Conselho de secretários estaduais lança painel com números da covid-19

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Conass reúne os secretários de saúde das 27 unidades da federação

Publicado em 07/06/2020 – 20:46 Por Alex Rodrigues – Repórter da Agência Brasil – Brasília

 O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) disponibilizou hoje (7), em seu site, um painel com dados atualizados sobre o número de casos da covid-19 no país.

As informações sobre casos confirmados da doença; de mortes decorrentes de complicações causadas pelo novo coronavírus e de pacientes que se recuperaram são fornecidas pelos estados. O conselho reúne os secretários de saúde das 27 unidades da federação.

Em um texto no qual justifica a iniciativa, o conselho informa que os dados serão atualizados diariamente, até as 18 horas, e que trabalhará para aperfeiçoar o portal. O lançamento do portal ocorre em meio à decisão do Ministério da Saúde de alterar o formato de divulgação dos dados oficiais.

Antes, a pasta divulgava boletins atualizados diariamente entre 17h e 18h, durante coletivas de imprensa. Desde a última quinta-feira, os dados têm sido divulgados próximo às 22h.

O Conass afirma estar atuando pautado “pelo mais alto interesse público”, com vista à “defesa da saúde e da vida” dos brasileiros.

De acordo com o painel da covid-19 do Conass, até as 16h30 de hoje (7), o número de casos confirmados da doença já chegava a 680.456. Além disso, entre 12h30 de ontem (6) e as 16h30 de hoje, foram registradas 1.116 novas mortes, elevando para 36.151 o total de óbitos registrados desde que a circulação do novo coronavírus no Brasil foi confirmada, em meados de março.

Os dados compilados pelo conselho apontam que os estados com mais casos confirmados são, pela ordem, São Paulo (143.073); Rio de Janeiro (64.533); Ceará (63.957); Pará (54.271); Amazonas (48.785); Maranhão (47.593) e Pernambuco (39.361).

São Paulo também é a unidade federativa com o maior número de mortes pela doença: 9.145. Em seguida vem o Rio de Janeiro (6.639); Ceará (3.981); Pará (3.678); Pernambuco (3.270); Amazonas (2.232) e Maranhão (1.170).

Edição: Narjara Carvalho

FAB entrega material para combate à covid-19 no Amapá

© Marcos Poleto /FAB

Aeronave C-130 entrega 13 toneladas de material

Publicado em 07/06/2020 – 12:47 Por Agência Brasil* – Brasília

Uma aeronave C-130 da Força Aérea Brasileira (FAB) realiza hoje (07), o transporte para Macapá de cerca de 13 toneladas de medicamentos, álcool em gel, sabão líquido, suplemento alimentar vitamínico e material institucional da Cruz Vermelha. 

O C-130 Hérculos decolou do Rio de Janeiro às 9h30. 

A Força Aérea Brasileira tem atuado ativamente nas ações de enfrentamento à pandemia da covid-19. Na Operação Regresso à Pátria Amada Brasil, a FAB repatriou brasileiros e familiares que estavam na China. Em outra missão, coordenada pelo Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE) junto ao Centro de Operações Conjuntas do Ministério da Defesa (MD), duas aeronaves C-130 Hércules foram empregadas na repatriação de um grupo de 66 brasileiros que estavam no Peru. Nos últimos meses, as aeronaves da FAB têm atuado no transporte de medicamentos e equipamentos entre diversas regiões do país no enfrentamento à covid-19.

*Com informações da Força Aérea Brasileira

Edição: Narjara Carvalho

Rio lança cartilha para funcionamento de bares e restaurantes

© Tomaz Silva/Agência Brasil

Retomada das atividades está prevista para 2 de julho

Publicado em 07/06/2020 – 12:10 Por Alana Gandra – Repórter da Agência Brasil – Rio de Janeiro

A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Rio de Janeiro (Abrasel RJ) lançou cartilha com recomendações aos estabelecimentos e empresários do setor, para a retomada das atividades na capital do Rio de Janeiro, prevista para 2 de julho, quando terá início a fase 3 do Plano de Retomada da prefeitura carioca.

Entre as orientações, destaca-se a que diz respeito ao distanciamento de pessoas dentro dos estabelecimentos. A regra mais restritiva em relação à ocupação nos restaurantes determina a observância de distanciamento mínimo entre os clientes de 4 metros quadrados. O presidente da Abrasel-RJ, Pedro Hermeto, esclareceu que essa regra é para ser observada em relação à área total de ocupação do restaurante. “Por exemplo, se a gente tem uma área de 40 metros quadrados, nós só vamos poder sentar dez pessoas ali. Mas podem ser duas meses de cinco pessoas cada”.

O modelo do cardápio deve ser repensado. Se não for possível abolir o menu físico, escrevendo os itens em uma lousa, por exemplo, o estabelecimento pode preparar um modelo plastificado, que possa ser higienizado após o uso. Outra ideia é ter um cardápio digital, que o cliente pode acessar lendo um ‘QR Code’ (código de barras bidimensional) por celulares equipados com câmera.

Bares e restaurantes deverão reforçar as boas práticas na cozinha, reservando espaço para a higienização prévia dos alimentos crus, como frutas, legumes e verduras. A cartilha sugere usar produtos específicos no mercado ou uma solução de água sanitária na proporção de 10 ml para um litro de água, depois de ver no rótulo se pode ser usada para alimentos, que devem ser deixados nessa solução por dez minutos e depois enxaguados em água corrente.

Álcool em gel 70% deve ser disponibilizado para os clientes na entrada e em pontos estratégicos do estabelecimento. As comandas individuais em cartão devem ser higienizadas a cada uso. Do mesmo modo, deve ser reforçada a higienização do piso e de superfícies com detergente e sanitizantes adequados, seguindo as orientações do fabricante.

O estado do Rio tem 15 mil bares e restaurantes associados à Abrasel RJ, sendo 10 mil na capital. O setor gera 170 mil empregos diretos no estado, dos quais 110 mil são no município do Rio de Janeiro.

Convidada a participar de um grupo de estudos formado pela Secretaria de Estado de Turismo (Setur) para discutir as regras do retorno, a Abrasel RJ encaminhou a cartilha editada pela entidade com regras gerais extraídas de recomendações e orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “E ela acabou servindo, em grande parte, de modelo para as regras que foram anunciadas no dia 2 pela Setur”.

Selo de qualidade

As regras para a retomada preveem, através de uma auto-declaração, a possibilidade de as empresas que se adequarem às normas receberem um selo de qualidade.

A cartilha da Abrasel foi elaborada por um grupo de estudos integrado por epidemiologistas, cientistas e empresários do setor de bares e restaurantes. “As regras acabaram por contaminar, no bom sentido, as regras oficiais”, indicou Hermeto. Segundo ele, as normas foram validadas, inclusive, pela Secretaria de Estado de Saúde. “Agora, o que nós vamos fazer é recomendar aos estabelecimentos que cumpram as regras e possam receber o selo de qualidade”.

As informações constantes na cartilha envolvem desde a organização espacial dos estabelecimentos até a maneira de realizar os pagamentos, passando pela adequação do funcionamento e segurança das equipes e clientes. O material é gratuito e está disponível no site da Abrasel RJ.

Edição: Valéria Aguiar

Detran do Rio retomará parte dos serviços nesta semana

© Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Objetivo é elevar o número de agendamentos diários de 400 para 1,3 mil

Publicado em 07/06/2020 – 13:15 Por Vinícius Lisboa – Repórter da Agência Brasil – Rio de Janeiro

O Departamento Estadual de Trânsito do Rio de Janeiro (Detran-RJ) inciará amanhã (8) a retomada das atividades que haviam sido suspensas durante o isolamento social. Entre as atividades da primeira fase da reabertura está a entrega de documentos de primeira e segunda via de RG que haviam sido solicitados antes da pandemia e não foram entregues porque os casos não foram considerados emergenciais.

O Detran vai retomar os serviços de primeira e segunda via de identidade nas unidades do Rio Poupa Tempo em Bangu, Duque de Caxias e São João de Meriti, além da sede do órgão, no centro do Rio. O plano do departamento é elevar o número de agendamentos diários de 400 para 1,3 mil.

Já a entrega dos documentos que já estavam prontos poderá ser feita nas unidades de identificação civil de diversos municípios, nos dias 8, 9 e 10 de junho, das 10h às 16h. As unidades localizadas em shoppings continuarão fechadas mesmo para esse serviço.

O solicitante deverá confirmar se a unidade em que deu entrada no documento é uma das que retomarão o atendimento em seu município. Caso contrário, a orientação do órgão é aguardar a próxima etapa da reabertura.

Para atender ao público, as unidades estão passando por trabalhos de higienização neste fim de semana. Segundo o órgão, placas de acrílico estão instaladas para separar as baias de atendimento e dispensers de álcool em gel serão disponibilizados em todos os ambientes e áreas de atendimento.

Serão distribuídas máscaras para os funcionários e a utilização do equipamento de proteção individual é obrigatória para o público.

Edição: Valéria Aguiar

Covid-19: Prefeitura do Rio decide manter seu cronograma de reabertura

© Fernando Frazão/Agência Brasil

Decisão foi tomada hoje após reunião do comitê científico

Publicado em 07/06/2020 – 18:34 Por Vinícius Lisboa – Repórter da Agência Brasil – Rio de Janeiro

Após uma reunião de seu comitê científico realizada na manhã de hoje (7), a Prefeitura do Rio de Janeiro decidiu manter seu cronograma de reabertura econômica e não seguir as recomendações decretadas pelo governo do estado na última sexta-feira (5). O plano elaborado pelo governo do Rio prevê uma abertura mais ampla de estabelecimentos, como shoppings, pontos turísticos e restaurantes, que só serão autorizados a abrir as portas pela prefeitura em etapas posteriores de sua retomada.

O governo do estado explicou ontem que seu plano é uma recomendação a ser avaliada localmente pelos municípios, e não uma imposição. Com a decisão da prefeitura, os estabelecimentos na cidade do Rio de Janeiro devem continuar a observar o cronograma municipal. A cidade iniciou na semana passada a primeira das seis fases da retomada econômica após o isolamento social. Cada etapa tem duração prevista de 15 dias, mas o avanço no cronograma dependerá da avaliação de critérios como número de mortes, taxa de transmissão e ocupação de leitos de unidade de terapia intensiva (UTI).

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, concedeu uma entrevista coletiva ao lado de secretários na tarde de hoje. O subsecretário de saúde e integrante do comitê científico da prefeitura, Jorge Darze, disse que o decreto estadual surpreendeu as autoridades municipais.

“A decisão do governador nos surpreendeu, porque não havia nenhum estudo anterior à assinatura desse decreto que pudesse dar sustentabilidade para que esse decreto pudesse ser apresentado. Daí a nossa manifestação no sentido de continuar no projeto da prefeitura”, disse Darze.

A secretária de saúde, Beatriz Busch, defendeu o momento em que a prefeitura decidiu adotar a retomada. Segundo Beatriz, a cidade tem ocupação de 87% nos leitos de UTI, e de 51% nos de enfermaria. Além disso, há 34 pessoas em processo de transferência para ocupar parte dos 93 leitos de UTI disponíveis.

“É isso que nos dá neste momento a possibilidade de continuar esse planejamento”, disse ela, que anunciou que, a partir do dia 18, o município iniciará a retomada de consultas, exames e cirurgias eletivas.

O prefeito do Rio de Janeiro apresentou números de sepultamentos na cidade em junho, e afirmou que o número de mortes neste mês vem aumentando em um ritmo menor que em maio. Crivella disse que a cidade costuma registrar cerca de 5,5 mil sepultamentos em média, e esse número chegou a 10,2 mil em maio, com 2.122 mortes por suspeita de covid, 1.903 mortes em que a doença foi confirmada e 1.356 mortes em que a causa mortis informada foi síndrome respiratória.

Em junho, a média de sepultamentos por dia na cidade estaria em 238 por dia até ontem, ritmo que, se for mantido, fará o Rio passar de 7 mil mortes no fim do mês, com 1,5 mil a mais que a média histórica de 5,5 mil sepultamentos, mas abaixo do que foi registrado em maio.

“As recomendações que o governo do estado nos fez serão atendidas dentro da ordem cronológica e dos parâmetros que foram estabelecidos antes”, disse Crivella, que afirmou ter uma preocupação grande com a piora dos números, que levaria a retroceder o desconfinamento. “Uma abertura ampla, geral e irrestrita poderá nos levar a uma situação que não queremos ter de novo, que é aquela situação de maio, com 4,7 mil óbitos a mais”.

O município do Rio de Janeiro chegou hoje a 4.462 mortes por coronavírus, e 36.115 casos confirmados, segundo o balanço da Secretaria Estadual de Saúde divulgado no fim da tarde de hoje. O balanço traz 61 mortes a mais na cidade do Rio de Janeiro, óbitos esses que não necessariamente ocorreram de ontem para hoje, já que, em muitos casos, o resultado que confirma a covid-19 fica pronto dias depois da morte do paciente.

Além da decisão de manter seu cronograma, a prefeitura anunciou hoje que receberá amanhã (8) um carregamento com 162 respiradores que chegarão em um voo da Latam, que pousará nesta madrugada no Aeroporto Internacional Antonio Carlos Jobim. O voo também trará monitores e equipamentos de proteção individual. Parte dos novos respiradores permitirá que a prefeitura ceda equipamentos a outros municípios fluminenses, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.

Edição: Valéria Aguiar

Mais de 150 serviços públicos são digitalizados durante pandemia

© Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Governo estima economia de R$ 2,2 bi por ano com tecnologia

Publicado em 07/06/2020 – 16:18 Por Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil – Brasília

Pressionado a reduzir aglomerações durante a pandemia de coronavírus, o governo federal digitalizou 156 serviços públicos nos últimos três meses. Um total de 58 serviços em março, 45 em abril e 53 em maio passaram a ser oferecidos sem a necessidade de que o cidadão saia de casa.

O esforço elevou para 729 o número de serviços públicos digitalizados desde janeiro de 2019. Segundo a Secretaria de Governo Digital do Ministério da Economia, que coordena o processo, a digitalização resulta em economia de R$ 2,2 bilhões por ano com a redução de custos e com o aumento de eficiência dos servidores públicos.

Segundo a Estratégia de Governo Digital, documento publicado em abril, o governo federal pretende alcançar os 100% de digitalização até o fim de 2022 e economizar R$ 38 bilhões em cinco anos, de 2020 a 2025. De acordo com a secretaria, a economia decorre da eliminação do papel, da redução da burocracia, da redução de erros e de fraudes e da menor necessidade de locação de estruturas, de manutenção de logística e de contratação de pessoal para atendimento presencial.

A digitalização de alguns serviços está diretamente relacionada ao enfrentamento à covid-19. O governo transformou em digitais 46 serviços da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), muitos dos quais considerados prioritários no combate à pandemia. Com 107,2 milhões de pedidos cadastrados e 101,9 milhões de pedidos processados até a ultima sexta-feira (5), o cadastro para o auxílio emergencial representa outro exemplo de digitalização, com o processo feito inteiramente pelo celular ou pelo site auxilio.caixa.gov.br.

Otimização

Em relação aos servidores públicos, o Ministério da Economia considera a digitalização bem-sucedida por deslocar funcionários de tarefas operacionais para atividades especializadas, otimizando o trabalho. No caso do seguro-desemprego do trabalhador doméstico, digitalizado durante a pandemia, o serviço exigia 7,3 mil trabalhadores. Com o atendimento virtual, apenas 630 profissionais passaram a ser necessários, o equivalente a 8,5% do total anterior.

De acordo com a Secretaria de Governo Digital, a economia anual com o seguro-desemprego para domésticos chegará a R$ 357,9 milhões. Atualmente, o serviço é demandado por 280 mil trabalhadores por ano.

Edição: Valéria Aguiar

COVID-19 Amapá inaugura segunda ala hospitalar indígena para COVID-19 do país

A ala será destinada à pacientes indígenas com COVID-19 do estado do Amapá. O serviço contará com 5 leitos de UTI

O ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, participou nesta sexta-feira (05), da inauguração, da ala hospitalar indígena do Hospital Universitário da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP), em Macapá (AP), ao lado do governador do estado Waldez Góes, do presidente do Senado, Davi Alcolumbre e de prefeitos do estado.

Esta é primeira ala voltada para o atendimento de pacientes indígenas com COVID-19 no estado do Amapá.

O Hospital Universitário conta com 109 leitos, sendo 35 Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) com respiradores – 5 UTIs serão reservadas para pacientes indígenas.

Leia o conteúdo na íntegra em saude.gov.br

Sociedade de Imunização lança cartilha de vacinação durante pandemia

© Marcello Casal JrAgência Brasil

Lançamento será na terça-feira (9), Dia Nacional de Imunização

Publicado em 07/06/2020 – 09:38 Por Alana Gandra – Repórter da Agência Brasil – Rio de Janeiro

O Brasil é o único país do mundo a oferecer vacinação gratuita mas, apesar disso e em função da pandemia do novo coronavírus, está ocorrendo no país baixa procura por vacinas. O alerta foi dado à Agência Brasil pela pediatra Isabella Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

Aproveitando o Dia Nacional da Imunização, na próxima terça-feira (9), a SBIm, em parceria com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), vai lançar uma cartilha sobre a vacinação na pandemia, durante webinário (conferência online) voltado a profissionais da área de saúde. A cartilha digital Pandemia covid-19: o que muda na rotina das imunizações vai mostrar à população como ir a uma unidade de saúde com segurança e como os serviços de vacinação públicos e privados devem atender a população com os cuidados necessários e respeito ao distanciamento social.

Isabella Ballalai destaca a importância de manter a carteira de vacinação atualizada para prevenção de doenças. “Essa é uma das grandes preocupações da Organização Mundial da Saúde (OMS), do Unicef, da SBP e da SBIm. A gente vem trabalhando muito nisso, porque já vimos acontecer em várias situações de surto, no mundo”. Isabella destacou que no surto do vírus ebola, na África Ocidental, que surgiu em dezembro de 2013, morreu mais gente naqueles países de malária, tuberculose, difteria do que do próprio ebola.

A vice-presidente da SBIm reconheceu que a covid-19 é, sem dúvida, um problema grave que merece a atenção de todos. “Mas a gente não pode tirar a atenção de outras patologias que não deixaram de circular, outras doenças infecciosas que colocam em risco a nossa população, não só de crianças, mas também de adolescentes e adultos”, advertiu.

Segundo o Unicef, 117 milhões de crianças ficarão sem vacina de sarampo por causa do cenário de pandemia e de questões de estrutura. No Brasil, a médica afirmou que se percebe uma “queda dramática” da busca pela vacinação. Admitiu que é difícil para a população quebrar a regra do isolamento social. “É importante entender que ficar em casa deve ser, sim, a nossa conduta, mas para algumas situações essenciais é preciso sair de casa”.

Vacina na pandemia

Após o lançamento da cartilha, a SBIm vai fazer uma campanha de comunicação nas mídias sociais intitulada Vacinação em dia, mesmo na pandemia, cujo objetivo é conscientizar especialistas e o público em geral sobre a importância de não deixar de se vacinar nesse período.

As normas que serão dadas na cartilha e na campanha abrangem não só os cidadãos e o pessoal da área de saúde, como médicos e enfermeiros, mas todos os profissionais que trabalham nos postos e unidades de vacinação, desde a portaria, até o pessoal de segurança e limpeza. “A gente precisa mobilizar tanto o profissional de saúde quanto a população, porque já perdemos muito”, disse.

Isabella informou que existem 36 mil salas de vacinação no Brasil. “Dá para ir a pé, usar máscara, carregar o seu álcool gel, com os cuidados de não encostar nas superfícies sem motivo”, recomendou.

Isabella Ballalai, que também é coordenadora científica da cartilha, informou que as coberturas antes da covid-19, para poliomielite, por exemplo, estavam em torno de 80% quando o ideal é 95%. “O Brasil não está livre do retorno da poliomielite”, assegurou a pediatra. Citou também que 19 estados brasileiros já estão com circulação de sarampo, doença potencialmente grave, que pode levar à internação e à morte, da mesma forma que a febre amarela, que estava circulando na Região Sul e que apresenta letalidade muito maior que a covid-19, mas com número bem menor de casos.

Em relação à varíola, a especialista afirmou que não há possibilidade de volta da doença porque o Brasil conseguiu vacinar 100% da população. O mesmo não acontece com a poliomielite, que foi erradicada do país em 1974, porque dois países têm pólio endêmica: o Afeganistão e  o Paquistão. A situação ali é difícil e piorou muito com a covid-19 porque as equipes destinadas ao combate à poliomielite foram reduzidas para ampliar o tratamento do novo coronavírus. Isabella Ballalai advertiu que, com o fim do isolamento social, viagens voltarão a ser feitas pelo mundo e, em algum momento, a pólio pode entrar de novo no Brasil, do mesmo modo que outras infecções.

Esforços conjuntos

A pediatra disse que todas as vacinas recomendadas atualmente no calendário público do Programa Nacional de Imunização, bem como nos calendários das sociedades médicas, são consideradas fundamentais e básicas. Elas previnem em torno de 20 doenças em diferentes faixas etárias.

Destacou que as gestantes devem ter atenção especial. “Protegendo a gestante, a gente protege o recém-nascido nos seus primeiros três meses de vida, quando ele ainda não pode tomar muitas vacinas”, observou. Ressaltou também que nenhuma das vacinas é contra uma doença benigna. “Não existe vacina contra doença que não seja potencialmente grave, que possa levar à morte ou às hospitalizações. Nós, no Brasil, temos o melhor calendário público de vacinação. Somos o único país a oferecer vacinas totalmente de graça, diferentemente do que as pessoas pensam que ocorre nos Estados Unidos, onde só tem vacina de graça para quem tem o seguro saúde”.

Em relação à vacinação contra a gripe, Isabella lembrou a importância da comunicação. Segundo ela, o brasileiro entendeu que a vacina da gripe é para idoso. Na primeira fase da campanha, voltada para os idosos, a cobertura foi de mais de 100%, resultado só registrado no Brasil. Já para as crianças e, principalmente, para pessoas com doenças crônicas, que constituem, depois do idoso, o principal alvo da covid-19, as coberturas não foram as desejadas.

O conteúdo da cartilha poderá ser baixado a partir do dia 13 no endereço sbim.org.br e em selounicef.org.br.

Edição: Graça Adjuto

Governo do Rio diz que municípios devem avaliar reabertura

© Reuters/Ricardo Moraes/Direitos Reservados

Decreto serve como orientação e não imposição, disse secretário

Publicado em 07/06/2020 – 11:07 Por Vinicius Lisboa – Repórter da Agência Brasil – Rio de Janeiro

Depois de autorizar a abertura de shoppings, restaurantes e pontos turísticos em decreto publicado na noite de sexta-feira (5), o governo do Rio de Janeiro explicou que caberá aos municípios avaliar a realidade local e determinar a retomada das atividades em cada setor.

Em vídeos divulgados na noite de ontem (6), o secretário de Governo, Comunicação e Relações Institucionais, Cleiton Rodrigues, e o governador Wilson Witzel defenderam as medidas. Segundo o secretário, o decreto serve como orientação aos municípios.

“É um decreto que não deve ser encarado como imposição aos prefeitos, e sim como orientação. Cada prefeito, de acordo com a sua realidade local, deve, de forma gradual, reabrir a economia. O importante para isso é que as pessoas tenham em mente o isolamento social e o uso contínuo da máscara”.

Witzel disse que o isolamento social adotado no Rio de Janeiro desde a segunda quinzena de março salvou mais de 40 mil vidas, e afirmou que a flexibilização dele será avaliada 24 horas por dia.

“Agora é o momento de analisar o que já aprendemos para flexibilizar essas medidas de restrição à circulação”, disse o governador.

Depois do decreto do governo do estado, a prefeitura do Rio de Janeiro anunciou que discutirá sua própria flexibilização em uma reunião marcada para hoje. O prefeito Marcelo Crivella ressaltou ontem que os estabelecimentos listados pelo estado ainda não estão autorizados a abrir no município do Rio.

O prefeito deve falar sobre as medidas a flexibilização em entrevista coletiva marcada para a tarde de hoje.

O estado e o município do Rio de Janeiro ainda registram patamares elevados de casos e mortes por covid-19 todos os dias. No balanço divulgado ontem, o estado chegou a 6.639 mortos e 64.533 casos, sendo a maior parte deles no município do Rio, que soma 35.703 casos e 4.401 casos.

Edição: Graça Adjuto

Crivella diz que só reabre comércio do Rio com apoio de especialistas

© Fernando Frazão/Agência Brasil

Prefeito disse que comércio que abrir sem consentimento será autuado

Publicado em 06/06/2020 – 19:29 Por Vladimir Platonow – Repórter da Agência Brasil – Rio de Janeiro

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, disse que só vai autorizar a reabertura geral do comércio se a medida for respaldada pelo Conselho Científico do município, que reúne especialistas em saúde pública. Ele falou à imprensa neste sábado (6), para comentar os efeitos do decreto estadual do governador Wilson Witzel, publicado na noite de sexta-feira (5), recomendando a abertura quase total da economia fluminense.

O prefeito ressaltou que o comerciante da capital que decidir abrir as portas sem o consentimento do município será autuado, incluindo shoppings centers. Pelo cronograma da prefeitura, esses centros comerciais só poderiam funcionar na segunda fase de liberações, a partir do próximo dia 15. 

Porém, Crivella reconheceu que o decreto estadual acabou causando uma certa insegurança jurídica, confundindo as pessoas sobre o que pode ou não funcionar, o que poderá levar a uma mudança na postura original da prefeitura de antecipar a flexibilização do comércio.

Uma das sugestões em comum com o governo do estado, segundo Crivella, é sobre a segurança em se reabrir as igrejas, pois haveria assepsia e distanciamento entre os fiéis. Mas todas as demais questões abordadas no decreto estadual serão abordadas neste domingo (7) pelo Conselho Científico do município, que se reunirá e poderá emitir parecer favorável, ou não, a antecipar a reabertura de algumas atividades.

O decreto de Witzel permite a liberação do comércio em geral, de bares, restaurantes, lojas, shoppings, pontos turísticos e templos religiosos. Partidas de futebol também podem retornar, sem a presença de público. No caso do comércio, a exigência é que todos usem máscaras, seja disponibilizado álcool em gel e se use no máximo 50% da capacidade de lotação.

O estado do Rio de Janeiro é o segundo com o maior número de casos confirmados e de mortes por covid-19, atrás apenas de São Paulo. A capital concentra a maior parte dos casos e dos óbitos no estado.

Edição: Fernando Fraga