Conferência histórica reúne Israel, EUA e quatro países árabes

30 de março de 2022 Off Por Ray Santos
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Encontro diplomático demonstra avanço na relação entre as nações e tem a ameaça nuclear iraniana como uma das pautas

Ministros de Israel, Estados Unidos e quatro países árabes (Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Marrocos e Egito) realizaram um encontro diplomático no deserto de Negev, no sul de Israel, no domingo e na segunda-feira, 27 e 28 de março. É a primeira vez que uma reunião desse tipo acontece, mostrando um novo nível de sintonia entre as nações participantes.

Apesar de não terem firmado nenhum acordo ou criado quaisquer políticas, o Secretário de Estado dos EUA Antony Blinken considerou a reunião como a mais recente indicação de um realinhamento das relações com o Oriente Médio, e que essa mediação poderia expandir o potencial de paz e resolução de conflitos em toda a região. Segundo Yair Lapid, ministro de Relações Exteriores de Israel, o país e seus vizinhos árabes têm planos de expandir ainda mais sua cooperação um com o outro e tornar a cúpula um evento anual.

Dentre os temas abordados na conversa, os destaques foram as preocupações compartilhadas entre os países, principalmente a respeito do Irã, e também a escassez de alimentos provocada pela guerra na Ucrânia, que está sendo sentida no Egito e no Marrocos.

O contato entre Israel e Estados Unidos ocorre em um momento de crescentes temores israelenses de que os EUA estão prestes a assinar um novo acordo com o Irã para conter seu programa nuclear em troca do fim das sanções americanas, retomando um acordo nuclear global de 2015 abandonado pelo então presidente Donald Trump. Desde então, o Irã avançou significativamente em suas atividades nucleares, o que preocupa Israel, que acredita que o novo acordo será mais fraco que o anterior e permitirá que o Irã intensifique ainda mais o desenvolvimento de seu arsenal com o fim das sanções. Outra questão que gera receio é a possibilidade de que os EUA removam a Guarda Revolucionária Iraniana (IRGC) de sua lista de grupos terroristas como parte de um novo acordo nuclear.

Além da questão iraniana, os diplomatas da Liga Árabe, juntamente com Anthony Blinken e o ministro das Relações Exteriores do Egito, também reiteraram seu apoio a uma solução pacífica para o conflito israelo-palestino, sugerindo uma solução de dois estados, o que foi descartado pelo primeiro-ministro israelense Naftali Bennett.

Apesar da seriedade da discussão e da diferença de ideias políticas, o fato é que a conferência foi histórica. O ministro Yair Lapid, que organizou a reunião, disse: “Estamos fazendo história, construindo uma nova arquitetura regional baseada no progresso, tecnologia, tolerância religiosa, segurança e cooperação de inteligência. Essa nova arquitetura, juntamente às capacidades compartilhadas que estamos construindo, intimida e dissuade nossos inimigos comuns, principalmente o Irã e seus aliados”.

Para André Lajst, cientista político e presidente executivo da StandWithUs Brasil, a reunião mostra o sucesso de Israel em firmar suas parcerias com a Liga Árabe, que é recente. Bahrain, Marrocos e os Emirados Árabes Unidos somente normalizaram suas relações diplomáticas com Israel em 2020, e o Egito foi o primeiro país árabe a firmar um acordo de paz com o país em 1979. “A construção e a manutenção desses laços diplomáticos é um passo importante para a defesa contra as investidas nucleares do Irã e também para se tentar construir um sistema mais eficiente de diálogo e resolução de conflitos na região. Essa relação é benéfica para os dois lados, já que os países árabes também buscam por tecnologia e inteligência de Israel, que é líder mundial nessas duas áreas, para tornarem seus países mais seguros contra possíveis ataques terroristas”, explica o especialista.

O ministro de Relações Exteriores de Israel, Yair Lapid, e o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, discursam na Cúpula do Negev, na última segunda, 28 de março. (Foto: captura de tela da transmissão/GPO)

Comuniquese,.


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