Simone Tebet vai enfrentar aliança de bolsonaristas e petistas em disputa da presidência

Simone Tebet vai enfrentar aliança de bolsonaristas e petistas em disputa da presidência

13 de janeiro de 2021 Off Por Ray Santos
Senadora de Mato Grosso do Sul é a opção do MDB para enfrentar o governista Rodrigo Pacheco (DEM-MG)
13/01/2021 07:15 – Eduardo Miranda – Correio do Estado

Simone Tebet será a candidata do MDB na disputa à presidência do Senado – Divulgação

A senadora Simone Tebet (MDB-MS) enfrentará Rodrigo Pacheco (DEM-MG) nas eleições para a presidência do Senado, no dia 1º de fevereiro.  

Escolhida por unanimidade por seu partido, a sul-mato-grossense enfrentará uma frente diversa, mas com grande poder de articulação, que agrega senadores governistas, bolsonaristas e também a bancada do PT.  

Com o MDB, que ontem teve sua bancada elevada de 13 para 15 senadores, Simone Tebet pretende posicionar-se ao centro da disputa e já começa o trabalho de conquistar apoio nesta quarta-feira.

Hoje, por exemplo, a senadora tem reunião marcada com a bancada do Podemos, que tem nada menos que 10 senadores. PSDB, Cidadania, PSL e PSB também estão no radar do MDB, o que elevaria o grupo de Tebet para 37 senadores.

Para vencer, ela precisa de pelo menos 41 votos.

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Do outro lado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) conta com o apoio de petistas e bolsonaristas. PSD, PT, Pros, PSC e Republicanos integram um grupo de aproximadamente 29 senadores.  

Por causa deste arranjo na disputa, a bancada de Mato Grosso do Sul chegará dividida nas eleições, ao contrário de 2018, quando Tebet, Nelson Trad Filho (PSD) e Soraya Thronicke (PSL) votaram em Davi Alcolumbre.  

Agora, Trad Filho acompanhará seu partido e votará em Pacheco, candidato de Alcolumbre e também mais alinhado ao governo federal. Além dele, outros nomes, como Flávio Bolsonaro (Republicanos) e toda a bancada do PT, devem acompanhar o senador de Minas Gerais.  

Soraya Thronicke ainda não decidiu em quem votará nas eleições para a presidência do Senado.

A ESCOLHA

Partido com a maior bancada, o MDB apressou a escolha de seu candidato à presidência do Senado para não perder terreno para Rodrigo Pacheco, candidato do atual presidente Davi Alcolumbre (DEM-AP).  

O partido começou com quatro postulantes à candidatura, mas no fim havia apenas Simone Tebet e Eduardo Braga na disputa. Diante do crescimento de Pacheco, que já tem adesão de vários outros partidos, na noite de segunda-feira, Braga telefonou para a colega de Mato Grosso do Sul, anunciando que retiraria sua candidatura.  

Ontem, depois da reunião que confirmou a candidatura, Simone Tebet disse que o MDB chega unido para a disputa. “O MDB não poderia pregar a democracia, se não a exercesse constantemente e internamente”, afirmou. 

Independência 

Simone Tebet aposta no discurso de independência do Legislativo para enfrentar Pacheco, alinhado ao governo e a Davi Alcolumbre. “Nossa candidatura não é oposição nem situação. Não significa oposição ao governo, como muitos querem. É uma independência harmônica a favor do Brasil”, ponderou.  

Entre as metas de Simone, está ajudar o governo federal no Plano Nacional de Imunização. “Para que possamos voltar à rotina e salvar vidas”, disse.  

A outra meta é acelerar a tramitação de reformas, como, por exemplo, a tributária. 

Bolsonaro: PT apoia quem eu tenho simpatia

O presidente Jair Bolsonaro disse ontem que “simpatiza” com o candidato do DEM à presidência do Senado, Rodrigo Pacheco (MG), e ironizou o apoio do PT ao mesmo nome. Além do aval do Planalto e do PT, Pacheco tem o respaldo do atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).

“O PT resolveu apoiar quem eu tenho simpatia no Senado. Eu nunca conversei com deputados do PT, do PCdoB e do Psol, nem eles procuraram falar comigo. Eu já sei qual a proposta deles”, afirmou o presidente em conversa com apoiadores, no Palácio da Alvorada. Na segunda-feira, o PT anunciou o apoio a Pacheco na disputa no Senado.

No fim do ano passado, Pacheco foi convidado por Bolsonaro para um almoço no Palácio da Alvorada com Alcolumbre, que selou a adesão do Planalto à sua candidatura no Senado. Ontem, Bolsonaro se referiu ao assunto para dar uma estocada no PT.

(Colaboraram Flávio Veras e Clodoaldo Silva, com Estadão Conteúdo)