Brasileiras são principal público da cirurgia íntima no mundo

31 de março de 2022 Off Por Ray Santos
Compartilhar

A ginecologista Ana Flávia Cavalcante destaca que aparência genital ainda é um tabu e a falta de debate impacta na baixa autoestima e na vida sexual feminina

O Brasil ainda é o país que mais realiza cirurgias plásticas no mundo todo. Contudo, nos últimos anos, as brasileiras se tornaram o principal público da cirurgia íntima, conforme aponta a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (Isaps, na sigla em inglês). De acordo com Ana Flávia Cavalcante, membro da Singulari Medical Team, diversos procedimentos que já eram comuns no consultório dermatológico também se tornaram alternativas para cuidar da área genital feminina e estão diretamente ligados à autoestima e à qualidade de vida.

Cirurgia íntima e autoestima

Como mostra um levantamento recente da Nielsen Brasil, em parceria com a Troiano Branding, 68% das mulheres estão insatisfeitas com a aparência de suas regiões íntimas. Para a ginecologista, esses números reforçam a importância de se debater o assunto tanto para desfazer o tabu persistente como para tornar mais conhecidos os tratamentos disponíveis, como a própria cirurgia íntima.

“É muito comum eu atender mulheres com baixa autoestima e vergonha do próprio corpo, relatando que a aparência da sua região íntima é desagradável e traz insegurança”, relata a médica. “Algumas evitam mostrar seu corpo, tirando a roupa no escuro. Outras evitam relação sexual a todo custo. Eu me pergunto se a cirurgia ou alguns procedimentos poderiam resolver esses traumas, às vezes, profundos. Muitas vezes a resposta é sim”, argumenta.

De fato, Ana Flávia destaca que embora alguns ainda vejam esses procedimentos como secundários, a estética íntima chegou para dar fim a essas barreiras e melhorar tanto a saúde como a autoestima e a confiança das mulheres. “Defendo a busca pela nossa realização e satisfação pessoal, sem contar os benefícios funcionais que esses procedimentos proporcionam”, reforça.

Harmonização íntima

Como explica a médica, na medida em que procedimentos já consolidados no consultório dermatológico passaram a ganhar espaço também nos cuidados com a estética genital, surgiu o termo harmonização íntima. “Já nos referimos assim ao conjunto de recursos usados para remodelar, diminuir a flacidez e clarear a região”.

Como ela afirma, tratamentos com laser, peelings, preenchimento, bioestimuladores e botox já fazem parte dos cuidados femininos com a região genital. Cada procedimento tem sua indicação específica e juntos ou separados podem ajudar a resgatar a aparência jovial ou mudar completamente alguma questão específica que incomode a paciente.

Os bioestimuladores, por exemplo, atuam melhorando a flacidez dos grandes lábios (lábios externos), os preenchedores dando volume, os peelings colaborando com o clareamento íntimo e os lasers com estímulo de colágeno.

Já a toxina botulínica é uma opção para tratar a hiperidrose, que é a transpiração excessiva em algumas áreas, inclusive na região genital, que pode ser causa de constrangimento. Seu uso também surge como coadjuvante para melhora do vaginismo, que é uma condição que gera dor e desconforto nas penetrações. “Sentir dor ou desconforto na relação sexual não é e nunca será normal”, frisa a médica.

Os procedimentos são necessários?

A especialista lembra que a vagina e toda a região pélvica passam por mudanças naturais ao envelhecimento, assim como outras áreas do corpo. “Aos 20 anos, os órgãos reprodutores atingem o tamanho adulto. Não há mais oscilação. Se algo incomoda, essa é uma boa hora para corrigir. Aos 30 anos, acontecem algumas mudanças hormonais. Nesse período, a depilação já pode ter deixado a região mais escura, por exemplo. Aos 40, o assoalho pélvico e a parede da vagina podem estar mais frouxos, o que causa uma perda de urina em algumas ações como tossir e espirrar. Além disso, a pele da vulva e a mucosa vaginal tornam-se flácidas por perda de colágeno”, exemplifica.

Diante de tudo isso, a ginecologista reforça que é preciso ter em mente que vulva e vagina são únicas e se pautar por possíveis padrões é um risco. Dito isso, Ana Flávia explica que alguns pontos precisam ser levados em conta. “A mulher deve pensar: ‘Eu preciso mesmo disso? Vai me fazer bem? É o que realmente me afeta? É um desejo meu ou é para agradar alguém?’. Nunca se esqueça, o mais importante de tudo é você estar bem consigo mesma. Não existe um padrão para a região íntima e jamais existirá. Cada vulva é única, assim como você”, finaliza.

Plena Estratégias Criativas


Compartilhar