Análise de abertura de mercado, 8 de outubro

por William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue

Primeiro, ontem tivemos a divulgação da ata do Fed, que era um dos principais indicadores da semana. O documento mostrou que a maioria dos dirigentes do Banco Central americano considera apropriado um novo aumento de juros até o final do ano. Acho que isso sacramentou a ideia de que devemos ter mais uma alta.

Por outro lado, a ata também deixou claro que não parece haver pressa, por parte dos dirigentes do Fed, para subir os juros rapidamente. É preciso analisar os dados e acompanhar a evolução do cenário. Houve bastante discussão sobre a taxa de juros neutra, e o consenso é de que a taxa atual ainda não é suficientemente restritiva. Ao mesmo tempo, permanece a postura de parcimônia, com os dirigentes acompanhando a evolução dos dados, especialmente do mercado de trabalho, que parece estar em equilíbrio.

Além disso, as altas recentes tiveram um impulso muito forte das captações privadas. Ou seja, todo esse investimento em inteligência artificial tem aumentado a demanda por crédito no mercado em geral.

O que fica disso? Em resumo, devemos ter um novo aumento de juros, mas a ata reforçou a percepção de que talvez não tenhamos uma alta já em outubro e que o próximo aumento fique para dezembro.

Saindo da ata, hoje começamos o dia com o petróleo subindo cerca de 4%, depois que Donald Trump fez declarações mais agressivas, voltando a falar em bombardeios massivos contra o Irã. Isso, obviamente, impacta a commodity.

Com o petróleo subindo, os yields também repercutem esse movimento. Começamos o dia com as taxas dos Treasuries voltando a subir, tanto nos títulos de dois e dez anos quanto nos de 30 anos. E aí temos aqueles encadeamentos tradicionais: isso acaba fortalecendo o dólar, enfraquecendo o ouro e impactando alguns setores específicos.

O setor de real estate, por exemplo, acaba sofrendo, enquanto os bancos também têm apresentado uma performance mais fraca, diante da preocupação com a concessão de crédito em um ambiente de juros elevados.

Então, em linhas gerais, começamos o dia com esse tom. A agenda de hoje é mais fraca. Christopher Waller, um dos dirigentes do Fed, fala às 17h30. Além disso, temos os pedidos de auxílio-desemprego e o estoque de petróleo, que são indicadores que podem movimentar o mercado, embora não sejam, em princípio, os principais destaques da agenda.

No cenário interno, continuamos acompanhando muitas notícias relacionadas às eleições e ao avanço da PEC 6, que pode ser interpretada como uma tentativa do atual governo de obter ganhos eleitorais. Por outro lado, apoiadores de Flávio Bolsonaro devem tentar barrar a medida no Congresso e no Senado.

Enfim, continuamos envolvidos nesse ambiente eleitoral, que traz um componente de incerteza e também de expectativas em relação ao segundo turno. Isso acaba arrefecendo um pouco aquele ímpeto inicial que vimos na segunda-feira.

Carolina Montuori
carolina.montuori@agencia.pub
(11) 3031-0746

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