Sustentabilidade da atividade leiteira está no valor agregado do produto entregue ao consumidor

Sustentabilidade da atividade leiteira está no valor agregado do produto entregue ao consumidor

16 de outubro de 2020 Off Por Ray Santos

Encontro on-line do projeto “Caminhos do Agro SP” mostrou como a adoção de tecnologia melhora a produção e promove a segurança alimentar

Foto: Divulgação

Produzir mais sem aumentar os recursos naturais disponíveis e superar as margens de lucro apertadas são alguns dos desafios da produção leiteira. Para manter-se competitivo na atividade e dar sustentabilidade aos negócios, uma das saídas é entregar ao consumidor, que está cada vez mais exigente, um produto com maior valor agregado, como o leite A2A2, que possui uma maior digestibilidade, e o orgânico. Este foi um dos pontos debatidos na live das cadeias produtivas sobre o leite do “Caminhos do Agro SP”, projeto realizado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo em conjunto com a TV Cultura, InvestSP, Fundag e a iniciativa privada.

Com um rebanho de 725 mil vacas em lactação, o estado de São Paulo atingiu 1,8 bilhão de litros de leite no ano passado. O valor bruto da produção alcançou R$ 2,7 bilhões. Para o secretário de Agricultura e Abastecimento, Gustavo Junqueira, com a adoção de tecnologia e evolução na atividade, o estado tem buscado melhorar a produção e a renda do produtor, levando a segurança alimentar não só para os paulistas, mas para o Brasil e o mundo.

Para ele, a questão do leite funcional, seja ele orgânico ou A2A2, está alinhada à busca crescente que o consumidor mundial tem por alimentos mais saudáveis e do conceito do “alimento como remédio”. “São Paulo detém 6% da produção nacional e um produto de altíssima qualidade, de ótimo sabor e muito valor agregado. Há uma demanda devido às mudanças dos hábitos alimentares e tendências nutricionais. O produtor vencedor não é o maior, mas sim aquele que se adapta mais rapidamente às necessidades do consumidor. Com o avanço da qualidade e da padronização, a exportação também é um mercado que tem muito a crescer”, comentou.

Por isso, as pesquisas devem ser voltadas ao produtor sempre com foco o consumidor. É o que enfatizou o pesquisador e diretor do Centro de Pesquisa de Bovinos de Leite do IZ – Instituto de Zootecnia, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Luiz Carlos Roma Júnior. “Nossas pesquisas são voltadas para a transferência de conhecimento a fim de melhorar a produção de leite, a margem de lucro, a qualidade e a saúde do consumidor”, reforçou.

Produzir mais leite por hectare

Representando o elo do produtor na cadeia produtiva, a live contou com a participação de Roberto Jank, diretor-presidente da Agrindus, empresa familiar localizada em Descalvado (SP), que está na terceira geração, figura entre as cinco maiores produtoras de leite do país e é pioneira na produção de leite A proveniente de vacas A2A2. Para ele, produzir leite ainda é um desafio grande, porém se trata de um dos produtos do agro com grande potencial a ser explorado. Para que o mercado brasileiro mantenha-se em padrões de qualidade equivalentes aos internacionais é necessário usar melhor os recursos e produzir mais por hectare.

“Agora é hora de agregar valor e produtividade. Temos a capacidade de produzir de 30 a 50 mil litros por hectare, ou seja, uma pequena propriedade de 5 hectares é capaz de produzir 250 mil litros/ano. Aumentamos o consumo per capita para 170 litros, de 1995 para cá, um índice bastante alto. Além disso, a produção de queijos é um  mercado a se explorar, visto que os europeus consomem 28 quilos por ano ante 4,5 quilos dos brasileiros”, completou.

Leite orgânico: atende demanda do consumidor e melhora renda do produtor

Pesquisas recentes mostram que 20% da população brasileira já consomem pelo menos algum tipo de alimento orgânico no cardápio. A produção de leite orgânico veio para atender esta demanda crescente. É o que afirmou a gerente da área de Criação de Valor Compartilhado da Nestlé, Taissara Martins.

A Nestlé apresentou um projeto que busca apoiar a conversão de fazendas para a produção de orgânicos em 2016. Atualmente, são 49 fazendas nas regiões de São Carlos e Araçatuba, que representam mais de 32 mil litros produzidos por dia.

Questionada sobre a possível “rivalidade” de mercado entre os diferentes tipos de leite, ela foi enfática. “Para algumas famílias vai ser mais interessante o leite ‘zero lactose’; para outras, o orgânico, ou ainda o A2A2 ou o integral convencional. Não importa, pois a ideia é incentivar consumo de leite e falar de todos os benefícios que são tão importantes para os consumidores brasileiros. A cadeia é única e todos nós somos consumidores”, reforçou.

“Caminhos do Agro SP” 

O projeto “Caminhos do Agro SP” é resultado de uma parceria entre InvestSP, Fundag, TV Cultura, Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo e a iniciativa privada. Os episódios podem ser acompanhados nos canais do YouTube da Secretaria de Agricultura e Abastecimento: https://www.youtube.com/agriculturasp e da TV Cultura: https://www.youtube.com/cultura

AGENDA CAMINHOS DO AGRO SP

21 de outubro: Episódio 6 – Agro Seguro

28 de outubro: Live 5 – Citricultura04 de novembro: Episódio 7 – Comercialização

11 de novembro: Live 6 – Papel e Celulose

18 de novembro: Episódio 8 – Consumo

25 de novembro: Live 7 – Olericultura

02 de dezembro: Episódio 9 – Exportação

09 de dezembro: Live 8 – Soja

16 de dezembro: Episódio 10 – Conectividade

Informações para a imprensa
Attuale Comunicação (11) 4022-6824