Descoberta científica pode melhorar resposta à quimioterapia em câncer de pulmão
Foto: Divulgação / Adobe Stock

Descoberta científica pode melhorar resposta à quimioterapia em câncer de pulmão

13 de maio de 2024 Off Por Marco Murilo Oliveira
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Estudo revela como a ausência de proteína específica torna células cancerígenas mais vulneráveis à quimioterapia, apontando novas direções para terapias mais eficazes

Um estudo publicado em maio na revista Nature revela descobertas significativas sobre como uma proteína específica, chamada HMGN1, atua no adenocarcinoma pulmonar, um dos tipos mais comuns de câncer de pulmão. Os resultados mostraram que quando a HMGN1 está ausente nas células do câncer, elas se tornam mais sensíveis à quimioterapia, o que significa que o tratamento pode ser mais eficaz.

Segundo Carlos Gil Ferreira, oncologista torácico e presidente do Instituto Oncoclínicas, este achado sugere que a HMGN1 pode ser um biomarcador prognóstico promissor e um alvo terapêutico potencial para tratar o adenocarcinoma pulmonar. “Abordagens que miram na HMGN1 poderiam potencializar a resposta à quimioterapia, oferecendo novas esperanças para os pacientes”, diz.

O estudo, intitulado Perda de HMGN1 sensibiliza células de câncer de pulmão à quimioterapia, utilizou uma combinação de análise de dados genéticos de grandes bancos de dados, como o The Cancer Genome Atlas (TCGA), e experimentos diretos com células para entender melhor a função da proteína HMGN1 no adenocarcinoma pulmonar. Os pesquisadores descobriram que essa proteína muitas vezes não funciona corretamente nesse tipo de câncer e que sua ausência pode tornar as células cancerígenas mais vulneráveis à quimioterapia. “A razão por trás disso é que a HMGN1 é importante para o reparo do DNA. Quando a proteína está ausente ou inibida, as células têm maior dificuldade em reparar danos no DNA, o que leva a uma maior eficácia dos tratamentos quimioterapêuticos, aumentando a morte das células cancerosas”, explica.

Em 2022, o câncer de pulmão foi o mais diagnosticado mundialmente, com 2,5 milhões de novos casos, ou 12,4% do total, e foi a principal causa de morte por câncer, com 1,8 milhão de óbitos, ou 18,7% do total, segundo os últimos dados disponíveis da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), da Organização Mundial da Saúde (OMS). Dividido em dois tipos principais, carcinoma de células não pequenas (NSCLC) e carcinoma de pequenas células (SCLC), o NSCLC é mais prevalente com subtipos como o adenocarcinoma pulmonar, que representa 40% dos casos. “Apesar dos progressos nos tratamentos, o prognóstico a longo prazo para esses pacientes ainda é um grande desafio clínico, o que torna essencial o desenvolvimento de diagnósticos precoces e terapias direcionadas eficazes”, diz.

Sobre Dr. Carlos Gil Ferreira
Possui graduação em Medicina pela Universidade Federal de Juiz de Fora (1992) e doutorado em Oncologia Experimental – Free University of Amsterdam (2001). Foi pesquisador Sênior da Coordenação de Pesquisa do Instituto Nacional de Câncer (INCA) entre 2002 e 2015, onde exerceu as seguintes atividades: Chefe da Divisão de Pesquisa Clínica, Chefe do Programa Científico de Pesquisa Clínica, Idealizador e Pesquisador Principal do Banco Nacional de Tumores e DNA (BNT), Coordenador da Rede Nacional de Desenvolvimento de Fármacos Anticâncer (REDEFAC/SCTIE/MS) e Coordenador da Rede Nacional de Pesquisa Clínica em Câncer (RNPCC/SCTIE/MS). Desde 2018 é Presidente do Instituto Oncoclínicas e Diretor Científico do Grupo Oncoclínicas. No âmbito nacional e internacional foi Membro Titular da Comissão Científica (CCVISA) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). No âmbito internacional é membro do Board, Career Development and Fellowship Committee e do Bylaws Committee da International Association for the Research and Treatment of Lung Cancer (IALSC);Diretor no Brasil da International Network for Cancer Treatment and Research (INCTR); Membro do Board da Americas Health Foundation (AHF). Editor do Livro Oncologia Molecular (ganhador do Prêmio Jabuti em 2005) e Editor Geral da Série Câncer da Editora Atheneu. Já publicou mais de 120 artigos em revistas internacionais. Em 2020, recebeu o Partners in Progress Award da American Society of Clinical Oncology. Presidente Eleito da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica para o período 2023-2025.

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