Gestão sob tensão: quase metade dos líderes brasileiros classificam a pressão do trabalho como alta ou extrema

(crédito: iStock)

Estar à frente de um time nunca foi uma tarefa simples, mas, para boa parte dos líderes brasileiros, a rotina corporativa muitas vezes se transforma em uma fonte contínua de sobrecarga e desgaste emocional.

Em um estudo recente, 9 em cada 10 lideranças relataram trabalhar sob pressão constante no dia a dia — com 44,6% dos entrevistados a classificando como alta ou extrema, seja pelo acúmulo de responsabilidades, seja pela dificuldade em equilibrar estratégia e operação. 

Os dados acabam de ser divulgados pela Conquer In Company, unidade de treinamentos corporativos da escola de negócios Conquer.

Para entender os desafios enfrentados por quem conduz equipes nas organizações, nas últimas semanas, a empresa pediu que centenas de coordenadores, supervisores, gerentes e demais profissionais em posição de liderança mapeassem seus principais obstáculos e lacunas de crescimento.

A pesquisa, que também contou com a visão de profissionais de RH, aponta impactos diretos na saúde mental de quem está à frente dos times nas empresas.

Hoje, cansaço e esgotamento afetam 57% dos respondentes, enquanto a dificuldade de se desconectar do trabalho aparece em 53% das respostas. O dado mais alarmante, no entanto, diz respeito ao reflexo natural desse cenário: 70% dos entrevistados já consideraram deixar a liderança para ter mais bem-estar e qualidade de vida.

Principais descobertas do estudo: 

9 em cada 10 líderes brasileiros trabalham sob pressão — e quase metade (44,6%) classifica essa pressão como alta ou extrema; 
70% dos entrevistados já pensaram em largar o cargo pelo impacto na saúde mental; 78% assumiram a liderança sem formação suficiente, aprendendo a gerir na prática;  63% dos líderes acreditam que a capacitação de gestores é baixa prioridade dentro de suas próprias empresas, visão confirmada por 58,4% dos profissionais de RH. 

Em meio à sobrecarga, 7 em cada 10 líderes já pensaram em largar o cargo

De forma geral, o esgotamento destacado pela Conquer In Company tem raízes concretas na rotina de quem lidera. Isso porque, quando questionados sobre as responsabilidades que mais pesam no dia a dia, alguns pontos empataram no topo: desenvolver pessoas e gerenciar conflitos (58%), bem como conciliar estratégia e operação (58%). Lidar com mudanças constantes também apareceu em terceiro lugar, citado por 44% dos entrevistados.

Vale dizer que a tarefa de desenvolver pessoas, em especial, carrega desafios próprios que amplificam essa pressão. Entre os líderes que relataram dificuldades nessa frente, os principais obstáculos são a falta de tempo para olhar para o próprio time (20,9%), a ausência de ferramentas e processos adequados por parte da organização (17,1%) e o baixo engajamento da equipe (15,6%), fatores que transformam uma das funções centrais do cargo em mais uma fonte de estresse.


Na prática, essa combinação entre excesso de demandas e falta de suporte ajuda a explicar por que a saúde mental vem se tornando uma preocupação corporativa — e por que as novas gerações já demonstram resistência em assumir posições de gestão.
Uma pesquisa da consultoria Robert Walters revela que 2% dos profissionais da geração Z preferem crescer como colaboradores individuais a se tornar gestores.

Para os líderes que já estão no cargo, o peso é ainda mais concreto: 7 em cada 10 ouvidos pela Conquer in Company disseram já ter pensado em deixar a posição pensando no próprio emocional. 

Treinamento para líderes… ou a falta dele nas organizações

Se, de um lado, a pressão constante evidencia o peso crescente das responsabilidades atribuídas a quem lidera, por outro, o estudo da Conquer In Company revela um problema ainda mais estrutural: a falta de preparo adequado para assumir posições estratégicas nas empresas brasileiras.

No levantamento, 78% dos líderes afirmaram ter assumido o cargo sem formação suficiente, aprendendo a liderar com os desafios do cotidiano.

Os reflexos dessa lacuna aparecem diretamente na rotina: quase 9 em cada 10 dos profissionais admitiram conduzir processos de mudança sem clareza com certa frequência, ao mesmo tempo em que 63% consideram que a capacitação de líderes é baixa prioridade nas instituições onde trabalham. 

“No mercado de trabalho, existe uma percepção equivocada de que bons profissionais automaticamente se tornam bons líderes”, comenta Giovana Chimentão, Diretora de Educação da Conquer In Company.

“A liderança, no entanto, está longe de ser um talento inato: é uma competência construída. Desenvolver pessoas, lidar com a pressão, conduzir mudanças e dar direcionamento a equipes exige preparo, prática e evolução contínua. Quando a preparação não acompanha o aumento das responsabilidades, o desgaste e a sobrecarga acabam se tornando inevitáveis”. 

Afinal, o que o RH diz sobre a formação das lideranças?

É importante frisar que a percepção dos líderes sobre a falta de desenvolvimento também encontra respaldo na visão de quem os acompanha de perto dentro das empresas.

Para ampliar o diagnóstico, a Conquer In Company ouviu 350 profissionais de RH de diferentes setores e regiões do país — e os resultados reforçam a fragilidade na formação de quem lidera independentemente da área de atuação.

Durante o levantamento, 58,4% das pessoas de Recursos Humanos também reconheceram que o investimento na capacitação de lideranças é inexistente ou muito baixo em suas organizações, cenário impulsionado principalmente por culturas corporativas pouco orientadas ao crescimento e pela escassez de tempo para treinamentos.

Como consequência, mais da metade dos profissionais de RH (54,1%) avaliam que os líderes de suas organizações atingem apenas de forma moderada as exigências do cargo, ou seja, até atendem às demandas do dia a dia, mas ainda apresentam limitações importantes em situações de maior complexidade.

Já 34,6% classificam essa capacidade como baixa ou muito baixa, indicando dificuldades mais significativas para acompanhar as responsabilidades desse tipo de posição.

“Nossos dados mostram que as empresas já entenderam a importância de se formar gestores preparados, mas ainda encontram dificuldade em transformar esse entendimento em prioridade prática”, afirma Giovana Chimentão.

“Quando esse apoio fica em segundo plano, os impactos aparecem diretamente na dinâmica das equipes, no clima organizacional e na capacidade das empresas de sustentar crescimento e mudanças de forma saudável.”

Metodologia

Para o estudo, foram entrevistados 750 profissionais: 400 líderes (entre coordenadores, supervisores, gerentes e demais cargos de gestão) e 350 profissionais de RH de diferentes empresas, setores e regiões.

O índice de confiabilidade foi de 95%, com margem de erro de 3,3 pontos percentuais. Os respondentes foram consultados sobre saúde mental, sobrecarga de demandas, trajetória na liderança e as principais competências desafiadoras no cargo.

Sobre a Conquer in Company  

Unidade da Conquer com foco em treinamentos corporativos, a Conquer in Company tem como objetivo apoiar empresas que querem desenvolver suas equipes de forma prática e estratégica.

Para isso, a escola de negócios constrói jornadas de desenvolvimento sob medida para cada negócio, entre diagnósticos personalizados, trilhas de aprendizagem, projetos práticos e materiais de apoio, sempre focados em gerar evolução concreta da equipe.

Seus cursos, palestras e treinamentos seguem a missão geral da Conquer, que, desde 2016, vem transformando a educação corporativa no Brasil por meio de cursos livres, pós-graduações e imersões práticas voltadas às competências exigidas pelo mercado de trabalho. 

Conversion News
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