Fertilizante mais escasso aumenta pressão para extrair mais de cada tonelada

Entregas recuam 8,8% em 2026 e podem terminar o ano abaixo do volume registrado em 2025; análise química ajuda a verificar quanto de nutriente está efetivamente presente no produto

O mercado brasileiro de fertilizantes entrou em 2026 com um desafio diferente: aumentar a eficiência de um dos principais insumos da produção agrícola. Depois do recorde de 49,1 milhões de toneladas entregues em 2025, o volume recuou 8,8% entre janeiro e julho deste ano, para 22,98 milhões de toneladas, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA). A Agroconsult estima que as entregas terminem o ano entre 44 milhões e 45,3 milhões de toneladas, abaixo do registrado no ano passado. 

A menor disponibilidade ocorre em um cenário no qual a produção nacional de fertilizantes intermediários também perdeu força. De janeiro a julho, foram produzidas 3,89 milhões de toneladas no país, queda de 19,7%, enquanto as importações recuaram 7,6%, para 21,7 milhões de toneladas. Nesse contexto, além de decidir quanto fertilizante utilizar, ganha importância uma questão anterior: quanto de nutriente existe, de fato, em cada tonelada adquirida?

“Quando o fertilizante fica mais caro ou menos disponível, naturalmente aumenta a pressão para utilizar cada tonelada da maneira mais eficiente possível. Mas essa eficiência começa pelo conhecimento do próprio insumo. A tonelada é uma medida de peso; para a produção agrícola, o que importa são os nutrientes presentes naquele produto e suas concentrações”, afirma Rafael Soares, diretor da Pensalab, empresa especializada em soluções para análises laboratoriais.

O Brasil está entre os maiores consumidores mundiais de fertilizantes e depende fortemente do mercado externo para atender sua demanda. Essa escala faz com que pequenas diferenças na composição dos produtos possam adquirir relevância econômica quando consideradas grandes quantidades.

A análise química permite determinar a composição do fertilizante e os teores de nutrientes presentes no produto, como nitrogênio, fósforo e potássio, entre outros elementos, dependendo da formulação. O controle analítico pode ser empregado em diferentes pontos da cadeia, da avaliação de matérias-primas e formulações à verificação do produto final.

“Quando se fala em eficiência de fertilizantes, a discussão costuma começar no campo, na quantidade que será aplicada. Existe, porém, uma etapa anterior. É preciso conhecer aquilo que está sendo utilizado. Se a composição ou a concentração encontrada for diferente da esperada, muda também a quantidade de nutrientes efetivamente disponibilizada naquela aplicação”, explica Soares.

A preocupação com eficiência não significa necessariamente utilizar menos fertilizante. A Embrapa ressalta que as perdas de nutrientes estão relacionadas a diferentes fatores, incluindo características dos fertilizantes e seu manejo, e que o uso inadequado pode resultar tanto em desperdício econômico quanto em impactos ambientais. 

Para Soares, o desafio é substituir uma discussão baseada apenas no volume de insumos por uma avaliação mais precisa daquilo que cada produto efetivamente entrega. “Não se trata de dizer que o produtor está usando fertilizante demais ou de menos. Isso depende de uma série de fatores agronômicos. O ponto do controle de qualidade é outro: se uma empresa compra um fertilizante com determinada especificação, precisa ter condições de verificar o que está recebendo. Em um cenário de maior pressão sobre custos e disponibilidade, essa informação ganha ainda mais valor”, afirma.

Qualidade também pesa na conta

O preço por tonelada costuma ser uma das principais referências na compra de fertilizantes, mas ele não conta toda a história. Produtos com preços semelhantes podem apresentar formulações e concentrações diferentes, e é a quantidade dos nutrientes presentes que ajuda a determinar o valor efetivamente entregue pelo insumo. A análise ganha importância também para fabricantes, importadores, distribuidores e cooperativas, que lidam com grandes volumes e precisam manter controle sobre matérias-primas, formulações e lotes comercializados.

“Em uma cadeia dessa dimensão, controle de qualidade também é controle de custo. O laboratório transforma uma característica que não pode ser determinada apenas olhando para o produto em um dado objetivo. Isso permite verificar composição, comparar resultados e tomar decisões com mais informação”, diz Soares.

Para o executivo, o cenário de 2026 reforça uma mudança importante na discussão sobre fertilizantes. “Durante muito tempo, o debate esteve muito concentrado em quanto fertilizante o Brasil precisa consumir para produzir mais. A pergunta sobre eficiência precisa ganhar o mesmo espaço. Quando cada tonelada se torna mais relevante, saber exatamente o que existe dentro dela deixa de ser apenas uma questão técnica e passa a ser também uma questão econômica”, conclui.

Gilmara
gil@compliancecomunicacao.com.br

Continue sempre bem informado acessando nossos portais:

  • Jornal Dia Dia – Sua fonte confiável para as melhores notícias e artigos úteis. Fique por dentro dos acontecimentos mais importantes, dicas práticas e conteúdos de qualidade.
  • Jornal Brasil Regional (JBR) – O pulso do país em tempo real. Notícias nacionais, regionais e internacionais com ética e credibilidade.
  • Castilho Notícias (News) – O seu diário local com cobertura de Castilho e Região (SP). Jornalismo com credibilidade.
  • Casa e Jardim – Dicas exclusivas sobre decoração, jardinagem, arquitetura, DIY, reformas e muito mais. Tendências, soluções práticas e ideias criativas para todos os estilos e orçamentos.
  • B10 Brasil – As principais notícias, análises e insights sobre negócios, economia e soberania nacional. Conectando o Brasil ao mundo com inteligência e estratégia.