Ex-capitã diz que a geração atual do futebol feminino é melhor

Mesmo depois de pendurar as chuteiras, Aline Pellegrino não deixou o futebol.
© Lucas Figueiredo/CBF

Aline Pellegrino destaca importância da base para futebol feminino

Publicado em 26/02/2020 – 09:00 Por Lincoln Chaves – Repórter da TV Brasil e da Rádio Nacional. – São Paulo

A bola corre no gramado do Sesc Interlagos, zona sul de São Paulo. Temperatura acima dos 30 graus. Vinte e duas meninas em campo e outras tantas ao redor — mais de 30 — esperando. Uma espectadora de luxo, no alto de seu 1,80m, admira a partida de futebol feminino com um sorriso de orelha a orelha.

“Quando que a gente teria cinco equipes de campo, com mulheres, ocupando um gramado onde, por anos, só homens jogaram? De campo, não de salão!”

Aline Pellegrino tem motivos de sobra para apreciar a vista proporcionada por jovens de coletivos e comunidades da capital paulista que participavam de um festival de futebol feminino do programa Sesc Verão. Nunca a modalidade que vivencia há mais de 20 anos esteve tão em evidência.

E olha que ela passou por muita coisa. Começou a jogar aos 15 anos, em 1997, pelo São Paulo, com jogadoras que tinham idade para ser sua mãe. Foi capitã em parte da década que defendeu a seleção brasileira, entre 2004 e 2013. Usou a braçadeira, inclusive, em um dos grandes momentos da geração que também apresentou Marta, Cristiane e Formiga: o vice-campeonato mundial em 2007, na China. Fez parte, também, da equipe medalhista olímpica de prata em Atenas, na Grécia — ah, aquele toque de mão da zagueira norte-americana na prorrogação, que a arbitragem nada marcou…

Pendurar as chuteiras em 2013 não significou à Aline ficar longe do esporte. Formou-se em Educação Física, foi técnica (por seis meses, dirigiu o Vitória das Tabocas logo após se aposentar dos gramados), supervisora da parceria entre Corinthians e Audax no feminino. Há quatro anos, assumiu a direção da modalidade na Federação Paulista de Futebol (FPF), onde tem como uma das bandeiras o trabalho com novas gerações — para 2020, por exemplo, prevê a criação de um Estadual sub-15.

Antes das pelejas, Pellê bateu papo e distribuiu atenção e carinho às meninas, muitas emocionadas — para algumas, foi a primeira vez — de estar tão perto de uma das vozes mais ativas do futebol feminino do Brasil. E entre uma jogada e outra do festival, Aline conversou com a reportagem da Agência Brasil.

Em quase 25 minutos de entrevista, a ex-zagueira falou sobre os desafios históricos do futbol feminino e o avanço dos últimos anos. Cravou, “sem medo de errar”, que a nova safra é melhor que a dela — e olha que estamos falando de Marta, Cristiane e companhia. Revelou a tentativa para que, pelo menos nos jogos entre as mulheres, a medida de torcida única nos clássicos paulistas, tomada pelo Ministério Público em 2016, seja repensada.

Confira os principais trechos da entrevista:

Agência Brasil – Deu para ver a emoção dessas meninas de poder tirar uma foto contigo, dar um abraço, e a sua empolgação de estar e falar com elas. Quando você começou, talvez não tivesse uma referência, alguém para se espelhar. Hoje, elas têm você, Marta, Cristiane, Tamires, Andressinha…

Aline Pellegrino – Elas saem daqui felizes e eu saio ainda mais forte, aprendendo sempre. Principalmente podendo falar para elas o que, às vezes, as pessoas não falam: vocês estão fazendo a diferença. Vocês estão aqui, lutaram tanto quanto eu para estarem nesse espaço. Fico muito feliz, é muito rico, aumenta a responsabilidade. Acho que, cada vez mais, a gente vai ter muitas mulheres ocupando esses espaços, sendo exemplo, deixando essa porta aberta e trazendo mais mulheres para dentro.

Agência Brasil – De fato, se a gente resgata a história do futebol feminino brasileiro, lembra que as mulheres foram impedidas de jogar por mais de 40 anos (decreto-lei 3.199 de 14 de abril de 1941, vigente até 1983). Hoje, até há mais técnicas, como a Tatiele Silveira (Ferroviária) ou a Patrícia Gusmão (Grêmio), e dirigentes, como você, a Cris Gambaré (Corinthians) e a Many Gleize (Vitória). Mas, o ambiente da própria modalidade, fora de campo, ainda é dominado por homens. O quanto essa proibição de quase meio século impacta nisso?

Pellegrino – Acho que não dá para falar de futebol de mulheres no Brasil e desenvolvimento da categoria sem falar dessa proibição. Ela trouxe um atraso muito grande no desenvolvimento dessas mulheres em todas as áreas. Se você não podia ser atleta, estar no campo, por que iria querer ser árbitra? Ser técnica? Preparadora física? Quando me perguntam o porquê de poucas mulheres no futebol, eu respondo: a gente nunca foi estimulada, não era representada para isso. Agora, é um novo momento. E talvez, no mesmo peso, exista um atraso na parte cultural. Muito de a gente demorar para se desenvolver e até hoje ter essa dificuldade é porque foi falado para a sociedade que aquilo (futebol) não era para mulher. Então, quem quer investir na mulher jogando? Quem quer transmitir a mulher jogando? Foram prejuízos tanto dentro como fora de campo. Um atraso muito grande para se desconstruir em pouco tempo. Mas, acho que daqui para frente, é lembrar que teve luta, que houve mulheres que sofreram muito mais que a minha geração, porque jogaram em um momento de proibição e sofreram mais preconceito, e que a gente só chegou aonde chegou por conta delas.

Agência Brasil – O futebol feminino brasileiro, hoje, começa a olhar mais para a necessidade de categorias de base. Uma realidade diferente daquela que a sua geração teve no fim dos anos 90, não é?

Pellegrino – Eu falo com muita tranquilidade, sem medo nenhum, que essa geração atual é melhor que a nossa. Tecnicamente, taticamente, em entendimento de jogo… A nossa tinha outras características. Lutar, encarar (os jogos) realmente como um prato de comida, porque você não sabia se no outro ano teria campeonato, teria time, se teria salário para as que já recebiam na época. Trabalho de formação? A gente não tinha isso. Eu nunca joguei com meninas da minha idade. Joguei com meninos, muito nova, e depois, já adolescente, com mulheres adultas de 25, 30, 40, 45 anos. Marta, Maurine, Cristiane, Bagé, Renata Diniz, Renata Costa, Bárbara… São meninas que têm uma carreira, mas sofreram por falta desse desenvolvimento técnico, dessa construção. Há etapas, né? Do mesmo jeito que vamos construindo nossa parte cognitiva, a formação do atleta também funciona assim. Há coisas importantes para acontecer dos oito aos 12 anos, dos 12 aos 14, e a gente acabou atropelando. O quanto isso não fez falta, talvez, na hora de disputar uma Olimpíada, uma Copa do Mundo, e faltou um pouquinho (para o título). Esse ano (em São Paulo), muito provavelmente, devemos ter um festival sub-12; um festival sub-14, que já vem acontecendo; um campeonato estadual oficial sub-15; um Estadual sub-17 que está indo para o quarto ano… Isto, daqui uns três, quatro anos, dá margem para termos um (Estadual) sub-20. Aí, a gente consegue começar a olhar para o que acontece no futebol masculino há uma vida. Naturalmente, elas vão aproveitar melhor (o novo momento), terão treinos melhores, vão trabalhar essa parte tática do jogo, e veremos esses frutos nas seleções sub-17 e sub-20, que têm equipes muito talentosas.

Agência Brasil – Esse ano, o Corinthians anunciou a profissionalização de seu time feminino. As meninas, portanto, passaram a ter a carteira assinada, como já acontecia em times como Santos e São Paulo. É consequência desse novo momento?

Pellegrino  A gente vê que as coisas estão caminhando. Óbvio, para mim faz muita diferença você jogar 16 anos, parar, ir para o mercado e as pessoas acharem que você não fez nada. Isso (profissionalização) é muito importante para essa nova geração. Já acontece há algum tempo, mas, claro, não em todas as equipes. Mas, acho que o que a gente tem de brigar muito, seja em competição ou clube, é que a atividade seja mais profissional. Que se respeite a atleta, dê estrutura, condição. Pode não ter condição de assinar a carteira no momento, mas (proporcionar) todo o resto. Ela (jogadora) precisa receber de alguma forma e isso precisa ser registrado. Ela precisa de um plano de saúde… A gente, nesse momento, tem que brigar para que todos consigam ter isso no dia a dia. Aí, naturalmente, o caminho dos clubes é a profissionalização. Mas, não me sinto confortável de achar que dá para (a modalidade) caminhar sozinha. Todos têm que estar atentos. As atletas têm de entender, também, o papel delas nesse momento, ter muito profissionalismo, mostrar o melhor que as mulheres têm. E que jogam muito.

Agência Brasil – A determinação da CBF, a partir do ano passado, para os times da Série A do Campeonato Brasileiro masculino terem elencos femininos trouxe mais clubes tradicionais para a modalidade. Historicamente, o futebol feminino do país tem, como protagonistas, equipes consideradas de menor expressão nacional, como Ferroviária, Iranduba, Kindermann ou São José, tricampeão da Libertadores. Considerando o peso dessas “novas” camisas nos campeonatos e a capacidade de investimento delas, esse protagonismo tende a mudar?

Pellegrino – Se a gente for fazer um paralelo com o futebol masculino, vai falar que é uma tendência que aconteça, mas, acho que o futebol feminino é diferente. Se olharmos para (o Estado de) São Paulo, quem mais se destaca são as equipes do interior, ditas menores. São essas equipes que fomentaram o futebol feminino. Elas não podem acabar. Têm características diferentes, parceria com prefeituras, então têm um investimento menor. Mas, eu acho que ainda estamos longe de correr o risco de elas saírem completamente do certame. Acho que, naturalmente, conforme estamos crescendo, amanhã ou depois, é um sonho ter uma primeira e uma segunda divisão (no Paulista Feminino), então acho que vai ter espaço para todo mundo se encaixar, continuar existindo e fazer o que faz bem.

Agência Brasil – No bate-papo com as meninas, você comentou sobre a intenção de buscar o fim da torcida única nos clássicos paulistas, ao menos, para os jogos do feminino. Citou como exemplo a postura da torcida do Corinthians na final do último Campeonato Paulista feminino diante do São Paulo, aplaudindo o rival na hora da premiação, tirando foto com a Cristiane (que defendia o Tricolor)…

Pellegrino – A premissa de olhar para o futebol como futebol, não “homem” ou “mulher”, é boa. Mas, acho que interfere no nosso processo de desenvolvimento, de ter a torcida. A gente está começando a trazer esse público para o estádio. É um público diferente (o do futebol feminino), então me parece que dá para essa medida do Ministério Público não valer também para o feminino. Mas, isso é bem complicado. É uma questão jurídica complicada. Para conseguir qualquer alteração, gasta-se muito tempo. É preciso entender como fazer, mas, é algo que a gente, enquanto Federação, está atento. Acho que a final do Paulista mostrou muito isso. Tinham quase 30 mil pessoas. Não era uma torcida que fica os 90 minutos xingando técnico, é outra pegada. Agora, eu, principalmente, preciso trabalhar muito nisso, buscar o sentimento, aquilo que realmente aconteceu ali (na final do Paulista), materializar isso e ver quais as estratégias para mostrar ao MP que ali cabe… Torcida.

Edição: Verônica Dalcanal

Atacante Millene retorna ao Corinthians

Atacante Millene retorna ao Corinthians
© Bruno Teixeira / Agência Corinthians/Divulgação

jogadora foi artilheira do último Brasileiro Feminino

Publicado em 21/02/2020 – 19:10 Por Lincoln Chaves – Repórter da Agência Brasil – Rio de Janeiro

Eleita a melhor jogadora do último Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino, do qual foi artilheira com 19 gols, Millene está de volta ao Corinthians. A atacante, que balançou as redes 34 vezes em 75 jogos pelo Timão nas duas últimas temporadas, teve o retorno anunciado nesta sexta-feira (21).

A jogadora de 25 anos chega por empréstimo, até o meio do ano, do Wuhan Xinjiyuan, da China – clube que cedeu a também atacante Bia Zaneratto ao Palmeiras, pelo mesmo período. O vínculo pode, eventualmente, ser estendido. Ela se apresenta na próxima semana para iniciar as avaliações físicas e médicas e começar a treinar com o elenco.

O Campeonato Chinês está sem previsão de retorno por causa do surto de coronavírus, com epicentro exatamente na cidade de Wuhan. Com isso, a equipe liberou suas atletas para buscarem novas equipes até a volta das atividades. Millene passou duas semanas de quarentena em um hospital de Lisboa, em Portugal. Os exames não encontraram nenhum indício de contaminação. Durante a quarentena, a atacante postou vídeos treinando. 

Embora mantivesse em sigilo a negociação, o Timão nutria esperanças de repatriar a atacante. Quando divulgou a numeração oficial do time feminino para 2020, a camisa 14 – que costumava ser a de Millene – estava sem dona. Pelo Alvinegro, a jogadora foi campeã nacional (2018), Paulista e da Libertadores (ambos em 2019).

“É muita alegria. Uma sensação indescritível tornar a vestir esse manto alvinegro. Fui muito feliz no Corinthians: conquistei títulos, marquei história com recordes coletivos e individuais. Volto à minha casa para rever a torcida mais apaixonada e Fiel que existe”, disse a atacante em depoimento ao site oficial do clube paulista.

Millene é o quarto reforço do Corinthians para a temporada. Além dela, o Timão acertou com a lateral Poliana e as meias Gabi Portilho e Andressinha. Com 100% de aproveitamento após três rodadas, as alvinegras dividem a liderança do Brasileirão com Santos e Ferroviária, ficando atrás dos rivais no saldo de gols.

Edição: Fábio Massalli

Sereias retomam ponta do Brasileiro com público maior que masculino

Sereias da Vila venceram Cruzeiro por 2 a 0
© Pedro Ernesto Guerra Azevedo/ Santos FC/ Direitos Reservado

Time feminino do Santos leva quase 8 mil à Vila Belmiro

Publicado em 18/02/2020 – 15:33 Por Lincoln Chaves – Repórter da TV Brasil e da Rádio Nacional. – São Paulo

O Santos recuperou a ponta da Série A-1 do Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino ao vencer o Cruzeiro por 2 a 0 na Vila Belmiro, em Santos (SP). Segundo o Peixe, cerca de 7,7 mil torcedores acompanharam a partida desta segunda-feira (17), válida pela terceira rodada da competição. O público supera a média registrada pelo time masculino santista no Campeonato Paulista (7,1 mil) após três partidas como mandante.

Sereias da Vila venceram Cruzeiro por 2 a 0

De acordo com o Santos, 7,7 mil torcedores acompanharam a partida contra o Cruzeiro. – Pedro Ernesto Guerra Azevedo/ Santos FC/ Direitos Reservados

O jogo diante das cruzeirenses teve entrada gratuita, ao contrário dos compromissos da equipe masculina. Mas, para o técnico santista, Guilherme Giudice, a evolução do futebol feminino no país e a identificação da torcida alvinegra com o elenco foram os atrativos que levaram o público ao estádio.

“As comissões técnicas se preparando melhor, entendendo melhor o jogo. Temos um campeonato equilibrado, com equipes organizadas. Isso atrai o torcedor, deixa a partida mais estratégica. Aqui em Santos, as Sereias já são muito conhecidas. Sabíamos que teríamos um grande público se jogássemos aqui (na Vila). Espero que, após esse jogo, possamos atrair ainda mais público”, destacou o treinador, em entrevista coletiva.

Sereias da Vila venceram Cruzeiro por 2 a 0

Sereias da Vila venceram Cruzeiro por 2 a 0 na última segunda-feira (17). – Pedro Ernesto Guerra Azevedo/ Santos FC/ Direitos Reservados

A partida foi decidida com gols de Jajá (contra) e Brena. Com a derrota, as mineiras estacionaram nos seis pontos e perderam a invencibilidade no Brasileiro. Já as santistas foram aos mesmos nove pontos de Ferroviária e Corinthians, mas ficando à frente pelo saldo de gols: nove, contra oito das Guerreiras Grenás e seis do Timão.

As atuais campeãs da Libertadores Feminina, aliás, também venceram na segunda (17): 3 a 0 sobre o Audax no Parque São Jorge, em São Paulo. Giovanna Crivelari, Victória Albuquerque e Maiara balançaram as redes e estenderam para 48 jogos a atual invencibilidade do Alvinegro. O tropeço manteve a equipe de Osasco na 14ª e antepenúltima posição, na zona de rebaixamento, ainda sem pontos ganhos. A equipe só fica a frente de Ponte Preta e Vitória pelo saldo de gols.

Edição: Verônica Dalcanal

Seleção feminina: Pia Sundhage convoca para Torneio da França

Sueca Pia Sundhage convoca seleção feminina para Torneio Internacional da França

Competição servirá de preparação para Jogos de Tóquio

Publicado em 18/02/2020 – 16:02 Por Agência Brasil – Rio de Janeiro

A técnica da seleção feminina de futebol, a sueca Pia Sundhage, anunciou nesta terça (18) a relação de convocadas para a disputa do Torneio Internacional da França, competição que servirá de preparação para os Jogos Olímpicos de 2020, que acontecem em Tóquio (Japão).

No Torneio Internacional da França o Brasil enfrentará as seleções da França, da Holanda e do Canadá entre os dias 2 e 11 de março nas cidades de Calais e Valenciennes.

Novidades

Nesta convocação, a técnica sueca chamou duas jogadoras pela primeira vez, a goleira Natasha e a lateral-esquerda Jucinara.

Também chamou a atenção o aumento do número de jogadoras que atuam no Brasil na atual convocação. Segundo Pia, isso se deu pela melhora do futebol feminino no Brasil: “O fato de a CBF ter uma liga competitiva é excelente. Sonho com jogadoras lá de fora virem jogar aqui. Isso não é impossível, mas podemos chegar nesse nível com bons técnicos, boas jogadoras e transmissão dos jogos”.

Relação de convocadas:

Goleiras: Aline – UD Granadilla Tenerife (Espanha), Bárbara – Avaí/Kindermann (Brasil) e Natascha – Paris FC (França).

Defensoras: Bruna Benites – Internacional (Brasil), Daiane – Tacón (Espanha), Erika – Corinthians (Brasil), Jucinara – Levante UD (Espanha), Letícia Santos – F.F.C Frankfurt (Alemanha), Rafaelle -Changchun Dazhong (China), Tayla – Santos (Brasil) e Tamires – Corinthians (Brasil).

Meio-campistas: Aline Milene – Ferroviária (Brasil), Andressa Alves – Roma (Itália), Andressinha – Corinthians (Brasil), Debinha – North Carolina Courage (EUA), Duda – São Paulo (Brasil), Formiga – Paris St Germain (França), Luana – Paris St Germain (França) e Thaisa – Tacón (Espanha).

Atacantes: Bia Zaneratto – Palmeiras (Brasil), Cristiane – Santos (Brasil), Geyse – Madrid CFF (Espanha), Ludmila – Atlético de Madrid (Espanha) e Marta – Orlando Pride (Estados Unidos).

Edição: Fábio Lisboa

Ex-capitã pede sequência de Pia na seleção feminina: “Melhor do mundo”

 Futebol Feminino. Coordenadora de Futebol Feminino da FPF Aline Pellegrino
© Lucas Figueiredo/CBF/Direitos Reservados

Aline Pellegrino enaltece importância da técnica após Tóquio 2020

Publicado em 18/02/2020 – 21:48 Por Lincoln Chaves – Repórter da TV Brasil – São Paulo

O trabalho de Pia Sundhage na seleção feminina de futebol está apenas no início, mas um dos maiores nomes da história da modalidade no Brasil defende que a técnica sueca tenha, ao menos, a garantia de mais um ciclo de trabalho, independente do resultado nos Jogos de Tóquio (Japão). Ex-zagueira e capitã da seleção, pela qual atuou entre 2004 e 2013, Aline Pellegrino acredita que o papel da treinadora será fundamental, principalmente na transição entre a geração das craques Marta, Cristiane e Formiga e a seguinte.

“Se olharmos para a primeira Copa do Mundo, em 1991, e a primeira Olimpíada [com futebol feminino], em 1996, nunca tivemos um técnico por quatro anos inteiros. Que bom que ela começou antes [de um ciclo completo]. Acho que tem de ser cobrança zero [por resultados em Tóquio]”, declarou Aline à Agência Brasil durante evento na unidade Interlagos do Sesc, em São Paulo.

“O que imagino da Pia? É na hora que uma Marta, Formiga e Cristiane estiverem saindo. Acho que, se não tivesse uma Pia, elas estariam mais perdidas. Hoje, elas têm uma comandante, sabem onde seguir. Na hora da transição, já se terá um caminho trilhado”, afirmou.

Os números de Pia são positivos. Em oito jogos, são seis vitórias e dois empates no tempo normal (a seleção perdeu duas disputas na disputa de pênaltis, para Chile e China). Foram 24 gols marcados e dois sofridos, com 42 atletas diferentes convocadas e 38 testadas no período. Nessa sequência, destaque para as goleadas sobre México (6 a 0) e Argentina (5 a 0), ambas em São Paulo, e vitórias sobre seleções à frente no ranking mundial como Inglaterra (2 a 1) e Canadá (4 a 0). Para o Torneio amistoso da França, entre 2 e 11 de março, a sueca chamou nesta terça-feira (18) duas caras novas: a goleira Natascha, do Paris (França), e a lateral Jucinara, do Corinthians.

A técnica assumiu o time brasileiro em julho no lugar de Vadão, que deixou a seleção após a eliminação nas oitavas de final da última Copa. Pia chegou credenciada pelo bicampeonato olímpico no comando dos Estados Unidos (2008 e 2012) e pelo prêmio de melhor treinadora de futebol feminino pela Fifa em 2012. Na Olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro, conquistou a medalha de prata com a Suécia, batendo a equipe de Marta e companhia nas semifinais.

“É a melhor técnica do mundo”, afirmou Aline. “Espero que Pia esteja sendo feliz aqui no Brasil, com as jogadoras e o que está sendo oferecido, para que ela deseje seguir por muito tempo. Ela esteve acompanhando os jogos do Campeonato Brasileiro, do Paulista e de outros estaduais. É a característica dela. Gosta de estar perto dos clubes, das organizações. Estamos no caminho e temos que aproveitar essa experiência dela”, completou.

Diretora de futebol feminino da Federação Paulista (FPF) desde 2016, Aline atuou profissionalmente entre 1997 (quando tinha apenas 15 anos) e 2013. Pela seleção, fez parte da geração medalhista de prata nãos Jogos de Atenas (2004), foi vice-campeã mundial em 2007, na China, e foi superada nas quartas de final da Copa de 2011, na Alemanha, pelos Estados Unidos (à época comandados exatamente por Pia). Após a carreira como jogadora, foi técnica do Vitória das Tabocas (PE) e supervisora do time formado na parceria Corinthians/Audax, precursora da atual equipe feminina do timão, antes de assumir o cargo na FPF.

Edição: Fábio Lisboa

Santos x Cruzeiro é destaque na rodada do Brasileirão Feminino

As Guerreiras Grenás da Ferroviária festejam mais uma vitória no Brasileiro Feminino
© Jonatan Dutra/Ferroviária SA

Clássico reúne dois times com 100% de aproveitamento

Publicado em 17/02/2020 – 11:34 Por Lincoln Chaves, repórter da TV Brasil – São Paulo

Dois jogos encerram nesta segunda-feira (17) a terceira rodada da Série A-1 do Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino. Às 19h (de Brasília), o Santos recebe o Cruzeiro na Vila Belmiro, em Santos (SP), em duelo entre times que estão com 100% de aproveitamento. Já às 20h30 (de Brasília), o Audax busca os primeiros pontos em São Paulo, no Parque São Jorge, contra o Corinthians, outra equipe 100%.

Com seis pontos, Peixe, Raposa e Timão jogam de olho na Ferroviária, que no domingo (16) chegou à terceira vitória em três partidas e assumiu a liderança temporária da competição. Fora de casa, em Vinhedo (SP), as atuais campeãs golearam o Palmeiras por 4 a 1. Patrícia Sochor (2), Sâmia e Maglia balançaram as redes para as Guerreiras Grenás – Carla Nunes descontou para o Verdão, que tem uma vitória e duas derrotas no Brasileiro.

O Grêmio, que iniciou a rodada empatado com a Ferroviária na tabela, perdeu a chance de seguir na cola das paulistas ao perder do Avaí/Kindermann por 1 a 0 em Caçador (SC). Júlia Bianchi marcou para as catarinenses, que chegaram aos mesmos seis pontos das gremistas e se recuperaram da derrota para o Corinthians, na rodada passada.

O Internacional teve melhor sorte que o rival gaúcho. Em Campinas (SP), mesmo atuando com um time misto, as Coloradas chegaram aos sete pontos ao golear a Ponte Preta por 6 a 1, com gols de Queila (2), Jheniffer (2), Leidi e Ju. Dandara, de pênalti, diminuiu para a Macaca, vice-lanterna do Brasileirão com três derrotas em três jogos.

Quem também atingiu sete pontos foi o São Paulo, que superou o Flamengo por 3 a 1 em Mesquita (RJ). Jaqueline (2) e Gláucia marcaram para o Tricolor Paulista, enquanto Renata fez para o Rubro-Negro. A equipe carioca soma os mesmos três pontos do São José, time que encabeça a zona de rebaixamento – os quatro últimos entre os 16 participantes caem para a Série A-2 – mas fica à frente das paulistas por ter um gol marcado a mais (4 a 3).

As joseenses, aliás, ganharam a primeira: 3 a 1 no Iranduba, em Manaus. Mylena Carioca, duas vezes, e Fernanda Tipa marcaram para o clube tricampeão da Libertadores Feminina. Bruna, contra, descontou para as amazonenses, que têm uma vitória e, agora, duas derrotas no Brasileirão.

A pior campanha até o momento é a do Vitória. Assim como Audax e Ponte Preta, o time baiano está zerado na tabela, mas tem pior saldo de gols (-12). No domingo (16), em Salvador, a equipe foi superada pelo Minas Icesp por 1 a 0. Luíza, nos acréscimos da primeira etapa, garantiu os primeiros três pontos da equipe do Distrito Federal no torneio.

Edição: Sergio du Bocage

Cinco times têm 100% de aproveitamento no Brasileiro Feminino

Corinthians tem 100% de aproveitamento no Brasileirão Feminino

Mas Santos supera Ferroviária, Grêmio, Cruzeiro e Corinthians no saldo

Publicado em 14/02/2020 – 11:31 Por Lincoln Chaves, repórter da TV Brasil – São Paulo

A segunda rodada do Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino terminou com cinco times na ponta, empatados com 100% de aproveitamento. A liderança pelo saldo de gols é do Santos, que, na última partida de quinta-feira (13), superou o Iranduba, em Manaus, por 3 a 0. Jaque (contra), Ketlen e Cristiane balançaram as redes para as Sereias da Vila. O Peixe chegou a seis pontos, com sete gols de saldo. As manauaras, que tinham estreado com goleada sobre a Ponte Preta, sofreram a primeira derrota.

Atual campeã, a Ferroviária também foi a 6 pontos na rodada, mas com saldo de cinco gols. As Guerreiras Grenás visitaram o Minas Icesp no Gama (DF) e venceram por 2 a 1. Patrícia Sochor e Sâmia marcaram para as paulistas, enquanto Luíza descontou para o time de Brasília, que ainda não venceu.

Recém-promovidos à Série A-1 do Brasileirão, Grêmio e Cruzeiro aparecem na sequência: 6 pontos e quatro gols de saldo. As gaúchas, que atropelaram o Audax em Osasco (SP) por 3 a 0 (Marta,duas vezes, e Eudimilla), vêm à frente das mineiras por um gol marcado a mais. A Raposa também se deu bem fora de casa, e com o mesmo placar: 3 a 0 sobre o São José (Mayara, Miriã e Mari, contra). A dupla paulista segue sem pontuar.

Vice-campeão brasileiro em 2019, o Corinthians completa a lista dos times com 100% de aproveitamento graças ao 2 a 1 sobre o Avaí/Kindermann, em São Paulo. Adriana, de pênalti, e Victória Albuquerque fizeram para o Timão, enquanto Pardal (contra) diminuiu para as catarinenses. Na estreia, o Avaí aplicou a maior goleada do torneio até aqui: 7 a 0 sobre o Vitória, em Caçador (SC).

Por fim, em Cotia (SP), São Paulo e Internacional ficaram no 2 a 2. Em 16 partidas já disputadas, esse foi o primeiro empate do campeonato. As tricolores, que tentavam se reabilitar da derrota para o Cruzeiro na estreia, abriram 2 a 0, com Dani Silva e Duda. Mas Byanca Brasil, em duas cobranças de pênalti, evitou o tropeço colorado — as gaúchas haviam superado o São José na primeira rodada.

O Brasileiro Feminino volta domingo (16), com seis jogos pela terceira rodada — que termina segunda-feira (17) com os duelos Santos x Cruzeiro, na Vila Belmiro, em Santos (SP), às 19h (de Brasília), e Corinthians x Audax, às 20h30 (de Brasília), no Parque São Jorge, na capital paulista.

Confira os jogos de domingo (16):

14h – Flamengo x São Paulo

Giulite Coutinho, em Mesquita (RJ)

15h – Vitória x Minas Icesp

Barradão, em Salvador

15h – Avaí/Kindermann x Grêmio

Carlos Alberto Costa Neves, em Caçador (SC)

15h – Palmeiras x Ferroviária

Nelo Bracalente, em Vinhedo (SP)

17h – Iranduba x São José

Ismael Benigno, em Manaus

20h – Ponte Preta x Internacional

Moisés Lucarelli, em Campinas (SP)

Edição: Sergio du Bocage

Bia Zaneratto chega ao Palmeiras em momento mágico do futebol feminino

Apresentação de Bia Zaneratto, atacante da equipe feminina de futebol da S.E.Palmeiras, na Academia de Futebol, em São Paulo-SP (Foto: Fabio Menotti)
© Fabio Menotti / Ag. Palmeiras

Jogadora de 26 anos foi emprestada por clube chinês

Publicado em 13/02/2020 – 19:30 Por Lincoln Chaves – Repórter da TV Brasil – São Paulo

Após a meia Andressinha, contratada pelo Corinthians, outra estrela da seleção feminina acertou o retorno ao futebol brasileiro para a temporada de 2020, e justamente para o maior rival do alvinegro. Nesta quinta (13) a atacante Bia Zaneratto foi apresentada como reforço do Palmeiras na Academia de Futebol, na Barra Funda, zona oeste de São Paulo, local de treinamento da equipe masculina.

A jogadora de 26 anos, que passou os últimos sete na Coreia do Sul, estava acertada com o Wuhan Xinjiyuan (China). Porém, o surto de coronavírus no país (com epicentro na cidade de Wuhan) impediu o retorno da imperatriz (apelido que recebeu na Coreia) à Ásia. Com isso, Bia foi emprestada pelo novo clube ao verdão até 1º de junho.

Anunciada pelo diretor de futebol feminino palmeirense, Alberto Simão, como a “melhor em atividade no Brasil”, ela recebeu a camisa 10 e comemorou a fase da modalidade no país, com mais clubes grandes envolvidos e jogadoras de seleção atuando em casa.

“Acho que é um momento mágico. O futebol feminino nunca foi tão valorizado [no Brasil]. Hoje, todos os jogos são transmitidos. Sabemos da qualidade das meninas, nós que vivemos isso há muitos anos. A Rosana [vice-campeã mundial e olímpica pela seleção, hoje no Palmeiras], que ia parar, voltou. Ela disse ‘roí o osso para caramba, e agora, na hora do bolo, na parte gostosa, eu não vou viver isso?’. Acho que esse é o momento bonito do futebol feminino, que é colher os frutos que meninas lá atrás tanto sofreram e correram atrás”, declarou.

Além de Bia e Andressinha, outras jogadoras com larga experiência na seleção também estão no futebol nacional. A lateral Tamires, por exemplo, chegou ao Corinthians no ano passado, onde já atuava a zagueira Erika. O Internacional, também em 2019, repatriou a lateral Fabi Simões e a zagueira Bruna Benites. A centroavante Cristiane, que acertou no início do mês o retorno ao Santos, tinha defendido o São Paulo na última temporada.

“Hoje, o Brasil é o lugar que está mais atrativo [para as jogadoras do país] no futebol feminino. Tem a proximidade com a Pia [Sundhage, sueca que é a técnica da seleção], que está aqui acompanhando”, disse. “Era certo que eu iria para a China. Quando mudou, as meninas começaram a me chamar, cada uma para um time

[risos]

. Tem umas no Corinthians, tem umas no Santos, umas no São Paulo. Então, precisava ter no Palmeiras. Essa vai ser a grandeza do futebol feminino esse ano. Todos vão querer assistir, e é assim que vai crescer”, completou.

No Palmeiras, Bia terá como base a cidade de Vinhedo, interior paulista, a cerca de 75 quilômetros da capital São Paulo, onde a equipe feminina do verdão treina e joga. Ela recordou, inclusive, de ter atuado lá em uma edição de Jogos Regionais da Juventude pelo time sub-18 de sua cidade-natal, Araraquara (SP), que, aliás, é a terra da Ferroviária, atual campeã brasileira e clube que a revelou.

Por ironia, as guerreiras grenás são as próximas rivais do alviverde pelo Brasileirão Feminino, neste domingo (16), às 15h (horário de Brasília), no estádio Nélio Bracalente, em Vinhedo. A estreia de Bia, porém, depende não só da parte física, como de seu nome aparecer no Boletim Informativo Diário (BID) da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), liberando-a para jogo. Após duas rodadas, as palmeirenses têm um resultado positivo (4 a 0 sobre o Vitória, em Salvador) e um negativo (1 a 3 para o Corinthians, em casa).

Edição: Fábio Lisboa

Flamengo e Palmeiras conquistam os primeiros três pontos no Feminino

Verdão fez 4 a 0 no Vitória e Rubro-negro 3 a 0 na Ponte Preta

Publicado em 13/02/2020 – 00:44 Por Juliano Justo – Repórter da TV Brasil e da Rádio Nacional – São Paulo

A primeira vitória do Palmeiras no Brasileiro Feminino foi conquistada longe de casa. As meninas do Verdão foram até Salvador e voltaram com uma goleada (4 a 0 no Vitória) e os primeiros três pontos na tabela. Com dois golaços de falta, o destaque foi a lateral-direita Isabella. A lateral-esquerda Vitória e a meio-campista Carla Nunes, com um gol cada, também foram artilheiras na vitória alviverde. 

O Palmeiras, que subiu da segunda divisão no ano passado, joga novamente no domingo (16). Às 15h, recebe a Ferroviária, atual campeã, em Vinhedo (SP). Novamente no Barradão, o Vitória tenta conquistar os primeiros pontos contra o ICESP/Brasília no domingo (16) às 15h.

Festa na Chuva

No Giulite Coutinho, o Flamengo não desperdiçou a chance de se recuperar depois de ser goleado pelo Santos por 4 a 0 na primeira rodada. Com várias grandes defesas, a goleira Gabi da Ponte Preta bem que tentou estragar a festa. Mas o esforço da jogadora deu certo até os 24 minutos da etapa final. Raquel aproveitou uma confusão na área e abriu o placar. Carlinha e Flávia deram números finais ao placar. 

No domingo (16), o Flamengo joga de novo em casa, dessa vez contra o São Paulo às 14h. Já Ponte Preta, em Campinas, também no domingo (16) recebe o Internacional às 20h.

Jogos de quinta-feira (13)

19h – Audax x Grêmio
José Liberatti, em Osasco (SP)

19h – São José x Cruzeiro
Martins Pereira, em São José dos Campos (SP)

19h – Minas Icesp x Ferroviária
Bezerrão, no Gama (DF)

19h – São Paulo x Internacional
Centro de Formação de Atletas (CFA), em Cotia (SP)

20h30 – Corinthians x Avaí/Kindermann
Parque São Jorge, em São Paulo

21h – Iranduba x Santos
Ismael Benigno, em Manaus

Edição: Verônica Dalcanal

“História viva” do futebol feminino santista mira 100º gol

 Santos Futebol Clube, futebol feminino
© Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC

Ketlen acompanhou de perto a evolução da modalidade pelo Santos

Publicado em 12/02/2020 – 14:30 Por Lincoln Chaves – Repórter da TV Brasil e da Rádio Nacional. – São Paulo

O Santos de Pelé, multicampeão dos anos 1960, conquistou o coração de muitos torcedores espalhados pelo Brasil. “Não conheci minha avó, mas minha mãe contava histórias de que ela era santista, escutava aos jogos pelo rádio”, conta Ketlen Wiggers, 28 anos, natural da pequena Rio Fortuna, cidade do interior de Santa Catarina com pouco menos de 5 mil habitantes — segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Se viva estivesse, a avó de Ketlen teria outro motivo para o coração ser arrebatado pelo Alvinegro. Quis o destino que a neta se tornasse um dos nomes mais emblemáticos do futebol feminino santista. Entre os clubes mais tradicionais do país, o Peixe é um dos pioneiros da modalidade (desde 1997) e mais vitoriosos, com quatro títulos paulistas, um Brasileiro e dois da Libertadores. A catarinense faz parte dessa trajetória desde 2007, quando desembarcou no litoral paulista com apenas 15 anos. De lá para cá, só não vestiu a camisa branca entre 2011 e 2015, período em que o time esteve desativado.

“Minha mãe viu uma reportagem sobre a peneira (do Santos), entrou em contato e vim”, lembra a atacante. “Digo que vivi três fases no Santos. Essa primeira de quando cheguei, ainda aprendendo, crescendo com as meninas. Era tudo novo. A segunda, quando retornei ao Santos. Foi um momento gostoso, gratificante. E a última já mais amadurecida, cabeça formada e passando o que aprendi às meninas de hoje”, completa.

 Santos Futebol Clube, futebol feminino

Ketlen Wiggers é um dos nomes mais emblemáticos do futebol feminino santista. – Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC

Em um clube que se orgulha do DNA ofensivo, independente do gênero, Ketlen supera até as duas maiores goleadoras do futebol feminino nacional — Marta e Cristiane, com quem foi campeã da primeira Libertadores feminina da história, em 2009. Ela é a artilheira máxima da modalidade no Santos com 96 gols, 40 a mais que a segunda colocada (a lateral e meia Maurine). O último deles foi marcado na goleada por 4 a 0 sobre o Flamengo, sábado passado (8), pela rodada de abertura do Campeonato Brasileiro. Com ao menos outras 14 rodadas do torneio pela frente, além do Paulistão, a marca centenária está encaminhada ainda para este ano.

“Representa muito (poder chegar a 100 gols). Sempre me inspirei em outras jogadoras, desde que cheguei. Tinha a Érika (hoje zagueira do Corinthians, foi centroavante no Santos), a própria Cristiane, a Pikena… E estar à frente delas (na estatística) é muito gratificante. Gostaria muito de chegar nessa marca e entrar na história do Santos”, afirma a atleta, que estará em campo nesta quinta-feira (13), às 21h (de Brasília), diante do Iranduba, pela segunda rodada do Brasileirão.

 Santos Futebol Clube, futebol feminino

Ketlen é a artilheira máxima da equipe feminina do Santos com 96 gols – Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC

Realização e reflexão

Ao contrário da maioria das meninas que enfrenta ou já enfrentou em campo, Ketlen não encontrou resistência para dar os primeiros chutes. “Na minha cidade, o futebol feminino era bem valorizado. Minhas amigas e até a minha mãe jogavam. Aprendi muito e comecei a amar o futebol por meio delas e da família”, recorda.

A chegada ao Santos, em 2007, coincide com o primeiro jogo das Sereias na Vila Belmiro (derrota por 2 a 1 para o Botucatu, pela Copa do Brasil). Além do Peixe, somente Internacional e Vasco (considerando equipes que, hoje, estão na Série A do Brasileirão masculino) estiveram representados naquela que, à época, era a maior competição feminina do país. Cenário diferente do atual, em que o campeonato nacional é disputado em duas divisões e reúne todas as principais camisas de peso do Brasil.

“Foi muito bom presenciar esse crescimento (do futebol feminino). Em 2009, a gente teve uma fase muito boa no Santos, com mídia forte, em cima. Foi ali que vi o quanto a modalidade poderia crescer. Se pudesse (falar com a Ketlen de 15 anos), diria para não desistir, que o futebol feminino seria visto com outros olhos”, diz. “Sou muito realizada pelo que conquistei aqui no Santos, ter chegado à Seleção (pela qual foi medalhista de prata nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, no México, em 2011). Sempre tive amor pelo clube”, emenda.

 Santos Futebol Clube, futebol feminino

O 96º gol da jogadora foi marcado na goleada por 4 a 0 sobre o Flamengo – Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC

Realização que levou Ketlen a refletir sobre a sequência na modalidade no início do ano passado — tanto que só acertou novo contrato com o Santos em abril, quatro meses após a reapresentação do grupo. “Eu precisava de um tempo para por a cabeça no lugar e ver se tinha chegado ao fim da carreira. Conversei com a família e decidimos que retomaria por mais um tempo. Não sei dizer quanto, mas tenho outros sonhos também. Construir uma família, casar”, conta.

À espera do “momento certo” para “seguir o coração”, a catarinense continuará vestindo a camisa cuja história ajudou a construir. E — por que não? — fazer a alegria da avó. “Tenho certeza que ela está vendo lá do céu e tendo orgulho de mim”.

Edição: Verônica Dalcanal