Fundesporte dá exemplo de organização em corrida de rua histórica

Campo Grande (MS) – A Fundação de Desporto e Lazer de Mato Grosso do Sul (Fundesporte), em nome do Governo do Estado, deu exemplo de organização na primeira edição da Corrida Digital, prova de rua realizada no Parque dos Poderes, em Campo Grande. A competição ficará marcada na história do esporte não só do Brasil, mas também do mundo, pelo ineditismo frente a uma pandemia viral.

Em formato até então nunca visto no meio desportivo, prezando pelo distanciamento social em tempo de disseminação global de Covid-19, o evento, que ocorreu de 1º a 7 de junho, certamente permanecerá registrado na memória dos participantes por anos, por se tratar de um período histórico da humanidade. A Corrida, que integra o circuito Rota das Estações 2020, foi feita em parceria com a Rede MS Integração de Rádio e Televisão, e teve as 300 inscrições esgotadas em pouco tempo.

“Enquanto o mundo vive um momento de incertezas, nós revolucionamos e colocamos Mato Grosso do Sul em destaque nacional e internacional. A Corrida, dentro dos moldes exigidos por este ‘novo normal’, foi um sucesso aos olhos dos corredores. Para isso, seguimos à risca todas as medidas sanitárias e não tivemos nenhuma situação que favorecesse o contágio do coronavírus”, evidencia o diretor-presidente da Fundesporte, Marcelo Ferreira Miranda.

Durante uma semana, a equipe organizadora da Fundesporte desdobrou-se com escala de quatro servidores por turno para acolher e orientar os 300 inscritos, que tiveram a oportunidade de escolher o melhor horário para correr.

“Com chuva, sol ou frio ao longo desses sete dias, a equipe da Fundesporte mostrou que, profissionalmente, é extremamente capacitada para organizar eventos que fogem do padrão. Com a Corrida Digital, abrimos novas perspectivas para o esporte no país e no mundo. É possível continuar, de modo seguro, com ações esportivas e de lazer”, diz o gerente da Unidade de Esporte de Participação e Lazer (Uepla) da Fundesporte e responsável técnico do evento, Rodrigo Barbosa de Miranda.

Retorno positivo

O cumprimento rígido dos protocolos de biossegurança estabelecidos pelo Ministério da Saúde e Organização Mundial da Saúde (OMS) durante o período de propagação viral foi o principal ponto destacado pelos atletas. Em nenhum momento houve formação de pelotão na largada ou aglomeração de pessoas na tenda de recepção. Nesta, os desportistas passavam por procedimentos médicos obrigatórios, como aferição da temperatura corporal, glicemia e pressão arterial.

Ao todo, estiveram disponíveis 14 horas diárias de prova, durante sete dias. Cada corredor pôde escolher o melhor horário para ir ao Parque dos Poderes. O trajeto de cinco quilômetros foi videomonitorado em tempo real, com transmissão pela internet, para que os inscritos, de casa, avaliassem o momento ideal para sair de casa, evitando, desta forma, a concentração de indivíduos.

Além disso, cada atleta deu sua própria largada, ao pressionar o botão “start”, com higienização adequada das mãos. As medalhas, embaladas e individuais, estiveram à disposição dos participantes para retirada ao término do percurso.

“Os participantes adoraram e se sentiram muito seguros, o que nos motiva a realizar novas edições pelo Estado. Várias pessoas demonstraram gratidão pessoalmente ou por meio de mensagens nas redes sociais, e ressaltaram o nosso trabalho no sentido de prezar pela segurança e integridade física. Mantivemos severamente o distanciamento social e as medidas de higienização, sem perder a adrenalina de uma corrida de rua. Os atletas saíram satisfeitos e nós também”, relata Marcelo Miranda.

Confira os resultados finais:

Corrida Digital – Masculino

Corrida Digital – Feminino

Lucas Castro , Fundesporte
Fotos: Glauber Filho/Fundesporte

Em busca de horizonte

© Ale Cabral/CPB/Direitos Reservados

Mizael Conrado fala de cenário e desafios do paradesporto pós-pandemia

Publicado em 08/06/2020 – 16:06 Por Lincoln Chaves – Repórter da TV Brasil e da Rádio Nacional – São Paulo

O novo coronavírus (covid-19) segue impactando o movimento paralímpico mesmo após o adiamento dos Jogos de Tóquio (Japão) para o ano que vem. Com a pandemia ainda sem controle, e o estado (e a cidade) de São Paulo ocupando o epicentro da doença no país, o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) prorrogou “por tempo indeterminado” o fechamento do Centro de Treinamento Paralímpico, iniciamente previsto para terminar na última sexta-feira (5). Segundo o presidente do CPB, Mizael Conrado, menos de 5% dos mais de 300 funcionários do comitê estão trabalhando in loco há quase três meses. Ele próprio, deficiente visual devido a uma catarata congênita, é uma dessas exceções.

Há previsão de reabertura? “Horizonte não existe. É tudo muito incerto. Temos evitado de falar em qualquer tipo de prognóstico para não criar expectativa nos atletas que, naturalmente, já estão angustiados com essa situação”, reconhece Conrado, embora garanta que o protocolo para o retorno às atividades esteja definido. “É completo, um documento amplo, de aproximadamente 70 páginas. Ele envolve uma série de procedimentos, como a quantidade de pessoas treinando ao mesmo tempo, higienização, formato de alimentação, uma permanência 24 horas por dia dos atletas nas instalações do CT… São vários aspectos”, detalha.

Mizael Conrado, presidente do CPB/2017

Segundo  Mizael Conrado, menos de 5% dos mais de 300 funcionários do CPB vêm trabalhando in loco, nos últimos três meses – DanielZappe/MPIX/CPB/Direitos reservados

Vale lembrar que o governador de São Paulo, João Doria, condicionou a retomada de atividades não essenciais a situação de cada região do estado de São Paulo no enfrentamento do vírus. As regiões têm sido avaliadas em cinco fases, com maior flexibilização à medida que se avança de etapa. A capital paulista, onde fica o CT, está na chamada fase dois, que permite a reabertura de concessionárias, escritórios e shoppings, com restrições. A reabertura de academias esportivas, a princípio, consta somente na fase quatro.

O dirigente conversou com a Agência Brasil por cerca de 20 minutos. Na entrevista, avaliou que a realização da Olimpíada e da Paralimpíada de Tóquio (Japão) estarão sob ameaça, mesmo após o adiamento dos Jogos, se a vacina contra a covid-19 não for desenvolvida até o fim do ano. Detalhou, também, o “Movimente-se”, uma plataforma de videoaulas com exercícios físicos voltados a pessoas com deficiência, atletas ou não. Por fim, analisou o cenário do paradesporto no país em virtude da pandemia e o papel do CPB no processo.

Agência Brasil: O comitê anunciou o fechamento do CT para treinamentos em meados de março. Como tem sido esse período de quarentena?
Mizael Conrado: É um momento desafiador. A gente busca alternativas para entender o momento e criar caminhos para superar a crise, mas com todos os cuidados. Usando máscara, passando álcool em gel, fazendo tudo que é necessário, com segurança para não se expor e não expor os demais. Não temos nem 5% das pessoas [que trabalham] aqui. Basicamente, só aquelas pessoas que são estritamente necessárias para desenvolver as tarefas que temos que fazer. A maioria delas atuando em home-office. Todo mundo que é possível trabalhar assim, está fazendo.

Agência Brasil: A gente tem visto federações e clubes anunciarem protocolos para retomada das atividades. O CPB já tem esse protocolo definido para o CT?
Conrado: Sim, já temos um protocolo. O doutor Hesojy [Gley, médico do CPB] foi o líder desse processo. É um protocolo completo, um documento amplo, de aproximadamente 70 páginas, estabelecendo todos os requisitos de segurança. Esse protocolo vai ser submetido às autoridades municipais e estaduais para que a gente vá acompanhando. O cenário muda todo dia. Um dia vai ter lockdown, outro dia é abertura… É um momento de incerteza e de muita falta de horizonte. A única coisa que dá para fazer é exatamente nos prepararmos para voltar [às atividades] quando for permitido e possível. É um documento que a gente entende que garante a segurança dos atletas, técnicos e todos envolvidos nessa operação. Ele envolve uma série de procedimentos, como a quantidade de pessoas treinando ao mesmo tempo, higienização, formato de alimentação, uma permanência 24 horas por dia dos atletas nas instalações do CT… São vários aspectos. A gente está, também, no processo de aquisição de uma quantidade muito significativa de testes, exatamente para que possamos fazer o controle.

Agência Brasil: E já existe uma expectativa de quando será possível retomar as atividades?
Conrado: Não. Horizonte não existe. É tudo muito incerto. Temos evitado falar em qualquer tipo de prognóstico para não criar expectativa nos atletas que, naturalmente, já estão angustiados com essa situação.

Agência Brasil: Durante essa pandemia, temos visto agremiações esportivas dispensarem atletas por falta de recursos, e até projetos serem encerrados. No paradesporto, teve o caso do Vasco, tradicional em modalidades como futebol de 7, natação e vôlei sentado. O CPB tem sido procurado pelos clubes e associações que trabalham no segmento, no sentido, realmente, de pedirem ajuda a vocês?
Conrado: Temos sido procurados no sentido de dialogar com relação às perspectivas de volta, de retorno, com relação às possibilidades, ao horizonte… Os clubes paralímpicos têm uma característica diferente dos clubes olímpicos, que são condições já bastantes modestas. A gente tem alguns pilares. Por exemplo, o alto rendimento está garantido com as confederações, o paralimpismo através do CPB, mas a questão dos clubes, a gente realmente precisa avançar e garantir uma forma de financiamento da atividade clubística paralímpica brasileira. Realmente, é uma necessidade que a gente tem. Na verdade, essa pandemia é mais um problema, mas os nossos clubes, infelizmente, no dia a dia, enfrentam dificuldade de falta de recurso. Então para eles, infelizmente, isso não é novidade. Agora, permanece uma prioridade nossa trabalhar para que esses clubes também possam ter financiamento para suas atividades. Não tenho dúvidas que a consolidação do movimento clubístico paralímpico vai representar mais um salto no desenvolvimento do nosso esporte.

Agência Brasil: O comitê tem condição de fornecer esse apoio?
Conrado: A questão da Lei Piva [legislação que garante repasse de recursos públicos para fomento do esporte] é muito específica. Então, o CPB realiza competições e financia, por meio da descentralização de recursos, as atividades das confederações. Basicamente, a gente não consegue apoiar os clubes financeiramente. O que vamos buscar trabalhar e intensificar é a busca de alternativas criativas, que possam representar receitas a esses clubes. Agora, infelizmente, nem possibilidade jurídica e nem possibilidade financeira, porque a gente tem uma base quase mil clubes paralímpicos no Brasil e seria impossível que o CPB conseguisse resolver todos os problemas financeiros do segmento clubístico.

Agência Brasil: Em 2018, o CPB atualizou o planejamento estratégico para os ciclos dos Jogos de Tóquio e Paris (França), em 2024, tanto em termos de resultados, como de governança. Com a pandemia, vocês já sabem se o planejamento terá que ser alterado?
Conrado: A gente se faz essa pergunta todo dia e ainda não tem resposta. Não temos como fazer qualquer tipo de revisão de plano estratégico porque ainda não temos horizonte. O pessoal do departamento técnico, que trabalha com treinamento, com o que é fundamental para conquista de medalhas, nos cobra isso, mas não é possível estabelecer qualquer tipo de planejamento sem ter ideia de quando voltaremos. O pessoal aqui já fez esboço de cinco calendários. Se a gente continuar, o número de alterações vai quebrar recorde, porque ninguém tem condição de prever nada. O dia que tivermos ideia de reabertura, de volta das atividades e da força de trabalho, aí vamos partir para um novo planejamento.

Edição: Cláudia Soares Rodrigues

Salto triplo: “Almir Júnior vai fazer história”, aposta treinador

© Wagner Carmo/ CBAt/Direitos reservados

Arataca diz que atleta pode superar os 17m89 de João do Pulo

Publicado em 02/06/2020 – 15:24 Por Juliano Justo – Repórter da TV Brasil – São Paulo

Ele é cearense, mas escolheu Porto Alegre (RS) para morar, pois chegou aos 12 anos ao Sul, junto com a família. José Haroldo Loureiro Gomes, de 63 anos, ou Arataca, como é mais conhecido, treina desde 1980 a equipe de atletismo da Sociedade de Ginástica de Porto Alegre (Sogipa), clube multiesportivo. Apaixonado pelo que faz, ele conversou com a Agência Brasil sobre as chances do Brasil na Olimpíada de Tóquio (Japão), adiada para o ano que vem, e sobre as descobertas de talentos no atletismo, durante as quatro décadas de atuação na Sogipa.  

O treinador recorda com carinho que foi o responsável por levar o primeiro atleta do clube à uma edição de Jogos Olímpicos. “Foi o Jorge Teixeira, do salto triplo, em Seul 1988. Depois, ele conseguiu também participar da Olimpíada de Barcelona 1992”. 

De lá para cá, a lista de atletas talentosos que passou pelas mãos do Arataca não parou de crescer. Fabrício Romero e a medalhista pan-americana Luciane Dambacher, do salto em altura, o campeão sul-americano sub-20 e sub-23 do salto em distância, Samory Uiki, e a triplista finalista do Mundial de Berlim 2009 e participante dos Jogos Olímpicos de Pequim 2008, Gisele Lima de Oliveira, são alguns deles. E também é da equipe treinada por ele uma das principais promessas do salto triplo da atualidade no Brasil, Almir Júnior. A marca de 17 metros e 15 centímetros deu ao brasileiro o bronze no Meeting de La Chaux-de-Fonds, na Suíça, em junho do ano passado, e o índice olímpico para os Jogos de Tóquio. 

Mas o técnico acredita que o garoto de 26 anos pode ir bem mais longe. “Ele é um cara que tem muita habilidade. Tem pouco treinamento na prova do salto triplo. A idade cronológica dele é de 26 anos, mas a idade de treinamento, que é a que conta, ainda é muito pequena. O Almir tem saúde para seguir saltando em alto nível até os 32, 34 anos. Ele tem condição de bater os 18 metros, quebrando as marcas do João do Pulo, que é 17m89cm, e do Jadel Gregório, 17m90cm”, aposta Arataca. 

Almir Júnior, do salto triplo, beija o técnico Arataca ,durante treino na Sogipa, em Porto Alegre.

Mato-grossense Almir Júnior foi descoberto pelo técnico Arataca que o levou pra treinar na Sogipa, em Porto Alegre (RS) – Wagner Carmo/ CBAt/Direitos reservados

O talento do atleta mato-grossense para o salto triplo foi descoberto justamente pelo treinador do clube gaúcho. Almir Júnior adotou a modalidade apenas aos 23 anos. Escolha até certo ponto tardia, porque até essa idade ele praticava outro tipo de salto, o salto em altura, prova que começou a disputar aos 14 anos em função do seu biotipo, já que tem pernas muito longas. 

O técnico Arataca levou o garoto da cidade de Peixoto de Azevedo, no interior do Mato Grosso, à capital gaúcha e mostrou os novos horizontes que o atletismo poderia oferecer ao atleta. “A mudança foi algo sensitivo. Ele chegou aqui no final de 2009, tinha sido campeão em diversas categorias de base. Chegou a saltar 2,19 m. Bom resultado em nível juvenil. Mas faltava o próximo passo. Ele treinava bastante provas de velocidade com barreiras. Depois, no final de 2016, ele participou apenas para completar a equipe na prova do salto triplo, nos Jogos Abertos do Interior de São Paulo. E ficou em segundo lugar, perdendo por apenas um centímetro para o Jean Casemiro, líder do ranking brasileiro na época. Foi aí que surgiu a ideia, era início de 2017”, recorda.

Hoje, pouco mais de três anos depois, ele já é o terceiro melhor atleta de toda história do salto triplo do Brasil. O primeiro é Jadel Gregório (17,90 m) e o segundo é João Carlos de Oliveira, o João do Pulo, (17,89 m), com a melhor marca em provas oudoor: 17,53 m, no Meeting Internacional de Guadalupe (Caribe), e 17,46 m, em provas indoor, no Meeting Internacional de Kent (Ohio-USA). 

“Em 2018, ele [Almir] foi segundo lugar no Ranking Mundial Indoor e terceiro no outdoor. No ano passado, foi terceiro no ranking mundial indoor e oitavo no outdoor. Além de ter conquistado a medalha de prata no Mundial Indoor na Inglaterra em 2018. Aquele foi o primeiro Mundial dele e tudo isso em pouco menos de um ano de salto triplo. É um cara que pode escrever outros belos capítulos nessa que é a prova que mais trouxe medalhas olímpicas para o nosso país”, acredita Arataca. 

 Vale lembrar que no salto triplo, o Brasil ganhou dois ouros com Ademar Ferreira da Silva (1952/1956), uma prata com Nelson Prudêncio (1968) e três bronzes, dois deles com João do Pulo (1976/1980) e o outro com Nelson Prudêncio (1972).

Pandemia

Apesar de vários estados brasileiros ainda estarem sofrendo muito com o novo coronavírus (covid-19), no Rio Grande do Sul, onde o número de casos foi relativamente menor se comparado ao restante do país, vários clubes já retomaram as atividades esportivas, respeitando as normas impostas pelos órgãos de saúde. E com a Sogipa não foi diferente. Mas o Almir Júnior ainda está na sua cidade natal e deve se juntar ao grupo apenas nesta quinta-feira (06). “Nós voltamos a treinar há 15 dias. Mas, diferentemente de outras modalidades do clube, nós do atletismo estamos em uma situação um pouco mais confortável. Além do Almir já estar garantido em Tóquio, as competições oficiais valendo índices, ou que contem pontos para o Ranking Mundial Olímpico, só retornarão em dezembro deste ano. Assim, estamos voltando aos poucos. Temos outros dois atletas, Samory Uiki, do salto em distância, e o Saymon Hoffmann, do lançamento do disco, com chances reais de uma vaga. Estamos reiniciando aos poucos com eles. O Almir recebeu uns dias de “destreinamento”, seguidos de férias. Está com o pai dele em Mato Grosso, mais isolado do vírus. Na quinta-feira (6), ele deve estar de volta aqui com a gente.” garantiu o treinador. .

Edição: Cláudia Soares Rodrigues

Dois brasileiros estão no top 5 de estrangeiros da Champions masculina

© Reuters/ Dominic Ebenbichler/Direitos Reservados

Líbero Serginho e levantador Bruninho representam Brasil

Publicado em 01/06/2020 – 18:55 Por Juliano Justo – Repórter da TV Brasil e da Rádio Nacional – São Paulo

O levantador Bruninho e o líbero Serginho estão entre os cinco melhores estrangeiros que atuaram na Champions League masculina de vôlei, divulgou a Confederação Europeia de Vôlei.

Atual jogador do Taubaté, Bruninho, que ficou na quinta posição, participou do torneio por dois times da Itália, Modena e Civitanova. Ele foi campeão com o segundo, em 2019. Já o líbero, recém-aposentado e que ficou em terceiro na relação, disputou cinco temporadas no Velho Continente, todas defendendo o Piacenza, também da Itália. O brasileiro foi vice-campeão europeu na temporada 2007/2008.

Contatado pela Agência Brasil, Serginho expressou sua alegria com a escolha: “Fico honrado com essa homenagem. Ainda mais depois do anúncio da minha aposentadoria, ser lembrado assim, entre os melhores do mundo, melhores da Champions, que reúne grandes atletas do voleibol mundial, é uma alegria muito grande. Ver outros brasileiros ao meu lado nesta lista também é uma satisfação. O Bruno, a cada dia confirma que é um dos melhores jogadores do mundo na atualidade, por isso faz parte desta lista também”.

O levantador também falou à Agência Brasil, destacando a qualidade do colega brasileiro: “Muito feliz e honrado por estar entre esses grandes do esporte! Mas o Serginho deveria estar no número 1! Mito. Melhor de todos”.

Completaram a lista três jogadores norte-americanos, o oposto Clayton Stanley (quarto colocado), o levantador Lloy Ball (segundo) e o ponta/oposto Matt Anderson (primeiro). A eleição dos melhores foi feita através dos votos de três técnicos: Roberto Piazza, Stelian Moculescu e Mark Lebedew.

Edição: Fábio Lisboa

Edição 2020 da Corrida de Juiz de Fora será virtual e beneficente

© Acervo pessoal

Organizador propõe desafio pela internet para corredores e ciclistas

Publicado em 18/05/2020 – 17:53 Por Juliano Justo – Repórter da TV Brasil e da Rádio Nacional – São Paulo

Em época de pandemia do novo coronavírus (covid-19), que tem inviabilizado praticamente todos os eventos esportivos ao redor do mundo, a solução dos organizadores da Corrida Rural da Represa em Juiz de Fora (na zona da mata mineira) para não cancelar a edição desse ano, que será a terceira da iniciativa, foi propor um formato online, diferente dos anos anteriores, nos quais a Represa João Penido foi o cenário da prova.

O organizador da corrida, Jaime Moura, disse à Agência Brasil que “a ideia é cada um correr ou pedalar na sua própria casa, ou onde lhe convier, porém sozinho e distante de todos os concorrentes”.

“Vale correr no quintal, na esteira, na bicicleta ergométrica e até na garagem”, afirma Jaime. Os percursos são de seis, 12 e 21 quilômetros de corrida ou 30 e 60 quilômetros de ciclismo. “Cada um dos competidores terá que comprovar a distância percorrida e o tempo através de postagens em redes sociais, ou através de fotos de cronômetros digitais”, afirma.

A inscrição apenas com medalha custa R$ 35, e com o kit completo, R$ 70. “O kit completo tem medalha, camiseta e máscara. Não temos fins lucrativos, vou distribuir todo o valor arrecado para entidades assistenciais da região. O cadastro pode ser feito pela página do evento na internet.

“Corro todo dia 10 quilômetros aqui em casa. Dá sim [para correr em casa]. É só querer. Já recebemos inscrições de vários locais. Tem gente do Ceará, da Argentina, de Portugal e até da China”, diz o organizador. As entidades que serão auxiliados com os recursos obtidos são a Sopa dos Pobres e o Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora.

Edição: Fábio Lisboa

Após cancelamento de maratona, corredor propõe “desafio solidário”

© Francisco Ferrari/Divulgação

Atleta gaúcho não se deixou desanimar e resolveu correr em live

Publicado em 30/05/2020 – 16:00 Por Juliano Justo – Repórter da TV Brasil e da Rádio Nacional – São Paulo

A pandemia da covid-19 forçou o adiamento da Maratona de Porto Alegre, que seria neste domingo (31), para novembro. Mas, pelo menos um corredor vai fazer questão de conquistar os 42.195 metros do percurso. É o professor de educação física Francisco Ferrari, de Guaíba (RS).

Para arrecadar alimentos que serão doados às comunidades mais carentes da cidade dele (localizada a aproximadamente 30 quilômetros de Porto Alegre), Ferrari vai correr em uma esteira a distância total da prova e na data original do evento – às 7h de domingo (31). “A Maratona é uma prova muito tradicional do nosso estado. Por isso achei mais legal manter o horário e a data. Mas vou correr os 42km na esteira. Tudo vai ser transmitido pelas redes sociais e a proposta é que as pessoas que estiverem me acompanhando, além de mandar aquela energia positiva, façam também doações no valor que puderem para entidades assistenciais da nossa região.”

Ferrari batizou o evento como Desafio Solidário 42 km na Esteira. “Claro que correr na esteira não é a mesma coisa que correr nas ruas. Não é o ideal para o corredor que está acostumado a locais abertos. Mas é tudo por uma boa causa.”

“É nesse momento de isolamento social, que muitas pessoas estão passando necessidades, ainda mais aqui na Região Sul do Brasil, com a chegada do Inverno, que toda ajuda é extremamente bem-vinda. As pessoas podem colaborar sem sair de casa. Os recursos arrecadados serão convertidos em alimentos, material de higiene e máscaras, que serão entregues a 22 entidades cadastradas que seguem fazendo o trabalho junto às comunidades mais carentes da região metropolitana de Porto Alegre”.

A live será transmitida na página do Instagram do personal trainer.

Interessados em realizar doações podem ser realizar depósitos na Conta do Banco de Alimentos de Guaíba:
CNPJ: 08195832/0001-12
Banco: 748 – Sicredi
Ag: 155 Conta: 97862-0
Tipo de conta: Simples

Edição: Pedro Ivo de Oliveira

Atletismo: Torneio virtual reúne elite paralímpica do Brasil

© Daniel Zappe/CPB/MPIX/Direitos Reservados

Mais de 40 corredores participarão da prova

Publicado em 29/05/2020 – 17:57 Por Juliano Justo – Repórter da TV Brasil e da Rádio Nacional – São Paulo

Um exemplo de união e superação no período de isolamento social forçado pela pandemia do novo coronavírus (covid-19) vem de Santos (SP). No próximo domingo (31), a partir das 11 horas, mais de 40 corredores brasileiros e de outros nove países participam do 1º Troféu Virtual FW Correndo Sobre Rodas, realizado para comemorar os 15 anos da equipe Fast Wheels, uma das mais vitoriosas do paradesporto nacional. As categorias serão elite (cadeiras de corrida), Handbike (bicicleta de mão) e cadeira de rodas de atividade da vida diária (AVD). Totalmente virtual, a competição será disputada pela plataforma de videoconferência Zoom com transmissão pelo perfil do Facebook da própria Fast Wheels.

Segundos os organizadores, com os atletas em locais diferentes, as cadeiras serão colocadas em esteiras adaptadas, nas quais as rodas giram sobre um rolo simulando a rodagem no solo. O evento será participativo, ou seja, sem a definição de campeões, pois não é possível aferir os sensores e rolos. A distância percorrida será de 10 km.

As duas melhores paratletas brasileiras da modalidade estão garantidas. Uma delas é a santista Vanessa Cristina, recordista brasileira na maratona (com a marca de 1h39min46s, obtida em fevereiro em Sevilha, Espanha). “A Fast Wheels é minha equipe. E fazer parte dessa história é algo especial. Estou fazendo o trabalho físico em casa. E, quando fiquei sabendo dessa prova, não perdi tempo. Já corri outras provas virtuais nesse período. A experiência é boa”, declarou a atleta da classe T54, para cadeirantes. A outra é a catarinense Aline Rocha, também da classe T54. “Estamos conseguindo fazer um excelente trabalho nessa pandemia. Mesmo estando dentro de casa estamos bem organizados. Essa prova vai ser boa para termos um parâmetro daquilo que estamos fazendo”, comentou a atleta, que esteve nos Jogos Rio 2016 em três provas.

Outro destaque brasileiro é Ariosvaldo Silva, conhecido como Parré. “Faço o trabalho de pista no CIEF [Centro Integrado de Educação Física] em Brasília. E, como lá é uma escola, está tudo fechado. Venho tentando fazer alguma coisa de esteira em casa. E um pouco de academia aqui em Planaltina [DF], onde moro. Mas está difícil. Sempre que tem alguma chance de estar se movimentando, temos que aproveitar”, disse o tetracampeão parapan-americano da classe T53.

Entre os estrangeiros, o destaque é o americano Daniel Romanchuk, campeão e recordista mundial nas prova dos 5 mil metros em pista, além de vencedor das Maratonas de Boston, Nova York , Chicago e Londres.

Edição: Fábio Lisboa

Em meio à pandemia, Fundesporte protagoniza novo conceito de corrida de rua no país

O esporte teve sua rotina totalmente afetada pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19). Com a orientação de não ocasionar aglomeração em locais públicos, todas as competições e práticas esportivas têm sido paralisadas e até canceladas durante este período, com a finalidade de frear a propagação viral e proteger a população. Diante deste desafio, a Fundação de Desporto e Lazer de Mato Grosso do Sul (Fundesporte) reinventa-se e é protagonista de um novo conceito de corrida de rua, que prioriza o distanciamento social entre os participantes. 

A primeira edição da Corrida Digital, que acontecerá de 1º a 7 de junho, no Parque dos Poderes, em Campo Grande, apresenta formato inédito no Estado e no país. A prova é uma adaptação no circuito Rota das Estações 2020, promovido pela Rede MS Integração de Rádio e Televisão, e que teve etapas suspensas devido ao surto da doença.

Basicamente, os corredores participarão sozinhos da Corrida e terão o período de uma semana para ir ao local de prova e percorrer o trajeto de cinco quilômetros no melhor tempo possível. Os participantes poderão escolher o horário de preferência, entre 6h e 20h. O tempo de cada competidor será registrado de forma automatizada por meio de um chip de cronometragem, que servirá para definir os ganhadores. Haverá largada, em frente à Secretaria de Estado de Educação (SED-MS), e a prova será supervisionada por um fiscal. 

Com o slogan “distanciamento social sem abrir mão da saúde”, o objetivo é que os amantes de corrida de rua apreciem um evento neste momento atípico e consigam superar metas pessoais. “A Fundesporte sempre procurou inovar em suas ações e neste período difícil, de incertezas, não poderia ser diferente. Acho que é o momento de fazermos a diferença no esporte em Mato Grosso do Sul e a realização da Corrida Digital é um exemplo disso. O evento será um sucesso e tenho certeza que os participantes vão aproveitar essa experiência”, evidencia o diretor-presidente da Fundesporte, Marcelo Ferreira Miranda. 

“Há cinco anos fazemos a Rota das Estações e analisamos, agora, como poderíamos atender os desportistas que sempre participam. Não poderíamos ter o ano perdido e surgiu a ideia da Corrida Digital para continuarmos oferecendo o esporte, o desafio, a medalha, mas de uma maneira nova. O Governo do Estado, por meio da Fundesporte, ajudou a tirar a ideia do papel para a realização de mais uma corrida de excelência”, afirma o diretor de marketing da Rede MS, Ulysses Serra. 

De acordo com o regulamento (clique aqui para acessar), serão premiados os três primeiros colocados, no masculino e feminino, com medalha, troféus, certificado digital e premiação em dinheiro. A Corrida Digital é destinada a atletas profissionais e amadores, com idade acima de 16 anos. O limite é de 300 inscritos. 

As inscrições podem ser feitas pelo site www.rotadasestacoes.com.br até esta quarta-feira, 27 de maio. A entrega dos kits ocorrerá nos dias 29 e 30 de maio, na sede da Rede MS (Rua Itajaí, 433, Vila Antônio Vendas), em sistema drive-thru, a fim garantir que seja individual e segura. Durante a retirada presencial dos kits, também serão realizadas inscrições (se sobrarem vagas), com as devidas medidas para evitar o contágio.

Ao se inscrever, o participante deverá optar por uma entidade assistencial, que receberá 20% da taxa de inscrição. As instituições beneficiadas serão o Asilo São João Bosco e o Projeto Criança Feliz.

Texto e fotos: Lucas Castro – Fundação de Desporto e Lazer de Mato Grosso do Sul (Fundesporte)

Fundesporte/MS

Dia do Desafio: Movimento mundial de incentivo a atividades físicas irá acontecer de forma on-line

Colégio de Curitiba irá oferecer aulas com diferentes exercícios ao vivo pelo Instagram

O Dia do Desafio é um movimento mundial que já existe há 25 anos e acontece sempre na última quarta-feira do mês de maio, com objetivo de incentivar a prática de exercícios físicos.

Coordenado mundialmente pela TAFISA – The Association For International Sport for All e, no Continente Americano, pelo Sesc São Paulo com apoio institucional da ISCA – International Sport and Culture Association e da UNESCO, consolidou-se como um dos mais importantes movimentos comunitários de combate ao sedentarismo.

Para isso, escolas, governos, empresas e entidades se organizam para, nesse dia especial, praticarem exercícios em parques, praças ou ambientes particulares, reunindo o maior número de pessoas que conseguirem. 

Porém, com as mudanças que o mundo está vivendo, marcadas pelo distanciamento social e pela restrição de circulação, em 2020 o Dia do Desafio será diferente.

Para seguir com o incentivo à prática das atividades físicas respeitando o distanciamento social, as organizações estão buscando formas digitais para envolver a comunidade e falar da importância de exercitar o corpo com regularidade. 

E para participar desse movimento mundial em prol da saúde, um colégio da cidade de Curitiba, o Santo Anjo, irá realizar cinco lives via Instagram oficial do colégio, nas quais os professores de Educação Física irão dar aulas de atividades físicas para que toda sociedade pratique junto, na segurança da sua casa. 

Na programação estão aulas de Ginástica Laboral, Dança, Exercícios Funcionais e muita diversão. Toda a sociedade está convidada para reunir a família e participar! Incentive mais pessoas, postando em suas redes sociais, marcando o @SantoAnjoColégio e usando as hashtags #DiaDoDesafio, #JuntosNoDiaDoDesafio #DiadoDesafioSantoAnjo.

Serviço:

Data: Dia 27 de Maio

Local: Instagram do Colégio Santo Anjo – https://www.instagram.com/santoanjocolegio/

Programação:

09h – Ginástica Laboral – Professores André e Marlon

10h – Hora da Diversão – Professoras Dani e Lorhanna

11h – Exercícios Funcionais – Professores André e Marlon

13h30 – Ginástica e Dança – Professoras Dani e Lorhanna

14h30 – Hora do Treino – Professores André e Marlon

Sobre o Colégio Santo Anjo

O Colégio Santo Anjo nasceu em Curitiba, no ano de 1999, do sonho de transformar o mundo por meio da educação. As unidades do colégio são planejadas, criativas, dinâmicas e percebem o aluno como indivíduo, desenvolvendo com excelência as suas habilidades. As quatro unidades do colégio estão localizadas nos bairros Campina do Siqueira, Mossunguê (Ecoville) e Bigorrilho, oferecendo Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio.

Colégio Santo Anjo

Beach Handebol brasileiro busca alternativas para se manter no topo

© Miriam Jeske/COB

Publicado em 24/05/2020 – 15:08 Por Juliano Justo – Repórter da TV Brasil – São Paulo

Cinco títulos em oito Mundiais disputados. Medalha de ouro no World Beach Games de Doha, no Catar. Três títulos no World Games, espécie de Olimpíada dos esportes que não fazem parte do programa olímpico. 

Esse é o histórico da Seleção Brasileira masculina de Beach Handebol, inegavelmente a maior potência da modalidade no mundo. Quem olha apenas os resultados pode imaginar que o esporte e os atletas passam por um bom momento. Mas a história que a Agência Brasil vai contar mostra que essa não é a realidade.

As dificuldades são muitas e começaram há bastante tempo. Em 2017, antes dos Jogos Mundiais de Praia da Polônia, as equipes masculina e feminina do Brasil quase não conseguiram ir à Europa para buscar os dois títulos. Thiago Gusmão, ex-atleta e presidente do Novo Beach Handebol Brasil (NBHb), entidade criada em agosto de 2018, lembra daquele período. “Foram momentos muito complicados. A falta de recursos para a viagem ao World Games das seleções adultas e teve também a equipe sub-17 que não conseguiu ir aos Jogos Olímpicos da Juventude. Podemos dizer que ali foi o “embrião” do Novo Beach Handebol Brasil.” Gusmão segue falando à Agência Brasil: “conseguimos custear a viagem dos adultos com recursos próprios e outras ações. Mas em relação à seleção de base, que estava treinando e, com apenas três dias de antecedência, foi avisada que não viajaria, não tivemos como contornar o problema. Esse cancelamento só a CBHb pode explicar. Assim a ida do Brasil aos Jogos Olímpicos da Juventude em 2018 na Argentina ficou inviabilizada.”

No ano seguinte, os resultados dentro da quadra de areia no Mundial da Rússia seguiram sendo muito expressivos e as dificuldades fora dela também seguiram grandes. Ouro com os homens, depois de um 2 a 0 sobre a Croácia. As meninas voltaram com a medalha de bronze no peito, conquistada depois do 2 a 1 sobre a Espanha. “Mas já estávamos calejados com os problemas do ano anterior. Por isso, quando chegou o comunicado da falta de recursos para a nossa viagem, nós já tínhamos feito uma movimentação prévia através de parceiros, patrocinadores e um pouco de recursos próprios. Como atleta vivenciei esses dois momentos que foram complicados, mas pontuais”, lembra Gusmão. Os jogadores chegaram a fazer também uma “vaquinha” para arrecadar o dinheiro necessário. Apenas para as 27 passagens foram necessários aproximadamente R$ 190 mil.

Questionado pela Agência Brasil, Ricardo Luiz de Souza, conhecido como Ricardinho, presidente da Confederação Brasileira de Handebol (CBHb) por 23 meses desde abril de 2018, depois do afastamento do ex-presidente Manoel Luiz, respondeu da seguinte forma: “A CBHb auxiliou dentro das suas limitações. Tínhamos enviado as seleções para o Pan-Americano nos Estados Unidos, quando conseguimos as vagas para o Mundial. Tanto o Pan quanto o Mundial estavam contemplados no planejamento da Confederação para 2018, mas tivemos a não renovação do contrato de patrocínio com o Banco do Brasil de mais de R$ 15 milhões entre 2016 e 2018, e ficamos apenas com os recursos da Lei Agnelo Piva (que repassa 2% do valor arrecadado com as loteriais federais ao Comitê Olimpíco Brasil (COB) e ao Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB)). Isso dificultou todas as ações planejadas para aquele período. Além de auxiliar diante dessa realidade, buscamos apoio com o COB [Comitê Olímpico do Brasil] e empresas privadas. Mas, pelo cenário à época, não conseguimos. Tínhamos também acabado de assumir a presidência da CBHb em meio a maior crise do Handebol. Porém demos toda a assistência possível naquele curtíssimo período de tempo que tivemos até o Mundial”.

Novo Beach Handebol Brasil

“Desgastados por esses problemas, refletimos sobre a necessidade de trabalharmos com mais força fora das quadras. Os atletas mais veteranos da seleção lideraram esse processo todo que culminou com a criação da NBHb em agosto de 2018. Nossa intenção sempre foi ajudar e andar em paralelo com a possível chancela da CBHb, por detectarmos que naquele período tínhamos visões diferentes da gestão da modalidade”, lembrou Thiago Gusmão. “Muita gente queria que as coisas mudassem, que o esporte tivesse mais visibilidade. Precisávamos de pessoas correndo atrás das coisas do Beach Handebol. Dentro da Confederação, o nosso esporte sempre ficou um pouco de lado digamos assim. Mesmo com muitos títulos e mantendo o primeiro lugar no ranking, com finais em todas as competições, quando era necessário algum corte, era sempre o Beach Handebol que mais sofria. A gente sabe que as categorias de quadra também tinham problemas. Mas, a gente, por estar em um esporte que não é olímpico, acabava sempre sofrendo mais”, lamenta o goleiro Pedro Budega à Agência Brasil. O carioca continua: “Dificilmente recebemos alguma coisa. A gente se vira do jeito que dá. Muitas vezes, deixamos família, trabalho, às vezes ficando até sem renda. Eu não participei do processo de criação da NBHb, mas sei que a entidade surgiu com a ideia de ter uma administração mais profissional, algo no estilo do NBB. Ainda espero que a gente possa colher esses frutos”.

Falando um pouco sobre o trabalho desenvolvido até o momento, o presidente e ex-atleta Thiago Gusmão ressalta as parcerias: “em 2018, atuamos em cojunto com Federação do Rio de Janeiro, e, no ano passado, selamos também uma parceria com a própria CBHb para a gestão compartilhada do nosso circuito brasileiro e para o Sul-Centro. Entregamos um circuito com 100% de transmissão live streaming no Facebook da NBHb e da CBHb, com recursos de parceiros da nossa entidade. Auxiliamos diretamente a organização com o caderno de encargos, identidade visual e prestação de contas após cada uma das etapas mantendo sempre a transparência firmada com os clubes”.

Para esse ano, porém, não houve um acordo entre a NBHb e a CBHb. “Após o aval dos clubes, formulamos uma nova proposta de parceria para que tivéssemos a chancela da CBHB no circuito. Mas, a Confederação nos informou que não daria a total gestão e a chancela para a gestão dessa temporada. E não foi possível manter a parceria. Para o futuro, seguimos trabalhando firme com a Federação do Rio de Janeiro para um torneio estadual e existe a possibilidade de uma competição open”.

“Ricardinho”, presidente da CBHb no período, falou o seguinte à Agência Brasil: ” fizemos uma aproximação que gerou a parceria para o circuito brasileiro do ano passado. Nesse ano, participei de uma reunião com o diretor da modalidade, Carlos Roque, e com o presidente da NBHb, Thiago Gusmão, e não chegamos a um acordo para a manutenção da parceria.”

Estreia

Em julho do ano passado, ocorreu, em Maricá no Rio de Janeiro, a primeira edição do “Sul-Centro Americano de Beach Handebol”. Foi a estreia da NBHb à frente da organização de uma competição internacional. ” Foram sete países envolvidos. Transmissão das finais pela televisão com média de 70 mil pessoas assistindo aos jogos, um recorde para o nosso esporte, e mais de 102 mil pessoas alcançadas pelo nosso canal do Facebook, entre os dias 13 e 15 de julho. Além disso, saímos campeões no masculino e no feminino”, lembra Gusmão. O atleta Pedro Budega vai na mesma linha: “Foi algo que deu super certo. Público muito bom. Mostrando que tem muita gente que gosta do esporte no Rio de Janeiro e no Brasil”. E para fechar com chave de ouro o torneio teve dobradinha brasileira. As Seleções Feminina e Masculina levantaram os títulos.

Retorno à presidência

Presidente da Confederação Brasileira (CBHb) desde o final da década de 1980, Manoel Luiz de Oliveira retornou ao cargo em abril desse ano, depois de quase dois anos afastado por acusações de irregularidades no uso de recursos em convênios públicos. Questionado pela Agência Brasil sobre a relação da entidade com o Beach Handebol, através da assessoria de imprensa da CBHb, ele respondeu: “Temos uma relação muito próxima com o Beach. Na nossa visão, nunca deixamos de apoiar o Beach. Tivemos problemas em uma competição, mas demos tudo o que pudemos, dentro da normalidade, e os resultados que temos, as conquistas que temos, são frutos justamente do que a CBHb possibilitou. Agradecemos muito a determinação e qualidade que nossas equipes têm, que nossas comissões técnicas têm e, como consequência, somos os melhores do mundo. Talvez, eles tivessem a expectativa de receber mais, mas a CBHb nunca deixou de auxiliar como pode o Beach Handebol. Estamos tendo reuniões com as comissões técnicas, com os dirigentes e com o diretor da modalidade, e tenho certeza de que vai continuar tudo muito bem”.

O goleiro Pedro Budega da equipe brasileira reconhece que o dirigente teve bons momentos, mas pede renovação para o bem do esporte: “A grande maioria do pessoal envolvido no handebol sabe da importância do que ele fez no passado. Mas todo mundo reconhece, acho que até ele mesmo sabe, que é hora de renovação. Ninguém pode ficar tanto tempo à frente de uma organização. Ainda mais quando não se vê um desenvolvimento tão grande do esporte. Na praia, talvez, o desenvolvimento seja um pouco maior. Mas, na quadra, você não vê uma liga tão forte, com repercussão. Ao contrário, você vê muita gente saindo do país para jogar”.

Mundial de 2020

O Mundial desse ano estava previsto para os dias 30 de junho e cinco de julho, em Pescara na Itália. Mas, a pandemia do novo coronavírus que tem o país europeu como um dos mais afetados, forçou a mudança dos planos.

Em março o torneio foi cancelado e não tem uma nova data prevista para ocorrer. “Sabemos que a Federação Internacional de Handebol gostaria de manter a competição para esse ano. Mas transferindo a competição da Europa para um país árabe, que tivesse condições de bancá-la, sem grandes investimentos de infraestrutura. Mas não temos certeza de nada ainda. Está tudo parado. Vamos aguardar”, disse Pedro Budega.

Comitê Olímpico do Brasil

Procurado pela Agência Brasil, o COB lembrou que não pode investir financeiramente em modalidades que não fazem parte do programa olímpico (o caso do Handebol de Areia). Mas informou que, em anos anteriores, através de recursos extraordinários, colocou aproximadamente R$ 1,3 milhão nos dois naipes da modalidade e outros R$ 300 mil para a participação do país em Jogos Sul-Americanos. O gerente executivo de alto rendimento do COB, Sebastian Pereira, disse que “em 2019, para os Jogos Sul-Americanos de Praia de Rosário na Argentina, e dos Jogos Mundiais de Praia de Doha, no Catar, o COB investiu em treinamentos preparatórios das seleções masculinas e femininas para os dois torneios. Como são competições nas quais o Comitê é responsável por organizar as delegações que representam o país, existe a possibildade de fazer esses investimentos no ano de realização dos torneios”.

Ricardinho, presidente da CBHb entre 2018 e 2019, disse Agência Brasil que “demos total apoio para as Seleções no ano passado durante os Jogos Sul-Americanos, o Sul-Centro e o World Beach Games. Lidamos com tranquilidade com essas questões, pois temos plena consciência de que buscamos equiparar o Beach Handebol com o esporte de quadra, mesmo com as dificuldades da modalidade não ser olímpica. Sabemos também que a gestão não é apenas organizar um evento, vai muito além disso”.

O goleiro Pedro Budega reconheceu a ajuda do COB: “Em 2017 e 2018, tirando o Pan-Americano de 2018, a gente praticamente não treinou. Fomos para as competições sem nenhuma fase de preparação. E, no ano passado, conseguimos treinar um pouco mais com essa verba do COB. Claro que teve a participação da Confederação para fazer o pedido da verba. E é bom registrar também que, antes de 2016, a gente tinha uma estrutura boa. Foram várias fases de treinamento, sempre com hospedagem e alimentação muito boas. Algo que não temos recebido mais da CBHb”.

Edição: Aline Leal