Brasileiros são os que mais sentem que país está em declínio entre 25 nações pesquisadas pela Ipsos

Brasileiros são os que mais sentem que país está em declínio entre 25 nações pesquisadas pela Ipsos

29 de julho de 2021 Off Por Danielsuzumura
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Estudo também traz dados sobre nativismo, populismo e um possível declínio da sociedade

Na opinião de 69% das pessoas do Brasil, o país vive um período de declínio. O percentual coloca o país em primeiro lugar, entre 25, como a que pior enxerga a situação atual de sua própria nação. Os dados são da pesquisa Broken-System Sentiment in 2021, realizada pela Ipsos com entrevistados de 25 países – sendo mil brasileiros. Após o Brasil, os países com piores índices são, em segundo lugar, o Chile, a África do Sul e a Argentina (cada um deles com 68%) e, em terceiro lugar no ranking, a Colômbia (67%).

O ponto de vista negativo se estende à sociedade local. Para 72% dos respondentes no país, a sociedade brasileira está falida. De 25 nacionalidades, é a segunda que pior se avalia, empatada com a Hungria (72%). Em primeiro lugar está a África do Sul, com 74%, e fechando o top 3, está o conterrâneo latino-americano Chile, com 69%.

Sociedade falida

A maneira como a população brasileira entende as motivações políticas e econômicas de seu país é um fator relevante no entendimento majoritário de que o Brasil está em declínio e de que nossa sociedade está falida. Quatro em cada cinco entrevistados (80%) acham que a economia do Brasil é manipulada para beneficiar os ricos e poderosos. Além disso, 78% acham que partidos e políticos tradicionais não ligam para as pessoas comuns.

“Encontrar o Brasil em primeiro lugar em um ranking tão negativo nos obriga a refletir a respeito de como estamos caminhando como nação e que tipo de futuro estamos construindo. É importante que as pessoas se sintam desconfortáveis com a posição que ocupamos neste ranking e vejam estes números como um convite para um debate mais amplo, sobre o que nos trouxe até este ponto e o que temos que mudar para reverter esta tendência”, avalia Helio Gastaldi, diretor de Public Affairs na Ipsos.

Com relação às expectativas para o governante da nação, 74% dos respondentes acreditam que o Brasil precisa de um líder forte para recuperar o país das mãos dos ricos e poderosos. Não obstante, seis em cada 10 (61%) creem que, para consertar o país, é preciso um líder forte disposto a quebrar regras.

Populismo

A contraposição povo versus elite também foi foco do levantamento da Ipsos. Para 82% dos brasileiros, a elite política e econômica não se importa com pessoas que trabalham duro. Três quartos do total de entrevistados no país (76%) acreditam que a principal divisão da sociedade do Brasil é entre cidadãos comuns e a elite política e econômica.

Ainda no âmbito político, a esmagadora maioria (87%) acha que os políticos sempre acabam encontrando maneiras de proteger seus privilégios. Por fim, entre cada 10 brasileiros, sete (70%) creem que as questões políticas mais importantes na nação devem ser decididas diretamente pelo povo através de referendos, não pelos governantes eleitos.

“Os números compõem uma forte crítica à classe política e às elites que governam o país. Estas são vistas como entidades muito distantes do povo, e que trabalham basicamente em benefício próprio. Os números denotam um forte ressentimento em relação às desigualdades sociais e representam um alerta importante para que estas instituições possam rever seus papeis enquanto agentes públicos, assumindo de maneira mais efetiva suas responsabilidades perante a sociedade”, analisa Gastaldi.

Nativismo

Em contraponto com as questões referentes às situações política e econômica da sociedade, os percentuais de concordância dos brasileiros com as afirmações referentes à promoção dos interesses da população nativa se mantiveram mais baixos.

No Brasil, pouco mais da metade (53%) concorda que, quando há poucos empregos, as empresas devem priorizar a contratação de pessoas deste país em vez de imigrantes. Ademais, 34% acreditam que os imigrantes tiram o trabalho dos nascidos no país e apenas 26% acham que o Brasil seria uma nação mais forte se a imigração fosse interrompida.

A pesquisa on-line foi realizada com 19.017 entrevistados com idades entre 16 e 74 anos de 25 países. Os dados foram colhidos entre 26 de março e 09 de abril de 2021 e a margem de erro para o Brasil é de 3,5 pontos percentuais.

Sobre a Ipsos

A Ipsos é uma empresa de pesquisa de mercado independente, presente em 90 mercados. A companhia, que tem globalmente mais de 5.000 clientes e 18.130 colaboradores, entrega dados e análises sobre pessoas, mercados, marcas e sociedades para facilitar a tomada de decisão das empresas e das organizações. Maior empresa de pesquisa eleitoral do mundo, a Ipsos atua ainda nas áreas de marketing, comunicação, mídia, customer experience, engajamento de colaboradores e opinião pública. Os pesquisadores da Ipsos avaliam o potencial do mercado e interpretam as tendências. Desenvolvem e constroem marcas, ajudam os clientes a construírem relacionamento de longo prazo com seus parceiros, testam publicidade e medem a opinião pública ao redor do mundo. Para mais informações, acesse: www.ipsos.com/pt-br

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