Brasil exportará carne bovina e miúdos para Tailândia

País asiático abriu mercado e aprovou a importação dos produtos de cinco frigoríficos brasileiros.

A Tailândia abriu seu mercado para carne bovina com osso, carne desossada e miúdos comestíveis de bovino do Brasil. Cinco estabelecimentos frigoríficos foram aprovados, pelo país asiático, a exportar. As plantas frigoríficas estão localizadas nos estados do Pará, de Rondônia, Goiás, de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

“Mais uma boa notícia para o agro brasileiro”, comemorou a ministra Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento), que na semana passada, já havia anunciado a abertura do mercado da Tailândia para os lácteos. Desde janeiro de 2019, mais de 60 mercados externos já foram abertos para os produtos agropecuários brasileiros. “Mais de 700 habilitações já foram feitas para os produtos do nosso agro brasileiro”, acrescentou a ministra.

O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Orlando Leite, ressalta que a abertura desse mercado de carne bovina e derivados tem potencial de US$ 100 milhões nos próximos anos.

O processo de negociação teve início em 2015 com intensas conversas entre o Mapa e o Departamento de Desenvolvimento da Pecuária e o Ministério da Agricultura e Cooperativas do país do sudeste asiático. Recentemente, o secretário adjunto Flavio Bettarello esteve, por duas ocasiões, naquele país com as autoridades da área agropecuária.

Em 2019, a Tailândia importou de todo o mundo cerca de US$ 90 milhões em carne bovina. A Austrália participou da metade desse valor. Austrália e Tailândia têm um acordo de livre-comércio (em conjunto com a Nova Zelândia e os demais países da Asena – grupo de países que a Tailândia faz parte) que isenta as tarifas para as exportações australianas desde o início de 2020 (50% para carne bovina em geral e 30% para miúdos de bovino).

Abertura de mercados

De janeiro de 2019 até agora, o Brasil já conquistou a abertura de mais de 60 mercados para produtos agropecuários. Entre os produtos para exportação estão castanha-de-baru para Coreia do Sul, melão para China (primeira fruta brasileira para o país asiático), gergelim para a Índia, castanha-do-Brasil ( castanha-do-Pará) para Arábia Saudita e material genético avícola para diversos países.

As exportações do agronegócio atingiram valor recorde em abril, ultrapassando pela primeira vez a barreira de US$ 10 bilhões no mês. O recorde anterior das vendas externas neste mês ocorreu em abril de 2013, quando as exportações somaram US$ 9,65 bilhões. O valor no mês passado (US$ 10,22 bilhões) foi 25% superior em comparação a abril de 2019 (US$ 8,18 bilhões).

MAPA

Exportações industriais de MS recuperam queda causada por Covid-19 e fecham em alta de 5%

Bastaram 30 dias para que a receita obtida com as exportações de produtos industrializados de Mato Grosso do Sul conseguisse reverter o resultado negativo registrado no período de janeiro a março deste ano devido à pandemia mundial do novo coronavírus (Covid-19) e voltasse a registrar aumento nas vendas externas de janeiro a abril deste ano, conforme levantamento do Radar Industrial da Fiems.

Se de janeiro a março de 2020 teve queda de 5,2% na comparação com o mesmo período de 2019, de janeiro a abril deste ano as exportações industriais do Estado registraram alta de 5%, saindo de US$ 1,116 bilhão nos primeiros quatro meses de 2019 para US$ 1,172 bilhão no mesmo período deste ano. Na comparação do mês de abril deste ano com abril de 2019, o crescimento foi ainda maior: 44,5%, aumentando de US$ 211,51 milhões para US$ 305,73 milhões.

Segundo o coordenador da Unidade de Economia, Estudos e Pesquisas da Fiems, Ezequiel Resende, esse foi o melhor resultado para o acumulado de janeiro a abril da série histórica das exportações de produtos industriais de Mato Grosso do Sul. “Quanto à participação relativa, no mês, a indústria respondeu por 53% de toda a receita de exportação de Mato Grosso do Sul, enquanto no acumulado do ano a participação está em 68%”, acrescentou.

Recuperação

O economista explica que a redução da receita de exportações de produtos industrializados de Mato Grosso do Sul registrada em março foi resultado da adoção de medidas de restrição à circulação e à concentração de pessoas adotadas pela China por conta da Covid-19, ocasionando uma forte redução do nível de atividade econômica do país asiático.

“Portanto, na medida em que as restrições foram diminuindo e a atividade começou a ser retomada, obviamente esse quadro começou a se reverter positivamente, com as vendas do Estado para a China se recuperando e voltando a crescer”, analisou o coordenador da Unidade de Economia, Estudos e Pesquisas da Fiems.

Os grupos “Celulose e Papel” e “Complexo Frigorífico” continuam sendo responsáveis por 79% da receita de exportações do setor industrial, sendo 51% para o primeiro grupo e 28% para o segundo grupo, enquanto logo em seguida vem o grupo “Óleos Vegetais” e “Extrativo Mineral”, com 10% e 4%, respectivamente.

Principais grupos

No caso do grupo “Celulose e Papel”, a receita no período avaliado alcançou US$ 600,36 milhões, uma queda de 9% em relação ao período de janeiro a abril de 2019, que foram obtidos quase que na totalidade com a venda da celulose (US$ 658,73 milhões). O principal produto desse grupo foi a celulose, que responde por 98% da receita, ou seja, US$ 588,55 milhões, tendo como destino China, com US$ 355,39 milhões, Estados Unidos, com US$ 63,23 milhões, Itália, com US$ 38,80 milhões, e Coreia do Sul, com US$ 34,28 milhões.

Já no grupo “Complexo Frigorífico” a receita conseguida de janeiro a abril foi de US$ 324,23 milhões, um aumento de 11% em relação ao mesmo período de 2019, sendo que 42% do total alcançado é oriundo das carnes desossadas congeladas de bovino, que totalizaram US$ 135,43 milhões. Os principais compradores foram Hong Kong, com US$ 53,26 milhões, China, com US$ 42,41 milhões, e Chile, com US$ 41,63 milhões.

No grupo “Óleos Vegetais”, a receita conseguida de janeiro a abril foi de US$ 118,47 milhões, um aumento de 116% em relação ao mesmo período de 2019, sendo que 63% é oriundo dos bagaços e resíduos sólidos da extração do óleo de soja, somando US$ 74,18 milhões. Os principais compradores foram a Holanda, com US$ 29,74 milhões, a Indonésia, com US$ 26,75 milhões, e a Tailândia, com US$ 19,98 milhões.

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Exportações de celulose, soja e carne de aves crescem e superávit de MS atinge US$ 979 milhões

Campo Grande (MS) – De janeiro a abril de 2020, os dados do comércio exterior de Mato Grosso do Sul apontam um superávit acumulado de US$ 979 milhões, impulsionados pelos principais produtos da pauta de exportações do Estado como a celulose, soja em grão, carne bovina e pelo bom resultado do setor de carne de aves. Os dados são da Carta de Conjuntura do Setor Externo, divulgada nesta sexta-feira (8) pela Semagro (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar). Veja o documento aqui.

O secretário Jaime Verruck, da Semagro, destaca que o bom desempenho das exportações sul-mato-grossenses tem influência positiva da variação cambial. As cotações do dólar no mês de abril em relação a março deste ano apresentaram valorização da moeda, chegando a taxa média de abril ficar em R$ 5,32, cerca de 9,05% acima da taxa média de março.

“A variação cambial tem sido o principal propulsor da venda de produtos brasileiros. Ela tem favorecido os preços em reais e proporciona uma boa lucratividade para o exportador, daí a importância desse segmento para a manutenção dos níveis de atividade econômica e de emprego, durante e principalmente no pós-pandemia”, afirma Jaime Verruck.

Com relação aos principais produtos, a Celulose segue em primeiro lugar na pauta de exportações, representando 33,99% do total exportado pelo Estado, em termos do valor, com aumento de 3,70% em relação ao volume e diminuição de 15,52%. Já a soja em grão, que registrou nova safra recorde no Estado, representa 30,29% da pauta, com queda em termos de valor de 0,36% em relação a jan-abr de 2019. Em termos de volume, houve aumento de 5,53%, sugerindo que a queda de 0,36% foi devido principalmente ao queda de preço, comparado a jan-abr de 2019.

O secretário Jaime Verruck também destaca o bom desempenho das exportações de carne de aves, que aumentaram 35,47% em relação a janeiro-abril do ano passado. “Tivemos uma recomposição no abate de aves e a reabilitação do frigorifico da BRF em Dourados. Isso possibilitou uma participação mais efetiva desse setor no mercado internacional e Dourados foi o segundo maior município exportador, atrás de Três Lagoas”, afirma o titular da Semagro. Outros produtos com desempenho crescente foram o minério de ferro, que aumentou 8,63% e o açúcar, com alta de 175,19% nas vendas externas.

A China segue como principal destino das exportações, representando 47,73% das vendas externas de Mato Grosso do Sul. Os países com maior aumento na participação foram: Coréia do Sul (215,13%) e Uruguai (45,78%). A maior queda foi registrada para os Estados Unidos, com recuo 37,03% nas exportações. “Os números reforçam a importância da China para os nossos produtos. Devido às restrições do coronavírus, houve queda nas vendas para o Chile e Argentina, mas ainda temos espaço para as nossas commodities”, diz o secretário.

Os terminais portuários de Porto Murtinho movimentaram 143 mil toneladas de janeiro a abril de 2020, 35 mil toneladas a mais em relação às 108 mil toneladas comercializadas no mesmo período do ano passado. Em termo de valores, a alta foi de 19,40%. “Esse já é um desempenho que leva em conta o início das operações de mais um porto no município. E esse crescimento ocorre mesmo com a dificuldade de calado no Rio Paraguai, devido à estiagem. As chatas estão seguindo com meia carga, mas os números já sinalizam a consolidação de uma rota logística importante, viabilizada pelo Governo do Estado”, finaliza Jaime Verruck.

Marcelo Armòa – Assessoria de Comunicação da Semagro

Conheça métodos que possibilitam integrar o segmento de comércio exterior dentro uma empresa

Por Helmuth Hofstatter

Quando se conhece os benefícios de trabalhar um setor específico de comércio exterior em uma empresa, com os profissionais e experiências adequadas para iniciar esse projeto, é também o momento de integrar esse segmento ao restante da estrutura. Isso, de certo, pode causar alguns transtornos. Uma vez que as áreas de vendas, financeiro e contabilidade podem ser afetados pelo último desses processos, que é o de logística.

Falo especialmente para aqueles que não possuem o comércio exterior como atividade principal. Embora as pessoas tenham resistência às mudanças, ainda mais causadas por terceiras, é importante estar com a mente aberta.

Os setores de empresas funcionam como uma forma de otimizar e diminuir custos, então é necessário encontrar as melhores maneiras de integrar qualquer novidade de maneira organizada, com rapidez e sem que ocorram grandes interferências.

A primeira dica para que tudo ocorra bem é demarcar o espaço e a presença do setor na empresa. Comércio Exterior pode ser subcategorizado em logística, Supply Chain ou até em suprimentos, mas precisa ter seu próprio nome e espaço. Embora pareça vaidade, é uma maneira de ajudar os colaboradores a entenderem o propósito da área e em quais assuntos é importante estar presente, afinal não é porque algo foi implementado mais tarde, que é algo desnecessário. 

Coloco dessa forma pois se algum profissional de outro departamento, como financeiro ou administrativo, se vê numa posição em que o restante dos colegas não vê importância, pode sentir falta de valorização e com isso perdem-se trabalhadores muito competentes. 

Certamente o nome pode variar de acordo com as responsabilidades que serão assumidas, como importação e exportação, compras e vendas internacionais ou Logística. Desde que o colaborador possua um ofício no momento que verem o crachá e a assinatura de e-mail, já se vê que o trabalho é levado a sério.

A partir desse primeiro passo, o segundo mais importante é determinar as responsabilidades do departamento. Primeiramente, é necessário que ele integre as funções de Comércio Exterior de toda a empresa. Para isso, é preciso encontrá-las e determinar, por exemplo, com quem ficarão a classificações fiscais, compras internacionais, transporte e produtos.

Muitas funções podem ser desempenhadas por áreas que existam antes de Comex. Mas as operações de importação e exportação dependem de prazos e burocracias e, quando esse trabalho é compartilhado por muitas pessoas, existe o risco de um ou mais departamentos terem prioridades diferentes e com isso, gerar prejuízos para o processo.

Haverá responsabilidades conjuntas e essas devem ser trabalhadas internamente, mas de certo a nova área deverá absorver serviços até então foram terceirizados, como despachantes aduaneiros ou de transportadoras. Para evitar qualquer conflito é essencial delegar essas responsabilidades com clareza.

A última dica trata exatamente de integrar os demais setores ao de Comércio Exterior, essa é a melhor maneira de reduzir os custos relacionados a Comex numa empresa.

Como responsável por essa “fusão”, lembre-se que será necessário mudar alguns preceitos e também processos, o que pode ser difícil em treinamentos e talvez gerar uma resistência ainda maior ao novo setor.

Digamos que os colaboradores do financeiro têm suas próprias regras para os fechamentos de folha. Do momento em que foi solicitado o pedido de compra, feito com urgência, até que o dinheiro conste na conta do exportador, pode levar 15 dias facilmente, e apenas então o produto será coletado para entrega.

Isso exemplifica que não basta iniciar uma área de Comércio Exterior, mas que em uma empresa todos os departamentos devem conversar entre si e chegar a acordos de forma que aa própria companhia não tenha problemas ou erros. Deve haver harmonia entre os setores. Isso envolver ceder, criar novos processos e regras e ainda mais diálogo para a equipe e, claro, conforme essa área cresce e sucede, novas integrações devem acontecer para atender as necessidades da empresa.

Sobre a LogComex

A Plataforma LogComex traz ao mercado maior transparência e automatização das operações de logística internacional, transformando a maneira como as empresas enxergam o mercado. Através de uma tecnologia desenvolvida a plataforma coleta e processa milhares de dados para gerar uma visão panorâmica, indicando previsibilidade e transparência para toda cadeia logística. São realizadas a automação e integração entre os fornecedores, garantindo transparência e eficiência. O programa tem como base as operações que ocorrem no Brasil, Argentina,Uruguai, Paraguai, EUA, a plataforma ainda é dividida em três módulos: Tracking Real Time, RPA Automação/Integração e Big Data Analitycs. Para saber mais, acesse – http://www.logcomex.com/

Sobre Helmuth Hofstatter

Empreendedor apaixonado por tecnologia e inovação, possui mais de 12 anos de experiência no segmento de logística internacional, fundador da LogComex, startup de big data, inteligência e automação para logística internacional. É especialista em gestão de produtos e nas mais diversas soluções voltadas ao universo do comércio exterior.

Por Carolina Lara

COVID-19: Correios transporta medicamentos e exames

Em continuidade ao apoio logístico à Rede Vírus, comitê do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), os Correios realizaram, neste mês de abril, o transporte de 600 kg de medicamentos a serem utilizados no tratamento do novo coronavírus. Em menos de 24 horas, os medicamentos foram levados de São Paulo até cinco hospitais no Rio de Janeiro, um em Brasília e outro em São Paulo.

A empresa também foi responsável pelo transporte de cotonetes estéreis utilizados em exame microbiológico para diagnóstico de COVID-19. Os materiais seguiram do Centro de Tecnologia de Vacinas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte, também para os sete hospitais já citados. Durante 10 dias ininterruptos, as amostras dos exames de 500 pacientes retornarão até o Centro de Tecnologia de Vacinas, para determinação da carga viral.

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A logística realizada pelos Correios cumpre altos requisitos de segurança e agilidade, para que o material seja entregue em perfeito estado de conservação e com risco zero de contaminação, tanto de pessoas quanto do ambiente por onde as amostras transitam.

Assessoria de Imprensa da CAIXA

Com revisão para cima da safra de soja, Brasil mantém exportações aquecidas

Atenções da safra voltam-se ao consumo da oleaginosa; embarques são estimados em 76 milhões de toneladas

Com a colheita brasileira de soja no ciclo 2019/20 na reta final, a INTL FCStone projeta aumento da produtividade nacional para 3,28 toneladas por hectare, motivada por revisões em Goiás, Piauí e Tocantins. Em sua estimativa de maio, a produção apresentou variação positiva de 0,4% frente ao número de abril, agora em 120,6 milhões de toneladas.

“Com exceção da quebra de safra no Rio Grande do Sul, a safra foi excelente em todo o Brasil, com vários estados alcançando produtividade e produção recordes”, divulgou, em relatório. A partir de agora, as atenções voltam-se ao consumo, em meio aos potenciais impactos da pandemia de Coronavírus.

A INTL FCStone revisou o balaço de oferta e demanda da oleaginosa de anos anteriores, para alinhar com a realidade observada, com exportações muito aquecidas nos últimos anos.

Diante desse cenário e do levantamento de informações junto a players do mercado, a produção de soja das safras 2017/18 e 2018/19 foi ajustada, assim como variáveis de consumo, chegando-se a um balanço de oferta e demanda mais próximo da realidade observada e que abriu espaço para uma estimativa de exportações em 76 milhões de toneladas em 2020, contra 74,07 milhões de toneladas no ciclo anterior.

Ação Estratégica

Entenda quais são as principais barreiras da exportação no Brasil por conta da COVID-19

Por Helmuth Hofstatter

Em 2019, uma pesquisa da empresa de consultoria Deloitte indicou que 71% dos empresários tinham boas expectativas para o ano de 2020. Em contrapartida, economistas afirmaram que era possível uma desaceleração econômica. Com a chegada do coronavírus, foi gerado um grande desequilíbrio na cadeia de suprimentos da China, e de seus principais parceiros no mundo e de certo, isso acarretou numa queda de expectativas trazendo diversos impactos para a economia mundial.

Além das barreiras que os brasileiros já enfrentam na importação e exportação de bens e serviços, com a situação que estamos vivendo, pessoas que trabalham e dependem do comércio exterior podem ter novos empecilhos no caminho. Aqui, quero expor algumas das razões pelas quais o ano de 2020 pode ter alguns contratempos no setor.

Uma dessas razões é a alta do dólar. Embora haja um senso comum a respeito do dólar mais alto no setor de exportação ser algo positivo, a verdade é que o volume das exportações reduz quando o dólar sobe. Ao analisar com mais cautela, é possível observar que muitas empresas dependem da importação de peças ou insumos para concluir a produção de determinados produtos e, com o dólar alto isso gera também aumento de custos para o consumidor final.

É importante citar também que com o dólar a um valor elevado, tanto as importações quanto as exportações são prejudicadas. Muitos profissionais da área de economia especulam que a moeda não deve voltar à casa dos R$ 4,00 tão cedo, trazendo preocupação para o segmento de comércio exterior.

O nível de confiabilidade do exterior nos principais países da américa do sul atualmente é de aproximadamente 56%, porém quando é analisado o nível desconfiança, esse número dispara para 85%, segunda a mesma pesquisa citada mais cedo. Perceba que quanto menor a confiança, menor é o investimento. A consequência disso é menos infraestrutura, produção e qualidade, menos exportação e, então, menos empregos e renda.

Essa questão influencia também as formas de pagamento das negociações, pois muitas empresas do exterior aceitam apenas pagamentos de frete e taxas adiantados por conta da grande desconfiança no Brasil. A missão de importadores, exportadores, players do comércio exterior e principalmente do governo é reverter essa situação e mostrar que o Brasil pode ser um grande parceiro de outros países.

Algo que acontece em paralelo as adversidades que o nosso país enfrenta é a relação entre Estados Unidos e China. Com a guerra comercial estabelecida entre os países, apesar de Brasil e EUA possuírem muitos produtos semelhantes, a China constantemente opta por importar insumos do Brasil ao invés dos EUA. Visando uma relação comercial mais saudável, pode ocorrer um acordo entre Xi Jinping e Donald Trump, e então a China passe a optar por comprar produtos americanos. Por enquanto não passa de especulação, mas se acontecer, isso pode significar uma queda na balança comercial brasileira.

Uma barreira que sempre esteve na área é a dificuldade em encontrar mão de obra qualificada para se relacionar com parceiros no exterior. O grande empecilho é o idioma e encontrar funcionários que possuam inglês e até mesmo outros idiomas para negociar internacionalmente. Além disso, as empresas buscam colaboradores que sejam capazes de tomar decisões assertivas, solucionar problemas com agilidade e se preocupar intensamente com a qualidade do serviço prestado ao cliente.

Embora a quarentena na China esteja chegando ao fim, muitas indústrias brasileiras foram afetadas pela falta de material, linhas de produção pararam por falta de insumos importados do país. Por esse motivo é essencial que o Brasil busque diversificação de mercado para suprir sua demanda para produção, e reduzir riscos na dependência por determinado país.

O desafio dos internacionalistas é desenvolver parcerias e fornecedores com outros países que possam suprir essa necessidade do mercado brasileiro.

Sobre a LogComex

A Plataforma LogComex traz ao mercado maior transparência e automatização das operações de logística internacional, transformando a maneira como as empresas enxergam o mercado. Através de uma tecnologia desenvolvida a plataforma coleta e processa milhares de dados para gerar uma visão panorâmica, indicando previsibilidade e transparência para toda cadeia logística. São realizadas a automação e integração entre os fornecedores, garantindo transparência e eficiência. O programa tem como base as operações que ocorrem no Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, EUA, a plataforma ainda é dividida em três módulos: Tracking Real Time, RPA Automação/Integração e Big Data Analitycs. Para saber mais, acesse – http://www.logcomex.com/

Sobre Helmuth Hofstatter

Empreendedor apaixonado por tecnologia e inovação, possui mais de 12 anos de experiência no segmento de logística internacional, fundador da LogComex, startup de big data, inteligência e automação para logística internacional. É especialista em gestão de produtos e nas mais diversas soluções voltadas ao universo do comércio exterior.

Por Carolina Lara

Mesmo com crise, Petrobras bate recorde e exporta 1 milhão de barris

© Arquivo Agência Brasil

Vendas chegaram a 30,4 milhões de barris em abril

Publicado em 04/05/2020 – 10:22 Por Akemi Nitahara – Repórter da Agência Brasil – Rio de Janeiro

A Petrobras anunciou hoje (4) que a exportação de petróleo chegou a 30,4 milhões de barris em abril, ou 1 milhão de barris por dia vendidos ao mercado internacional. A marca recorde ocorre em meio a uma crise mundial que diminuiu a demanda global por petróleo, por causa da pandemia do novo coronavírus que levou a severas restrições de circulação de pessoas em diversos países.

Segundo a companhia, o volume exportado no mês foi 145% maior do que em abril do ano passado e contribuiu para reforçar o caixa. O recorde anterior de exportação da Petrobras foi de 771 mil barris por dia, alcançado em dezembro passado. A estatal informou que está direcionando os esforços para exportar a sua produção, após atender à demanda interna.

De acordo com a diretora de Refino e Gás Natural da Petrobras, Anelise Lara, a nova especificação mundial para combustíveis marítimos, chamada de IMO 2020, beneficiou a empresa, já que reduziu de 3,5% para 0,5% o limite de teor de enxofre no óleo combustível.

“Estamos atentos aos movimentos internacionais e acessando todos os mercados. Nosso petróleo, de baixo teor de enxofre, mantém sua valorização no mercado internacional em função das especificações do IMO 2020”, disse. Ela destacou que a China é o principal destino do petróleo brasileiro, sendo responsável pela compra de 60% do óleo exportado pela Petrobras nos quatro primeiros meses do ano.

A Petrobras informou ainda que as vendas de petróleo ao exterior no primeiro trimestre deste ano cresceram 25% na comparação com o último trimestre de 2019. Além da China, a empresa também comercializa óleo para outros países asiáticos, além dos Estados Unidos, da Europa e Índia.

Edição: Graça Adjuto

Porto do Rio terá operações noturnas em um dos principais acessos

Atracação de navios no Caís do Porto do Rio de Janeiro, guindaste, container.

© Tânia Rêgo/Agência Brasil

Economia

Ideia é que iniciativa comece no segundo semetre

Publicado em 27/04/2020 – 18:02 Por Alana Gandra – Repórter da Agência Brasil – Rio de Janeiro

O principal acesso aquaviário ao Porto do Rio de Janeiro, o Canal de Cotunduba, que recebe navios de grande porte, passará, ainda este ano, a funcionar 24 horas por dia. Atualmente, nesse canal são feitas somente operações diurnas. Para que ele comece a operar também à noite, estão sendo feitas manobras noturnas de entrada e saída de navios conteineiros. O Canal de Cotunduba está situado entre a ilha do mesmo nome e o Morro da Urca. A ideia é que já no segundo semestre deste ano o Canal de Cotunduba esteja com operações noturnas.

De acordo com o coordenador do grupo de trabalho Melhorias da Acessibilidade Aquaviária do Porto do Rio de Janeiro, da Companhia Docas do estado (CDRJ), Marcelo Villas-Bôas, a principal vantagem de funcionar à noite é a redução de custos para os armadores e donos de carga. Esse custo de navegação é calculado por hora. Um navio conteineiro tem custo da ordem de US$ 30 mil por dia.

Villas-Bôas destacou que se um navio conteineiro entra no porto para fazer operação de carga e descarga e conclui essa operação à noite, ele é obrigado a esperar, em média, entre oito e 12 horas para poder “suspender”, isto é, levantar âncora. “Isso prejudica o porto, que tem o cais imobilizado, sem atividade. O porto perde com isso, a cidade perde com isso, porque é receita, e reduz a atratividade do Rio de Janeiro como porto de carga”, disse à Agência Brasil.

Para o porto, há um ganho adicional à maior rotatividade, que é poder operar com navios que vão poder sair à noite, com capacidade de carga maior. Ou seja, o porto fica mais competitivo e reduz o custo Brasil.

Balizamento

A preparação do canal para operar à noite exigiu a colocação de um sistema de balizamento ou sinalização náutica moderna. O canal já tinha três boias, às quais se somaram outras três para aumentar a segurança, e foi incluído ainda um sistema denominado AIS AtoN (sistema de identificação automática), que promove maior precisão na delimitação do canal, a fim de reduzir o risco de acidentes. “Melhora a visualização das boias (para os navios), além de ter capacidade de transmitir dados para os navegantes, como previsões meteorológicas, boias que estão apagadas. Vai aumentar muito a segurança da navegação noturna, disse Villas-Bôas.

Em paralelo, o Porto do Rio busca viabilizar a meta de trazer navios maiores, que são navios do porte dos que atravessam o Canal do Panamá, por exemplo, aos quais o mundo já se adequou. O coordenador do grupo de trabalho lembrou que a Ásia e os Estados Unidos já operam, inclusive, nas docas nobres, com navios de 400 metros de comprimento.

“A gente está buscando os de 366 metros, que são navios grandes que a gente tem que trabalhar com um calado alto para poder ser vantajoso economicamente”. Atualmente, os maiores navios que entram no Porto do Rio tem, no máximo, 285 metros de comprimento

Serão feitas também simulações de manobras na Universidade de São Paulo (USP), na primeira semana de junho, para ver como esses navios se comportam no Rio de Janeiro, se o Canal de Cotunduba tem locais de atracação, berço, ou seja, se tem capacidade para aguentar um navio desse porte. “Isso tudo está sendo estudado”. Essas simulações permitirão saber a possibilidade de passar de navios de 285 metros para 366 metros.

Barcos pesqueiros

A Marinha do Brasil tem feito um trabalho de conscientização da comunidade pesqueira e dos clubes de náutica da Baía, alertando que o canal passará a ter operações noturnas. Isso porque o local fica cheio de barcos pesqueiros à noite. “Isso prejudica a segurança da navegação”.

Para isso, lanchas alertarão os pescadores. “As lanchas passam pelo canal, fazendo a varredura”. O canal foi dividido em áreas ou setores de responsabilidade ou atuação. Quando o navio vai entrando, as lanchas fazem a sua escolta, de modo a assegurar que a navegação vai ser segura e sem riscos para o navio.

Edição: Denise Griesinger

Covid-19: queda nas exportações e importações da China diminui

Atracação de navios no Caís do Porto do Rio de Janeiro, guindaste, container.

© Tânia Rêgo/Agência Brasil

Internacional

Pandemia fecha muitas economias e freia recuperação no curto prazo

Publicado em 14/04/2020 – 08:45 Por Gabriel Crossley, Stella Qiu e Lusha Zhang – da agência Reuters – Pequim

Reuters

A queda nas exportações e importações da China perdeu força em março conforme as fábricas retomaram a produção, mas os embarques devem encolher com força nos próximos meses já que a crise do coronavírus fecha muitas economias e freia uma recuperação no curto prazo.

Os mercados financeiros respiraram aliviados depois que dados da alfândega mostraram nesta terça-feira (14) que as exportações caíram 6,6% em março sobre o ano anterior, melhorando ante a queda de 17,2% em janeiro-fevereiro, com os exportadores correndo para liberar os pedidos em atraso após paralisações forçadas da produção. Economistas projetavam queda de 14% dos embarques em março.

Ainda assim, analistas dizem que o cenário para as exportações e o crescimento em geral da segunda maior economia do mundo permanece fraco já que a pandemia paralisou a atividade empresarial em todo o mundo.

“Os dados acima do esperado do comércio em março não significam que o futuro é tranquilo”, disse Zhang Yi, economista-chefe do Zhonghai Shengrong Capital Management.

Zhang espera que os dados do Produto Interno Bruto (PIB) chinês do primeiro trimestre – a serem divulgados na sexta-feira – mostrem contração de 8%, primeira queda trimestral desde ao menos 1992.

Importações recuam

As informações indicaram ainda que as importações recuaram 0,9% sobre o ano anterior, também melhor do que a expectativa de queda de 9,5%, o que a alfândega atribuiu à melhora da demanda doméstica. As importações haviam caído 4% nos dois primeiros meses do ano.

O cenário melhor das importações reflete em parte os embarques que estavam presos nos portos e foram liberados, além da demanda conforme as autoridades aliviaram as restrições.

Entretanto, o consumo doméstico ficou longe de mostrar-se robusto com importações importantes, como de minério de ferro, caindo em março, o que destaca os apertos econômicos externos.

O superávit comercial da China no mês passado ficou em 19,9 bilhões de dólares, contra expectativa de superávit de 18,55 bilhões na pesquisa e déficit de 7,096 bilhões de dólares em janeiro-fevereiro.