FemicĂ­dios crescem e casos de estupro batem recorde no Rio em 2024

Foram 107 vĂ­timas no ano passado, contra 99 em 2023

Tâmara Freire – Repórter da Agência Brasil

Publicado em 08/03/2025 – 17:32

Rio de Janeiro

© Tânia Rêgo/Agência Brasil

Versão em áudio

O nĂşmero de mulheres vĂ­timas de feminicĂ­dio aumentou 8% no estado do Rio de Janeiro em 2024. Foram 107 vĂ­timas, contra 99 registradas em 2023. 

Esse Ă© o segundo maior patamar desde 2016, quando este crime passou a ser contabilizado nas estatĂ­sticas feitas pelo Instituto de Segurança PĂşblica. 

O dado faz parte do Panorama da Violência Contra a Mulher 2025, lançado neste sábado (08), Dia Internacional da Mulher, pelo Governo do Estado.

O termo feminicĂ­dio designa o assassinato de mulheres como crime de Ăłdio ou em contexto de desigualdade de gĂŞnero, como violĂŞncia domĂ©stica, por exemplo. 

Em 2015, isso se tornou uma qualificação, o que agrava a pena por homicídio. No ano passado, o feminicídio foi transformado em um crime autônomo, que não agrava a pena.

O mesmo panorama mostra que o assassinato de mulheres em razĂŁo do seu gĂŞnero cresceu mesmo com a diminuição de 26,3% dos homicĂ­dios dolosos com vĂ­timas femininas, o que inclui tambĂ©m aqueles em que o sexismo nĂŁo foi um fator determinante. 

Em 2024, foram 140 registros – o que significa que 76% dessas mulheres foram vítimas de feminicídio. Já em 2023, o estado do Rio teve 190 homicídios dolosos em geral praticados contra mulheres, incluindo 99 feminicídios, ou seja 52% do total.

AlĂ©m disso, as delegacias do estado receberam 370 denĂşncias de tentativa de feminicĂ­dio em 2024, um recorde na sĂ©rie histĂłrica, que Ă© 20% maior do que os 308 registros feitos em 2023. 

O Rio de Janeiro conta com 14 Delegacias Especializadas de Atendimento Ă  Mulher, e em 2024, somente nessas unidades foram feitos mais de 36 mil registros de ocorrĂŞncia, sendo 22.710 relacionados a medidas protetivas.

A denĂşncias de estupro feita por mulheres e meninas tambĂ©m bateram o recorde histĂłrico em 2024, passando de 5 mil, cerca de 300 a mais do que em 2023. 

Já os casos de importunação sexual – que é o termo correto para a prática mais conhecida como assédio, quando alguém pratica atos libidinosos sem o consentimento da outra pessoa – foram 2441, outro recorde.

DenĂşncia e ajuda

AlĂ©m de denunciar qualquer tipo de violĂŞncia diretamente nas delegacias, as vĂ­timas tambĂ©m podem acionar a PolĂ­cia Militar, caso ainda estejam sofrendo a violĂŞncia ou em perigo iminente. 

No Rio de Janeiro, as vítimas de violência doméstica também são atendidas pelo programa Patrulha Maria da Penha, que tem como principal função garantir que as medidas protetivas sejam cumpridas e encaminhar as mulheres para a rede de proteção.

Em cinco anos, mais de 91 mil mulheres foram assistidas em cerca de 343 mil atendimentos.

As mulheres também podem baixar o aplicativo Rede Mulher, disponível para todos os aparelhos de celular.

Ele oferece informações sobre os serviços de proteção à mulher disponíveis no estado e também permite que a vítima peça socorro a amigos e familiares de forma rápida e fácil, e acione a Polícia Militar, com apenas alguns cliques.

Relacionadas

Bloco Quizomba, com a bateria

Mulheres ritmistas enfrentam preconceito como principal desafio

Ministério prevê inaugurar novas unidades de atendimento à mulher

Edição:

Denise Griesinger