EUDR: falhas na gestão de dados podem comprometer preparação de exportadores para novas regras europeias

Com a aplicação das regras previstas para dezembro, empresas precisam validar informações de origem e rastreabilidade antes de declarar conformidade

Foto:arquivo

São Paulo, setembro de 2026 – Empresas brasileiras que exportam commodities para a União Europeia entram na reta final de preparação para atender às novas exigências do Regulamento Europeu Antidesmatamento (EUDR). Para grandes e médias empresas, as regras passam a valer em 30 de dezembro de 2026.

Entre os requisitos definidos está a coleta de informações sobre a origem dos produtos, incluindo a geolocalização de todas as áreas onde as commodities foram produzidas, além de evidências que permitam avaliar se a produção está livre de desmatamento ocorrido após 31 de dezembro de 2020 e realizada de acordo com a legislação do país de origem. A Comissão Europeia também estabelece que a diligência devida envolve avaliação de risco e, quando necessário, medidas de mitigação.

Nesse processo, um dos desafios para os exportadores está na qualidade e na integração dos dados recebidos ao longo da cadeia. Materiais incompletos, divergências entre bases ou problemas na identificação das áreas de produção podem dificultar a validação da origem dos produtos e a construção das evidências necessárias para a declaração.

“Não basta simplesmente reunir documentos. É preciso ter certeza de que os dados correspondem àquela área de produção e que as diferentes informações da cadeia podem ser cruzadas e verificadas”, afirma André Santos, gerente de projetos da Geoambiente, empresa brasileira de inteligência geoespacial.

Um exemplo está nos dados geográficos das propriedades. A localização declarada pelo fornecedor precisa ser compatível com outras averiguações utilizadas na análise. O cruzamento pode envolver referências cadastrais e fundiárias, ambientais e imagens de satélite, permitindo verificar características e histórico da área de produção.

O Cadastro Ambiental Rural (CAR) é uma das fontes que podem ser utilizadas nesse processo, mas uma única base não necessariamente responde a todas as questões necessárias para a avaliação. A própria Comissão Europeia determina que o operador reúna informações e evidências verificáveis sobre a produção e avalie o risco de não conformidade.

“Uma inconsistência que parece pequena em uma base de dados pode ganhar outra dimensão quando aquele detalhe precisa sustentar a declaração. Por isso, é importante validar a origem, cruzar as informações de diferentes fontes e manter as evidências que deram suporte à análise”, explica Santos.

A necessidade de estruturar esses dados se torna ainda mais relevante porque a responsabilidade pela diligência devida recai sobre o operador que coloca o produto no mercado europeu. Além disso, a Comissão Europeia determina que os registros relacionados ao processo sejam mantidos por cinco anos.

O sistema europeu permite que os operadores informem a origem dos produtos por meio de coordenadas ou áreas geográficas e aceita o envio desses materiais em formato específico (GeoJSON), o que exige que os dados de origem estejam estruturados e consistentes para serem validados.

Para empresas com cadeias de fornecimento mais complexas, o desafio é fazer com que essas informações estejam relacionadas aos respectivos produtos e fornecedores e possam ser recuperadas posteriormente. A inteligência geoespacial pode contribuir justamente nessa etapa, apoiando a validação da origem e a organização das evidências utilizadas no processo de conformidade.

“A tecnologia não substitui a responsabilidade do exportador, mas pode ajudar a transformar dados dispersos da cadeia em uma visão estruturada e fornecer os registros que sustentam aquela análise”, conclui Santos.

Sobre a Geoambiente

Com mais de 30 anos de atuação, a Geoambiente é um dos pilares do mercado brasileiro de dados geoespaciais, com expertise em Sensoriamento Remoto e Sistemas de Informação Geográfica (GIS). Parceira Premier do Google Cloud no Brasil desde 2012, impulsiona negócios por meio de Inteligência Artificial avançada e Analytics, unindo a robustez dos workloads de Google Cloud à inteligência de localização da Google Maps Platform e à produtividade do Google Workspace para criar soluções inteligentes, preditivas e orientadas a dados. É, desde 2026, representante exclusiva da CARTO no Brasil e entrega soluções para mapear, monitorar e gerar inteligência de negócio.

A empresa desenvolve soluções de inteligência de localização para diversos setores da economia, apoiando organizações como Bradesco, Suzano, Honda, Riachuelo, Samsung, Azul, entre outras, no acesso a APIs, desenvolvimento de aplicações e suporte especializado. Com mais de 1.000 projetos entregues e mais de 3 milhões de km² mapeados, a empresa conta com especialistas certificados e atua de ponta a ponta na transformação digital, incluindo cloud, dados, inteligência artificial e geolocalização.

Mônica Miliatti
monica.miliatti@nr7.ag
(11) 97860-2386

Continue sempre bem informado acessando nossos portais:

  • Jornal Dia Dia – Sua fonte confiável para as melhores notícias e artigos úteis. Fique por dentro dos acontecimentos mais importantes, dicas práticas e conteúdos de qualidade.
  • Jornal Brasil Regional (JBR) – O pulso do país em tempo real. Notícias nacionais, regionais e internacionais com ética e credibilidade.
  • Castilho Notícias (News) – O seu diário local com cobertura de Castilho e Região (SP). Jornalismo com credibilidade.
  • Casa e Jardim – Dicas exclusivas sobre decoração, jardinagem, arquitetura, DIY, reformas e muito mais. Tendências, soluções práticas e ideias criativas para todos os estilos e orçamentos.
  • B10 Brasil – As principais notícias, análises e insights sobre negócios, economia e soberania nacional. Conectando o Brasil ao mundo com inteligência e estratégia.