O maior risco corporativo no Brasil não é corrupção explícita, aponta estudo com 48 mil profissionais

Atlas PIR revela que conflito de interesses, assédio moral e troca de favores representam vulnerabilidades maiores do que fraudes explícitas nas organizações brasileiras

Renato Santos, sócio-diretor da S2 Consultoria
Divulgação

São Paulo, julho de 2026 — Apesar das notícias que, de tempos em tempos, revelam esquemas criminosos perpetuados em grandes empresas, os maiores riscos éticos dentro das corporações brasileiras não estão necessariamente em crimes evidentes, mas em situações ambíguas do cotidiano organizacional.

É o que mostra o “Atlas PIR – Dilemas da Integridade no Brasil”, levantamento conduzido pela S2 Consultoria com mais de 48 mil profissionais de 449 organizações e 13 setores econômicos.

A pesquisa foi lançada oficialmente no congresso Behavioral Science Lab (BEL) da FEA/USP. 

O estudo identificou que conflito de interesses, relações hierárquicas abusivas e recebimento de presentes aparecem como os principais pontos de vulnerabilidade ética nas empresas, superando práticas como desvio de recursos e sonegação fiscal.

Segundo o relatório, o conflito de interesses lidera o ranking de baixa resiliência ética, com 18,2%, seguido por assédio moral, com 16,9%, e recebimento de presentes, com 15,1%.

Já práticas tradicionalmente associadas a crimes corporativos tiveram índices muito menores de aceitação, como desvio de recursos, com 1%, e sonegação de impostos, com apenas 0,4%.

O estudo foi desenvolvido a partir do instrumento PIR – Potencial de Integridade Resiliente, metodologia que mede a capacidade de profissionais resistirem a pressões organizacionais que podem levar a decisões inadequadas.

A análise parte da premissa de que integridade não depende apenas de valores individuais, mas da interação entre ambiente organizacional, relações de poder e contexto decisório.

“O dado mais relevante da pesquisa é perceber que os maiores riscos éticos não aparecem nas fraudes óbvias, mas nas situações que as pessoas conseguem racionalizar no dia a dia. Pequenas concessões acabam sendo normalizadas dentro das organizações”, afirma Renato Santos, Sócio-diretor da S2 Consultoria e Doutor em Administração pela PUC-SP.

O Atlas PIR chama essas situações de “zonas cinzentas da integridade”. São contextos em que profissionais convivem com ambiguidades envolvendo favores, relações hierárquicas, presentes corporativos, pressões por metas, entre outros fatores.

Segundo os pesquisadores, justamente por não serem percebidos imediatamente como crimes ou atos altamente antiéticos, esses comportamentos tendem a gerar menor resistência moral.

Outro achado relevante envolve a diferença entre os níveis hierárquicos das empresas. Enquanto executivos e lideranças estratégicas apresentam maior vulnerabilidade em dilemas financeiros, como fraudes, profissionais em posições operacionais demonstram maior dificuldade em lidar com questões relacionais.

Por exemplo, entre os profissionais de nível operacional, os principais riscos identificados foram assédio moral, com 23,3%; conflito de interesses, com 21,8%; e recebimento de presentes, com 16,8%. Já no nível tático, o maior ponto de vulnerabilidade foi vazamento de informações, com 22,1%.

“Existe uma visão muito focada em corrupção clássica dentro dos programas de compliance, mas os dados mostram que a pressão cotidiana, as relações de poder e os pequenos desvios normalizados representam riscos muito maiores para a integridade organizacional”, ressalta Renato.

O vazamento de informações também apareceu como um dos problemas mais recorrentes em praticamente todos os setores analisados, incluindo indústria, financeiro, comunicação, logística e construção.

Para os pesquisadores, isso indica que a governança da informação se tornou um dos principais desafios éticos das organizações contemporâneas.

A pesquisa identificou, ainda, diferenças importantes entre setores econômicos. Comércio e varejo apresentaram os maiores índices de vulnerabilidade em assédio moral, com 29,9%, enquanto saúde registrou 23,9% em conflito de interesses.

Na indústria, conflito de interesses e vazamento de informações apareceram praticamente empatados, com 22,4% e 22,2%, respectivamente.

Para o autor do estudo, os resultados reforçam que programas de integridade precisam ir além de códigos de conduta e punições formais.

“Acreditamos bastante na aplicação de estratégias voltadas ao desenho organizacional, revisão de incentivos internos e gestão de liderança. Isso significa mudanças muito mais profundas do que simples treinamentos e punições voltadas para crimes óbvios, porque se trata do fortalecimento de uma cultura ética em todos os aspectos, inclusive em situações ambíguas do cotidiano corporativo”, conclui.

Sobre a S2 Consultoria

Fundada em 2014, a S2 Consultoria é referência nacional em ciência comportamental aplicada ao ambiente corporativo e na promoção de culturas éticas e transparentes. Seu trabalho se organiza em três pilares estratégicos: Prevenir, com a aplicação do PIR (Potencial de Integridade Resiliente) e outras ferramentas para mapear riscos e alinhar valores; Restabelecer, por meio de investigações corporativas conduzidas de forma técnica e imparcial, ajudando organizações a reconstruir ambientes íntegros; e Educar, com treinamentos, palestras e conteúdos que disseminam conhecimento e fortalecem lideranças.

Ao longo de sua trajetória, a S2 já atendeu companhias como Stone, Votorantim, Assaí, Localiza, Libbs, Tegra, Ypê, entre outras, consolidando-se como parceira estratégica na construção de organizações mais seguras e confiáveis.

Mais informações: https://s2consultoria.com.br.

Informações à imprensa

Eduardo Cosomano

EDB Comunicação

eduardo@edbcomunicacao.com.br     

(11) 97272-5400

Fernanda Ramos

EDB Comunicação

fernanda.ramos@edbcomunicacao.com.br 

(11) 98779-4591

Continue sempre bem informado acessando nossos portais:

  • Jornal Dia Dia – Sua fonte confiável para as melhores notícias e artigos úteis. Fique por dentro dos acontecimentos mais importantes, dicas práticas e conteúdos de qualidade.
  • Jornal Brasil Regional (JBR) – O pulso do país em tempo real. Notícias nacionais, regionais e internacionais com ética e credibilidade.
  • Castilho Notícias (News) – O seu diário local com cobertura de Castilho e Região (SP). Jornalismo com credibilidade.
  • Casa e Jardim – Dicas exclusivas sobre decoração, jardinagem, arquitetura, DIY, reformas e muito mais. Tendências, soluções práticas e ideias criativas para todos os estilos e orçamentos.
  • B10 Brasil – As principais notícias, análises e insights sobre negócios, economia e soberania nacional. Conectando o Brasil ao mundo com inteligência e estratégia.