Instituto Elas por Elas promoverá Marcha pela paz e contra o feminicídio no Paranoá

Instituto Elas por Elas promoverá Marcha pela paz e contra o feminicídio no Paranoá

7 de março de 2024 Off Por Ray Santos
Compartilhar

Foto: EBC/Google

Na comemoração do Dia Internacional da Mulher, o Instituto Elas por Elas promoverá a “Marcha pela paz e contra o feminicídio” no Paranoá, no próximo sábado, 9, às 9h, no Paranoá.

O objetivo da caminhada é convocar famílias vítimas de feminicídio, sociedade civil, imprensa e entes públicos a apoiarem a causa. Os números são crescentes no Brasil.

No ano passado, segundo dados divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou 1.437 casos de feminicídio. 

Diante deste cenário, o Instituto Elas por Elas atua na proteção, capacitação, esclarecimento e apoio a mulheres vítimas de violência.

A fundadora do Instituto Elas Por Elas, Thaíse Arcuri,  é agente da Polícia Civil do Distrito Federal, na Delegacia da Mulher, e convive com essa triste realidade diariamente. 

“Percebi que muitas mulheres vivem em uma espécie de prisão, pois não conseguem sair do ciclo de violência em virtude da dependência econômica, razão pela qual busquei a possibilidade de fornecer cursos em que elas possam trabalhar em casa”, relata. 

O instituto atua principalmente em Paranoá, que tem um dos maiores índices de violência doméstica e feminicídio do Distrito Federal.

O Elas por Elas oferece apoio emocional, profissional para mulheres do DF, mas também de todo o Brasil.

Além de cursos de capacitação na área de culinária, costura, beleza e eventos, também oferece cursos on-line profissionalizantes por meio de uma comunidade que é frequentemente alimentada com mensagens de apoio, incentivo e coragem. 

“O Instituto é estruturado em três pilares: Resgatar, Reconstruir e Recomeçar. Resgatar a si mesma pois a violência doméstica, seja qual for, física, psicológica, moral , sexual ou patrimonial, aprisiona e afeta a autoestima, e a identidade da mulher. Reconstruir é o eixo do Elas por Elas.

Um direcionamento para a construção do projeto de vida dessas mulheres. Já Recomeçar é focar na inclusão no mercado de trabalho, seja via emprego formal ou empreendedorismo, trabalhando no proprio lar”, explica Gilma Spínola, Presidente do instituto.

Dados, pesquisas e números

Um estudo realizado em 2022 pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e a DataFolha, “Visível e Invisível a
Vitimização da Mulher no Brasil”, relatou dados crescentes violência contra meninas e mulheres.

Os resultados trazidos pela quarta edição da pesquisa de vitimização do Fórum alertam para o fato de que 33,6% das mulheres já sofreram violência física  ou sexual por parte do parceiro íntimo ou do ex, além de mostrar um crescimento expressivo de todos os tipos de violência, apontando a casa como o espaço de maior agressões nas mulheres, sendo de 53,8%.

“A violência que atinge meninas e mulheres tem como raiz os diferentes valores atribuídos culturalmente a mulheres e homens, que determinam expectativas sobre seus comportamentos.

É a desigualdade de gênero nas relações entre homens e mulheres, consolidada ao longo de centenas de anos, que delineia as assimetrias e produz relações violentas através de comportamentos que induzem as mulheres a submissão”, afirma Gilma. 

Em 2013, a Organização Mundial de Saúde publicou o primeiro relatório com estimativas da prevalência de violência física e/ou sexual provocadas por parceiro íntimo ou não, tendo sido produzida a partir de uma extensa e sistemática revisão de 141 pesquisas em 81 países conduzidas entre os anos de 1990 e 2012.

No diagnóstico mais recente, publicado em 2021, foram incluídos 366 estudos em 161 países realizados entre 2000 e 2018.

Os resultados globais indicam que 27% das mulheres com idade entre 15 e 49 anos experimentaram violência física ou sexual provocada por parceiro ou ex-parceiro íntimo, em que 13% tinham sofrido a violência nos últimos 12 meses.

“Os números indicam, portanto, que a violência contra meninas e mulheres é um problema global, expressão máxima das desigualdades de gênero e que exige esforços nacionais e internacionais para sua superação”, finaliza Gilma.


Compartilhar