Com estratégia climática para 2050, Brasil se juntará a 80 lideranças globais

Tema será debatido no 2º Diálogo Nacional sobre Estratégia Climática de Longo Prazo no Brasil em 12 de maio, em São Paulo (SP); iniciativa do WRI Brasil integra o projeto internacional “2050 é Agora”, voltado a apoiar governos sobre a implementação; país tem 24 anos para se descarbonizar

São Paulo, maio de 2026 – Pela régua do clima, o marco de 2050 está logo aí e agir agora é imprescindível para garantir a descarbonização em 24 anos.

No entanto, o Brasil, um dos protagonistas internacionais da questão do clima e da transição energética, ainda não está entre as 80 partes (ou membros) que já apresentaram sua estratégia climática de longo prazo (LTS) à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC). 

Só na América do Sul, países como Colômbia, Peru, Chile e Uruguai já submeteram suas estratégias de longo prazo para o clima.

Para discutir a importância da LTS e por que o país precisa de uma, o WRI Brasil promoverá em São Paulo, em 12 de maio, a segunda edição do Diálogo Nacional sobre Estratégia Climática de Longo Prazo, com o tema “O Brasil que queremos em 2050: caminhos para a descarbonização, a resiliência climática e o desenvolvimento inclusivo”.

O evento contará com transmissão on-line. “Ainda que o Brasil tenha feito consistentes esforços de curto e de médio prazos, está atrasado em relação à estratégia de longo prazo.

Em um contexto estável, as LTS já seriam importantes. Mas, na atual instabilidade geopolítica global em que nos encontramos, tornam-se indispensáveis”, afirma Miriam Garcia, gerente sênior de Ação Climática do WRI Brasil.Net zero até 2050A especialista explica que as LTS foram previstas no Acordo de Paris, em 2015, e têm o objetivo de contribuir para que as nações atinjam a neutralidade de carbono até 2050.

Ela ressalta ainda, que, mesmo não sendo obrigatórias como as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), as LTS têm um papel central na definição de trajetórias para a redução de emissões, priorização de ações de adaptação e planejamento do financiamento climático.

Nesse contexto, defende a executiva do WRI Brasil, “um caminho viável ao Brasil seria aquele em que o País adote uma LTS que resolva simultaneamente a descarbonização e o desenvolvimento econômico e social”. 

Muitos países usam o esforço da construção de LTS para levantar questões críticas sobre a transformação econômica, transição justa e a resiliência à mudança climática, envolvendo diversas partes interessadas e agentes em toda a sociedade, incluindo grupos vulneráveis. 

Arcabouço legal e financiamento

Alguns planos nacionais se provam promissores desde o seu processo de elaboração. Países como Jamaica, Guatemala e Costa Rica têm discutido suas LTS em processos de ampla participação da sociedade, visando estratégias inclusivas, de forma que os grupos e populações impactados pelas mudanças climáticas possam ter voz.

Fiji, por sua vez, definiu que as ações climáticas devem estar aliadas ao desenvolvimento sustentável, redução de pobreza e desigualdade.

Já, Singapura se propôs a reduzir motores a combustão até 2040. Dinamarca, França, México e Reino Unido formalizaram leis com metas nacionais vinculantes de redução de emissões, enquanto Ilhas Marshall e Canadá incorporaram em seus processos de planejamento o engajamento ativo com mulheres e povos indígenas.

Por outro lado, um aspecto importante das LTS, é lançar luz sobre os investimentos necessários para fazer frente às mudanças climática.

Fiji, por exemplo, estima em 2,5 bilhões de euros o valor necessário para reduzir suas emissões de gases de efeito estufa.

Singapura, por sua vez, calculou que ações de proteção aos impactos climáticos à linha costeira do país insular são da ordem de 11,9 bilhões de euros.

Já a África do Sul avaliou em 25 bilhões de euros anuais o investimento necessário para conduzir ações de adaptação climática até 2030.

Visão de futuro

Garcia chama a atenção para o fato de que, muito mais do que apenas definir metas de redução de emissões, as LTS conquistaram uma importante relevância na construção de uma visão de futuro dos países. 

“As estratégias de longo prazo facilitam o alinhamento interno sobre a relação clima e desenvolvimento, além de contribuírem para a estruturação e a cooperação dos agentes nacionais de forma mais eficaz. Também promovem a identificação das necessidades de recursos financeiros e de tecnologia para que os países alcancem seus objetivos”, argumenta ela.

“Isso resulta em uma base sólida para a cooperação com parceiros internacionais e para o alinhamento de recursos globais com prioridades conduzidas pelo país.”  

Sintonia entre o agora e o amanhã

Em resumo, as LTS ajudam a conectar a tomada de decisão hoje com as metas de amanhã, enviando sinais claros aos investidores e outras partes econômicas e financeiras interessadas”, acrescenta a gerente sênior de Ação Climática do WRI Brasil. 

O evento aprofundará a discussão sobre o papel da LTS na aceleração da descarbonização no Brasil, assim como no fortalecimento da resiliência climática e na promoção de uma transição justa. 

Estão previstos 4 painéis com a presença de representantes de vários ministérios, bem como de atores do setor privado, da sociedade civil brasileira e de instituições internacionais.

Queremos contribuir gerando recomendações estratégicas para a construção e implementação da LTS brasileira”, resume Garcia.  

Entre algumas das autoridades que já confirmaram a sua participação estão Aloisio Melo, Secretário Nacional de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Márcio Rojas, Coordenador-Geral de Ciência do Clima do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e Patrícia Boson, Conselheira da Confederação Nacional do Transporte (CNT). Instituições e organismos como Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e os institutos Decodifica e E+ também confirmaram a presença de seus representantes. 

Confira algumas recomendações para se construir LTS 

1. Para países sem plano de longo prazo – Desenvolver estratégias climáticas de longo prazo críveis e submetê-las à UNFCCC — não como exercício de reporte burocrático, mas como ferramenta real de planejamento socioeconômico.

2. Para países com um plano já existente – Fecharo gap de implementação: testar decisões de curto prazo em relação às metas de longo prazo e demonstrar alinhamento concreto — não apenas intenção.

3. Para instituições parceiras e financiadoras – Reconhecer e divulgar como as estratégias climáticas de longo prazo podem impulsionar uma ação ambiciosa. Compilar exemplos concretos e pesquisas que tornem visível o caso de prosperidade — por país e por setor.

4. Para todos os atores – Deslocar o benchmark de avaliação: a pergunta não é mais ‘existe um plano?’ — é ‘o gap de implementação está diminuindo?’ 

Serviço2º.

Diálogo Nacional Sobre Estratégia Climática de Longo Prazo no Brasil – Quando: Dia 12 de maio, das 8h30 às 18h30 – Onde: São Paulo (SP) e transmissão on-line

Mais informações para a imprensa e cadastramento com Martina pelo e-mail martina.cavalcanti@wri.org.

Confira mais informações sobre o evento em nossa página

Sobre o WRI Brasil

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Como uma organização de pesquisa independente, utilizamos nossos dados, expertise e alcance global para influenciar políticas públicas e catalisar mudanças em sistemas como alimentos, uso da terra e água; energia; e cidades. Fazemos parte do World Resources Institute (WRI).

Fundado em 1982, o WRI conta com mais de 2.000 colaboradores que trabalham em mais de uma dúzia de países-chave e com parceiros em mais de 50 nações. 

(A foto em anexo é de Miriam Garcia, gerente sênior de Ação Climática do WRI Brasil)

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