Novos horizontes na aviação brasileira

Por Fábio A. Jacob*

A aviação representa um importante elo na estrutura de transportes de qualquer país, e de forma especial, de um país de grandes dimensões como o Brasil. Por esse motivo, e desde o início do século XX, o desenvolvimento desse modal recebeu especial atenção dos sucessivos governos. Diante da escassa malha rodoviária e ferroviária, o avião foi visto como um agente integrador. Com ele, era possível levar notícias das cidades do litoral, capitais dos estados litorâneos, até o interior – o que antes poderia levar meses.

A rapidez com que o avião conectava as diferentes regiões levou a um suporte estatal a essa iniciativa. Empresas aéreas que voavam no litoral foram estimuladas a voarem também para o interior do país. Ainda assim, somente as capitais e algumas poucas cidades maiores acabaram recebendo o transporte aéreo de pessoas e cargas. As grandes distâncias e a falta de infraestrutura aeroportuária eram entraves, que só foram sendo reduzidos com a aproximação da virada do século XX para o XXI.

Como os demais países latino-americanos, e mesmo carecendo deste transporte, o Brasil tratou de proteger tanto as empresas nacionais que operavam as poucas linhas, como o próprio cidadão, que em mãos estrangeiras poderia acabar sendo explorado – financeiramente e mesmo quanto às condições de trabalho. Por essa razão, os países resguardavam o transporte regional interno para as empresas nacionais e colocavam medidas restritivas para a operação de empresas estrangeiras no país.

Essas medidas visavam também a proteger as próprias empresas de uma eventual competição predatória de outras maiores estrangeiras. Essa proteção tinha dois lados: um que permitia a segurança de um mercado protegido e, portanto, mais seguro para a sobrevivência dessas empresas, mas, por outro lado, reduzia o tamanho do mercado alvo, no caso do Brasil, onde a população em geral dispunha de baixo poder aquisitivo. Ou seja, na medida em que protegia, limitava o acesso e a possibilidade de crescimento – e deixava as empresas frágeis frente a eventuais crises.

É interessante observar que este desenvolvimento da aviação ocorreu de forma semelhante nos diferentes países latino-americanos, guardadas as diferenças de dimensões entre eles. Essa situação os levou, já vivendo os novos tempos do século XXI e sob os ares da globalização e expansão das comunicações, com destaque para a internet, a procurarem dinamizar o transporte aéreo, reduzindo as proteções internas aos agentes externos, mas em compensação, abrindo caminho para a chegada de negócios, turistas e todo tipo de materiais.

Neste novo cenário, em novembro de 2010, os estados desta região, reunidos em uma Comissão Latino-Americana de Aviação Civil (CLAC), prepararam um acordo de Céus Abertos, no qual se comprometiam a reduzir as restrições para a operação de empresas estrangeiras, no caso os estados membros da CLAC, de modo a estimular as ofertas de voos na região. O acordo foi promulgado pelo presidente Bolsonaro no dia 7 de agosto último, após aprovação pelo Congresso Nacional. Esse ato já coloca o país como um dos que estão na vanguarda regional para o incentivo do transporte aéreo – e que pode, desde já, usufruir dessas novas possibilidades. E de que forma isso pode ser observado? Novas empresas operando no país, mais ofertas de voos, mais cidades servidas, mais negócios, mais turistas… enfim, maior integração, objetivo primeiro.

Essas medidas também serão saudáveis para as empresas nacionais, pois em contrapartida, o Estado se propõe a interferir menos no mercado e dar mais liberdade para as operações. Já é possível ver resultados. Empresas nacionais estão anunciando mais voos regionais, em aeronaves menores, ligando cidades médias e até pequenas. Recentemente, as brasileiras Gol e Azul divulgaram novos voos e cidades atendidas. Essa interiorização e aumento de oferta já começou, bem como queriam os pioneiros da aviação.

Fábio Augusto Jacob* é Coronel Aviador da reserva da Força Aérea Brasileira, coordenador e professor da Academia de Ciências Aeronáuticas Positivo (ACAP) da Universidade Positivo.

Uma breve história do mercado de chatbots no Brasil

Por Rodrigo Scotti*

Dois eventos que participamos no 2º semestre de 2019 nos fizeram refletir sobre o mercado nacional de chatbots e os processos de consolidação experimentados nos últimos anos. O termo ‘chatbot’ tem sido usado à exaustão atualmente, o que pode nos dar a impressão de que utilizar um robô para atender clientes é algo que é corriqueiro, que sempre esteve entre nós. No entanto, a familiaridade das empresas e das pessoas com os chatbots é um fenômeno bastante recente, coisa de três anos atrás. Foi quando o Facebook abriu suas ferramentas para o mercado e fez com que o assunto fosse abordado pela mídia com mais frequência. Nesta época, minha startup concluía seu segundo ano de operação, focada no desenvolvimento e manutenção de ferramentas próprias de inteligência artificial.

No decorrer dos últimos anos, percebemos que o nível de conscientização por parte das empresas que nos procuram para contratar as soluções evoluiu muito em pouco tempo. Elas superaram o uso inicial, apenas para suporte ao consumidor, e hoje utilizam bots para diversos casos, desde automação de processos ao pós-venda. Já provaram o gosto da economia gerada por um bot de suporte, que consegue livrar sua equipe das tarefas mais maçantes e fazer com que o colaborador humano possa se dedicar a ações mais estratégicas. Agora, as empresas querem mais: o próximo passo é ir além de usar a ferramenta apenas para economizar, mas também fazer com que o chatbot protagonize geração de receita e conversão em vendas.

Publicada recentemente, a mais nova edição do Ecossistema Brasileiro de Bots, desenvolvido pelo Mobile Time, revela que o volume de bots já criados no Brasil mais do que triplicou de um ano para cá: 61 mil chatbots e voicebots, contra 17 mil citados na edição anterior da pesquisa. O tráfego de mensagens também cresceu: 1 bilhão de conversas mensais com bots, atualmente, contra cerca de 800 mil em 2018. Estudo mostrou que a maioria dos desenvolvedores trabalham tanto com bots de texto como com bots de voz – 65% das empresas participantes do estudo. As que trabalham exclusivamente com bots de texto são apenas 32% e comente com bots de voz, 3%.

O mapa ainda indica que há uma expectativa do mercado sobre a abertura do Whatsapp para opções de pagamentos e a tendência de crescimento no uso de bots de voz, seja por telefone seja por assistentes de voz como Alexa, Siri ou Google Assistant.

Sabemos que, apesar da evolução do mercado, a maior parte dos chatbots desenvolvidos no Brasil ainda permanece focada no suporte ao consumidor. No entanto, como dissemos, não faltam funcionalidades para os sistemas mais complexos, que podem ser focados em vendas, RH, automação de processos internos, entre outras funcionalidades. Estas ferramentas com base em inteligência artificial também são essenciais para auxiliar o humano durante o serviço e permitir integrações customizadas aos sistemas corporativos. Conseguimos verificar uma melhora substancial na qualidade do atendimento prestado quando o aprendizado de máquina é feito combinando com análises da experiência e do desenho conversacional.

Hoje temos no Brasil a 2ª maior comunidade de pessoas interessadas em bots do mundo: a Chatbots Brasil. Conforme observa Caio Calado, cofundador da comunidade e um dos mais atuantes no segmento, hoje a comunidade Chatbots Brasil está batendo a marca de 12 mil pessoas, o que fez com que a inteligência artificial, o machine learning e a possibilidade de desenvolver chatbots atingisse os cérebros de muitos profissionais, hoje desenvolvedores, que não tinham planos de atuar no segmento. Calado aponta que, melhor do que ninguém, o mercado brasileiro de chatbots está orientado a casos de uso: empresas nacionais desenvolveram produtos para indústria específicas e foram bem sucedidos em entender as necessidades de cada uma delas.

Ricardo Blumer, que também é membro participante da comunidade desde seu início também comenta o assunto, defendendo que, quando é necessário falar sobre o mercado nacional de chatbots, é preciso dividi-lo em dois eixos principais: técnico e de produto. No técnico, estamos um pouco atrás dos outros países, já que a compreensão em linguagem natural é fator primordial para a evolução nesta esfera, e a maioria das plataformas foi construída baseadas na língua inglesa. No entanto, quando o assunto é o potencial de inovação e a qualidade do desenvolvimento, fazemos acontecer. Blumer acredita que o próximo passo do mercado seja o aprimoramento das interfaces de voz e da complexidade do conteúdo produzido por UX writers.

Quando começamos a desenvolver bots, não havia esse ambiente. Precisávamos construir do zero a plataforma e os bots para nossos clientes. O caminho que a gente percorreu como desenvolvedor de plataforma foi extremamente importante não apenas no sentido de aprender e validar a solução de forma empírica, mas também de descobrir a melhor forma de desenvolver este sistema, de acordo com tudo o que permeia a realidade brasileira.

Pietro Bujaldon, que, como eu e Blumer, também empreende no setor e participa do grupo Chatbots Brasil desde sempre, concorda conosco que, no caso dos empreendedores brasileiros, a troca de informações é mais fluida. Entendemos que o mercado é gigantesco e que há espaço para todo mundo. É como ele diz: sentamos todos em uma mesa de bar e trocamos ideia, compartilhamos experiências, não falamos nomes de clientes em específico, nem revelamos o molho do big mac, mas trocamos muita coisa que nos ajuda mutuamente. Bujaldon acredita que, após a consolidação, os próximos lugares para o qual o mercado caminha envolve fusões e aquisições.

Hoje, em minha startup, compreendemos que o mais eficaz é focar no mercado profissional, nos especialistas que atuam nele, construindo ferramentas para automatizar e integrar bots aos sistemas das empresas, além de ampliar potencialmente o foco nas ferramentas para os desenvolvedores. Entendemos que ter uma operação contando com bots de atendimento ou para processos internos está virando commodity e que, em curto espaço de tempo, estará integrado de forma intrínseca a qualquer empresa, independente do segmento.

Rodrigo Scotti* é CEO da Nama (https://www.nama.ai/), primeira empresa no país a desenvolver uma plataforma proprietária de inteligência artificial para robôs de atendimento e cofundador da ABRIA – Associação Brasileira de Inteligência Artificial

Vaca só produz leite se parir

Por Guilherme M. Rezende *

A parição é o início da produção de leite e consequentemente o começo da fase lucrativa das vacas. Mas, para parir é preciso primeiro emprenhar. E como está o seu rebanho nesse cenário?

De acordo com os dados dos dois melhores programas de controle zootécnicos¹, os rebanhos superiores estão operando com as seguintes características:

1.      Trabalham com 57,3% das vacas aptas a reprodução (Taxa de Serviço).

2.      Das vacas que são trabalhadas na reprodução, 42% delas emprenham (Taxa de Concepção).

3.      De todas as vacas aptas para reprodução, 23,7% ficam prenhas. (Taxa de prenhez).

Mas, como melhorar isso?

Primeiro é preciso anotar diariamente as informações de partos, inseminação, problemas, entre outros aspectos da operação, para ter clareza sobre os dados da fazenda.

Em segundo passo importantíssimo, é buscar ferramentas para aumentar a Taxa de Serviço. Com o histórico de anotações, por exemplo, podemos verificar quando as vacas emprenham pós-parto. Esse período de espera até a primeira IA (Inseminação Artificial) é importante e pode diminuir intervalos de partos. 

Os programas de controle zootécnicos, também nos mostra que após o parto e até a confirmação da prenhez, as melhores fazendas trabalham com 123 dias de período de serviço, ou seja, o prazo disponível para fazer as vacas emprenharem.

E como ter o melhor resultado possível nesse período? Que tal começar com um pré parto e um pós-parto de qualidade? Vacas com score apropriados ao parto, dietas corretas, sanidade dentro dos padrões e um ambiente controlado. Esse período, chamado de período de transição pode ser a peça fundamental para uma futura prenhez em curto período de serviço.

Se você possui períodos de transição corretos, podemos estipular quando damos uma folga para as vacas se recuperarem após o parto e começar então a reprodução. O chamado PEV (Período de Espera Voluntário), é nele que começamos os protocolos de reprodução. Um protocolo pode ser apenas observar as vacas ao cio, outro podemos utilizar dos hormônios de reprodução e controlar mais a situação. Se tudo der certo, diminuímos bem nosso período de serviço e consequentemente nosso intervalo entre partos. Mais vacas paridas significa mais leite, ou seja, mais renda.

Sucesso não tem receita, mas tem dicas. E lá vão elas:

1.      Anote todo e qualquer evento em seu rebanho. Faça uso de suas anotações na tomada de decisão.

2.      Faça um ótimo pré parto e pós-parto. Período fundamental para o sucesso da reprodução.   

3.      Decida um PEV condizente com a realidade de seu rebanho. Não copie os outros se você não tem os mesmos manejos de outras fazendas. Sua fazenda é sua fazenda.

4.      Utilize das ferramentas de observação de cio, de indução e sincronização de cio. Controle definitivamente a reprodução, nunca a deixe ao acaso.

5.      Decida com planejamento a sua escolha genética, ela é permanente. Você irá ter de resultado o que você escolheu para aquela vaca, saiba então escolher o melhor para a sua fazenda.

Coisas simples que fazem a diferença. Bora produzir leite!

Ideagri e AltaGestão¹. Números publicados na edição 2019 do Concept Plus Leite.

Guilherme Marquez de Rezende*, Zootecnista e Gerente de Produto da Alta Genetics do Brasil.

O Sabor da Volta às Aulas

Por Claudia Saad*

Bem se expressa o pedagogo Rubem Alves quando diz que o saber sem prazer é como a comida sem sabor. Vem dele a inspiração desta metáfora que envolve escritores e cozinheiros: “só aprende quem tem fome”. Por certo, alguém comeria uma refeição que não lhe desperta o paladar com pouca motivação. Arrisco dizer que, da mesma forma, alguém ficaria entusiasmado em provar algo que lhe estimulem outros sentidos, como o olfato ou a visão – talvez daí venha a expressão “comer com os olhos”.

Curiosa pelas novidades da cozinha, li dias atrás sobre a neurogastronomia e um estudo sobre como o cérebro estabelece o gosto – apontando, inclusive, que os fatores sociais influenciam nessa percepção. Mágico, não é? Um convite a pensar sobre quanto da relação “saber e sabor” está presente no ato de aprender. Afinal, aprendemos o tempo todo e aprendemos mais e de forma mais significativa e duradoura quanto mais encantados e provocados a experimentar e “saborear” estivermos.

Vamos refletir sobre um momento bem específico desta relação… a volta às aulas. Quem teria animação em voltar às aulas se não espera ter experiências agradáveis sobre o ensino? Quem de nós retomaria a essa rotina após dias cheios de tranquilidade, liberdade e despreocupações? Com certeza, para que tenhamos motivação e vontade de retomar essa rotina, precisamos de muitos estímulos. 

Para que o retorno ao ano letivo seja prazeroso a pais, crianças e educadores, é necessário haver preparação de todas as partes. Diria que o planejamento dos professores para as primeiras semanas de aula seria o ato de aguçar o paladar dos alunos. Um envolvimento mútuo, que inclui responsabilidade e criatividade. Uma boa dose de participação coletiva que acrescentará um tempero especial ao ensino, despertando o sabor do aprendizado logo nas primeiras aulas do ano. Começar bem um prato não é garantia de sucesso, mas já nos dá uma boa perspectiva de que teremos algo delicioso para provar no final.

Pensando assim, o cuidadoso planejamento deste retorno, a escolha dos melhores ingredientes, os mais coloridos, mais saborosos para essa retomada, requer preparação, cuidado e muito amor. A escola inicia esse processo muito tempo antes. Enquanto os alunos ainda estão curtindo suas férias, a equipe de gestores precisa se mobilizar a fim de receber seus professores e organizar as primeiras receitas (semanas de aula); criar um ambiente acolhedor e prazeroso, pensar no cardápio do ano e escolher os melhores elementos para produzirmos os pratos saborosos.

Da mesma forma, do outro lado, os pais e alunos devem se dedicar à preparação para uma nova rotina, diferente da falta de rotina das férias. Todos engajados na cerimônia e nos preparativos para tornar a ocasião a mais especial possível. Importante também nesse contexto é o papel da família em amenizar as dificuldades que os meninos e meninas enfrentam no retorno ao ano letivo. É verdade que, nas férias, não é conveniente impor-lhes os estudos. É momento de relaxar, conhecer lugares e pessoas, fazer novas descobertas. Porém, com a proximidade da volta às aulas, é preciso ficar atento para que a rotina de férias seja, sim, flexível, mas não imprópria.

O sabor prazeroso do saber é uma responsabilidade de todos os envolvidos no processo de construção do conhecimento. Esse conjunto determina o rito de preparo dos pratos e sua forma de apresentação à mesa. Do começo ao fim do ano letivo é necessário que os participantes da produção do saber estejam comprometidos. Só assim, a escola será mais do que prédios, salas, quadros, programas, horários e conceitos. A escola será, sobretudo, gente. Gente que trabalha, que estuda, que se alegra, se conhece e se estima. Gente que tem fome de “descobrir”, ávida por sentir o sabor agradável da educação. 

* Claudia Saad é coordenadora pedagógica do Sistema Positivo de Ensino.

AgTechs chegaram para facilitar exportações dos agricultores

Por Alvaro Nunes*

O avanço dos mecanismos digitais tem influenciado bastante a economia mundial. Não é para menos, aliás muitas empresas tentam garantir mais eficiência tanto na produção quanto nos ganhos financeiros por meio dessas inovações, cada vez mais presentes nos mais diversos segmentos. Essa movimentação também acontece no setor rural por meio das agtechs, que aliam a tecnologia no agronegócio para trazer importantes impactos. Isso já é possível no monitoramento para reduzir as perdas no campo, no uso de drones no controle do plantio e, sobretudo, com a promoção de mudanças na forma de fazer as negociações de compra e venda de produtos agrícolas.

Para quem não sabe, esse movimento começou a ganhar força nos Estados Unidos em 2013, quando a startup Climate Corporation foi adquirida pela gigante do segmento agrícola Monsanto por quase US$ 1 bilhão. A empresa foi uma das pioneiras em examinar dados climáticos, de solo e de campo para ajudar os agricultores determinarem possíveis fatores de limitação produtiva em seus campos. A transação chamou a atenção do mercado global. Consequentemente, também passou a fomentar o mercado das agTechs.

Passados cinco anos, as tecnologias para o agronegócio se tornaram uma das principais ondas disruptivas da economia global. Só no ano passado, as empresas do gênero – também conhecidas como agritechs e agrotechs – receberam um investimento recorde de US$ 16,9 bilhões. O montante é 43% superior em relação a 2017, de acordo com um levantamento da Agfunder com 1,6 mil startups do ramo. Os Estados Unidos dominam esse mercado. Os americanos são seguidos pela China, Índia e, claro, o Brasil, onde os especialistas avaliam que o setor tem muito o que crescer. E o país já dá provas neste sentido, pois já foram mapeadas 182 agTechs em 2018, segundo a Associação Brasileira de Startups (Abstartups).

Em meio a essa importante movimentação, o agronegócio tem ganhado tecnologias capazes de facilitar o acesso dos agricultores brasileiros às negociações diretas junto aos compradores de várias partes do mundo. Na prática, trata-se de uma plataforma que permite esses produtores exportarem suas mercadorias sem intermediários. Entre os produtos mais comercializados, estão o feijão, o caroço de algodão, milho e milho de pipoca.

Por meio dessas ferramentas, os agricultores cadastram seus produtos para que todos os custos sejam incluídos automaticamente. Nessa lista, estão o frete rodoviário, as despesas nos portos, a documentação, a preparação da mercadoria e o transporte marítimo. A partir daí, o uso da tecnologia digital torna tudo isso em uma oferta internacional para ser oferecida aos compradores mundiais. Além disso, o cliente em potencial pode efetuar contrapropostas para aquisição dos produtos. Os valores sempre são convertidos em reais para o produtor brasileiro e na moeda de origem do comprador. Tudo isso digitalmente.

E as facilidades vão mais além. Nenhum dos dois lados precisa se preocupar como será o transporte nem com a forma de pagamento, afinal o sistema de inteligência desse tipo de plataforma foi programado para identificar as melhores opções para o escoamento da produção. Algo inimaginável há algum tempo atrás, antes do avanço das agTechs. Quem poderia imaginar que tudo isso seria possível tão facilmente aos produtores brasileiros?

Por essas e outras, é possível afirmar que as plataformas de conexão de agricultores brasileiros aos compradores no estrangeiro vieram para ficar não só para facilitar esse acesso como também para estimular ainda mais as exportações no agronegócio, cuja importância é indiscutível para o Brasil. O setor representa 25% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. E a expectativa da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) é de que o PIB do segmento cresça 2% neste ano, em relação a 2018. Quem sabe a chegada dessas novas tecnologias não turbine ainda mais esse resultado? Torço muito para isso acontecer.

Alvaro Nunes* atua há mais de 12 anos com exportações brasileiras e empreendedorismo. Atualmente é fundador e CEO da agTech Karavel

Internet das Coisas. A nova aliada das indústrias

Por Tales Ribeiro*

Em diversos segmentos, as organizações estão apresentando tecnologias para melhorar a experiência do cliente e aumentar sua eficiência: a Internet das Coisas é o recurso mais atual. Um estudo global da consultoria americana Logicalis, realizado com 841 diretores de tecnologia de empresas, demonstrou que um quinto destas empresas já usa IoT (Internet of Things, ou Internet das Coisas), e 66% pretende adotá-la em até três anos. Já um relatório do IDC Predictions Brasil aponta que o segmento de IoT movimentou, aproximadamente, US$ 745 bilhões no mundo em 2019, com potencial para ultrapassar a marca de US$ 1 trilhão em 2022, puxado, principalmente, por aportes do setor industrial e de varejistas. 

Para a indústria de papel e celulose, especialmente a brasileira (a grande fornecedora global dos insumos), a adaptação ao mundo digital pode ser um desafio. São grandes players, de capital intensivo, que operam em tempo integral, com paradas estrategicamente programadas. A escala de volume gerado nas fábricas é de grande magnitude, e paradas não programadas (para avaliar problemas, por exemplo) representam prejuízos milionários. Com produção de cinco mil toneladas por dia, em média, antecipar possíveis crises e evitar paradas não necessárias podem evitar prejuízos diários de até R$ 40 milhões. E então, entra a Internet das Coisas como ferramenta que gera valor aos negócios.

As conexões remotas permitem um suporte mais ágil, além de oferecer o monitoramento e análise das condições das plantas auxiliando nas tomadas de decisão, podendo representar ganhos exponenciais em economia de químicos, aumento da produção e geração de energia para as fábricas de celulose e papel. Com rapidez, estas análises remotas e seguras promovem condições diferenciadas para a aplicação de novas soluções. 

Um exemplo deste novo olhar da indústria é o recém-lançado Valmet Performance Center, que oferece alta tecnologia nas conexões remotas com as fábricas e, por meio de aplicações de internet industrial, possibilita, por exemplo, predição de falhas, monitoramento de performance e otimização de processos, agilizando o suporte e o atendimento aos clientes. Especialistas podem ser acionados a colaborar para o melhor atendimento de demandas, na planta do cliente ou nos escritórios. É um diálogo entre todas as pontas, baseado em dados significativos. Preza-se pela privacidade e segurança dos dados que são enviados para a “nuvem”, sendo possível analisar cada demanda e iniciar uma discussão em tempo real, que pode ser uma otimização de performance ou solução de um problema imediato. São mais de R$ 292 milhões investidos em Pesquisa e Desenvolvimento em todo o mundo, que dará às indústrias o diferencial competitivo que precisam.

Tales Ribeiro*, sou especialista em Soluções de Internet Industrial da Valmet para a América do Sul

A eficácia da oração da madrinha

Por Ângela Abdo* e Laila Cristina**

É muito gratificante receber um convite para ser madrinha de uma criança, é um sinal da confiança dos pais. Por isso, precisamos entender a responsabilidade quando dizemos ‘sim’ a esse convite.

A madrinha se torna uma mãe espiritual da criança nesse exercício de amor, e assume um compromisso perante Deus: deve transmitir ao afilhado (a) o sentido da fé, à medida que ele vai crescendo. O batismo é apenas o início de uma vida cristã e plena.

A missão da madrinha é colocar o afilhado nas mãos de Deus. Com toda certeza, Ele lhe dará todas as graças necessárias para acompanhar seu afilhado no caminho da fé que o próprio Senhor o convidou a trilhar. Ela representa a família do afilhado em caso de falta física ou de fé. Também representa a comunidade, a diocese e a igreja universal que acolhe; representa e dinamiza as ações pastorais, que acolhe o novo membro na fé, e forma o Corpo místico de Cristo.

Por mais gostoso que seja presentear um afilhado com aquele brinquedo que ele tanto quer, o melhor presente que podemos dar a ele é um acompanhamento sincero da sua vida espiritual e da sua relação com Jesus. Temos o papel de ensinar e acompanhar nossos afilhados a trilhar os passos da fé cristã no catecismo, e o nosso testemunho de vida é fundamental para iluminar a vida do afilhado em seu caminho cristão.

A madrinha tem autoridade espiritual sobre seu afilhado. Apesar de, muitas vezes, a autoridade ser vista como algo que impõe ou pressiona, ela é, na verdade, uma maneira de dizer que há respeito, sabedoria e propriedade no que fala. Por isso, a autoridade espiritual deve ser entendida como a atuação da madrinha frente à vida espiritual do seu afilhado, que, muitas vezes, está fraca. Ensinar um afilhado a rezar, a falar com Deus e a ser bem próximo de Jesus é a maior herança que podemos deixar.

Para cumprir sua missão com maestria, é importante a madrinha criar laços de amor fraterno com o afilhado, mas também com seus pais e irmãos. É preciso ter tempo juntos. Somente assim será possível acompanhar seu desenvolvimento como ser humano e cristão. Por tudo isso que falamos até agora, a madrinha tem por obrigação rezar pelo afilhado e apoiar a família para que a criança tenha uma formação religiosa com base sólida.

Uma dica para você começar a rezar mais por seus afilhados é a “Oração da Madrinha” e o “Terço pelos Afilhados”, que estão no livro “Dindas que oram pelos afilhados”. Peça a Deus que o afilhado seja uma pessoa de fé, de bem e de caráter, e que, quando adulta, possa servir de exemplo para outras pessoas. Peça ao Espírito Santo força na caminhada do afilhado, para que seus pés não vacilem. Peça à Virgem Maria que interceda por ele, e aos anjos, que o protejam todos os dias.

* Ângela Abdo é fundadora e coordenadora nacional do Movimento “Mães que oram pelos filhos” e assessora no Estudo das Diretrizes para a Renovação Carismática Católica (RCC) no Brasil. É articulista do canal “Formação” do Portal Canção Nova (formacao.cancaonova.com) e autora de livros pela Editora Canção Nova.

**Laila Cristina é coautora do livro Dindas que Oram pelos Afilhados, lançamento da Editora Canção Nova  

Férias: como ficam as crianças de pais separados?

Por Milena Fiuza*

Com o fim de um relacionamento (casamento ou união estável), quando há filhos, os pais buscam constantemente dividir o tempo de convivência com as crianças, pensando no bem-estar delas. Em festas e comemorações familiares, e especialmente nas férias escolares, essa divisão pode se tornar um problema, caso não haja um bom diálogo entre os pais ou um acordo judicial.

Geralmente, no momento da separação, são definidos apenas o regime de visitas e o valor de pensão alimentícia a ser pago. Atualmente, o regime de guarda compartilhada é a regra na questão de guarda de filhos, salvo exceções analisadas pelo juiz. Em resumo, esse regime confere tanto à mãe quanto ao pai a responsabilidade sobre a criação dos filhos, mesmo após a ruptura da vida conjugal, havendo a responsabilização conjunta e o exercício de direitos e deveres do genitor que não viva no mesmo domicílio, concernentes ao poder familiar dos filhos comuns.

Por essa razão, nessa época do ano, surge uma série de dúvidas e disputas entre os pais sobre como serão as viagens e férias escolares. Embora a lei não defina claramente qual a regra para esse tipo de situação, o que se tem buscado é estabelecer um equilíbrio entre pai e mãe. Nas férias e nos feriados, permanece valendo o formato ordinário (finais de semanas alternados ou outra acordada), sem conceder prioridade ou direito de escolha de qualquer um dos pais.

Se o caminho escolhido for um acordo ou pedido judicial, este deve ser detalhado na regulamentação dessas datas, inclusive com progressão ao longo dos anos. As decisões judiciais e alguns acordos que vêm sendo firmados nesse sentido têm estabelecido que, no período de férias escolares, a criança fique uma quinzena com o pai e outra com a mãe. Além disso, nesses acordos, é estabelecido com quem a criança passará algumas datas de feriados prolongados, alternância entre a data de aniversário da criança, entre outros.

O foco dessas decisões deve sempre ser os filhos envolvidos, portanto, priorizar determinados detalhes é essencial. Por exemplo, se a criança ainda é muito nova, os períodos exclusivos são mais curtos e frequentes. Quando o filho ainda não pernoita com um dos pais, não é prudente que se tire longos períodos de férias com a criança. É uma adaptação que exige esforço e maior paciência.

Um ponto importante diz respeito à questão das viagens. Desde do início de 2019, nenhum menor até 16 anos pode viajar para fora da cidade onde reside desacompanhado dos pais ou responsáveis, sem a autorização judicial. A nova regra foi estabelecida pela Lei Federal 13.812/2019. Ainda, como medida preventiva, a nova lei modificou o artigo 83 do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/1990), que regula as viagens de crianças e adolescentes em território nacional. Para viagens ao exterior, se a criança estiver acompanhada de apenas um dos pais, deverá ter a autorização expressa do outro – obrigatoriamente com firma reconhecida em cartório. Outra forma de conseguir essa autorização é com uma decisão judicial.

O ideal é que se estabeleça o quanto antes as regras de visitas, festas, viagens e férias. Além de evitar disputas desnecessárias entre os genitores, a criança é preservada e consegue ter uma convivência equilibrada com os pais, independentemente do status de relacionamento de cada um.

Milena Kendrick Fiuza* é gerente pedagógica do Sistema Positivo de Ensino.

Saúde e as metas para o novo ano

Por Fabiano Lago*

Comer melhor, cuidar da saúde, fazer exercícios e ter uma rotina saudável são promessas que estão na lista de início de ano de quase todas as pessoas. Porém, é necessário ter disciplina para que as metas sejam cumpridas e levadas a sério durante todo o ano.

Um estudo feito na Universidade de Scranton, nos Estados Unidos, revela que apenas 8% das pessoas conseguem ter sucesso em suas resoluções de fim de ano. Isso faz com que certos desejos se repitam ano após ano, sem serem cumpridos de fato. No topo da lista geralmente está o emagrecimento e a rotina mais saudável. Mas é preciso ter disciplina e força de vontade para que os hábitos sejam, de fato, mudados.

Para iniciar uma vida saudável junto com o novo ano é necessário, em primeiro lugar, ir à um médico para realizar exames de rotina. Neles, pode ser identificado se há qualquer problema de saúde, mesmo que ainda não apresente sintomas. Com os exames, também é possível determinar quais atividades físicas e alimentação combinam mais com cada rotina. A intenção de obter uma vida saudável traz diversos benefícios, como prevenção de doenças, equilíbrio hormonal, estimulação do sistema imunológico, combate às dores corporais, melhora do humor e aumento da energia.

Movimentar o corpo é essencial na busca pelo bem-estar. A prática de esportes é positiva, desde que o impacto dos exercício não resulte em desconfortos. Caminhada, natação e hidroginástica são exemplos de atividades de baixo impacto que cumprem a função de auxiliar no emagrecimento e na promoção do bem-estar. Os exercícios devem ser feitos acompanhados por um profissional, que possa orientar sobre alongamentos, intensidade dos movimentos e frequência. 

Além dos exercícios, o equilíbrio também deve estar no prato. Dietas da moda, que não foram feitas pensando no seu bem-estar e no seu metabolismo, devem ser evitadas. Com o acompanhamento de um médico ou nutricionista, a alimentação deve ser balanceada, sem ingestão de álcool, açúcar e pouco sal. Sempre é preciso considerar que, quanto mais colorido o prato, melhor para a saúde. É fundamental consumir todos os grupos alimentares e não comer mais do que precisa para saciar a fome.

Os hábitos alimentares também podem estar relacionados à relação emocional que a pessoa mantém com a comida. Assaltar a geladeira à noite e investir exageradamente nos doces são exemplos de comportamentos que podem estar relacionados ao humor. Nesses casos, um psicólogo também pode ser seu aliado na busca pelo equilíbrio na balança. 

Resultados positivos dependem de metas bem definidas e força de vontade. As dicas servem para orientar o caminho a ser percorrido por quem quer alcançar os objetivos ao longo do ano. Não deixe para 2021 o que você pode fazer em 2020.

Dr. Fabiano Lago* é endocrinologista da Estância do Lago – Spa & Wellness.

Contadores aumentam faturamento com novo tipo de negócio*

Já se foi o tempo em que o contador era apenas o responsável por faturar NFs ou declarar Imposto de Renda para seus clientes. Hoje, este profissional pode utilizar-se da tecnologia para alcançar todo seu potencial, expandir seu modelo de negócio e faturar mais.

Qualquer empresa que quer entregar todas as suas obrigações e se manter em dia com o Fisco precisa do auxílio da contabilidade. Estar em dia com o SPED Contábil, Fiscal, as Contribuições, a eSocial, e em conformidade com todas as regras tributárias é tarefa de um contador.

A questão é que hoje, esse profissional não precisa mais digitar números ou fazer os cálculos enormes que fazia no passado. Os softwares são capazes de auxiliar no enquadramento correto, calcular as guias de impostos, processar folhas de pagamento, emitir Notas Fiscais e otimizar a entrega dos SPEDS e GIAS, por exemplo.

E pensando não só em facilitar e melhorar o trabalho de um escritório de contabilidade, a tecnologia pode, também, ser um novo tipo de negócio para o profissional de contábeis. Já pensou nisso?

Nos últimos anos, diversos segmentos nasceram e morreram com a tecnologia. A atualização e diversificação significam, hoje, a sobrevivência dos negócios. E já pensou em poder fazer isso dentro do seu próprio ramo, sem precisar buscar por novos clientes e ter o trabalho de desenvolver, propriamente, um tipo de produto ou serviço? No mínimo é uma ótima forma de se ganhar dinheiro!

Dados do Conselho Federal de Contabilidade mostram que hoje, no Brasil, existem 318 mil contadores ativos. As empresas de contabilidade são extremamente próximas da gestão da empresa no que se refere ao controle financeiro. Por isso, em diversos momentos enxergam falhas no sistema de gestão de seus clientes. Considerando ainda a relação de confiança que existe entre um contador e seu cliente, temos uma nova – e grande – oportunidade neste segmento: a revenda de software.

Mas como vender uma tecnologia que não faz parte da área de domínio dos contabilistas? E como isso pode ser bom para você, contador?

Revender sistema de gestão no conceito white label é uma oportunidade para que contabilidades agreguem receita mensal recorrente e estendam sua atuação frente à carteira de clientes já conquistada, mesmo sem entender de tecnologia.

Como o ERP já está pronto, basta associar a marca ao sistema de gestão em nuvem (SaaS), com hospedagem em seu próprio domínio. O ERP une tecnologia e segurança no acesso às informações da empresa, evitando erros financeiros, contábeis e fiscais. Além disso, o suporte é todo feito pela empresa do software, deixando apenas a responsabilidade da venda para o representante parceiro.

Portanto, com baixo investimento, o profissional é capaz de oferecer mais uma facilidade ao cliente, para que ele tenha maior controle do seu negócio. Para um escritório de contabilidade, poder agregar serviços e produtos no atendimento do cliente faz com que a credibilidade cresça e os clientes sejam fidelizados.

Se você é da área contábil e ainda tem alguma dúvida se isso pode ser um bom negócio, eu ainda apresento o caso da Dinastia Contábil – escritório de contabilidade que atende em Goiânia e região. No final de 2018, a empresa passou a oferecer um ERP no conceito white label aos seus clientes, com módulos totalmente em nuvem. Para isso, criou um novo negócio: o Águia 360º.

O sistema de gestão da Águia 360º oferece pacotes personalizados de acordo com as funcionalidades que cada cliente precisa. Em um ano, indicando seu próprio produto, o escritório garantiu uma nova renda recorrente e mensal e fidelizou clientes. Isso tudo, sem se preocupar com treinamento, suporte ou atualizações.

*Robinson Idalgo – criador do Revenda Software. Mais informações no site: http://www.revendasoftware.com.br/