Bebês prematuros podem e devem ser amamentados

22 de outubro de 2021 Off Por Danielsuzumura
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Romana Novais postou sobre a questão; ONG Prematuridade.com ressalta importância

Nesta semana, a médica e esposa do DJ Alok, Romana Novais, postou em seu perfil do Instagram uma foto amamentando a filha, Raika, que nasceu de parto prematuro, com 32 semanas de gestação, em dezembro de 2020. “Nem eu acredito que a Raika mama até hoje. Prematurinha… escutei tanto que seria difícil e que era para me acostumar com a ideia de não amamentar ela. Difícil foi, e muito. Mas seguimos aqui rumo a 1 ano”, disse, na publicação.

A nutrição do recém-nascido prematuro é um dos principais desafios enfrentados nas UTI’s Neonatal e pelas famílias dessas crianças. Os bebês pré-termo necessitam de cuidados especiais e, por mais complicada que a situação possa parecer, ações como o aleitamento materno, por exemplo, são possíveis, ressalta a nutricionista especialista em neonatologia, membro do Conselho Científico e da coordenação da campanha Novembro Roxo, da ONG Prematuridade.com, Viviane Matos.

O leite materno da mãe prematura que teve um bebê com 29 semanas é diferente da que teve com 31 semanas ou da mãe que teve um bebê a termo, porém, todos esses leites são adequados às necessidades da criança, frisa a nutricionista. “Acredita-se ainda que a composição nutricional do leite da mãe de prematuro é diferenciada no primeiro mês de vida, quando comparado ao leite da mãe de um recém-nascido a termo. Os estudos mostram que o leite da mãe de prematuro apresenta um maior teor calórico, proteico, lipídio e de componentes imunológicos. É como se a natureza tentasse compensar as altas demandas nutricionais do prematuro através do leite da sua mãe”, ressalta.

Nos casos em que a produção do leite materno da própria mãe se torna insuficiente e não é possível oferecer leite humano de bancos de leite – que é a segunda melhor opção para garantir o crescimento e desenvolvimento adequados para os prematuros -, há a opção de fórmulas artificiais.  “Existem atualmente fórmulas lácteas especialmente concebidas para prematuros, que são reforçadas com calorias e nutrientes para que correspondam às exigências nutricionais no período de crescimento rápido dos prematuros”, fala.

Viviane explica que existem evidências suficientes de que a nutrição inadequada em períodos precoces da vida provoca forte impacto no desenvolvimento em longo prazo. “A má nutrição em um período vulnerável do desenvolvimento cerebral resulta, entre outras, na diminuição do número de células cerebrais, com prejuízos importantes no desenvolvimento cognitivo, comportamento, aprendizado e memória”, explica. “Além disso, é preciso lembrar que o prematuro já nasce em uma situação de risco nutricional, uma vez que perdeu o período de estoque de nutrientes (3° trimestre de gestação). Como se não bastasse as baixas reservas nutricionais, o prematuro apresenta uma alta demanda metabólica, com necessidades nutricionais aumentadas”, completa.

Mesmo que o bebê não esteja com a mãe no quarto da maternidade e não haja perspectivas de ele sugar o seio tão cedo, a diretora executiva da ONG Prematuridade.com, Denise Suguitani, reforça que é preciso pensar imediatamente na amamentação. “O estímulo ao aleitamento materno na UTI pode ser mais complexo, mas é possível, sim, amamentar o prematuro. É um processo que requer mais paciência, por isso é importante que as equipes orientem corretamente e estimulem as mães a amamentar, sem pressioná-las demais. Para os prematuros, cada gota de leite conta, seja de colostro ou do leite maduro, ele vale ouro”.

Sobre a ONG Prematuridade.com

A Associação Brasileira de Pais, Familiares, Amigos e Cuidadores de Bebês Prematuros – ONG Prematuridade.com, é a única organização sem fins lucrativos dedicada, em âmbito nacional, à prevenção da prematuridade, à educação continuada para profissionais de saúde e à defesa de políticas públicas voltadas aos interesses das famílias de bebês prematuros.

A ONG é referência para ações voltadas à prematuridade e representa o Brasil em iniciativas e redes globais que visam o cuidado à saúde materna e neonatal. A organização desenvolve ações políticas e sociais, bem como projetos em parceria com a iniciativa privada, tais como campanhas de conscientização, ações beneficentes, capacitação de profissionais de saúde, colaboração em pesquisas, aconselhamento jurídico e acolhimento às famílias, entre outras.

Atualmente, são cerca de 5 mil famílias cadastradas, mais de 150 voluntários em 21 estados brasileiros e um Conselho Científico Interdisciplinar de excelência. Mais informações: https://www.prematuridade.com/

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