Gaeco aponta repasses de R$ 9,6 milhões a empresas ligadas a sócio de Alir Terra na Santa Casa

Investigação da Operação Antidotum também identificou transferência de R$ 200 mil do empresário para a presidente do hospital; defesa contesta acusações

14/09/2026 08:00 DA REDAÇÃO – ©DIVULGAÇÃO

A investigação que apura supostas irregularidades na gestão da Santa Casa de Campo Grande identificou cerca de R$ 9,6 milhões em pagamentos a empresas vinculadas ao advogado Paulo da Cruz Duarte, apontado como sócio particular da presidente do hospital, Alir Terra Lima. Os repasses ocorreram enquanto o plano de saúde da instituição acumulava prejuízo superior a R$ 3,5 milhões.

As informações constam de relatório produzido no âmbito da Operação Antidotum, que investiga a administração da instituição e levou à prisão de Alir Terra Lima e outros integrantes da direção do hospital. A apuração busca esclarecer as circunstâncias das contratações, dos pagamentos realizados e das relações financeiras existentes entre os envolvidos.

Além de Alir, foram presos Rinaldo Hakme Romano, diretor financeiro; Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa, diretor financeiro adjunto; Alessandro Dias Junqueira, diretor administrativo; e o empresário Maurício Aparecido Benites, segundo as informações divulgadas sobre a operação.

MP aponta concentração de contratos

De acordo com o relatório da investigação, Paulo da Cruz Duarte possui nove empresas registradas e pelo menos cinco delas teriam contratos com a Santa Casa.

Para os investigadores, a distribuição dos serviços entre diferentes pessoas jurídicas ligadas ao mesmo empresário teria criado uma estrutura capaz de atuar em diferentes setores relacionados à operadora de saúde.

O Ministério Público descreve a existência de uma “estrutura empresarial voltada a dominar diferentes áreas da Santa Casa Saúde, fragmentando atividades jurídicas, comerciais, financeiras, administrativas, assistenciais e tecnológicas entre pessoas jurídicas submetidas ao mesmo núcleo de controle”.

A investigação sustenta que essas contratações teriam favorecido interesses privados em prejuízo da situação financeira da instituição. Apesar das dificuldades registradas nas contas do plano de saúde, os pagamentos às empresas vinculadas ao advogado teriam continuado.

As suspeitas fazem parte da apuração e ainda estão sujeitas ao contraditório e à defesa dos investigados.

Transferência de R$ 200 mil é investigada

Outro elemento destacado pelo Gaeco é uma transferência de R$ 200 mil atribuída a Paulo da Cruz Duarte para uma conta de Alir Terra Lima.

Segundo trecho do relatório, a movimentação estaria “evidenciando fluxo financeiro pessoal entre a diretora-presidente da Santa Casa e o empresário cujas empresas passaram a ser sucessivamente inseridas na Operadora Santa Casa Saúde”.

A existência e a finalidade dessa movimentação financeira estão entre os pontos analisados pelos investigadores no conjunto das suspeitas envolvendo as relações entre os dirigentes e empresas contratadas.

O escritório do advogado Paulo da Cruz Duarte foi procurado para comentar as acusações apresentadas no relatório, mas, conforme informado, não havia respondido.

Defesa diz que Alir não ordenava pagamentos

Após a audiência de custódia, a defesa de Alir Terra Lima, representada pelo advogado Murilo Marques, contestou as imputações e afirmou que a presidente da Santa Casa não era responsável pela autorização dos pagamentos da instituição.

“Alir está bem, está indignada com as imputações. Enquanto presidente da Santa Casa, ela não realiza nenhum pagamento, não é ordenadora de despesa, então ela está bem confusa com todas as acusações. A gente está começando a preparar a defesa dela para, no início da semana, fazer o pedido de revogação da prisão preventiva”, declarou o advogado.

Sobre as suspeitas envolvendo empresas contratadas pela operadora, a defesa também sustenta que Alir Terra não tinha responsabilidade direta sobre a administração do plano de saúde.

“A Alir não tem gestão sobre a operadora do plano de saúde”, afirmou Murilo Marques.

A apuração da Operação Antidotum deverá avançar sobre os contratos, pagamentos e movimentações financeiras identificados pelos investigadores. As responsabilidades individuais ainda dependerão do desenvolvimento das investigações e da análise judicial das provas reunidas.

Jornal do Estado MS

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