Atiradores tinham apenas foto do alvo e jovem foi morto por engano em Dourados

Dívida de R$ 300 mil teria motivado a execução

Anna Gomes – 26/08/2026 – 12:54 – Vitor foi morto por engano, conclui investigações da polícia. (Foto: Osvaldo Duarte/Dourados News/Arquivo)

A Polícia Civil confirmou nesta quarta-feira (26) que o jovem Vitor Orsini, de 19 anos, foi morto por engano durante uma execução ocorrida na tarde de 7 de agosto, em Dourados. Segundo as investigações, os criminosos tinham apenas uma fotografia do verdadeiro alvo e acabaram confundindo a vítima no momento do ataque.

De acordo com o delegado Lucas Albé, do SIG (Setor de Investigações Gerais), os dois atiradores vieram de Ponta Porã sem conhecer pessoalmente o homem que deveria ser assassinado. A identificação equivocada ocorreu quando o piloto da motocicleta apontou Vitor como sendo a pessoa da fotografia. A polícia afirma que o erro foi agravado pelo fato de os executores não conhecerem a cidade e de um deles estar sob efeito de drogas durante a ação.

Após o crime, os mandantes teriam informado à dupla que a vítima havia sido executada por engano. “Vocês mataram a pessoa errada”, teria sido a mensagem repassada aos criminosos quando retornaram para Ponta Porã.

As investigações apontam que a execução foi encomendada em razão de uma dívida estimada em R$ 300 mil. O valor seria cobrado do verdadeiro alvo por um empresário de Ponta Porã, apontado pela polícia como um dos articuladores do homicídio.

Para atrair a vítima ao local da emboscada, os envolvidos utilizaram o celular de Vitor. Na manhã do crime, o empresário conversou com o jovem simulando uma negociação de veículo e marcou um encontro para as 14h na garagem do pai da vítima. O compromisso, porém, era destinado ao verdadeiro alvo.

Segundo a investigação, o homem que seria assassinado confirmou em depoimento que havia sido chamado ao endereço, mas se atrasou porque fazia compras com a esposa e ainda passou por uma loja de materiais de construção. Durante o trajeto, soube do assassinato de Vitor e desistiu de seguir até o local.

Para a Polícia Civil, esse atraso de poucos minutos foi determinante para que o verdadeiro alvo escapasse da morte, enquanto Vitor acabou sendo confundido e executado. O delegado informou ainda que a análise do celular do jovem descartou qualquer envolvimento dele com atividades criminosas ou ameaças anteriores.

Investigação identifica seis envolvidos

Segundo a Polícia Civil, seis pessoas participaram da ação criminosa. Entre elas, estão os dois executores que saíram de Ponta Porã em uma BMW: o atirador Denis Barbosa de Melo, natural de Brasília, e o piloto da motocicleta. Conforme a investigação, Denis não é pistoleiro profissional e estava na região há cerca de quatro meses, realizando transporte de drogas, tendo aceitado participar do crime para quitar uma dívida.

Midiamax

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