Gasto com serviços de TI deve atingir US$ 1,87 tri e acende alerta para custo real de equipes internas

Por Igor Kelvin, Gerente de MSP – Serviços Gerenciados de TI na Beyondsoft Brasil

Foto arquivo

A conta da TI passa a não fechar quando termina na folha de pagamento. Em 2026, essa simplificação se torna ainda menos justificável. Segundo a Gartner, os gastos globais com tecnologia devem atingir US$ 6,31 trilhões neste ano, 13,5% acima dos de 2025.

Dentro desse montante, os serviços de TI devem movimentar US$ 1,87 trilhão, com crescimento de 9%. Esse avanço importa porque mostra que as empresas não estão apenas comprando mais tecnologia, elas estão gastando cada vez mais para mantê-la funcionando, atualizada e protegida.

A discussão, portanto, não deveria ser se uma equipe interna custa menos do que um parceiro de Serviços Gerenciados de TI na comparação mensal, mas deveria ser: quanto custa sustentar, com recursos próprios, tudo o que uma operação de tecnologia exige para não parar?

O salário é apenas a parcela mais visível dessa despesa. A análise da Cortavo sobre o Fully Loaded Cost of Employee chama a atenção para o que fica fora da comparação mais comum, como encargos, benefícios, recrutamento, integração, treinamento e certificações.

Em um de seus exemplos, um profissional com salário-base anual de US$ 75 mil pode representar um custo efetivo entre US$ 105 mil e US$ 130 mil.

O ponto mais importante, porém, não está no multiplicador, mas no que acontece depois dele. Uma empresa pode pagar adequadamente por dois ou três profissionais competentes e, ainda assim, não ter cobertura para férias, afastamentos, incidentes fora do horário comercial ou demandas que exijam conhecimentos específicos.

Para resolver isso, precisa contratar, treinar, reter ou recorrer a especialistas externos. A equipe própria não deixa de custar quando o salário acaba.

É justamente depois dele que começa a parte da conta que muitas empresas não calculam.

Essa fragilidade aparece com mais força quando a operação falha. Um sistema indisponível não gera prejuízo apenas para a área de tecnologia.

Ele interrompe vendas, atrasa atendimento, paralisa processos financeiros e obriga funcionários de diferentes áreas a trabalhar em contingência ou simplesmente esperar.

O mesmo ocorre com segurança. Segundo o relatório Cost of a Data Breach 2025, da IBM e do Ponemon Institute, o custo médio global de uma violação de dados foi de US$ 4,4 milhões.

A média não serve para estimar automaticamente a perda de uma empresa brasileira, mas expõe um problema de raciocínio.

Prevenção, monitoramento e resposta a incidentes costumam ser avaliados como custo, enquanto a consequência de não fazer isso é tratada como uma possibilidade remota.

Não deveria ser. A TI interna parece barata enquanto nada acontece. Quando uma indisponibilidade se prolonga ou um incidente exige resposta especializada, a economia construída pela redução da estrutura pode desaparecer em poucas horas.

É claro que isso não transforma o Serviço Gerenciado de TI em uma solução universal. Há empresas cuja tecnologia é parte do próprio produto e que precisam preservar internamente conhecimento sobre sistemas proprietários, dados críticos e decisões de arquitetura.

O argumento em favor dos serviços gerenciados de TI não é que toda empresa deve terceirizar sua TI, mas que poucas precisam construir internamente todas as competências necessárias para operar uma infraestrutura moderna.

Confundir domínio estratégico com execução operacional é um erro caro. Não há vantagem competitiva em manter profissionais altamente qualificados presos à redefinição de senhas, ao acompanhamento rotineiro de servidores ou à resolução repetitiva de problemas que podem ser tratados por uma estrutura dedicada a isso.

O recurso escasso não é apenas dinheiro. É também o tempo dos profissionais que a empresa consegue contratar e reter.

Os números da Gartner ajudam a enxergar essa mudança. Os US$ 1,87 trilhão previstos para serviços de TI em 2026 não representam apenas um mercado maior para fornecedores.

A cifra mostra a dimensão da infraestrutura, da especialização e da operação contínua que as empresas passaram a demandar. O crescimento de 9% nessa categoria ocorre em um cenário no qual a tecnologia se tornou mais extensa e mais crítica para o funcionamento dos negócios.

Replicar internamente toda essa capacidade significa assumir custos fixos de pessoas, ferramentas e conhecimento que nem sempre serão utilizados na mesma intensidade.

Um parceiro de Serviços Gerenciados de TI, quando bem contratado e com escopo adequado, permite compartilhar essa estrutura. A economia, nesse caso, não vem necessariamente de pagar menos por cada tarefa, mas de deixar de financiar sozinho uma capacidade operacional robusta que precisa existir o tempo todo (24/7).

Por isso, a comparação entre equipe própria e a contratação de um parceiro de serviços gerenciados de TI precisa sair da planilha salarial e entrar no cálculo do custo total de propriedade. Salários, encargos, turnover, treinamento, ferramentas, licenças e cobertura são despesas mensuráveis.

Indisponibilidade, dependência de profissionais-chave, demora na resposta a incidentes e perda de produtividade também têm custo, embora raramente apareçam na mesma linha do orçamento.

A decisão mais racional não é perguntar quem cobra menos. É identificar qual modelo entrega a capacidade de que a empresa precisa com menor exposição operacional.

Em 2026, manter uma equipe interna apenas porque seu salário parece mais barato do que a mensalidade de um parceiro de Serviços Gerenciados de TI é fazer uma economia baseada em informação incompleta.

E decisões de tecnologia tomadas com uma conta incompleta costumam se revelar caras justamente quando a empresa mais precisa que sua TI funcione.

Igor Kelvin é Gerente de MSP – Serviços Gerenciados de TI na Beyondsoft Brasil, especialista em gestão de serviços gerenciados e otimização de operações de TI corporativa.


Gabriel Moreira
gabriel.moreira@mention.net.br
(11) 5217-0177

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