Cia. Koi, de Lins, estreia espetáculo que une culturas japonesa e indígena, de 10 a 12 de junho

Cia. Koi, de Lins, estreia espetáculo que une culturas japonesa e indígena, de 10 a 12 de junho

13 de junho de 2022 Off Por Danielsuzumura
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‘Contos que a Terra Dá’ traz o Kamishibai, o teatro de papel de origem nipônica, e referências do povo Kaingang, com sessões online focadas nas cidades de Birigui, Cafelândia, Lins e Promissão

A Cia. Koi, de Lins, estreia o espetáculo “Contos que a Terra Dá”, cuja proposta é conectar as culturas japonesa e indígena, remetendo a indícios da construção da identidade do Oeste Paulista, região onde está sediada. Serão quatro apresentações online e gratuitas: nesta sexta-feira, 10 de junho, às 20h, focada em Birigui; sábado, 11, às 17h, voltada a Cafelândia, e 20h, a Lins; e domingo, 12, 17h, a Promissão. As transmissões serão pelo canal do YouTube da companhia.

As cidades foram escolhidas em razão de terem recebido famílias de imigrantes japoneses e em cujos territórios vivia o povo indígena Kaingang. Por acontecer na internet, pessoas de qualquer localidade podem acompanhar o espetáculo. O trabalho faz parte do projeto “Da Palha ao Papel – Caminhos de Encontro”, contemplado pelo ProAC Nº 36/2021, categoria Artistas Iniciantes, da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo.

“Contos que a Terra Dá” parte da pesquisa continuada da Cia. Koi com foco no Kamishibai, o teatro de papel, técnica tradicional japonesa que utiliza pranchas ilustradas para narrar histórias. Todas as exibições serão ao vivo, diretamente do Museu Histórico de Lins, e seguidas de bate-papo da equipe artística com o público via chat sobre o processo criativo, em diálogo com o contexto histórico e cultural de cada município. Em Lins, além da transmissão online, haverá sessão presencial com público limitado.

Com concepção e criação de Andressa Giacomini e Deraldo, que também assina a direção artística, “Contos que a Terra Dá” parte de uma dramaturgia autoral, trazendo três contos tradicionais, dois do Japão e um dos Kaingangs, e inspirações sobre aspectos culturais desses povos.

As histórias tratam de valores culturais, da relação com a terra, a natureza e os seres fantásticos que permeiam tais imaginários e suas transformações, ganhando vida através do Kamishibai e manipulação de bonecos de papel (ambos de autoria da ilustradora e artista plástica Amanda Marques), de performances cênicas, paisagem sonora, figurinos e elementos cenográficos. A encenação busca oferecer espaços de silêncio para que o público reflita, complete o enredo, faça sua leitura e crie sua perspectiva sobre os elementos que a compõem e os significados das histórias.

“O projeto faz referência aos materiais simbólicos das duas culturas: à palha, nas comunidades indígenas, e ao papel, na história do Japão, elementos tradicionais e de uso comum, que, em suas tramas, imprimem histórias, se unindo em um mesmo território na iniciativa”, pontuam os integrantes da Cia. Koi. O trabalho parte da descoberta de um cemitério indígena por agricultores japoneses na cidade paulista de Promissão, que posteriormente foi escavado e suas peças identificadas e catalogadas pelo imigrante japonês Kiju Sakai (antropólogo e arqueólogo), na década de 1930, materiais que atualmente encontram-se na reserva técnica do Museu Histórico de Lins.

Para subsidiar a pesquisa, a Cia. coletou informações junto à comunidade nipo-brasileira de Lins, visando à compreensão da simbologia das histórias e do vocabulário do enredo. A trilha sonora, por Michel Umeki, Álvaro Alves e Giacomini, é composta por canções que têm como base o violão inspirado no instrumento popular japonês “shamisen”. Como apoio rítmico, elementos percussivos, de sopro e instrumentos não convencionais remetem ao contato com a natureza.

Diferentemente do Kamishibai tradicional, em que o palco das histórias normalmente é uma caixa de madeira, adaptada e acoplada a uma bicicleta, a escolha cênica para esse espetáculo parte de uma mala que remete à chegada de um viajante, imigrante ou nômade, que está sempre em movimento e pronto para partir, atravessando e sendo atravessado pelos encontros que o caminho oferece, trazendo consigo histórias a compartilhar.

O figurino mistura peças tradicionais do Japão como “yukata” e “geta”, em contraste com vestimentas ocidentais e adornos indígenas, como cocar, braçadeira e cinto.

Oficina

Encerrando o projeto, a oficina online “Do Papel à Cena”, conduzida pela artista plástica e ilustradora Amanda Marques, tem como objetivo a criação de um boneco articulado de papel. Cada participante construirá seu personagem, explorando as possibilidades de manipulação e trazendo vida ao mesmo nas histórias.

Será dias 20, das 13h30 às 16h30 (Lins); 21, das 9h às 12h (Birigui); 22, das 19h às 22h (Promissão); e 23 de junho, das 17h às 20h (Cafelândia). São 30 vagas por cidade e o link da atividade será fornecido às pessoas inscritas por e-mail. A atividade é aberta ao público em geral, sendo que o foco são educadores, artistas e agentes culturais, a partir dos 16 anos. Inscrições via formulário online disponível no site www.ciakoiartes.com.br.

A programação também envolveu uma série de bate-papos online acerca de temas que permeiam a produção. O projeto tem apoio das Prefeituras Municipais de Lins, Cafelândia, Promissão e Birigui e da empresa Alink.

Sobre a Cia. Koi

Companhia fundada em 2019, em Lins, pelas irmãs Andressa Giacomini, atriz, e Amanda Marques, artista plástica e ilustradora, e o ator e arte-educador Deraldo, a Cia. Koi pesquisa o Teatro Kamishibai desde o início de sua criação. Seu primeiro trabalho, “Contos de Papel”, já trazia a cultura japonesa no teatro narrativo através da técnica surgida no Japão em meados do século XII como uma forma de ensinar os valores budistas para crianças e pessoas que não sabiam ler e escrever. Para desenvolver o novo espetáculo, o grupo agregou elementos da cultura indígena em conjunto com os da cultura japonesa já presentes em seu repertório.

Origem do nome

Ao pensar em criar a companhia, seus integrantes começaram a pesquisar contos populares de várias partes do mundo, chegando até a China. “Lá, a lenda da carpa (Koi em japonês) os envolveu pelo seu simbolismo e mensagem. “Dizem que todo ano, um grande número de carpas nadam para a cascata conhecida como ‘Portal do Dragão’. Debaixo da cascata, elas se chocam,  saltando e pulando para fora das águas agitadas; poucas persistem para alcançar as águas acima delas. Aquelas que resistem, tornam-se dragões.”

A partir da lenda, compreenderam que a conquista da carpa não está na competição, e muito menos na obstinação em se tornar a melhor. “Para nós, a carpa torna-se um dragão porque segue sua intuição com perseverança. Seguimos assim, na correnteza, e encontramos a nossa própria arte.”

SINOPSE:

“Contos que a Terra Dá” é um espetáculo da Cia. Koi que leva ao público histórias narradas com a interação de pranchas ilustradas (Kamishibai) e bonecos de papel, criando, assim, uma atmosfera de delicadeza e encantamento em proximidade com as culturas japonesa e indígena. Convida a uma experiência sensorial e reflexiva em relação ao mundo, tocando em valores essenciais que atravessam o tempo e espaço, como gratidão, respeito à diversidade e coragem. A apresentação por meio da narrativa visual, verbal, sonora e performática é composta pelos contos: “A Gratidão do Grou”, “A Busca do Fogo” e “O Velho com um Calombo”, sendo um passeio por elementos fantásticos da vida comum em meio à natureza.

Sinopse das histórias:

A Gratidão do Grou: Ao seguir seu caminho em uma plantação de arroz no Japão, um senhor ouve um estranho barulho. Assustado com aquele som, o mesmo se depara com uma encantadora ave, presa em uma armadilha. Ao libertá-la, a viu desaparecer no céu, sem saber que a partir daquele encontro, muitas coisas mudariam em sua vida.

A Busca do Fogo: Há muito tempo atrás na aldeia indígena dos Kaingangs, não havia fogo. Nem para cozinhar e nem para se aquecer nas noites frias. Quando se soube que apenas uma misteriosa família mantinha o fogo em segredo, um corajoso Kaingang decide ir sozinho nessa jornada para ajudar sua aldeia.

O Velho com um Calombo: Antigamente, no Japão, trabalhava nas montanhas um velhinho pacato e muito esforçado. Nada o incomodava, com exceção de um enorme calombo que possuía em seu rosto. Em uma tarde chuvosa, sem conseguir voltar para casa, ele acaba sendo cercado por um misterioso grupo, que o faz um estranho pedido.

FICHA TÉCNICA:

Concepção: Deraldo e Andressa Giacomini

Elenco: Andressa Giacomini, Deraldo, Michel Umeki e Álvaro Alves

Trilha sonora: Michel Umeki e Álvaro Alves

Ilustrações e bonecos: Amanda Marques

Elementos cênicos e figurino: Deraldo

Cenografia: Deraldo

Coordenadora de produção: Andressa Giacomini

Diretor artístico: Deraldo

Produção: Fátima Martins

Designer gráfica: Daniely Marques

Colaboração na pesquisa sobre a Cultura Japonesa: professora Masako Nakaba

Colaboração na pesquisa sobre a Cultura Kaingang: professores indígenas Edilene Pedro Terena, Carlos Roberto e Adriano Cesar Campos

Colaboração na pesquisa sobre Kiju Sakai: Louise Alfonso e Márcia Hattori

Orientação “Dança Bon Odori”: Denise Kuryama

Orientação “Manipulação Bonecos de Papel”: Maysa Carvalho

Fotos: Julio Dias/ Ateliê da Fotografia

Transmissão das lives: Empresa Hello

Assessoria de imprensa: Graziela Delalibera

Apoio: Prefeituras Municipais de Lins, Cafelândia, Promissão e Birigui e empresa Alink.

SERVIÇO:

Projeto Da Palha ao Papel – Caminhos de Encontro, da Cia. Koi

ESPETÁCULO:

Contos que a Terra Dá

Sessões online: Sexta, 10 de junho, 20h (Birigui); sábado, 11 de junho, 17h (Cafelândia) e 20h (Lins); domingo, 12 de junho, 17h (Promissão)

Onde assistir: canal do YouTube da Cia. Koi – www.youtube.com/c/CiaKoi

Ingressos: Grátis

Classificação etária: 10 anos

Duração: 45 minutos

Após sessões, haverá bate-papo sobre processo artístico

Oficina online Do Papel à Cena, com artista plástica e ilustradora Amanda Marques

Quando: Dia 20 de junho, das 13h30 às 16h30 (Lins); Dia 21 de junho, das 9h às 12h (Birigui); Dia 22 de junho, das 19h às 22h (Promissão); Dia 23 de junho, das 17h às 20h (Cafelândia)

Inscrições: www.ciakoiartes.com.br

Vagas: 30 por cidade

Público-alvo: público em geral, sendo que o foco são educadores, artistas e agentes culturais, a partir dos 16 anos

Sinopse da atividade: Conduzida pela artista plástica e ilustradora da Cia Koi, Amanda Marques, a oficina tem como objetivo a criação de um boneco articulado de papel. Cada participante construirá seu personagem, explorando as possibilidades de manipulação e trazendo assim vida ao mesmo nas histórias. Dessa forma, as potencialidades expressivas e a materialidade do papel serão abordadas como foco nessa oficina online.

Via Google Meet. Grátis

Canais da Cia. Koiwww.ciakoiartes.com.brwww.youtube.com/c/CiaKoi, instagram.com/cia.koi e facebook.com/companhiakoi

Por Graziela Delalibera


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