita gente já associar diretamente com a possibilidade de morte. Então, é muito comum que o paciente desenvolva quadros depressivos ou de crises de ansiedade. Alguns ainda passam pela fase da negação da doença.

Nesse momento, a família precisa se unir, para que possa prestar o suporte emocional e suporte presencial, levando o paciente aos tratamentos e acompanhando em consultas médicas.

Em relação à parte psicológica, tanto o paciente como a família precisam ter acompanhamento, levando em consideração a gravidade da doença. Quanto mais grave for, mais agressivo o câncer é, como também o tratamento. Tudo isso reflete na família. O tratamento mexe com o humor, com toda a dinâmica familiar e com o emocional de todos. Geralmente, os grandes centros que tratam câncer têm psicólogos de plantão que prestam suporte tanto para o paciente, quanto para o familiar.

Há alguns estudos que afirmam que muitos pacientes começam a definhar ao receber o diagnóstico do câncer. E isso não é pelo câncer em si, e, sim, pelo diagnóstico e o pessimismo. As pessoas o associam à morte, então o diagnóstico às vezes soa como uma sentença, mesmo quando sabemos que muitos têm tratamentos, podem ser curados – alguns não, mas outros, sim. Por isso, é extremamente importante que se mantenham positivos para que fique tudo bem e o tratamento funcione da melhor maneira possível.

Sobre a recuperação, salvo em casos que é um tipo de câncer incurável, em que os médicos deixam tudo bem claro aos pacientes, as pessoas devem acreditar que podem se recuperar mais de uma vez. Elas devem acreditar na cura. Tanto a Ana Maria Braga como a Susana Naspolini já se curaram de outros. Então, quando um câncer é tratável, as pessoas devem acreditar na cura, não importa quantas vezes haja reincidência da doença.

Em casos como da apresentadora e da repórter, por serem pessoas públicas, era importante para a imagem profissional que elas explicassem sobre isso para o público que as acompanham. Dessa forma, elas passam positividade para outros ao contar par ao grande público. Isso pode motivar pessoas que estão passando por quadro semelhante a ficarem mais otimistas e acreditarem que é possível vencer a doença.

Ellen Moraes Senra

Psicóloga e Especialista em Terapia Cognitivo Comportamental

CRP 05/42764

Psicóloga atuando na área clínica através da abordagem cognitivo comportamental. Formada pelo Centro Universitário Celso Lisboa. Com curso de formação em Terapia Cognitiva Comportamental (TCC ) no Instituto Brasileiro De Hipnose, Educação e Psicologia (IBH). Atendimento individual à crianças, adolescentes e adultos

O REBOCO DA RETROFIT

Por GAUDÊNCIO TORQUATO

   A arquitetura política no Brasil precisa de grande reformulação, a começar pelo reforço das identidades partidárias, hoje esgarçadas como pano roto imprestável. Partidos abandonaram seus programas iniciais, arrastados pela débâcle das ideologias, cujo marco foi a derrubada do Muro de Berlim.

   O socialismo clássico perdeu as estribeiras, o liberalismo mais parece uma parede rebocada a  todo momento,  ao gosto do experimentalismo de governantes sem rumo fixo, enquanto a social-democracia se estiola, perdendo substância. 

   Por aqui, o esforço de renovação tem se concentrado na superfície, mais claramente no nome da sigla. O DEM, que substituiu o PFL, se esforçou para apagar sua ligação com a ditadura militar. O PMDB, mais recentemente, tirou o P de partido, mas não conseguiu acender a velha chama que Ulisses Guimarães carregou por anos a fio, sob os hinos da liberdade, dos direitos humanos e da democracia. Bolsonaro tenta criar um partido para chamar de seu, o Aliança pelo Brasil, cujo escopo aponta para três Bs: boi, bíblia e bala.

   Cheguemos perto do PT. Onde está a coluna vertebral do ente criado em fins dos anos 80 no ABC Paulista, sob o calor do chão de fábricas, o grito rouco de Lula, a bandeira vermelha do socialismo e a corrente uníssona de trabalhadores? Hoje, o PT está no epicentro da crise política que, há tempos, massacra a imagem de protagonistas, muitos expulsos da vivência congressual pelo voto, alguns detidos e outros respondendo a processos.

   O PT está na caldeira fervente da Operação Lava-Jato. A sigla saiu da redoma do exclusivismo ético e moral em que se refugiou por muito tempo. Já não tem credibilidade para fazer a pregação entre “nós e eles”.  O PT, como outros entes partidários, pode fazer algo para limpar sua fachada?

   O governador do Maranhão, Flávio Dino, apontou uma pista. Estreita, mas pode ser o início de ampla remodelagem. Sugeriu a mudança de nome. Surgiu até a expressão “retrofit”.  Esse termo, surgido na Europa e Estados Unidos, significa “colocar o antigo em forma” (retro do latim “movimentar-se para trás” e fit do inglês, significando adaptação, ajuste). Na arquitetura, abriga um conjunto de ações de modernização e readequação de instalações. O objetivo é preservar o que há de bom na velha construção e adequá-la às exigências atuais.

   Fiquemos, por enquanto, na mudança de nome. Dará resultados? Depende. Colocar uma embalagem nova num produto desgastado mais parece um drible para enrolar eleitor. Mudar nome de partido sem mudar as pessoas ou reinserir um programa ideológico é querer dar uma solução perfunctória, inútil. Como se diz no vulgo: tapar o sol com peneira. Mas pode ser a chave para abrir a porta.

   Nesse ponto, convém lembrar o conceito de identidade e de imagem. Identidade é a soma do escopo programático, tradição, lutas, história de sucesso e insucesso, quadros, enfim, tudo que lembre a grandeza do partido. Imagem, por sua vez, é a projeção da identidade, a percepção sensitiva captada pelos cidadãos, a ideia que se tem da agremiação.  

   A imagem dos partidos brasileiros está no fundo do poço. E sua elevação para níveis satisfatórios não se dará apenas por meio de artifícios do marketing, o que chamo também da cosmética partidária. Voltemos ao exemplo da parede. Pintar uma parede velha sem mexer no reboco poderá deixá-la bonita por pouco tempo. Desabará se não receber massa para sustentá-la.

   Mais que retrofit imagético, os partidos deverão mexer em sua completa engenharia, montando uma base de conceitos e programas, um arsenal de compromissos, estruturas sólidas capazes de suportar as tempestades da política. E o que acontecerá se as siglas não se vestirem com o manto de conteúdos? Ora, afastamento progressivo da sociedade. Os eleitores acabarão votando em figuras do momento, aventureiros, impostores, perfis canhestros e sem preparo.

   Sob essa teia, entraremos nas próximas rodadas eleitorais. Não se percebe no horizonte nenhum sinal de renovação partidária, a partir das premissas aqui expostas. Um ou outro partido, como o Novo, engatinham na trilha mudancista. Mas uma andorinha só não faz verão. E tem faltado a essa sigla capacidade de comunicação e de articulação social.

   O momento sugere seguir os passos de Zaratustra, o profeta de Nietsche: “novos caminhos sigo, uma nova fala me empolga. Cansei-me das velhas línguas. Não quer mais o meu espírito caminhar com solas gastas.”

Gaudêncio Torquato*, jornalista, é professor titular da USP, consultor político e de comunicação Twitter@gaudtorquato

O mundo em tensão: as relações entre Estados Unidos e Irã após a morte de Qasem Soleimani

Por João A. Lopes Nyegray*

Ao contrário do que algumas notícias e muitos memes tem tentado transparecer, um conflito de proporções globais não parece plausível nesse momento. Dessa forma, responde-se a uma das perguntas mais frequentes a respeito das recentes tensões entre EUA e Irã: se haverá ou não uma Terceira Guerra Mundial, o que não ocorrerá – pelo menos por hora. 

Para compreender a animosidade entre os Estados Unidos e a República Islâmica do Irã deve-se voltar à década de 1950, quando não havia no país do Oriente Médio qualquer sentimento antiamericano. Àquele momento, a autoridade máxima iraniana era o Xá – nome que se dá aos monarcas persas – Reza Khan. Em 1951, o nacionalista Mohammed Mossadeq é eleito primeiro ministro, no primeiro pleito democrático do país. Dois anos depois, num golpe orquestrado por Reino Unido e EUA, Mossadeq é deposto e, posteriormente, preso. É então que o poder retorna à monarquia, em especial ao Xá Mohammad Reza Pahlavi.

Desde a queda de Mossadeq e ascensão de Reza Pahlavi, seguem-se quase três décadas de franca amizade entre Irã e EUA, tendo o presidente americano Jimmy Carter declarado sentimentos de grande companheirismo e gratidão à Pahlavi em 1978. A proximidade entre os países aos poucos começa a ser malvista pela população iraniana, temerosa de que acordos comerciais e petrolíferos prejudiciais ao país pudessem ser celebrados. A revolta contra a monarquia atinge seu ápice em 1979, ano da Revolução Iraniana. 

Depois de semanas de protestos, greves, paralisações e enfrentamentos, Reza Pahlavi foge do país e abre caminho para o retorno do líder religioso Ruhollah Musavi Khomeini, o aiatolá Khomeini, ferrenho crítico da monarquia e dos EUA, que estava fora do Irã desde 1964. Por conta desse desencadeamento de situações, frequentemente se divide o estudo da Revolução Iraniana em duas fases, sendo a primeira a deposição do Xá e a segunda a ascensão dos Aiatolás. 

Seja como for, é em 1979 que o Irã deixa de ser uma monarquia e torna-se uma república teocrática, aquela em que as ações do governo seguem os preceitos de uma religião. Também em 1979 a embaixada americana em Teerã foi cercada e posteriormente invadida, enredo do filme Argo, de 2013. Desde 1980, quando funcionários da embaixada americana em Teerã permaneciam sequestrados, Irã e EUA congelaram suas relações diplomáticas. Isso significa que ambos os países não possuem um canal aberto de comunicações e diálogo, o que certamente agrava qualquer tensão entre ambos.

A estratégia estadunidense tem sido, desde a Revolução Iraniana, o uso de embargos econômicos, o que elevou o sentimento antiamericano na população do país do Oriente Médio. Tais embargos ganharam maior abrangência em governos como o de Bill Clinton, que proibiu investimentos americanos no Irã, reduziu as trocas comerciais e proibiu a participação de empresas dos EUA no setor petrolífero persa. Novas sanções ao Irã vieram no governo de George H. W. Bush que, tal qual Barack Obama, via com muita preocupação o programa nuclear iraniano. 

Por fim, chega-se ao governo Donald Trump, no qual rompeu-se o acordo nuclear celebrado em 2015 entre Irã – de um lado – e Rússia, China, Estados Unidos, Alemanha, França e Reino Unido – de outro. O acordo, que previa a retirada das sanções econômicas em troca da parada do programa nuclear, foi unilateralmente rasgado por Trump, o que impactou diretamente a economia iraniana e aumentou a inquietação entre os dois países.

Em setembro de 2019, uma refinaria de petróleo na Arábia Saudita foi alvo de um ataque de cerca de 20 drones e vários mísseis, supostamente de origem iraniana, o que deixou ainda mais instável a geopolítica do Oriente Médio. Deve-se destacar que, ao contrário do Irã, a Arábia Saudita é grande aliada dos EUA, e sauditas e iranianos possuem uma tensa e nada amigável relação. 

Assim, chegamos a janeiro de 2020, quando um ataque americano ao Iraque mata o popular general iraniano Qasem Soleimani, Major-Geral, comandante da Força Quds da Guarda Revolucionária iraniana, além de uma figura proeminente no país e o cérebro por trás das estratégias militares iranianas. De um lado, o Major-Geral auxiliou o presidente sírio Bashar al-Assad a lutar contra os rebeldes contrários ao seu governo, e, de outro, lutou contra o Estado Islâmico no Iraque. 

Muitos têm questionado as razões por trás desse ataque a Soleimani. A princípio, pode-se enxergar uma retaliação ao ataque à refinaria saudita. Da mesma forma, pode-se apontar que o ataque pode ser uma tentativa de Trump de se afirmar ao eleitorado interno, logo após o desgaste sofrido pela aprovação de seu impeachment na câmara dos deputados em dezembro – por mais que o impeachment definitivo possivelmente não prospere. Por fim, dentre várias razões para o ataque, pode-se apontar também as ações passadas do general que, segundo o Pentágono, “possui sangue americano nas mãos”. 

O que é difícil de responder nessa história toda é justamente a pergunta mais simples: e agora? Não se sabe ao certo, mas em meio às juras iranianas por vingança, bandeiras vermelhas – símbolo do sangue dos mártires e de vendeta – tem sido cada vez mais comuns nas ruas de Teerã. Se o ataque a Soleimani foi uma retaliação ou uma maneira para que Trump se reafirme a seus eleitores não se pode saber. O que se pode afirmar com certeza é que as relações entre EUA e Irã nunca estiveram tão tensas, e que a estratégia americana para o Oriente Médio será duramente testada neste início de ano. Em alto nível de alerta está a aliada americana Arábia Saudita que, além de geograficamente próxima ao Irã, fornece petróleo aos EUA. É de se esperar, também, alguma dura resposta vinda do Irã, que, ainda que não venha agora, certamente ocorrerá.

João Alfredo Lopes Nyegray*, doutorando em estratégia, mestre em internacionalização. Advogado, formado em Relações Internacionais e especialista em Negócios Internacionais. Professor de Relações Internacionais, Comércio Exterior, Administração e Economia na Universidade Positivo.

TCE-MS avança bases de nova cultura de governança

Por Iran C. das Neves*

Ao longo dos últimos doze meses temos utilizado este espaço para refletir sobre diferentes assuntos que, se eventualmente não têm relação direta com as atribuições e responsabilidades do nosso Tribunal de Contas, guardam sempre alguma sintonia com princípios e compromissos que, em tese, definem as relações entre sociedade e governo.

Os que nos privilegiam com sua leitura atenta sabem que o nosso propósito tem sido o de buscar concreta e orgânica aproximação entre nossa Corte de Contas e a sociedade, estimulando-a a se apropriar, efetivamente, das prerrogativas que a Constituição lhe confere como atributo de cidadania, para fiscalizar a gestão pública em todos os níveis e instâncias de governo.

No que concerne às responsabilidades constitucionais do TCE-MS, temos realizado avanços marcantes na confirmação de uma política pública de permanente interação com nossos jurisdicionados, ou seja, com todas as instituições de governo do Estado e dos municípios.

Com a unânime e profícua atuação dos colegas Conselheiros e do Ministério Público de Contas, e com a mobilização de competências de todas as instâncias de nossa Corte, hoje o controle externo da administração pública em Mato Grosso do Sul, que nos compete, define um novo patamar de atuação, consentâneo com os paradigmas republicanos da governança contemporânea.

Com suportes tecnológicos e capacitação técnica de nosso pessoal e dos gestores públicos, paulatinamente o TCE-MS substitui o controle posterior – e consequente punição de irregularidades constatadas – pelo acompanhamento simultâneo das ações governamentais (Estado e municípios). O que previne erros, omissões e eventuais abusos conscientes no uso dos recursos públicos.

Os ganhos decorrentes dessa mudança de paradigmas refletem-se não só na ampliação dos índices de economicidade, transparência e de eficácia nos gastos públicos, mas na formação de uma nova cultura de gestão que, baseada em métodos e processos inovadores, contribui para sedimentar valores republicanos essenciais.

Desses avanços temos tratado aqui com frequência, sempre com o intuito de refletir sobre o significado sociopolítico, econômico e humano decorrente da consolidação de uma governança pública que esteja de fato a serviço da concretização de expectativas e anseios da sociedade.

Como temos afirmado, ainda há muito a fazer. Porém, o TCE-MS tem empenhado todos os seus recursos humanos e técnicos, tanto quanto a responsabilidade pública de seus Conselheiros, para empreender mudanças profundas e permanentes na governança pública, cujo controle externo nos compete por mandamento constitucional.

Tais mudanças começam, obviamente, com transformações estruturais internas e, principalmente, com a absorção de conceitos e procedimentos que sedimentam, no âmbito de nossa Corte, uma cultura absolutamente comprometida com o protagonismo da cidadania.

Iran Coelho das Neves* é Presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul.

Nova franquia de tecnologia atrai empreendedores

Por Robinson Idalgo*

Empreendedores de todos os segmentos estão entendendo, cada vez mais, como toda a empresa, seja qual for o porte, demanda por tecnologia. Ter um sistema de gestão passou a ser essencial para otimizar o tempo de trabalho e, claro, ganhar vantagem competitiva em relação a concorrência.

Contudo, desenvolver sistemas eficientes não é uma tarefa simples, além de custar um alto investimento. Por isso, o conceito White label tem se tornado cada vez mais vantajoso para negócios de tecnologia, principalmente relacionados à ERP e plataformas de e-commerce.

E não é por acaso que hoje as principais iniciativas aconteçam nesta área. O setor de tecnologia está entre os que mais crescem no Brasil. Uma pesquisa realizada em 2019 pela Associação Brasileira das Empresas Software (ABES), mostra que o Brasil ocupa o 9º lugar no ranking mundial de investimentos em TI (software, hardware e serviços). Os dados mostram ainda que esses investimentos já chegam a US$47 bilhões, sendo US$10,5 bilhões (22,5%) relacionados apenas à software. Ou seja, se existem um setor no qual se deve investir, é esse!

A questão é que, quem comercializa sistemas de ERP costuma gastar muito tempo e recursos de desenvolvimento para criar funcionalidades específicas e mantê-las atualizadas. Portanto, adquirir esse tipo de franquia e ter um software White label permite com que o produto tenha a sua própria marca e seu domínio, porém, utilizando-se da tecnologia e do know-how de sistemas que já estão prontos para a venda e sendo utilizados com eficiência no mercado.

No fim das contas, para quem empreende na área de tecnologia, já possui uma empresa relacionada ou se interessa por isso, investir nesse tipo de negócio acaba proporcionando um modelo simplificado e de fácil gestão, com toda a infraestrutura necessária para realizar operações específicas e complexas, eliminando a necessidade de desenvolvimento interno.

E o que isso gera? Redução de custos, ausência de responsabilidade na manutenção e atualização, menor risco de implantação e a possibilidade de monetização, agregando receita recorrente para a empresa.

Por isso, contar com um parceiro pode ser a melhor alternativa para ingressar ou se manter nesta área. Gostou da ideia? Só não se esqueça: Ao decidir apostar no modelo White label é importante realizar pesquisas de mercado, avaliar a reputação da ferramenta, se os custos são vantajosos e quais são os recursos oferecidos, antes de firmar o contrato. Tomando esses cuidados, os resultados têm tudo para serem muito positivos.

*Robinson Idalgo – criador do Revenda Software. Mais informações no sitehttp://www.revendasoftware.com.br

Onde tem cooperativa bem liderada, cresce a renda e a distribuição da renda

Por José Luiz T. Megido*

Precisamos falar do crescimento do país, e em paralelo da luta contra a desigualdade. O agronegócio brasileiro como um todo tem, sim, condições de dobrar de tamanho.

Podemos e devemos ter um objetivo de buscar US$ 1 trilhão em 5 anos, com acesso a todos os mercados do mundo, não apenas com os grãos, o açúcar, as carnes, o papel e celulose, a citricultura, o café. Também com esses. Mas com fruticultura, trigo, arroz, feijão, leite, piscicultura, biocombustíveis, e a agroindústria brasileira dobrando de tamanho e construindo marcas e valor. 

Qualquer plano estratégico e de negócios de “a” a “z” nas cadeias produtivas do agro revelam essa possibilidade facilmente. Mas podemos criar riquezas e não distribuir. O país pode crescer, mas os mais pobres perderem renda: 6,5% dos brasileiros vivem na linha de extrema pobreza do Banco Mundial. 

As iniciativas como Bolsa Família e outros projetos assistencialistas atenuam dramas de curto prazo, mas não resolvem nada a longo prazo. E ainda correm o risco de serem utilizadas como instrumentos de propaganda política. A fórmula e o modelo de negócios para criarmos riquezas e melhorar a dignidade está na cara dos brasileiros. 

No agronegócio basta comparar onde tem cooperativismo com lugares onde não existem cooperativas. Podemos ver crescimento do PIB em ambas, porém iremos ver níveis de desigualdades diferentes em ambas. Onde tem cooperativa bem liderada, cresce a renda e a distribuição da renda. 

No agronegócio quando olhamos para 4 milhões de produtores rurais do país, micros e pequenos, sem acesso à assistência técnica, a única forma de dar dignidade a 80% do total dos agricultores do Brasil, chama-se cooperativismo. 

E quando olhamos para as cooperativas de crédito, de táxis, de catadores de lixo, do trabalho, de saúde, de consumo, de energia, assistimos ali formulando o futuro, de um futuro que já existe aqui e agora. 

O desafio do país será dobrar de tamanho o seu PIB, e o desafio da sociedade será o de diminuir a desigualdade e distribuir riqueza. Olhem para o oeste do Paraná, só para ficarmos num exemplo, e investiguem por que ali tem riqueza, progresso e níveis elevados de dignidade humana para todos.

Sobre o CCAS

O Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) é uma organização da Sociedade Civil, criada em 15 de abril de 2011, com domicilio, sede e foro no município de São Paulo-SP, com o objetivo precípuo de discutir temas relacionados à sustentabilidade da agricultura e se posicionar, de maneira clara, sobre o assunto.

O CCAS é uma entidade privada, de natureza associativa, sem fins econômicos, pautando suas ações na imparcialidade, ética e transparência, sempre valorizando o conhecimento científico.

Os associados do CCAS são profissionais de diferentes formações e áreas de atuação, tanto na área pública quanto privada, que comungam o objetivo comum de pugnar pela sustentabilidade da agricultura brasileira. São profissionais que se destacam por suas atividades técnico-científicas e que se dispõem a apresentar fatos concretos, lastreados em verdades científicas, para comprovar a sustentabilidade das atividades agrícolas.

A agricultura, apesar da sua importância fundamental para o país e para cada cidadão, tem sua reputação e imagem em construção, alternando percepções positivas e negativas, não condizentes com a realidade. É preciso que professores, pesquisadores e especialistas no tema apresentem e discutam suas teses, estudos e opiniões, para melhor informação da sociedade. É importante que todo o conhecimento acumulado nas Universidades e Instituições de Pesquisa seja colocado à disposição da população, para que a realidade da agricultura, em especial seu caráter de sustentabilidade, transpareça. Mais informações no website: http://agriculturasustentavel.org.br/. Acompanhe também o CCAS no Facebook:http://www.facebook.com/agriculturasustentavel

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