A Polícia Federal desmantelou uma rede internacional de golpes com criptomoedas que teria movimentado mais de 280 milhões de dólares; a operação contou com apreensões de luxo e cooperação com agências dos Estados Unidos.
O Brasil volta ao centro do debate sobre os riscos e desafios do ecossistema cripto. Desta vez, não por um novo marco em adoção tecnológica, mas por uma das ações mais ousadas contra fraudes financeiras digitais na região: a Operação Fantasos.
Lançada pela Polícia Federal, a investigação visa desarticular uma complexa rede internacional dedicada a enganar investidores por meio de um esquema de pirâmide baseado em criptoativos.
Rede global, ostentação e fraude: os detalhes da operação
Segundo as autoridades, o golpe teria movimentado cerca de 1,6 bilhão de reais — aproximadamente 283 milhões de dólares na cotação atual.
A operação foi realizada em cidades do estado do Rio de Janeiro, como Petrópolis e Angra dos Reis, com o cumprimento de 11 mandados de busca e apreensão.
A Justiça Federal também determinou o bloqueio de bens no mesmo valor do prejuízo estimado.
Durante as buscas, foram apreendidos iates, carros de luxo, relógios sofisticados, joias, criptomoedas, grandes quantias em dinheiro vivo, computadores e celulares.
O material reforça o alto grau de sofisticação e ostentação do grupo criminoso, cujo líder teria arrecadado mais de 295 milhões de dólares entre 2016 e 2018, atraindo vítimas em diversos países com promessas de lucros rápidos através de investimentos em criptoativos.
A gravidade do caso mobilizou agências internacionais como o FBI, o IRS-CI (Serviço de Receita Interna Criminal dos EUA) e o HSI (Investigações de Segurança Interna), que colaboram com as investigações em andamento.
O lado obscuro da inovação e o apelo por regulamentação
A Operação Fantasos acontece em um momento de reflexão para o ecossistema digital brasileiro.
Durante o Web Summit no Rio de Janeiro, Guto Antunes, diretor da área de ativos digitais do Itaú Unibanco, defendeu publicamente a imposição de restrições para o saque de criptomoedas como uma medida necessária de proteção contra usos indevidos desses ativos.
“O crime organizado percebeu que as criptomoedas ofereciam operação 24/7 sem controle. Essa percepção levou muitos a rotularem os criptoativos como ferramentas de criminosos”, afirmou Antunes.
Ele também destacou a urgência de uma regulamentação clara e uniforme, especialmente no que diz respeito a operações de grande porte e pagamentos internacionais.
O Brasil, um dos líderes regionais em adoção cripto, enfrenta um duplo desafio: proteger os investidores e combater o crime financeiro sem sufocar a inovação que pode tornar o sistema financeiro mais acessível e transparente.
A Operação Fantasos é uma demonstração clara de que fraudes digitais exigem respostas de grande escala e colaboração internacional.
Ao mesmo tempo, sinaliza uma crescente maturidade institucional na proteção do ecossistema cripto, que continua a se expandir apesar dos obstáculos.
Será este o ponto de virada rumo a uma regulamentação mais eficaz e equilibrada no país?
Redação