Duas em cada dez famílias de São Paulo vão entrar em 2026 com as contas atrasadas, aponta a FecomercioSP

Foto: arquivo

Endividamento seguiu sustentado pelo uso do cartão de crédito na capital ao longo de 2025; endividamento e lares sem condições de pagar as contas também caíram

Duas em cada dez famílias paulistanas vão começar o ano com ao menos uma conta atrasada, diz a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

Em absoluto, isso significa 821 mil lares convivendo com dívidas vencidas na cidade — patamar mais baixo desde março [tabela 1].

[TABELA 1]

Volume de famílias inadimplentes na Cidade de São Paulo

Dezembro de 2025

Fonte: FecomercioSP 

Para a Entidade, isso é reflexo de um fortalecimento das condições econômicas das famílias e da renda em alta pelo mercado de trabalho aquecido, o que potencializa a quitação de dívidas em atraso.

Seguindo essa esteira, caiu também o volume de lares que afirmam não ter as condições necessárias para pagar as dívidas vencidas, caso de 8,6% atualmente. Em novembro, essa taxa era de 9,2%. 

Da mesma forma, o indicador do endividamento — que mede quantas famílias da cidade têm dívidas ativas, embora não atrasadas — sustenta trajetória de queda e, agora, está em 69%, ante 70,6% de novembro.

Em dezembro de 2024, porém, essa taxa era mais baixa (68,2%), indicando que o ano terminará de forma bem parecida com a situação de 12 meses atrás.

A taxa de endividamento mensura, além das dívidas em si, o quanto os lares estão consumindo, já que parte relevante desse fenômeno vem de formas de pagamento de curto e médio prazos, como o cartão de crédito — que é, aliás, a modalidade mais comum entre os que se dizem endividados hoje (80,6%). 

[TABELA 2]

Volume de famílias sem condições de pagar as contas atrasadas na Cidade de São Paulo

Dezembro de 2025

Fonte: FecomercioSP

[TABELA 3]

Volume de famílias endividadas na Cidade de São Paulo

Dezembro de 2025

Fonte: FecomercioSP

Financiamento imobiliário em alta

Os dados da pesquisa também apontam para um fenômeno intrigante: ainda que as taxas de juros tenham passado 2025 em alta — acompanhando o movimento da Selic, que está em 15% ao ano (a.a.) —, a modalidade de crédito que mais subiu foi o financiamento imobiliário, abrangendo 16% das dívidas [gráfico 1].

[GRÁFICO 1]

Modalidades de dívidas das famílias paulistanas

Dezembro de 2025

Fonte: FecomercioSP

Em um cenário de juros altos, a expectativa era que esse tipo de crédito ficasse mais restrito, mas, como as taxas do mercado imobiliário são reguladas com base na demanda — e como o mercado formal está aquecido —, as famílias assumiram mais riscos ao comprar imóveis e financiá-los.

O mesmo fenômeno aconteceu com os financiamentos de carros, que se mantiveram em torno de 10% ao longo do ano, o que significa que 1 em cada 10 lares teve algum tipo de aquisição do tipo em 2025.

Dívidas controladas

Com tudo isso, a qualidade das dívidas também se manteve em nível estável ao longo de 2025, mostra a pesquisa da FecomercioSP.

O tempo médio em que as famílias estão comprometidas com alguma despesa de médio ou longo prazo, por exemplo, segue em sete meses — era de 7,4 meses há um ano.

Aqui é importante reforçar que 32% dos ouvidos apontam que suas dívidas têm vencimento em um prazo de três meses, representando o maior nível, nesse índice, desde que a série histórica começou, em 2010.

Entre as famílias endividadas, da mesma forma, o tempo médio de atraso seguiu em um patamar comum no ano, fechando 2025 em 62,6 dias. Em dezembro de 2024, era de 64,7 dias.

[GRÁFICO 2]

Tempo médio de comprometimento das dívidas na Cidade de São Paulo

Dezembro de 2025

Fonte: FecomercioSP 

[GRÁFICO 3]

Tempo médio de dívida em atraso 

Dezembro de 2025

Fonte: FecomercioSP

Em resumo, os sinais são positivos para 2026. A inflação está controlada, o mercado segue aquecido e, com a injeção dos recursos do décimo terceiro salário, há mais possibilidade de controlar as dívidas ao entrar no ano com o orçamento mais organizado.

Se essas condições forem mantidas, o nível de endividamento tenderá a permanecer em um patamar mais saudável de agora em diante — o que é um indicador importante para o consumo.

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