ESG no modelo de negócio

ESG no modelo de negócio

22 de setembro de 2020 Off Por Daniel Suzumura dos santos

Por André Coutinho

Os princípios de ESG (do inglês Environmental, Social and Governance, ou Ambiental, Social e Governança), que já vinham tendo crescente significado no universo corporativo nos últimos anos, tornaram-se fundamentais no cenário da pandemia da covid-19, que escancarou os impactos da negligência ecológica, das desigualdades e dos riscos relativos à gestão temerária das empresas. Assim, embora os focos de atenção possam variar em função de contingências e mudanças nas dimensões das crises à medida que estas se desenrolam, os investimentos naquelas áreas, que expressam a responsabilidade cidadã das organizações, são hoje prioritários para a sustentabilidade e resiliência dos negócios em médio e em longo prazo.

Assim, as empresas precisam debruçar-se com urgência e comprometimento sobre a questão, envolvendo sua direção executiva, seu Conselho Administrativo e todo o seu quadro de colaboradores. A lição de casa da vez é encontrar soluções e meios de como efetivamente implementar com eficácia as transformações relativas a ESG. A missão é complexa, pois tal processo implica mudanças nos modelos operacionais, nas dimensões do mundo físico, digital e virtual.

Para esse inadiável exercício, o primeiro conceito a ser entendido e colocado em prática é o que chamamos de capitalismo responsável. Nesse sentido, é necessário realizar due diligence mais profunda e avaliação mais robusta dos investimentos internos e externos, fornecedores e parcerias, no tocante à postura da organização quanto às mudanças climáticas, questões sociais e processos de governança.

Também é importante a democracia participativa, de modo a alinhar e criar sinergia entre as preocupações e expectativas dos funcionários com as decisões, estratégias e ações corporativas, instituindo-se canais de comunicação bidirecionais. É estratégico ter em mente que os clientes e os próprios colaboradores das empresas as estão responsabilizando por melhorar a diversidade e a inclusão no local de trabalho, impulsionados pelos protestos e clamores em várias partes do mundo, inclusive no Brasil.

Para o necessário planejamento no âmbito do cumprimento da agenda de ESG, deve-se considerar que, neste exato momento de enfrentamento da pandemia, o principal foco das nações e da sociedade está no S, ou seja, no social, pois as desigualdades entre países e a estratificação socioeconômica em cada um deles são os fatores que mais estão impactando questões correlatas, como saúde, emprego, moradia, saneamento básico e educação. Porém, em médio prazo, as mudanças climáticas e o meio ambiente voltarão a dominar as atenções. Assim, é pertinente considerar como a sustentabilidade, descarbonização e outras iniciativas relacionadas a esses temas podem alinhar-se aos investimentos atuais para resposta à crise.

Também devem ser levados em conta investimentos na promoção dos programas de diversidade e inclusão para que as mudanças aconteçam, abrangendo recrutamento, contratação, igualdade salarial, treinamento, promoções, mentoria, desempenho, desenvolvimento e envolvimento da comunidade. Tudo isso será mais eficaz se acompanhado por um programa de comunicação, ou seja, transparência.

Obviamente, as métricas de ESG, como emissões, diversidade e compensações, precisam ser mensuradas, comunicadas e monitoradas, inclusive para auditorias e para atender às demandas dos investidores. Em todo esse processo, cabe considerar as mudanças geopolíticas, riscos de mercado e de terceiros, ao se trabalhar com parceiros e fornecedores globais, por meio do levantamento de evidências, due diligence e supervisão regulatória.

Os movimentos dos mercados em atendimento às demandas de ESG já são muito claros, como se observa em vários e sintomáticos exemplos: fluxos de recursos para essa área, no primeiro trimestre de 2020, incluindo fundos abertos e negociados em bolsa, disponíveis para investidores nos Estados Unidos; emissão de títulos de sustentabilidade, sociais e verdes (janeiro a abril de 2020); transações de fusões e aquisições de eletricidade renovável; pressão dos acionistas contra diretores cujas empresas não estão agindo com rapidez suficiente nas métricas de ESG; pesquisa com 2.200 norte-americanos mostrou que os consumidores estão mais propensos a comprar de marcas que tratam bem seus funcionários; menções de ESG nas transcrições de resultados; e progressos alcançados em direção aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas.

Mais do que nunca, é preciso investir no bem. As percepções ligadas aos princípios de ESG evidenciam que as empresas, a partir do enfrentamento de uma das mais graves crises da humanidade e dos anseios da civilização pela sustentabilidade social, econômica e ambiental, têm uma oportunidade história de contribuir de modo significativo para melhorar o mundo.

*André Coutinho é sócio-líder de clientes e mercados da KPMG no Brasil e na América do Sul.


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