Em comício em Curitiba, presidente defendeu abertura integral das investigações, criticou vazamentos seletivos e elevou o tom contra adversários políticos
13/09/2026 Política
07:00 DA REDAÇÃO – ©DIVULGAÇÃO Campanhase eleições
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a cobrar neste sábado (12) a divulgação integral das investigações do Banco Master e fez críticas à forma como o processo vinha sendo conduzido no Supremo Tribunal Federal (STF). Durante comício em Curitiba (PR), Lula afirmou ter conversado sobre o assunto com o presidente da Corte, Edson Fachin, e acusou, sem citar nominalmente André Mendonça, a existência de divulgação seletiva de informações.
Candidato à reeleição, Lula defendeu que os documentos sejam tornados públicos para permitir a identificação de todos os envolvidos. O discurso ocorreu no mesmo dia em que Fachin determinou a transferência para a Presidência do STF da Petição 16.662, até então relatada por Mendonça.
“Eu disse a ele que não era possível o cidadão, que é um juiz relator, ficar soltando matérias pinçadas. Somente aquilo que interessava a ele. E eu pedi para liberar todo o processo. Deixar nu, para saber quem é que está por trás disso”, declarou Lula ao mencionar a conversa que disse ter mantido com Fachin.
O presidente prosseguiu: “Vamos deixar às claras para ver quem é ladrão e corrupto nesse país. E a família Bolsonaro não escapa.”
Lula faz acusações sobre Vorcaro
Ao abordar o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, Lula elevou o tom e afirmou que a abertura das informações poderá revelar episódios envolvendo pessoas da política.
“O Vorcaro já está preso. Mas agora vai começar a aparecer as orgias que ele fazia. As mulheres da Suíça, da Suécia, para fazer sacanagem com muita gente da política. Isso vai começar a aparecer. Portanto, quem fez putaria, vai ser desmascarado”, disse.
As declarações foram feitas por Lula durante o discurso e não vieram acompanhadas, no evento, da apresentação de documentos ou provas que comprovassem essas alegações específicas.
Vorcaro, ex-dono do Banco Master, é investigado por suspeitas de fraudes envolvendo o sistema financeiro. As responsabilidades individuais dos investigados ainda dependem da conclusão das apurações e dos respectivos processos.
Presidente também fala sobre ministros do Supremo
Sem identificar a quem se referia, Lula também declarou que integrantes do Supremo não podem utilizar o cargo para enriquecimento pessoal.
“Ninguém pode ser ministro da Suprema Corte para ficar rico. Aquilo é um sacerdócio. As pessoas têm que ter um padrão de comportamento acima da média da sociedade”, afirmou.
Na quarta-feira (9), o presidente já havia defendido publicamente a quebra completa do sigilo das investigações relacionadas ao Master.
Na ocasião, Lula afirmou em uma rede social que o país precisava de “mais transparência e não vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral”.
A discussão sobre o acesso aos documentos ganhou dimensão dentro do próprio STF. A Procuradoria-Geral da República (PGR) também defendeu que os ministros tenham conhecimento da integralidade dos elementos necessários antes das deliberações da Corte, preservadas situações em que a publicidade possa comprometer diligências.
Lula critica superávit e controle fiscal
O presidente também utilizou o comício para defender maior investimento público e criticar a prioridade dada ao resultado fiscal.
“Para gerar emprego, a economia tem que crescer, e para economia crescer, o governo tem que investir. E para o governo investir, é preciso parar com essa babaquice de fazer superávit, fazer superávit, de ter controle fiscal. Porque a grande dívida do Brasil é a taxa de juros que nós pagamos, R$ 1,3 trilhão. O restante é investimento”, declarou.
Materialde referência geográfica
A manifestação contrasta com declaração feita pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) na quarta-feira (9). Durante encontro com empresários em Brasília, Alckmin afirmou que, em caso de reeleição, o governo Lula buscará superávit nas contas públicas.
O vice-presidente também defendeu o corte de privilégios no Judiciário e no Legislativo como forma de reduzir desperdícios de recursos públicos.
Comício teve candidatos do Paraná
As declarações foram feitas durante ato eleitoral na Boca Maldita, região central de Curitiba.
Estavam no palanque os candidatos do PT ao Senado Gleisi Hoffmann e Dr. Rosinha, além do candidato ao governo paranaense Requião Filho (PDT).
Lula também direcionou ataques ao ex-juiz Sergio Moro (PL), candidato ao governo do Paraná e responsável pela condenação do petista em processo da Operação Lava Jato, em 2017.
“Nosso adversário é frouxo, mentiroso. Sou vítima da mentira dele”, afirmou.
Ao pedir votos para Requião Filho, Lula voltou a atacar um dos concorrentes, sem ampliar a crítica aos demais candidatos.
“Eu não vou falar mal de outros candidatos que eu não conheço todos eles. Mas aqui tem um que é candidato que não vale o que come”, declarou.
Curitiba repete cenário da campanha de 2022
Lula também realizou comício na Boca Maldita durante a campanha presidencial de 2022. Naquele momento, estava acompanhado de Roberto Requião, então candidato do PT ao governo do Paraná e pai de Requião Filho.
Na eleição daquele ano, Requião recebeu 26,23% dos votos, ficando em segundo lugar. Ratinho Junior (PSD) venceu no primeiro turno, com 69,64%.
Em 2026, Roberto Requião disputa uma cadeira na Câmara dos Deputados pelo PDT e também participou do ato deste sábado.
Campanhase eleições
Presidente associa Master e INSS à oposição
A passagem pelo Paraná faz parte de uma agenda de campanha de Lula pela região Sul. Na sexta-feira (11), o candidato esteve em Porto Alegre (RS), onde abordou programas federais, violência contra as mulheres, investigações do INSS e o Caso Master.
Na capital gaúcha, Lula atribuiu à oposição responsabilidades políticas pelas irregularidades investigadas na Previdência.
“A direita abriu uma CPI e tentou jogar nas nossas costas a responsabilidade pela corrupção na previdência social. A quadrilha do INSS foi montada por eles, foi criada no governo Bolsonaro, foi desmontada por mim. Eles enriqueceram no governo Bolsonaro e estão presos no meu governo”, afirmou.
Em seguida, voltou a citar Vorcaro.
“E eles não pararam por aí. Eles criaram um banqueiro, chamado Vorcaro. Em 2019, na época deles, o bandido virou banqueiro. No meu mandato, ele virou prisioneiro”, declarou.
As afirmações representam a versão apresentada pelo presidente durante a campanha e integram a disputa política sobre a responsabilidade pelas irregularidades investigadas.
Uma agenda de Lula prevista para Florianópolis (SC) neste domingo (13) acabou cancelada.
Flávio Bolsonaro promete cinco indicações ao STF
Também neste sábado, o principal adversário de Lula na disputa presidencial, Flávio Bolsonaro (PL), participou de ato eleitoral em Cabo Frio (RJ) e voltou suas críticas ao Supremo.
Flávio afirmou que, caso seja eleito, pretende indicar cinco ministros para o STF. A conta considera a possibilidade de eventual impeachment de Alexandre de Moraes.
“Eu vou indicar cinco homens e mulheres que são contra o aborto, contra as drogas, que respeitem a Constituição, que sejam a favor do desenvolvimento das cidades, sem essa radicalidade de licenciamentos ambientais que na verdade entravacam o desenvolvimento”, disse.
O candidato também tentou associar politicamente Lula a Moraes.
“O mau exemplo está vindo de cima. Está vindo do presidente da República, que abandonou o país. Quem governa o Brasil é o Alexandre de Moraes. Quem vota em Lula está votando em Alexandre de Moraes”, afirmou.
Materialde referência geográfica
A disputa em torno do Banco Master entra, assim, no centro da campanha presidencial ao mesmo tempo em que provoca uma crise institucional no Supremo. Enquanto Lula cobra a abertura completa dos documentos e acusa adversários, Flávio Bolsonaro utiliza as informações envolvendo Moraes para atacar o presidente e a atuação da Corte.
O próximo movimento institucional ocorrerá na terça-feira (15), quando o plenário do STF deverá analisar a Petição 16.662 e decidir os próximos passos do procedimento relacionado às informações envolvendo Moraes e Vorcaro.
Jornal do Estado MS
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