COI aprova novo calendário de classificação do Skate para Olimpíadas

© Lincoln Chaves/Agência Brasil

São 40 vagas no total, sendo 20 para mulheres e 20 para homens

Publicado em 30/05/2020 – 18:42 Por Rafael Monteiro – Repórter da Rádio Nacional – Rio de Janeiro

A federação internacional de skate World Skate anunciou a aprovação da mudança de calendário das competições esportivas pelo Conselho Executivo do Comitê Olímpico Internacional (COI), devido alteração dos Jogos Olímpicos de Tóquio de 2020 para 2021. De acordo com o novo cronograma, todos os eventos classificatórios para as Olimpíadas vão encerrar em 29 de junho do ano que vem, diferentemente da previsão inicial, que determinava o prazo até amanhã (31).

Em nota publicada em site oficial, a entidade explica que “todos os resultados já alcançados serão preservados e que as mudanças foram feitas apenas em relação à pandemia(novo coronavírus). Nenhuma alteração foi feita no sistema de classificação de eventos e nenhuma alteração no sistema de cotas.”

Ou seja, os dois melhores resultado obtidos na primeira janela, em 2019, serão mantidos. Restam ainda 4 eventos que serão levados em consideração. As pontuações conquistadas através de campeonatos nacionais de cada país serão atualizadas trimestralmente no Ranking Mundial de Skate. Já aquelas alcançadas via competições continentais sofrerão alteração no término delas.

Ao todo serão 20 skatistas de cada gênero disputando o ouro olímpico em Tóquio. O masculino e feminino utilizam o mesmo critério de classificação: uma vaga destinada ao país-sede, 16 pelo Ranking Mundial e três alcançadas via Campeonato Mundiais.

Edição: Denise Griesinger

Atletas da natação voltam aos treinos no Rio Grande do Sul

© Divulgação: CBDA

Publicado em 23/05/2020 – 11:18 Por Juliano Justo – Repórter da EBC – Rio de Janeiro

Um grupo de 16 atletas de cinco modalidades retornou às atividades no Grêmio Náutico União, em Porto Alegre. A nadadora Viviane Jungblut, que busca classificação para os Jogos de Tóquio, é uma delas e conversou com a Agência Brasil. Com a pandemia de coronavírus ainda muito presente em praticamente todo o Brasil, o Rio Grande do Sul, que está entre os estados com os menores números de mortes e casos da doença, começa aos poucos a liberar a prática de atividades esportivas.

 O Grêmio Náutico União, tradicional clube multiesportivo e social da capital gaúcha, autorizou no dia 13 de maio o reinício dos treinos. Nessa primeira fase, são 16 esportistas e profissionais mais próximos de cinco modalidades (Ginástica Artística, Ginástica Rítmica, Natação, Remo e Tênis). A nadadora Viviane Jungblut, que busca uma vaga para os Jogos de Tóquio, está nesse grupo. Ela falou à Agência Brasil sobre o retorno ao clube depois de quase 60 dias.

“Foi uma mistura de emoções e sensações. Ao mesmo tempo que é estranho pelo momento que o mundo todo está vivendo. Você chega no clube e está tudo vazio. São poucos atletas. Foi bem diferente. Mas, com certeza, na hora que eu caí na água, senti uma felicidade bem grande. Nunca tinha ficado tanto tempo fora da piscina desde que eu comecei a nadar. Temos feito os trabalhos dentro da água e a parte física, que eu não tinha parado totalmente, sigo agora por aqui com a orientação da minha equipe técnica”, disse.

Para que essa volta fosse concretizada, o União mobilizou 26 colaboradores, incluindo técnicos, preparadores físicos, médicos e o profissionais do setor Operacional, responsável pela manutenção e limpeza da sede.

Vale destacar que, para se adequar as normas dos decretos municipal (nº 20.562 emitido dia 30 de abril) e estadual (nº 55.240, publicado dia 10 de maio), que regem as normativas no que refere-se à abertura de centros de treinamentos e clubes, uma série de medidas está em execução.

Trofeu Maria Lenk. Parque Aquatico Maria Lenk. 03 de Maio de 2017, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

Trofeu Maria Lenk. Parque Aquatico Maria Lenk. 3 de Maio de 2017, Rio de Janeiro – Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

Na chegada, todos têm a temperatura medida (em caso de detectada febre, o acesso não é permitido), a seguir passagem por tapete sanitizante. Todas as modalidades e setores têm álcool gel. As estruturas como academia, ginásio recebem, antes e após os treinos, uma pulverização com solução de quartenário de amônia – produto recomendado pela Anvisa para desinfecção de objetos e superfícies.

Os protocolos são diferenciados também, de acordo com cada modalidade. Na Natação, por exemplo, tem-se o cuidado de cada atleta ocupar apenas uma raia da piscina. “Isso dá também mais segurança para a gente. Ver que o clube está tomando todos os cuidados e seguindo todos os protocolos para que o retorno seja o mais seguro possível”, disse Viviane.

O último treino da nadadora dentro da água havia sido no dia 18 de março. Algo que, principalmente para atletas de alto nível, pode acabar prejudicando e fazer com que o retorno ao preparo anterior demore mais. “No dia 19 de março, o clube já estava totalmente fechado. Foi o meu maior período longe da água. Em um primeiro momento, essa situação foi assustadora e angustiante. O prejuízo físico é grande. Sem dúvida”, afirmou.

Segundo Viviane, a piscina é fundamental para o atleta de natação. “Em outras modalidades, os atletas até conseguem adaptar os treinos em casa sem maiores problemas. Mas para nós fica difícil. Sem o contato com a água, o atleta perde muita sensibilidade e muito rápido. Para retornar ao ponto que eu estava antes de toda essa pandemia vai demorar alguns meses. Mas, acho que, se todo mundo estiver com saúde, vai valer a pena.”

Futuro

A Seletiva Olímpica Brasileira, que estava marcada inicialmente para junho deste ano, foi adiada para o ano que vem, e ainda não tem uma nova data prevista.

A nadadora gaúcha considerou a decisão como a mais correta. “Os primeiros dias depois que o clube fechou foram os mais difíceis. Foi bem angustiante, principalmente, porque ainda estávamos com os Jogos Olímpicos marcados. Era reta final de preparação para a seletiva olímpica. Mas, com certeza, a saúde de todos deve estar sempre em primeiro lugar”, disse.

Viviane vai tentar as marcas em duas provas, os 800 metros e os 1.500 metros. “Mudou um pouco o meu planejamento. As provas são mais curtas. E tenho um pouco mais de controle sobre o que acontece nessas distâncias. Isso exige um trabalho diferente. É isso que vou procurar fazer daqui para frente. Quero nadar muito para estar em Tóquio.”

A Temporada de 2019 – No Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos do ano passado em Gwangju, Coreia do Sul, no ano passado, Viviane chegou muito perto de carimbar o seu passaporte para Tóquio. Na Maratona Aquática, estavam em jogo dez vagas e ela finalizou os 10 quilômetros na décima segunda colocação. “Vinha trabalhando muito forte com o meu técnico e a minha equipe multidisciplinar. A gente imaginou e planejou a prova toda. E eu consegui fazer tudo aquilo que era o meu objetivo. Mas, infelizmente, fiquei fora. Depois de 10 quilômetros, a prova foi decidida na chegada. Do primeiro ao décimo segundo, a diferença foi inferior a cinco segundos. É difícil, mas tive que ver a parte positiva”.

A nadadora, no entanto, teve pouco tempo mesmo para lamentações. Partiu da Ásia para o Peru, onde disputou os Jogos Pan-Americanos e fez história. Com a medalha de bronze nos 800 metros livre, a atleta da natação do Grêmio Náutico União foi a primeira brasileira subir no pódio nessa prova em um Pan-Americano.

Como já havia conquistado também o bronze na Maratona Aquática em Lima, Viviane foi também a primeira nadadora a conquistar medalhas nas águas abertas e na piscina em uma mesma edição dos Jogos.

“O Pan  me mostrou que o trabalho vinha sendo bem feito. Perder a vaga olímpica por menos de um segundo e dar a volta por cima não foi fácil. Mas, consegui. Tive uns dois dias para descansar em casa e fui para Lima para virar a página. Na piscina não tive os meus melhores tempos lá no Peru, mas consegui chegar perto deles. O bronze nos 800 metros foi bom. Fiz em 08:36.04 e saí feliz da piscina. Essa é uma das provas nas quais eu vou tentar o índice olímpico. E fiquei mais confiante com aquela conquista para retomar os treinos para chegar em Tóquio.” Nos 400 metros, a Viviane ficou em sexto lugar com o tempo de 04:15.35.

Ana Marcela e Poliana Okimoto

Vivianne falou também sobre as maratonistas Ana Marcela e Poliana Okimoto. Ressaltou que as duas atletas são referências da natação internacional, principalmente em maratonas aquáticas. “São as minhas primeiras referências dentro da Maratona Aquática e inspirações no esporte. Tive a oportunidade de conviver e viajar junto com a Ana Marcela”.

Viviane lembra que, na Seletiva de 2017, nadou a maratona aquática com Ana Marcela e Poliana na prova e isso foi um “ponto crucial” e um  “divisor de águas”, para passar a priorizar a competição na sua carreira.

“Eu sabia que a prova seria muito dura. Os 10 quilômetros. Estava com as duas na mesma prova. Mas eu fui muito confiante. Sabia que tinha feito o meu melhor. Tinha treinado muito. Acabei ficando em segundo, disputei a primeira posição com a Ana Marcela até a chegada. E consegui a classificação para o Mundial de Maratonas Aquáticas em 2017. Até ali eu estava um pouco em cima do muro. Não sabia muito bem se ia para a Maratona ou para a piscina. Nadava as duas coisas, mas sem um foco. A partir dali, a minha prioridade passou a ser a Maratona.”

Edição: Aécio Amado

Técnico detalha plano para Ana Marcela subir ao pódio em Tóquio

© Divulgação/COB

Fernando Possenti conta com apoio de profissionais multidisciplinares

Publicado em 14/05/2020 – 16:00 Por Juliano Justo – Repórter da Rádio Nacional – São Paulo

A nadadora Ana Marcela Cunha, multicampeã de maratonas aquáticas, foi escolhida seis vezes como melhor atleta do mundo na modalidade. Aos 28 anos, ela já conquistou 11 medalhas em Mundiais (cinco de ouro, duas de prata e quatro de bronze). 

Com esse currículo invejável, será que ainda falta algum triunfo na carreira da nadadora? A resposta foi dada pelo próprio técnico da atleta, Fernando Possenti, durante a uma live (transmissão ao vivo) promovida ontem (13) no perfil oficial da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA).

“Toda competição tem uma importância muito grande. Queremos vencer tudo. Se você perguntar à Ana, ela vai dizer que está insatisfeita. E eu, na verdade, estou muito mais. Ainda faltam o ouro [na prova] dos 10 quilômetros (km) no Campeonato Mundial e, é claro, a medalha olímpica”. 

A baiana já tem a vaga garantida nos Jogos de Tóquio, em 2021. A classificação veio com o quinto lugar na prova dos 10 km, no Mundial da Coreia do Sul, no ano passado. Essa será a terceira participação olímpica da atleta, mas a primeira sob a orientação do técnico paulista. A curiosidade é que a parceria deles já é antiga. Começou em 2013, mas a nadadora deixou o Sesi – equipe comandada na época por Possenti – para retornar à Unisanta.  Na ocasião o treinamento da nadadora passou a ser conduzido pelo técnico Márcio Latuf. Na Olimpíada Rio 2016 a atleta brasileira ficou em décimo lugar. 

“Agradeço a todos profissionais que passaram na vida da Ana Marcela. Ela sempre demonstra uma mentalidade incrível de vencedora e aceita as novas orientações. Claro que ninguém busca uma mudança se não for para melhorar. É isso que faz dela essa atleta diferenciada já há tantos anos”, elogia o treinador. 

Jogos Mundiais Militares, Ana Marcela Cunha, natação, esportes

Ana Marcela venceu a maratona de 10 km, nos Jogos Mundiais Militares, em 2019, em Wuhan (China) – Rodolfo Vilela/ rededoesporte.gov.br

E esse é o espírito da dupla para alcançar o tão sonhado pódio no Japão ano que vem. “Uma prova olímpica é totalmente diferente de uma etapa de Mundial, por exemplo. As diferenças começam pela quantidade de atletas. No Mundial são 70, 80, 90 atletas. Na Olimpíada, 25. Sem falar das questões climáticas que, geralmente, fogem completamente do controle. Então, a minha maneira é treinar sempre buscando algo diferente. Muitas pessoas me perguntam: por que mudar se você fez isso e deu certo? Mas, eu sei que com maratonas aquáticas não funciona assim. A receita é fazer sempre algo diferente. E a nossa longa parceria traz confiança para colocarmos isso em prática”, revela.  

Quarentena 

O treinador também como revelou como o isolamento social, devido à pandemia do novo coronavírus (covid-19), vem afetando o treinamento da nadadora. 

“Está sendo muito difícil. Nunca estivemos tão perto e tão longe. Moramos do lado da piscina, mas não podemos utilizá-la. Ficar fora d´água para a gente é pior do que o adiamento da Olimpíada. Mas o nosso objetivo foi só adiado. Por isso não podemos perder o foco”, reflete o treinador.

Possenti mora no mesmo prédio onde vive Ana Marcela, e o nadador Alan do Carmo, também treinado por ele. . Carmo ainda busca a classificação para Tóquio. Eles se estabeleceram no Rio de Janeiro em um condomínio  próximo do Parque Aquático Maria Lenk, onde fica o CT do Time Brasil.  

Domingão dourado! A primeira medalha do Time Brasil nos Jogos Mundiais de Praia #Doha foi dela: Ana Marcela Cunha venceu os 5km das Maratonas Aquáticas completando a prova em 59m51s

Ana Marcela venceu os 5 km das Maratonas Aquáticas completando a prova em 59m51s, Jogos Mundiais de Praia (Doha), em 2019 – Miriam Jeske/COB

Para o treinador, os atletas são mais prejudicados por estarem fora da piscina do que pelo pelo próprio adiamento dos Jogos. “Não tinha o que fazer em relação à Olimpíada. A decisão de adiar os Jogos foi correta. O impacto no trabalho com a Ana e com o Alan é maior por eles estarem treinando apenas exercícios adaptados, longe da piscina. Mas, mesmo assim, acho que vamos sair fortalecidos desse processo. Acredito que voltaremos a nadar antes dos europeus, que chegaram a ficar de oito a 12 semanas afastados da água, o que é um absurdo para o alto rendimento. Aqui eu acho que será diferente”, deseja. 

Trabalho multidisciplinar

Apaixonado declarado pelo monitoramento e controle dos treinamentos, Possenti sabe que a pandemia deixou o mundo em uma nova realidade. Sem saber a data exata do retorno, o treinador já tem em mente  as duas questões que vão nortear o trabalho com os atletas. “Monitoramento e controle. Já os valorizava demais. E agora, nesse retorno, quando ele acontecer, vão ser ainda mais importantes. As equipes médicas e multidisciplinares serão essenciais para termos o controle da reação de cada atleta e o que fazer em cada situação”.

Edição: Cláudia Soares Rodrigues

COI estima custos de até US$ 800 milhões por adiamento de Jogos

© Reuters/Stoyan Nenov/Direitos Reservados

Olimpíadas de Tóquio foram adiadas para 2021 devido à pandemia

Publicado em 14/05/2020 – 14:42 Por Karolos Grohmann – Repórter da Reuters – Berlim

O Comitê Olímpico Internacional (COI) estima arcar com custos de até US$ 800 milhões com o adiamento da Olimpíada de Tóquio para 2021 devido à pandemia do novo coronavírus, afirmou o presidente da entidade, Thomas Bach.

O COI e o governo japonês decidiram adiar por um ano os Jogos, que deveriam começar em julho deste ano.

“Prevemos que teremos que arcar com custos de até US$ 800 milhões por nossa parte e responsabilidades na organização dos Jogos adiados Tóquio-2020”, disse Bach em uma teleconferência no final da reunião do conselho executivo da entidade.

Com quarentena agitada, Caio Bonfim segue preparação para Tóquio

© Abelardo Mendes Jr/ rededoesporte.gov.br

Maior nome brasileiro da marcha atlética quer medalha nos Jogos

Publicado em 05/05/2020 – 15:28 Por Juliano Justo – Repórter da TV Brasil e da Rádio Nacional – São Paulo

Enquanto muitos estão tendo tempo de sobra nessa quarentena, o marchador Caio Bonfim está tendo que se dividir em três. O corredor falou um pouco sobre a rotina nesses dias de confinamento em uma live realizada na última segunda (4) nos perfis nas redes sociais da Confederação Brasileira de Atletismo.

O primeiro Caio, digamos assim, é o pai. Em junho do ano passado, às vésperas de embarcar para a disputa do Pan-americano de Lima, o atleta teve o seu primeiro filho, Miguel. Agora, ele está podendo curtir o bebê: “Meu ritmo de competições é sempre muito intenso. Então, nesse lado, a quarentena está sendo excelente. Posso colocar em prática o meu lado de papai coruja”.

O segundo Caio é o solidário. No início desse mês, o corredor promoveu uma live solidária. O recordista brasileiro dos 20km e dos 50km marchou 21km em uma esteira durante 1h33min31s. O objetivo era arrecadar doações de alimentos e materiais de limpeza para entidades assistenciais de Sobradinho (DF). “Queríamos ajudar os mais necessitados de alguma forma. Vi alguns atletas amadores correndo dentro de casa. E aí surgiu essa ideia. Era para fazer 30km, mas para não alongar demais fechei nos 21km”, afirma. Até essa terça (5) já foram arrecadados, através de um site, R$ 4.005,00. A meta é de R$ 10 mil. “Só podemos vencer essa competição juntos. Praticamente todo o material arrecadado vai ser revertido para os ‘velhinhos’ de um lar daqui de Sobradinho. Muitos deles são abandonados e sofrem ainda mais nesse período”, afirma.

O terceiro Caio é o atleta. “Estou fazendo um trabalho de força para ganhar um pouco mais de musculatura. Fiz algumas simulações de provas. Inclusive, naquele dia da live, competiria na Copa do Mundo de marcha. É fazer o macro ciclo anual para não perder muito preparo”, diz Bonfim, que também mantém contato direto com o Comitê Olímpico Brasileiro (COB). “Tenho 29 anos, estou longe do meu auge. Quero usar esse ano que tenho até Tóquio para atingir o topo da preparação física. A ideia não é tirar apenas os cinco segundos que me afastaram do pódio nos Jogos do Rio, em 2016. Quero tirar mais para fazer história”, projeta. Para isso, ele não quer descuidar de nenhum detalhe. “Cheguei ao Mundial de Doha, no final do ano passado, dez vezes mais bem preparado do que no torneio de Londres, em 2017, quando conquistei o bronze. Mas tive que cumprir uma punição de dois minutos por penalização da arbitragem. E acabei em 13º. Então, também estou fazendo esse trabalho técnico para não deixar escapar nada”, declara.

Jogos Olímpicos

Caio Bonfim já tem índice para disputar os Jogos de Tóquio. A classificação veio com o terceiro lugar na prova dos 20km da etapa do Circuito Mundial da modalidade na cidade chinesa de Taicang. Bonfim cravou o tempo de 1h20min37s. Esta será a terceira Olimpíada do brasileiro. Em Londres, ele ficou com a 39ª posição. E, no Rio de Janeiro, veio a 4ª posição nos 20km com a marca de 1h19min42s, apenas cinco segundos a mais do que o terceiro colocado, o australiano Dane Bird-Smith. Tempo que ficou engasgado na garganta do marchador por um ano, até o Mundial de Londres de 2017: “Aqueles cinco segundos da Olimpíada estavam entalados. Por isso cheguei na Inglaterra com o foco total na medalha. Cheguei, fiz dois ou três treinos, competi e fui embora. Apesar de saber que o atleta deveria ser bem tratado, independentemente da medalha. Mas aqui no Brasil não funciona assim. Por isso estou tentando usar essa conquista de Londres, e até mesmo o bom desempenho no Rio, que já tinha aberto muitas portas, para ajudar vários outros colegas que fazem trabalhos excelentes, mesmo sem as medalhas”.

Provas

20km e 50km são as duas distâncias olímpicas disputadas na marcha atlética. E são provas bem diferentes. Quem garante é o próprio atleta: “Para completar os 50km a pessoa tem que gostar de desafio. Porque tem muito sofrimento. O mais difícil é o treino, são muitos quilômetros. Muda a vida do atleta. São muitos dias sozinho. O otimismo é fundamental para chegar ao final. Os marchadores sempre dizem que, quando se entra nos 40km, é a metade. Os últimos 10km são uma loucura”. Já os 20km tem uma intensidade muito alta: “Perdi mais peso nos 20km do que nos 50km nos Jogos do Rio de Janeiro. A velocidade média chega aos 15km/h”.

Na prova dos 50km, no Rio de Janeiro, o francês Yohann Diniz, mesmo sendo recordista mundial da distância e um dos principais candidatos ao pódio, foi um dos que mais sofreu. Depois de liderar, passou mal, desmaiou e teve problemas intestinais. Concluiu a prova, mas na oitava colocação, com 3h46min43s, seguido pelo brasileiro Caio Bonfim. O brasileiro marcou 3h47min02s para garantir o nono lugar. Lembranças daquela prova não faltam: “Fui ao banheiro durante a prova. Tinha um mais perto. Mas acabei não o encontrando e perdi alguns preciosos minutos. O francês foi mais corajoso, acabou fazendo nas calças, e, por isso, mereceu mais”.

Edição: Fábio Lisboa

Shinzo Abe diz que Jogos só acontecerão se pandemia for contida

Premiê japonês, Shinzo Abe
© Reuters/Kiyoshi Ota/Direitos Reservados

Evento foi adiado para julho de 2021

Publicado em 29/04/2020 – 15:01 Por Reuters – Tóquio (Japão)

O Comitê Olímpico Internacional (COI) e o Governo do Japão adiaram a realização da próxima edição dos Jogos Olímpicos para julho de 2021 por causa da pandemia do novo coronavírus (covid-19). Com o aumento da taxa de infecção mundial, e os especialistas sugerindo que a vacina ainda está muito longe de ser alcançada, começam a surgir perguntas sobre um possível novo adiamento do evento.

“Afirmamos que os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos sejam realizados de forma completa, para que atletas e espectadores possam participar com segurança. É impossível realizar os Jogos de forma completa, a não ser que a pandemia de coronavírus esteja contida”, disse, nesta quarta (29), o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe. A declaração foi feita durante resposta a uma pergunta feita por um parlamentar da oposição, que questionou se Tóquio poderia sediar os Jogos no próximo ano.

O primeiro-ministro japonês acrescentou que os Jogos Olímpicos “devem ser realizados de forma que mostre que a humanidade venceu sua batalha contra o coronavírus. Caso contrário, será difícil realizar os Jogos”.

Tóquio confirmou 112 novas infecções na última terça (28), informou a emissora pública NHK. Em todo país já são mais de 13.895 casos, com 413 mortes, diz a NHK.

Medalhista olímpica diz que priorizará saúde, e não Jogos de Tóquio

velocista britânica Desiree Henry, medalhista olímpica

© Reuters/Tom Jacobs/Direitos Reservados

Esportes

Velocista britânica afirma que “não morreria pelo esporte”

Publicado em 27/04/2020 – 18:58 Por Reuters – Londres (Inglaterra)

A pandemia do novo coronavírus (covid-19) fez com que os Jogos de Tóquio fossem adiados até o ano de 2021. Diante deste quadro, a velocista britânica Desiree Henry, medalhista de bronze do revezamento 4x100m na Rio2016, pediu aos atletas que não arriscassem sua saúde e afirmou: “não morreria pelo esporte”.

“Durante este período percebi que somos mais do que apenas atletas e artistas que querem entreter as pessoas. Somos humanos que têm famílias e vidas. E assim, do ponto de vista da saúde, você deve colocar sua saúde em primeiro lugar. Quero viver. Quero que todos os outros atletas vivam e sejam saudáveis e, se a pandemia não tiver sido controlada em 2021, honestamente, teria que colocar minha saúde em primeiro lugar. Tenho uma família para voltar. Então, acho que daria um passo atrás. Porque não estou tentando dizer que vou morrer pelo esporte, porque não vou fazer isso. Realmente me preocupo com minha própria saúde e a da minha família e, sinceramente, encorajo outras pessoas a pensarem para além de serem um atleta, e apenas lembrarem que são indivíduos amados pelas pessoas e por suas famílias”, declarou a velocista.

Com os centros de treinamento fechados por causa das medidas de isolamento social estabelecidas no Reino Unido, Henry vem mantendo a forma em um campo de golfe em Londres.

A jovem de 24 anos disse que a incerteza em torno dos próximos eventos torna difícil mentalmente “treinar em direção a um objetivo”, mas afirmou que está ansiosa para competir em competições menores ao longo do ano.

Henry também afirmou que não está preocupada com a perda de sua melhor forma física, mas que o adiamento dos Jogos prejudicou muitos atletas, principalmente aqueles que olhavam para Tóquio como seu grande objetivo.

Edição: Fábio Lisboa

Campeão olímpico do salto com vara tem contrato rescindido

Athletics - World Athletics Championships - Doha 2019 - Men's Pole Vault Final - Khalifa International Stadium, Doha, Qatar - October 1, 2019 Brazil's Thiago Braz in action REUTERS/Dylan Martinez

© Reuters/Dylan Martinez/Direitos Reservados

Esportes

Thiago Braz não é mais atleta do Esporte Clube Pinheiros

Publicado em 26/04/2020 – 13:49 Por Rodrigo Ricardo – Repórter da Rádio Nacional – Rio de Janeiro

O campeão olímpico Thiago Braz teve o contrato rescindido pelo Esporte Clube Pinheiros. A notícia foi confirmada no último sábado (25) pelo clube paulista. Vencedor da prova de salto com vara na última edição dos Jogos Olímpicos e já classificado para as Olimpíadas de Tóquio, remarcadas para 2021, o atleta ainda não se pronunciou sobre o fim da parceria.

A decisão do Pinheiros foi motivada por questões financeiras, agravadas por conta da pandemia do novo coronavírus (covid-19). Todos os funcionários e atletas do maior clube poliesportivo da América Latina tiveram os salários cortados em 25%. A situação no basquete masculino profissional foi ainda mais drástica, já que todo o time será demitido até o final de abril.

Nos Jogos do Rio de Janeiro, em 2016, Thiago Braz saltou 6,03m. Além da medalha de ouro, a marca rendeu ao brasileiro o recorde na competição. Entretanto, o recorde mundial pertence ao sueco Armand Duplantis, com a marca de 6,18m. Ao lado da esposa, Braz encontra-se isolado na Itália por conta da pandemia de coronavírus, mas ainda conta com o patrocínio da Caixa Econômica Federal e o apoio do Comitê Olímpico Brasileiro (COB).

Edição: Fábio Lisboa

Pré-olímpico de handebol masculino é remarcado para março de 2021

Depois de estrear com vitória sobre a forte seleção polonesa, o time de handebol masculino do Brasil sofreu sua primeira derrota na Rio 2016, para a Eslovênia

© Reuters/Marko Djurica/Direitos Reservados

Esportes

Equipe masculina ainda luta por vaga. Time feminino está garantido

Publicado em 26/04/2020 – 14:42 Por Agência Brasil – Rio de Janeiro

A Federação Internacional de Handebol (IHF, na sigla em inglês) anunciou na última sexta (24) que remarcou seus próximos eventos por conta da pandemia do novo coronavírus (covid-19), entre eles os torneios pré-olímpicos da modalidade.

Segundo a IHF, a decisão foi tomada porque “os órgãos de governo concluíram que a organização dos próximos eventos durante as datas originalmente programadas não é possível devido ao atual surto de covid-19. Segundo a Organização Mundial da Saúde [OMS], o vírus deve se espalhar ainda mais pelo mundo e, portanto, sediar eventos neste verão [europeu] não é uma opção. Além disso, muitas equipes qualificadas para eventos da IHF em 2020 são afetadas pelas medidas restritivas impostas por seus países, impedindo-os de se prepararem para os eventos conforme planejado”.

Desta forma, a entidade decidiu remarcar o pré-olímpico masculino da modalidade para o período de 12 a 14 de março de 2021. Anteriormente o evento aconteceria entre 17 e 19 de abril de 2020. Entre os homens, o Brasil ainda busca uma das duas vagas olímpicas em jogo. A disputa será com as seleções norueguesa, sul-coreana e chilena.

Já o pré-olímpico feminino acontecerá entre 19 e 21 de março. Antes a competição aconteceria entre 20 e 22 de março de 2020. A seleção feminina do Brasil já tem vaga garantida em Tóquio 2020 após conquistar os Jogos Pan-Americanos de 2019, realizados em Lima (Peru).

Edição: Fábio Lisboa

Especialistas dizem que Jogos em 2021 ainda podem ser arriscados

Homem usando máscara de proteção em Tóquio por temor do coronavírus próximo a anéis dos Jogos de Tóquio 2020

© Reuters/Stoyan Nenov/Direitos Reservados

Esportes

Apenas criação de vacina traria a segurança necessária

Publicado em 20/04/2020 – 18:13 Por Reuters – Rio de Janeiro

Os Jogos Olímpicos de Tóquio, adiados para julho de 2021, serão um evento “especialmente arriscado”, exigindo flexibilidade dos organizadores em meio à incerteza da pandemia do novo coronavírus (covid-19), principalmente se uma vacina ainda não tiver sido criada até então, afirmam especialistas médicos.

O Japão e o Comitê Olímpico Internacional (COI) tomaram a decisão sem precedentes de adiar os Jogos de Tóquio por um ano, enquanto o mundo luta contra o vírus que infectou mais de 2,4 milhões de pessoas e matou mais de 160 mil em todo o mundo.

Mas persistem dúvidas sobre se os Jogos podem ser realizados daqui a 15 meses, pois a fabricação de uma vacina ainda pode demorar pelo menos um ano, segundo as estimativas mais otimistas.

“Quando falamos em voltar a ter eventos esportivos com torcedores em estádios lotados, acho que é algo que teremos que esperar pela vacina [para ver acontecer]”, disse Zach Binney, epidemiologista da Emory University (Estados Unidos).

Com a próxima edição dos Jogos remarcada para o período de 23 de julho e 8 de agosto de 2021, os organizadores esperam poucas mudanças no plano original dos Jogos, incluindo a participação de apoiadores.

Contudo, isso pode ser muito otimista, disse Binney, especialista em aspectos da saúde dos atletas, à Reuters.

Ele espera que uma vacina possa levar um ano e meio para estar pronta a partir do início do surto, talvez no final de 2021, no mínimo.

Os Jogos Olímpicos são “um evento exclusivamente arriscado”, acrescentou, em razão das ameaças representadas pelos visitantes que chegam de áreas com muitas infecções e pelo fluxo reverso depois, no retorno para casa, de pessoas portadoras de infecções.

Mesmo tendo mais esperança de que uma vacina seja encontrada dentro de um ano, Jason Kindrachuk, especialista em doenças infecciosas da Universidade de Manitoba (Canadá), sinalizou um risco de mais atraso nos Jogos, pois o esforço de vacinação levaria algum tempo.

“Você quer as pessoas vacinadas não exatamente no momento das Olimpíadas, mas um pouco antes, para que elas criem uma imunidade protetora”, declarou Kindrachuk, que trabalhou no combate a surtos de Ebola e Sars.

Kentaro Iwata, que chamou a atenção internacional por suas críticas ao governo japonês após uma visita em fevereiro ao navio Diamond Princess, em quarentena com milhares de passageiros, expressou pessimismo em relação à nova data.

“Não acho que os Jogos Olímpicos serão realizados no próximo ano”, disse Iwata em uma entrevista por videoconferência ao Clube de Correspondentes Estrangeiros do Japão.

Em resposta, o Comitê Organizador de Tóquio 2020 disse que se concentraria apenas na entrega dos Jogos no próximo ano.

“A missão é preparar o palco para o próximo verão. Não achamos apropriado responder a perguntas especulativas”, declarou Masa Takaya, porta-voz do Comitê Tóquio 2020 em resposta por e-mail à Reuters.

Edição: Fábio Lisboa