Chamamos de cardiopatia congênita o conjunto de doenças cardíacas que afetam as pessoas desde o nascimento, causadas por alguma má-formação na estrutura do coração.
O Brasil comemora em 12 de junho o Dia Nacional de Conscientização da Cardiopatia Congênita, uma data que tem o objetivo de educar o público sobre a importância do diagnóstico precoce, sintomas e tratamento adequado dessas condições.
As cardiopatias congênitas atingem aproximadamente 1 a cada 100 bebês nascidos vivos e podem ser de diversos tipos e níveis de gravidade.
Podem ser causadas por fatores genéticos, ambientais e por algumas infecções ocorridas durante o início da gestação, mas na maioria das vezes não é possível determinar a causa com precisão.
Pacientes com algumas síndromes, como a Síndrome de Down, têm uma ocorrência maior de problemas cardíacos.
Nem todas as cardiopatias congênitas requerem intervenção cirúrgica, enquanto outras necessitam de várias cirurgias ao longo da vida.
Em todos os casos, é importante realizar um acompanhamento constante e atento, para que não haja piora na condição da criança e para que ela tenha a rotina mais normal possível.
Como unidade de tratamento de alta complexidade, o Instituto Nacional de Cardiologia é uma das unidades mais completas do SUS no tratamento de todos os tipos de cardiopatias congênitas e atende pacientes não apenas do Rio de Janeiro, mas de todo o país.
Muitas vezes, o diagnóstico das cardiopatias congênitas é feito ainda durante a gestação, por meio de ultrassonografias e ecocardiogramas fetais.
Existem casos de intervenções feitas ainda no útero, embora sejam casos mais raros e específicos.
Ao nascer, todas as crianças devem fazer o exame do coraçãozinho nas primeiras 48 horas de vida. É um exame simples e indolor, que consiste na medição da oxigenação do sangue da criança por meio de um oxímetro colocado em seu dedinho.
O exame físico da criança também contribui para o diagnóstico ainda na maternidade.
No entanto, existem casos em que o paciente só é diagnosticado mais tarde, e por isso é muito importante que familiares e cuidadores estejam sempre atentos a sintomas que podem significar um problema cardíaco na criança, como cansaço ao mamar, dificuldade de ganhar peso e cianose, que é como chamamos quando a criança fica com uma cor azulada ou arroxeada, principalmente nos lábios e ponta do nariz.
Crianças maiores também podem relatar sensação de cansaço ao realizar qualquer esforço, assim como palpitações ou um ritmo irregular do coração.
Ao se deparar com esses sintomas, é essencial que a família busque assistência de saúde, para que a criança seja avaliada o mais rápido possível e, se for o caso, encaminhada para uma unidade especializada, que poderá oferecer a ela o atendimento mais apropriado, com exames mais complexos, cirurgias e procedimentos específicos, como o cateterismo.
É importante também que as equipes de saúde estejam atentas a esses mesmos sinais, para que possam reconhecê-los prontamente.
Hoje, com diagnóstico cada vez mais precoce e tratamentos mais eficientes e acessíveis, a cardiopatia congênita não é mais considerada uma sentença de morte precoce ou uma garantia de grandes limitações na vida de uma criança.
Cada vez mais crianças que nasceram com cardiopatias chegam à idade adulta e têm vidas plenas, produtivas e longas.
Tornam-se mães e pais, trabalham, estudam, realizam atividades físicas e até mesmo se dedicam a carreiras que exigem grande esforço físico, como o norte-americano Shaun White, tricampeão olímpico de snowboard, que nasceu com Tetralogia de Fallot, uma das cardiopatias congênitas mais comuns no mundo, e passou por cirurgias no primeiro ano de vida.
No INC, o número de adultos que acompanhamos desde a mais tenra infância cresceu tanto que hoje temos um setor dedicado aos pacientes adultos de cardiopatias congênitas, que já não são mais atendidos pela nossa Divisão de Cardiologia da Criança e do Adolescente.
Receber o diagnóstico de um problema cardíaco em uma criança pode ser uma experiência muito assustadora e angustiante para os familiares. Mas é importante destacar que existem muitos tratamentos, cirurgias e medicações que podem ajudar essas crianças, e que, se bem assistidas, elas podem viver plenamente.
Renata Mattos – Chefe da Divisão de Cardiologia da Criança e do Adolescente do INCAurora Issa
– Diretora do INC
(11 de junho de 2026)
Assessoria do Instituto Nacional de Cardiologia Marcelo Cajueiro – cajueiromarcelo@gmail.com
Bruna Gama – brunagama@gmail.com
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