Divulgação – Ulisses Brondi, CEO da ASIS
O Brasil construiu, ao longo do tempo, um sistema tributário que desafia as empresas não apenas pelo volume de impostos, mas pela forma como eles precisam ser geridos.
A complexidade e o alto nível de exigência operacional do Fisco, intensificada nos últimos anos, elevou o nível de controle sobre o mercado e reduziu o espaço para erros.
Hoje, cada operação deixa rastros que podem ser cruzados em tempo real, e é nesse ambiente que a área fiscal ganha outro peso dentro das organizações.
“O erro podia até passar despercebido ou aparecer como algo pontual, uma nota preenchida de forma incorreta, um cálculo feito errado, um cadastro desatualizado. Como a fiscalização ocorria de forma mais fragmentada e posterior às operações, essas inconsistências nem sempre eram cruzadas ou identificadas de maneira integrada”, explica Ulisses Brondi, CEO da ASIS Tax Tech, empresa brasileira de tecnologia tributária que desenvolve soluções para automação, controle e conformidade fiscal.
Ulisses Brondi, CEO da ASIS Tax Tech
O executivo ainda destaca que, agora, o Fisco cruza automaticamente informações de diferentes fontes, notas fiscais, declarações, movimentações, e faz isso de forma contínua. Nesse ambiente, um erro não aparece sozinho: ele se repete, se conecta com outros dados e revela um padrão.
Ou seja, o que antes parecia um deslize isolado passa a indicar uma inconsistência estrutural, um problema de processo, de cadastro ou de lógica tributária. “Isso obriga as empresas a saírem de uma lógica reativa e adotarem uma gestão fiscal contínua, baseada em monitoramento e antecipação”, afirma Brondi.
A expansão de empresas como a ASIS Tax Tech está ligada a esse ambiente. Após crescer 69% no último ano, a companhia projeta novo avanço em 2026, com meta de R$ 100 milhões em faturamento.
Fundada em 2009, a empresa cresceu acompanhando a digitalização do Fisco brasileiro, especialmente após a implementação do SPED, quando o governo começou a estruturar um modelo de fiscalização baseado em dados.
Isso significou o fim de um modelo fragmentado e o início de um ambiente em que informações fiscais, contábeis e operacionais passaram a dialogar entre si, e hoje se posiciona como uma tax tech, ou seja, uma empresa que usa tecnologia para resolver desafios tributários de forma completa.
A partir dali, o desafio mudou de natureza. “Não se trata apenas de apurar tributos, mas de garantir que cada informação transmitida esteja consistente com um conjunto amplo de dados já disponíveis ao Fisco”, diz.
Foi nesse ponto que a empresa direcionou sua atuação: desenvolver mecanismos capazes de antecipar inconsistências e reduzir a exposição a riscos.
Nos últimos dois anos, essa proposta ganhou escala. A ASIS triplicou o faturamento e ampliou o escopo da plataforma, que passou a integrar rotinas fiscais e contábeis em um mesmo ambiente.
A operação inclui auditoria digital, atualização contínua da legislação e automação de processos que, até pouco tempo atrás, dependiam de conferência manual.
“Hoje lidamos com um volume de alterações legais que torna inviável qualquer acompanhamento sem tecnologia. Com mais de 3 milhões de alterações na lei por ano, a plataforma monitora automaticamente as alíquotas de impostos e mantém os cadastros de produtos e serviços sempre atualizados”, afirma
Um dos pontos centrais está na captura de documentos fiscais. Notas eletrônicas emitidas contra empresas, NF-e, CT-e e NFS-e, podem surgir em milhares de municípios, com regras distintas. Reunir, organizar e validar essas informações sempre foi uma tarefa dispersa. Agora, esse fluxo passa a ser consolidado automaticamente, reduzindo lacunas e retrabalho.
Ao mesmo tempo, a plataforma executa rotinas de planejamento tributário e monitora inconsistências à medida que surgem. O ganho não está apenas na execução mais rápida, mas na possibilidade de identificar desvios antes que se tornem passivos.
A próxima etapa dessa transformação já tem data para começar. A transição da Reforma Tributária, prevista entre 2026 e 2033, deve introduzir um período de convivência entre sistemas diferentes, ampliando a complexidade operacional.
Para empresas, isso significa lidar com novas regras sem abrir mão das antigas, um cenário que tende a exigir ainda mais controle.
Desse modo, a discussão sobre tecnologia fiscal começa a se deslocar. Mais do que automatizar tarefas, a expectativa é reorganizar a forma como as informações são consumidas.
“O caminho aponta para menos navegação em sistemas e mais interpretação automática de dados. A ideia é concentrar a análise em plataformas que consigam traduzir cenários complexos em respostas diretas e tudo isso em um tempo recorde”, conclui Brondi.
Segundo Ulisses, como parte dos planos para o futuro, a ASIS quer avançar, justamente, na forma como entrega informação ao cliente e simplificar a interface com o usuário.
“O avanço da inteligência artificial deve mudar a forma como as empresas lidam com informações fiscais, contábeis e conformidade. E estamos trabalhando nesse sentido. Em vez de navegar por múltiplas telas, relatórios extensos e grandes volumes de dados desconectados, a tendência passa a ser a centralização da análise em plataformas capazes de interpretar cenários complexos automaticamente e entregar respostas mais estratégicas, de forma simples, rápida e acionável. Isso significa sair de um modelo baseado em leitura e conferência manual para uma lógica orientada por dados, em que o sistema já indica onde estão os riscos, qual é o impacto financeiro envolvido e quais decisões precisam ser priorizadas”, afirma.
Esse avanço no uso de inteligência artificial, segundo o executivo, é uma resposta direta ao novo ambiente fiscal brasileiro, em que o volume de dados, a velocidade da fiscalização e o nível de exigência tornaram inviável qualquer gestão baseada apenas em revisão posterior.
Com isso, a transformação da informação em direcionamento estratégico permite antecipar problemas antes que eles se convertam em custos.
Mais informações: https://asisprojetos.com.br/
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