
“GRITA! em ação” é o informativo de notícias do Movimento de Cidadania GRITA! – Ano 4, nº 70 10/09/2026
A poucas semanas do dia 4 de outubro, a pergunta que deveria estar no centro da campanha quase não se ouve: o eleitor vai à urna com a cabeça — ou com o coração? Vivemos, como mostramos na edição 68 a partir de Philipp Hübl, um espetáculo moral: a exibição de virtude substitui a prática da ética.
Nesta edição, o GRITA! leva o diagnóstico à urna: o voto emotivo vence o racional porque a emoção chega primeiro — e a razão, quando chega, já encontra a decisão tomada. Em 2026, a inteligência artificial turbinou essa fragilidade: não fabrica apenas mentiras, fabrica sentimentos sob medida.
A democracia não morre apenas de golpes — morre da emoção sem exame. Em 4 de outubro, o Brasil decide se continua plateia do espetáculo ou se assume, de uma vez, o papel de protagonista. Boa leitura.Equipe GRITA!
Quando o investigado fala com o juiz: o que o Congresso pode — e deve — fazer A Operação Lava Jato foi questionada, e em parte anulada, porque mensagens revelaram a proximidade entre o procurador e o juiz — o acusador que conversava com o julgador.
Pois bem: no caso do Banco Master, a relação revelada é de natureza muito mais grave. Não é o acusador que conversa com o juiz. É o próprio investigado que conversa com o ministro.
Relatório da Polícia Federal revelou trocas de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, com indícios de ao menos oito encontros.
O banco foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central, sob suspeita de fraudes bilionárias na concessão de crédito, emissão de títulos irregulares e criação de carteiras falsas.
E o escritório de advocacia da esposa do ministro foi contratado pela instituição.
Na Lava Jato, questionou-se a promiscuidade entre acusação e julgamento. Aqui, o que se desenha é a promiscuidade entre o investigado e o julgador — com o agravante de que o caso envolve o próprio tribunal que julga os demais poderes.
A reação não veio apenas da oposição.
Os três maiores jornais do país — O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo e O Globo — publicaram editoriais cobrando, em diferentes graus, a saída de Moraes da Corte e uma posição do Senado. Seccionais da OAB (Rondônia, Rio Grande do Sul e Espírito Santo) pedem investigação independente, afastamento cautelar do ministro e suspeição do procurador-geral da República. Delegados de Polícia pedem o impedimento de Gonet, citado dezenas de vezes no relatório.
O presidente do STF recebeu pedido de afastamento de Moraes dos processos do 8 de janeiro. A BBC fala em crise sem precedentes na Corte.
E o Congresso? O que senadores e deputados podem fazer, na prática?
Primeiro: a CPMI.
O requerimento para investigar o Banco Master já reúne assinaturas muito acima do mínimo constitucional — 42 senadores e 238 deputados no pedido da oposição, além de outro com 181 deputados e 35 senadores. O entrave não é número: é o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, que se recusa a ler os requerimentos em plenário. A CPMI existe no papel; falta quem a instale.
Segundo: o impeachment.
A Constituição atribui ao Senado processar e julgar ministros do STF por crime de responsabilidade (art. 52, II, CF, e Lei 1.079/1950).
Há 109 pedidos acumulados contra ministros da Corte, e novos pedidos pelo caso Master foram protocolados por senadores. O próprio Judiciário tentou estreitar o caminho em 3 de dezembro de 2025, quando o ministro Gilmar Mendes decidiu, monocraticamente, que apenas a Procuradoria-Geral da República poderia denunciar ministros ao Senado — retirando do cidadão comum um direito que a lei lhe dava — e o STF suspendeu trechos da Lei de Impeachment que tratavam do afastamento de ministros.
Ou seja: quem deveria ser fiscalizado mudou as regras do próprio julgamento, mas recuou parcialmente, uma semana depois, e o tema segue aguardando análise do plenário – a questão relativa à PGR caiu, mas partes seguem suspensas, como o quórum qualificado.
Terceiro: a fiscalização ordinária. Comissões do Senado já aprovaram pedidos de informação sobre as operações do BRB e da Caixa ligadas ao Master. Requerimentos, convocações e o controle do orçamento do Judiciário são instrumentos que não dependem de ninguém pautar nada — dependem apenas de vontade política dos parlamentares.
O diagnóstico do GRITA! é direto: o Congresso tem os instrumentos, mas falta-lhe a vontade.
Enquanto o presidente do Senado resiste em instalar a CPMI e a pautar o impeachment, e enquanto o Judiciário altera as regras do próprio julgamento, o cidadão assiste a uma crise institucional sem precedentes desde a redemocratização.
A resposta definitiva, mais uma vez, está nas urnas: eleger legisladores que exerçam de fato o papel de fiscalizar o poder — inclusive o poder que se julga acima de tudo.
O Plano Estado-Nação do GRITA! prevê exatamente isso: um Congresso que fiscaliza, um Judiciário sem foro privilegiado e sem impunidade, e uma República em que ninguém — nem bandido, nem ministro — fale às escondidas com quem vai julgá-lo.
O voto que sente e o voto que pensa: por que a emoção vence a razão naurna — e como inverter o jogo Na edição 68, apresentamos a tese do filósofo alemão Philipp Hübl: vivemos um Moralspektakel, um espetáculo moral em que a exibição de virtude substitui a prática da ética, e o pertencimento ao grupo pesa mais do que a verdade. Ficou uma pergunta no ar — e é dela que trata esta matéria: se a política se tornou espetáculo, o que acontece com a decisão mais importante do cidadão, o voto? A resposta, incômoda, é que o voto é, na maioria das vezes, uma decisão emocional.
E o espetáculo moral foi desenhado exatamente para explorar essa fragilidade.Hübl nos mostrou que somos criaturas tribais: valorizamos mais o senso de pertencimento do que a verdade, e a postura moral correta virou símbolo de status.
Traduza isso para a urna.
O voto emotivo é o voto do pertencimento: votamos no candidato que nos faz sentir parte de algo, que ativa nossa identidade, que parece “do nosso lado”. Não examinamos o histórico dele — examinamos a nossa emoção.
O candidato que desperta indignação, esperança ou medo na medida certa ganha a confiança sem precisar provar competência. É o voto do “parece”: parece honesto, parece preparado, parece autêntico.
O voto racional é o voto do “verifica”: exige histórico, propostas, ficha limpa, prestação de contas, coerência entre discurso e prática.
A tragédia é que a emoção chega primeiro — e a razão, quando chega, já encontra a decisão tomada. O espetáculo moral não precisa convencer o eleitor de que o candidato é bom; precisa apenas fazê-lo sentir que é.
Em 2026, essa fragilidade ganhou uma máquina de amplificação: a inteligência artificial generativa. É a primeira eleição brasileira sob o impacto pleno dessa tecnologia.
As máquinas fabricam não apenas mentiras perfeitas — vozes clonadas de candidatos, vídeos falsos, áudios inventados — mas emoções sob medida.
A IA não engana o raciocínio; ativa o sentimento. Um áudio falso não precisa ser acreditado como fato: basta gerar indignação, e a indignação vira voto.
O Tribunal Superior Eleitoral fechou acordo com uma empresa de síntese de voz para combater a clonagem de áudio e criou um órgão de monitoramento — e uma pesquisa recente mostrou que 49,8% dos brasileiros são contra qualquer uso de IA em propaganda eleitoral.
O instinto está certo: a desconfiança é o primeiro filtro. Mas desconfiar não basta. Sem método de verificação, a desconfiança vira paranoia — ou, pior, cansaço: “tudo é mentira, então voto em quem me faz sentir algo”.
E é aqui que o diagnóstico se encontra com a escola. Os resultados do IDEB 2025, divulgados em agosto, mostraram que a educação básica brasileira segue sem conseguir atingir as metas em todos os níveis de ensino.
A escola que não forma leitores críticos, que não ensina a distinguir fato de opinião, fonte confiável de rumor, argumento de slogans, entrega ao mercado eleitoral um eleitor desarmado: um eleitor que vota com a emoção que a campanha fabricar.
O espetáculo moral encontra terreno fértil onde a educação falhou — quem não aprendeu a pensar não tem como resistir a quem fabrica sentimentos.
O GRITA! conecta os dois pontos com uma clareza que falta ao debate público. A Política Moderna não se constrói apenas com regras eleitorais melhores — constrói-se com cidadãos melhores.
Por isso o Plano Estado-Nação, no pilar Educação, não trata a escola como fábrica de mão de obra, mas como escola de cidadania: formação que ensina a pensar, a questionar, a verificar e a exigir.
E o movimento oferece instrumentos práticos para transformar o voto emotivo em voto racional: o SIC — Sistema de Informação de Candidatos — ajuda o eleitor a selecionar e conhecer candidatos com atuação coerente com o PEN, e o SEP — Sistema do Eleitor Protagonista — permite acompanhar o desempenho dos eleitos depois da urna. Porque o voto racional não termina no dia da eleição: começa antes, na verificação, e continua depois, na cobrança.
Sofia, a sabedoria, fecha o debate com a Política Moderna: o voto emotivo é o voto do espetáculo; o voto racional é o voto da sabedoria.
A democracia não morre apenas de golpes — morre também de indiferença à verdade e de emoção sem exame. Quando o pertencimento pesa mais que os fatos, quando a escola não forma o pensador crítico, quando a campanha fabrica sentimentos em escala industrial, o palco está montado para o espetáculo.
Na edição 68, mostramos o diagnóstico. Nesta edição, o caminho: pensar é um dever cívico — e votar é o ato final de um processo de verificação, não o gesto inicial de uma esperança cega. Em 4 de outubro, o Brasil não escolherá apenas representantes. Escolherá se continua sendo plateia — ou se decide, de uma vez, ser protagonista. O que você pode fazer pelo GRITA!
Gostou deste conteúdo? Repasse-o para seus amigos! Por e-mail, com um simples reenviar da mensagem. Neste botão abaixo você consegue encaminhar esta newsletter por WhatsApp a partir do celular. Por outras formas, copiando o link abaixo.
https://news.ouvifalar.com.br/grita-em-acao-70
Esses reenvios nos ajudam imensamente, igualmente com a sua colaboração!
Viu por meio de um(a) amigo(a) e quer ter acesso a newsletter por e-mail ou WhatsApp? Clique no botão abaixo para recebê-la gratuitamente.
Tome também as seguintes ações:• Apoie• Debata• Colabore• Divulgue• Seja crítico construtivo• Contribua nos estudos Think Tanks• Traga sua rede de contatos• Colabore financeiramente
Para auxiliar ou saber mais sobre o GRITA!: Caso deseje contribuir com algum valor único ou mensal, nosso código PIX é o e-mail pix@grita.net.br.
Se houver interesse de sua parte em acompanhar nossas atividades pelo Whatsapp, é só entrar no grupo GRITA! em ação por este link: https://chat.whatsapp.com/JEckwAvqmOKAE2mEd1Dyc5
Caso queira receber a newsletter por WhatsApp, basta entrar neste grupo, a publicação é disponibilizada por esse canal.
Seja nosso apoiador! https://campanha.grita.net.br/
Conheça nossos canais: https://www.youtube.com/@GritaBR (noticiário e atualidades) https://www.youtube.com/@gritanetbr (lives e conteúdos).
Facebook: https://www.facebook.com/GritaNetBr/
Instagram: https://www.instagram.com/gritanetbr/
X: https://x.com/GritaNetBr
Pautas GRITA!
Democracia PlenaEvolução da cidadaniaÉtica na Gestão PúblicaDesenvolvimento Social SustentávelDesenvolvimento Econômico Sustentável
Expediente: Conselho da Associação GRITA!: Arnaldo Coutinho, Carlos Roberto Teixeira, Cassio Taniguchi, Eduardo Guy de Manuel, Luiz Maria Guimarães Esmanhoto (presidente), Manoel Afonso Loyola e Silva, Raul Antônio Del Fiol, Roberto Heinrich. Conselho Editorial GRITA! em ação: Americo Richieri Filho, José Emílio Endres Neto, Oscar Akio Nawa e Roberto Heinrich.
Planejamento, criação, redação, produção e veiculação: Ouvi Falar Comunicação e Marketing. Jornalista responsável: Adriana Taques Mussi Endres, MTB nº 3474/13/57.
Direção de arte e distribuição: José Emílio Endres Neto – fale@ouvifalar.com.br.
• Suas opiniões e sugestões serão sempre muito bem-vindas!
Caso tenha algo a nos dizer, por gentileza envie sua mensagem para noticia@grita.net.br.
• Veja as nossas newsletters anteriores clicando abaixo (diversas estão em um link bitly, irá pedir um novo clique, você pode clicar e acessar com segurança): https://grita.net.br
Continue sempre bem informado acessando nossos portais:
- Jornal Dia Dia – Sua fonte confiável para as melhores notícias e artigos úteis. Fique por dentro dos acontecimentos mais importantes, dicas práticas e conteúdos de qualidade.
- Jornal Brasil Regional (JBR) – O pulso do país em tempo real. Notícias nacionais, regionais e internacionais com ética e credibilidade.
- Castilho Notícias (News) – O seu diário local com cobertura de Castilho e Região (SP). Jornalismo com credibilidade.
- Casa e Jardim – Dicas exclusivas sobre decoração, jardinagem, arquitetura, DIY, reformas e muito mais. Tendências, soluções práticas e ideias criativas para todos os estilos e orçamentos.
- B10 Brasil – As principais notícias, análises e insights sobre negócios, economia e soberania nacional. Conectando o Brasil ao mundo com inteligência e estratégia.


