Ele assumirá formalmente o cargo de primeiro-ministro na segunda-feira (20)
Issy Ronald, da CNN17/07/26 às 08:21 | Atualizado 17/07/26 às 08:44
O prefeito de Manchester, Andy Burnham • Christopher Furlong/Getty Images
Andy Burnham foi confirmado nesta sexta-feira (17) como o novo líder do Partido Trabalhista — atualmente no poder no Reino Unido — e se tornará o sétimo primeiro-ministro do país em uma década de instabilidade política, ao suceder Keir Starmer na segunda-feira (20).
Embora a confirmação oficial da ascensão de Burnham tenha ocorrido apenas nesta sexta-feira, na prática, ele já era o líder designado do partido desde que venceu uma eleição parcial decisiva no mês passado, o que lhe permitiu retornar ao Parlamento e desafiar Starmer.
Os resultados do Partido Trabalhista nas eleições locais de maio foram vistos como um indício do que poderia acontecer se Starmer — amplamente impopular, apesar de ter conquistado uma vitória eleitoral esmagadora há dois anos — liderasse o partido na próxima eleição nacional.
Burnham, então prefeito da Grande Manchester, surgiu como a melhor alternativa viável na busca do partido por um novo líder.
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Uma eleição suplementar foi articulada — com seu aliado Josh Simons renunciando ao cargo em Makerfield, um reduto histórico do Partido Trabalhista no norte da Inglaterra onde o partido populista de extrema-direita Reform UK vem ganhando força —, e Burnham saiu vitorioso dessa disputa que atraiu grande atenção.
Apesar de ter prometido permanecer no cargo, Starmer anunciou sua intenção de renunciar poucos dias depois.
Ao vencer em Makerfield, Burnham demonstrou aos parlamentares trabalhistas — receosos de perderem suas cadeiras na próxima eleição geral — que era capaz de enfrentar o Reform, partido que liderava as pesquisas de opinião nacionais há meses.
A eleição para a liderança rapidamente se transformou em uma aclamação, uma vez que uma maioria incontestável dos 403 parlamentares do partido declarou apoio a Burnham.
Carreira política
Ele assumirá o cargo na sede do governo britânico (o número 10 de Downing Street) na segunda-feira (20), coroando uma longa carreira política.
Durante sua primeira passagem por Westminster, entre 2001 e 2017, integrou os gabinetes de Tony Blair e Gordon Brown, chegando a ocupar o cargo de ministro da Saúde e a disputar, por duas vezes sem sucesso, a liderança do Partido Trabalhista.
Pouco depois de sua segunda tentativa, ele retornou ao noroeste da Inglaterra — sua terra natal — e candidatou-se ao recém-criado cargo de prefeito de Manchester em 2017.
Lá, ele se estabeleceu como um contraponto a Westminster, evidenciando a profunda divisão norte-sul do país e ganhando a alcunha de “Rei do Norte”. A economia e a rede de transporte público de Manchester prosperaram durante sua gestão.
Ao contrário de Starmer, Burnham tem uma narrativa clara — a descentralização de poder para além de Londres — que permeia suas políticas.
Desafios do cargo
No entanto, as armadilhas que derrubaram Starmer espreitam a maioria das questões que Burnham precisa enfrentar. As promessas que ele apresentou em um discurso em junho — como intensificar a construção de habitações sociais, a reindustrialização e colocar serviços públicos essenciais sob maior controle estatal — precisam ser financiadas de alguma forma, em meio às mesmas restrições orçamentárias que prejudicaram Starmer.
“As pessoas têm a sensação subjacente de que o Estado não está funcionando muito bem no momento”, disse Simon Kaye, diretor de políticas do think tank Re:State, apontando para as dificuldades enfrentadas pela economia, pelo NHS (Serviço Nacional de Saúde) e pelo sistema de assistência social.
A apresentação de uma análise fundamental sobre a disparada dos custos da previdência social está prevista para o outono, o que provavelmente forçará decisões difíceis — especialmente para um novo primeiro-ministro de centro-esquerda ciente dos custos políticos que seu antecessor enfrentou ao tentar cortar gastos com o bem-estar social.
Além disso, por uma coincidência de cronograma, Burnham assume o cargo justamente quando reformas significativas na imigração tramitam no Parlamento, obrigando-o a definir imediatamente sua posição sobre essa questão altamente controversa.
Ainda assim, embora Burnham atue no mesmo ambiente que Starmer, ele é considerado um comunicador melhor do que seu antecessor tecnocrata.
“Trata-se, na verdade, de um experimento em tempo real sobre a importância do mensageiro”, disse Kaye à CNN. “A questão da descentralização de poderes já está em andamento sob a gestão de Starmer. Burnham vai impulsioná-la com mais força e falar muito mais sobre o assunto.”
“As restrições fiscais serão as mesmas… Então, qual é a importância — para a bancada parlamentar do Partido Trabalhista e para o sentimento nacional — de o mensageiro ser apenas um pouco mais carismático?”
Os ventos contrários à economia — incluindo os desdobramentos do Brexit, a pandemia de Covid e a crise energética provocada pela invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia — permanecem tão fora do controle de Burnham quanto estavam para Starmer.
Anos de austeridade após a crise financeira de 2008 fizeram com que o crescimento econômico — e a renda das famílias — estagnassem em grande parte desde então.
Relações exteriores
Além disso, o cenário internacional é tão imprevisível que tentativas de revitalização econômica podem rapidamente fracassar.
Embora a previsão seja de que o Reino Unido apresente a terceira maior taxa de crescimento do G7 neste ano, os preços elevados de energia desencadeados por uma guerra envolvendo o Irã poderiam facilmente comprometer esse desempenho.
De muitas maneiras, o país ainda está assimilando sua condição de potência média, incapaz de exercer grande influência nos assuntos globais.
As recentes disputas orçamentárias em torno do aumento dos gastos com defesa — que não resultaram no compromisso do Reino Unido com as metas de gastos da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), mesmo em meio à continuidade das guerras na Ucrânia e no Oriente Médio — apenas ilustram essa situação.
Até mesmo as duas relações diplomáticas mais importantes do país — com os Estados Unidos e a Europa — tornaram-se difíceis de gerir para os primeiros-ministros, devido à dupla influência do Brexit e da administração Trump.
Não é apenas na geopolítica que Burnham terá de lidar com uma relação potencialmente delicada com a administração Trump, da qual ele tem sido crítico.
O setor de tecnologia também já foi envolvido nessa questão: a intenção do Partido Trabalhista de proibir o acesso de menores de 16 anos a redes sociais — a maioria pertencente a empresas dos EUA — provocou oposição da embaixada americana em Londres, e a garantia de acesso a modelos de inteligência artificial pode se tornar outro ponto de atrito.
Assim como seu antecessor, Burnham assume o cargo em um momento em que o Reino Unido clama por mudanças. Concretizar essas mudanças pode depender tanto de forças fora do controle do governo quanto do próprio líder.
CNN Brasil
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