Exportações de dispositivos médicos crescem em maio pela primeira vez no ano e importações seguem em desaceleração

Após meses de retração, vendas externas avançam 7,09% no comparativo anual; importações registram segunda queda consecutiva e acumulado do ano mantém cenário de déficit comercial

A balança comercial brasileira de dispositivos médicos apresentou sinais positivos em maio de 2026. Depois de uma sequência de resultados negativos ao longo dos primeiros meses do ano, as exportações voltaram a crescer no comparativo com o mesmo período de 2025.

No quinto mês do ano, as vendas externas do setor avançaram 7,09%, enquanto as importações registraram queda de 5,80%.

Apesar da melhora observada em maio, o acumulado entre janeiro e maio ainda aponta retração nas exportações. No período, a indústria brasileira exportou US$ 407,4 milhões em dispositivos médicos, resultado 15,52% inferior ao registrado nos cinco primeiros meses de 2025.

As importações, por sua vez, somaram US$ 4,7 bilhões, crescimento de 5,86% na mesma comparação.

O resultado de maio chama atenção por representar uma mudança de tendência. Desde o início do ano, o setor vinha registrando sucessivas quedas nas exportações.

Em março, por exemplo, a retração chegou a quase 25% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Maio foi o primeiro mês de 2026 a apresentar crescimento das vendas externas no comparativo anual.

A evolução mensal das exportações também demonstra uma recuperação gradual ao longo do ano. Em janeiro, o Brasil exportou US$ 65,3 milhões em dispositivos médicos. Em maio, esse volume alcançou US$ 96,1 milhões, indicando uma trajetória consistente de crescimento ao longo dos primeiros cinco meses de 2026, movimento semelhante ao observado em 2025.

Do lado das importações, maio marcou a segunda queda consecutiva após um primeiro trimestre de crescimento. Em abril, as compras externas haviam recuado 3,66%. Agora, em maio, a redução foi ainda maior, chegando a 5,80%.

Reabilitação, odontologia e laboratório impulsionam exportações

A análise por verticais mostra que o crescimento das exportações em maio foi sustentado por três dos quatro segmentos que compõem a indústria de dispositivos médicos.

A vertical de reabilitação registrou o melhor desempenho do período, com crescimento de 28,54% nas exportações. Na sequência aparecem odontologia, com alta de 20,54%, e laboratório, que avançou 13,61%.

A única retração foi observada na vertical médico-hospitalar, que reduziu suas exportações em 1,78%. Ainda assim, o segmento continua sendo o principal responsável pelas vendas externas do setor, com US$ 54,3 milhões exportados apenas em maio.

Os Estados Unidos permaneceram como principal destino dos dispositivos médicos brasileiros, seguidos por Argentina, Suíça, Chile e México.

Entre os produtos mais exportados no período destacam-se artigos e aparelhos ortopédicos, sacos, bolsas e cartuchos de polímeros de etileno, categutes esterilizados para suturas cirúrgicas, instrumentos para odontologia e válvulas cardíacas.

Importações recuam em três das quatro verticais

Nas importações, apenas a vertical de odontologia apresentou crescimento nas compras externas, com alta de 8,81%. As demais verticais registraram retração.

O segmento de reabilitação apresentou a maior queda, com redução de 29,92%. Na sequência aparecem médico-hospitalar, com recuo de 5,09%, e laboratório, que registrou queda de 4,29%.

A Alemanha liderou o fornecimento de dispositivos médicos ao mercado brasileiro em maio, seguida por Estados Unidos, China, Irlanda e Suíça.

Os produtos mais importados pelo Brasil continuam concentrados em itens de maior complexidade tecnológica. Entre eles estão produtos imunológicos apresentados em doses ou acondicionados para venda a retalho, reagentes de diagnóstico ou laboratório, sondas, cateteres e cânulas, além de instrumentos e aparelhos utilizados em medicina, cirurgia, análises, ensaios e medições.

“Embora o acumulado do ano ainda apresente um cenário desafiador para as exportações brasileiras, os resultados de maio indicam uma possível reversão da tendência observada nos primeiros meses de 2026.

É importante seguirmos acompanhando essa mudança para entender se há uma movimentação positiva na competitividade da indústria nacional frente aos concorrentes internacionais”, comenta Larissa Gomes, gerente de Projetos e Marketing da ABIMO.

Simone Carmona
simone.carmona@agencia.pub
(11) 3031-0746

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