foto: reprodução/Vittor Sales
– Por Juliana Aguiar – – 09:00 – Sem Comentários
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) será oficializado neste sábado (25) como candidato do Partido Liberal à Presidência da República nas eleições de 2026. A convenção nacional da legenda será realizada no Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo, e reunirá lideranças do partido e aliados políticos. O parlamentar chega ao evento sem um candidato a vice definido e ainda busca ampliar o arco de alianças para a disputa.
Entre os convidados confirmados para a convenção estão o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o presidente da Argentina, Javier Milei, além de uma participação por vídeo da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Flávio foi escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para representar o projeto político do bolsonarismo na corrida ao Palácio do Planalto, decisão anunciada em dezembro de 2025.
Desde então, a pré-campanha enfrentou uma série de desafios. Ao longo dos últimos meses, o senador teve seu nome associado às revelações envolvendo o Banco Master, protagonizou divergências públicas com Michelle Bolsonaro, enfrentou dificuldades para ampliar sua aprovação entre o eleitorado feminino, passou a ser alvo de críticas em meio ao debate sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros e encontrou resistência para consolidar alianças com partidos do Centrão.
Um dos principais objetivos da pré-campanha foi apresentar Flávio como uma liderança mais moderada em relação ao pai, buscando ampliar o diálogo com empresários, representantes do mercado financeiro e dirigentes partidários. No entanto, declarações recentes voltaram a gerar desgaste político.
Durante um encontro com diplomatas, realizado nesta semana em Brasília, o senador voltou a questionar a confiabilidade das urnas eletrônicas. Na ocasião, afirmou que os Estados Unidos teriam identificado indícios de fraude no sistema eleitoral eletrônico da Venezuela e relacionou o episódio ao modelo utilizado no Brasil. Como argumento, citou um relatório da CIA e declarou que muitas urnas eletrônicas brasileiras teriam “a mesma origem” das produzidas pela empresa venezuelana Smartmatic. As afirmações foram desmentidas pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
A repercussão entre dirigentes de partidos do Centrão foi negativa. Integrantes dessas legendas avaliam que episódios como esse dificultam a construção de uma coligação ampla e aumentam o custo político de um eventual apoio ao candidato do PL. O PP já decidiu permanecer neutro no primeiro turno e, por integrar a federação União Progressista com o União Brasil, inviabilizou o apoio do bloco à candidatura de Flávio. O Republicanos, partido de Tarcísio de Freitas, também avalia adotar posição semelhante.
Outro desafio da campanha é melhorar o desempenho junto ao eleitorado feminino. O cenário se tornou mais delicado após o rompimento público com Michelle Bolsonaro, ocorrido em junho, em meio a divergências sobre as articulações políticas do partido no Ceará. A crise levou Michelle a deixar a presidência do PL Mulher, enquanto Flávio afirmou que não mantinha mais relação com a ex-primeira-dama.
Depois do episódio, o senador passou a defender a escolha de uma mulher para compor sua chapa como candidata à Vice-Presidência. Em 16 de julho, lançou o programa “Plano Brasil por Elas”, que reúne propostas voltadas às mulheres, incluindo a criação da Central da Mulher, plataforma destinada a oferecer serviços de proteção, acolhimento, qualificação profissional e incentivo à autonomia financeira.
Às vésperas da convenção, Flávio também buscou reconstruir a relação com Michelle Bolsonaro. Na última quinta-feira (23), divulgou um vídeo pedindo desculpas à ex-primeira-dama e defendendo a união do grupo político para enfrentar o PT nas eleições. Após o gesto, Michelle aceitou a reaproximação e o nome da vereadora Priscila Costa (PL-CE), aliada da ex-primeira-dama, passou a ser apontado como um dos favoritos para ocupar a vaga de vice, embora nenhuma definição tenha sido anunciada.
Além das articulações políticas, a campanha também tenta enfrentar o desgaste provocado pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Embora Flávio afirme ter atuado para impedir a adoção das medidas, inclusive participando de audiência pública nos Estados Unidos, o episódio alimentou críticas da oposição e passou a ser explorado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que sustenta que integrantes da família Bolsonaro teriam atuado em favor das tarifas e contra os interesses do Brasil.
A oficialização da candidatura neste sábado marca o início formal da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, que entra na disputa ainda em busca de um vice e de alianças capazes de fortalecer sua candidatura para o primeiro turno das eleições de 2026.
O Estado Online
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